Tempos modernos…

Boa tarde…

Engraçado viver nesses tempos de Redes Sociais e Internet não é mesmo?
Agora vocês devem estar se perguntando “E existiu outros tempos onde não havia nada disso?”. Existiu, e apesar de ainda não ser tão velho assim (30 anos, pra quem gostaria de saber), vivi parte dessa época, em que a Internet existia, mas não era tão acessível nem popular.
Aonde está a parte engraçada disso?
Simples, as relações, elas mudaram e muito. Vamos voltar no tempo e lembrar como era o processo completo para se conhecer, tornar-se amigo e ter certa intimidade com uma pessoa.
Antigamente para duas crianças ou adolescentes se tornarem amigos, começavam no fator SE VER PELA PRIMEIRA VEZ, podia ser na escola, numa brincadeira entre uma turma de amigos ou algo do tipo. Vamos tomar um exemplo:
“Uma turma de crianças se reúnem na rua para brincar de pique esconde, e uma dessas crianças resolve convidar o primo da rua de cima, que ninguém mais da turma conhecia, começa a brincadeira, no meio da brincadeira ele ajuda alguém que está mal escondido. Pronto, o primeiro contato de simpatia acontece. No outro dia essas duas crianças que nunca haviam se encontrado antes da brincadeira, percebem na hora do recreio que estudam na mesma escola, conversam sobre os professores, como uns são chatos e outros são legais. Pronto, segundo contato. E assim 5 dias por semana eles se vêem, se cumprimentam, conversam e se conhecem mais, em 1 mês são amigos, acaba o ano, começa um novo, volta as aulas e eles caem na mesma sala. Pronto, sinal verde para uma boa amizade. Trabalho de escola em dupla, os dois se juntam para fazer, revezam entre a casa de um e outro, começam a chamar a mãe do amigo de tia. Pronto, melhor amizade.”
Foi um exemplo entre milhares de situações cotidianas que podem acarretar em uma amizade verdadeira entre duas crianças, já aconteceu comigo e talvez contigo que está lendo agora. E hoje em dia?
Bem, hoje em dia já começa que não vemos mais crianças brincando na rua de pique esconde, pega-pega, bolinha de gude, pião, taco, futebol. Até bateu a nostalgia aqui e a saudade da minha infância.
Vamos agora simular um exemplo de como as crianças se conhecem hoje em dia e formam amizades:
“A criança está no computador, acompanhando as atualizações de status dos seus amigos no Facebook, de repente ela vê uma postagem que não pode ficar sem comentar, comenta zuando seu amigo, aí do nada surge outro amigo desse amigo que também comenta zuando ele, um curte o comentário do outro, fazem mais duas ou três piadinhas e param. Pronto, houve um primeiro contato de simpatia. Num outro dia acontece mais ou menos parecido, e dessa vez eles tiram mais onda juntos. Pronto, segundo contato de simpatia. Num belo dia o amigo em comum resolve postar algo e marcar os dois, ambos comentam, um interagindo com o outro e acaba que um adiciona o outro em sua lista de amigos da Rede. Pronto, um princípio de amizade. Passam a compartilhar, curtir e comentar o que o outro posta, sempre trocando algumas palavras e até conversando, descobrem que têm  coisas em comum entre eles, como sites que visitam, músicas que escutam, jogos que jogam, entre outros. Pronto, uma boa amizade se forma. E então quase 1 ano depois do primeiro contato na Rede Social eles se encontram na festa de aniversário do amigo que eles têm em comum, e mesmo tendo tanto tempo que conversam praticamente todos os dias, é a primeira vez que se encontram e são completamente desconhecidos, mas conversam um bocado, marcam de jogar vídeo game um dia qualquer e se inicia o processo de amizade que os amigos de antigamente faziam antes de qualquer coisa.”
Só eu vejo algo de estranho nisso? Pode ser. Tudo bem.
Mas o pior é que esse tipo de coisa não se reserva só as crianças e adolescentes não, acontecem com nós adultos também. Vamos à um exemplo do processo normal de conhecimento e formação de amizade entre dois adultos:
“Um homem resolve trocar de emprego, pois lhe surge uma boa oportunidade. Ele chega na empresa nova, onde não conhece ninguém, não sabe como as coisas funcionam, da aquele frio na barriga e aquele sentimento de vazio no peito. Está prestes a cometer uma gafe qualquer quando um colega chega e avisa antes que aconteça. Pronto, primeiro contato de simpatia. Na hora do almoço se senta sozinho no refeitório e pensa em ligar pra esposa e contar como está sendo seu dia e eliminar um pouco da solidão, então chega o mesmo colega que o ajudou e senta ao seu lado e puxa conversa. Pronto, segundo contato de simpatia.
Passa uma semana de trabalho, mais ou menos a mesma rotina diária, chega a sexta e uma galera da empresa combina de sair depois do expediente pra tomar um chopp, ele iria ficar de fora, afinal era novato e não conhecia ninguém, então o colega simpático chega e o convida para ir, ele vai, bebem juntos, conversam, descobrem que compartilham gostos por muitas coisas, entre elas o tipo de bebida e comida que preferem. Pronto, uma amizade começa a se formar. E assim o tempo vai passando e essa rotina diária e semanal se repetindo, até que um dia um deles da uma festa em sua casa comemorando algo e convida o outro para ir e levar sua esposa também. Pronto, amizade formada.”
Processos de conhecimento como esse é claro que acontecem praticamente com a mesma frequência, pois infelizmente ainda trabalhamos com a mesma frequência, mas temos que admitir que também existem a maneira virtual dos adultos de se conhecerem. Vamos à um exemplo, que talvez vocês se identifiquem:
“A pessoa nas horas livres ao invés de ir encontrar com os amigos ou visitar os familiares, entra em contato com eles pelas Redes Sociais, então num belo dia pra cobrir o vazio causado pela vontade de se abrir com alguém e não saber quem, cria um Blog. A pessoa vai postando, sem nem ligar se estão lendo ou não, apenas desabafando mesmo, até que um dia alguém comenta sua postagem. Ela responde e curte o comentário e pensa “Nossa, não sabia que tinha alguém lendo o que escrevo”, resolve visitar o Blog da pessoa também, ver sobre o que ela escreve e se identifica com muitas das coisas que ela posta, curte e comenta algumas. Pronto, primeiro contato de simpatia. No outro dia ela resolve desabafar mais uma vez e novamente aquela pessoa curte e comenta e ela responde ao comentário, dessa vez mencionando e citando coisas que leu no Blog da outra pessoa. Pronto, segundo contato de simpatia. E assim vai indo, um curtindo e comentando as postagens do outro, começam a indicar o Blog do outro no seu próprio Blog, elogiando o trabalho do outro e a forma como escreve. Pronto, uma amizade começa a se formar. Então num belo dia um deles faz um grande elogio ao outro que resolve então passar o link do seu perfil no Facebook pedindo pra adiciona-lo, e é o que acontece. Então ambos começam a conhecer mais sobre a vida pessoal do outro, quem é, o que faz, quem são os parentes, o que acham dele, no que trabalha e essas informações que o Facebook adora dar. Pronto, amizade formada. Aí num belo dia um deles acaba tendo que ir a trabalho na cidade do outro e resolve marcar de se encontrarem, talvez almoçarem e beberem alguma coisa. Eles marcam, se encontram, pra enfim descobrirem que mesmo depois de mais de 2 anos conversando pela Internet, ainda é estranho se encontrarem pela primeira vez, pois mesmo sabendo tanto um do outro fica a sensação do desconhecimento.”
Agora me digam, é bem assim ou não é?
Claro, tenho que concordar que a Internet aproxima muito as pessoas, eu mesmo tenho muitas amizades que começaram na Internet e que amo de verdade, mas o processo original sempre será muito melhor.

Gill Nascimento

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1 comentário

  1. Registos Digitais

     /  22 de junho de 2015

    Republicou isso em Registos Digitais.

    Curtido por 1 pessoa

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