Papo de bar, assunto: Mãe!

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Sabe, eu gosto muito dessa categoria ‘Proseando’, quando escrevo algo pra essa categoria, me imagino num papo de velhos amigos num bar, relembrando as velhas e mais bobas histórias do passado.
As mesas dos bares são verdadeiras máquinas do tempo, você pega um bom amigo de infância e senta em uma e peça um drink, vai entender o que estou dizendo. Um dia desses estava com um amigo meu tomando um chopp e botando o papo em dia, depois de algumas canecas, começamos a lembrar do passado, mais especificamente das nossas mães, e das mães dos nossos melhores amigos da época.
Mães são assuntos sempre que rendem boas risadas, porque são tão diferentes umas das outras, mas no fundo são tão iguais, acho que se tirar o corpo e deixar só a alma, ninguém conseguiria diferenciar umas das outras.
Eu até hoje chamo as mães dos meus amigos de tia, graças a Deus tenho contato com 90% dos meus amigos de infância e com suas famílias. Então posso falar com propriedade, elas continuam iguaizinhas.
Lembrei de como minha mãe era com meus amigos, de como eles tinham mania de dizer que ela era a melhor de todas, e não é porque é a minha mãe, mas ela é muito gente fina mesmo. Minha mãe era o tipo de mãe que não conseguia dizer não para os meus amigos, então sempre que eu queria sair, era só pedir pra um amigo pedir pra ela, cansei de fazer amigos pedirem pra ela deixar eu ir em lugares que eles nem foram comigo. Minha mãe tem um diferencial das outras mães, mais ou menos, toda mãe acerta na hora de comentar o que acha de uma amizade, as que prestam e as que não prestam, minha mãe errou em todas, ela implicava com as boas influências, e amava os meus amigos sem caráter.
Indo mais afundo, do começo da adolescência pra lá, lembrei das comédias de quando ela estava com raiva. Em frente de casa tinha uma creche Municipal enorme, com uma árvore em frente a entrada, sempre que eu passava da hora de entrar pra casa, ela ia nessa árvore, tirava um galho, pacientemente arrancava folha por folha, e mesmo que se eu não estivesse à vista ela começava a contar até dez para eu entrar. No cinco eu já estava dentro de casa tremendo como se estivesse nu no Polo Norte e tomando um sorvete. Ela nunca bateu em mim com um desses galhos, mas nunca tive coragem de arriscar quando a contagem começava.
Esse meu amigo e eu lembramos de como era engraçado o que era educação pras nossas mães. Não que elas estivessem erradas, mas elas exageravam. Lembrei que certa vez, no aniversário de um amigo meu, não lembro de quantos anos eram, como era bem perto de casa ela não quis ir, deixou que eu fosse sozinho, mas antes teve que dar todas as instruções:
– “Filho, não fale palavrão, sempre fale por favor e obrigado, lave as mãos ao sair do banheiro e não coma muito, porque você não está passando fome pra fazer isso, e também é falta de educação!”
Que criança de até 12 anos vai em uma festa cheia de doces, salgados e bolo e não vai comer até não aguentar mais?
Esse meu amigo lembrou de uma parte que o tempo me tinha feito esquecer, ri muito por isso, nossas mães tinham a mania de pedir que os cabeleireiros contassem nosso cabelo igual aos dos seus ídolos, sofri muito bullying por isso, e ele também. Tenho um irmão e ele é apenas 2 anos mais novo que eu, pensa em duas crianças que usaram durante um bom tempo o mesmo corte de cabelo do Chitãozinho e do Xororó. Bem, essas crianças éramos nós, e vocês devem concordar que aquele corte que eles usavam nos anos 80 e 90 era muito feio. Meu amigo por sua vez, ostentou por mais de um ano o mesmo corte do Fábio Jr.
Lembramos também de como era engraçado que, as comidas gostosas elas só faziam quando a gente tinha algum amigo almoçando ou jantando com a gente. Quando não tinha nenhum amigo, meu irmão e eu éramos obrigados a comer verduras e legumes, nada de frituras, só o que ela considerava saudável pra gente, mas quando tinha um amigo, os legumes refogados davam lugar as batatas fritas, as verduras estranhas davam lugar ao alface com tomate que toda criança ama, o bife de fígado magicamente virava um bife de contra filé. Era muito normal a gente sempre dar um jeito de um almoçar na casa do outro.
Esse meu amigo e eu demos muito trabalho pras nossas mães na nossa adolescência, hoje como pai e irmão mais velho de uma adolescente de 15 anos que ajudei a educar, sinto até arrependimento pelas coisas que fiz, mas ainda assim renderam boas lembranças e muitas risadas. Certa vez, quando tinha 15 anos e tocava em um Grupo de samba, saí com meus amigos e cheguei de madrugada, quase de manhã, foi o dia em que tomei meu primeiro porre de verdade, quando cheguei minha mãe e mais cinco mães de amigos meus, unidas me esperavam na calçada de casa, quando minha velha sentiu o cheiro de bebida e cigarros em mim, me deu um tapa na cara que rodei igualzinho o seu Madruga roda quando a dona Florinda lhe bate, com a diferença de que caí de bunda no asfalto.
Depois dessa ocasião foi marcação serrada, e aquilo dos amigos pedirem pra ela deixar eu sair com eles, já não colava mais.
Meu amigo e eu conversamos durante mais de 5 horas relembrando, só paramos porque o bar ia fechar.)
Hoje tenho 30 anos, uma filha de 6, minha mãe continua a mesma, briga comigo e me repreende sempre que acha que mereço, opina na minha alimentação, na minha vida social, nas minhas relações, até na maneira como me visto, e quer saber do mais? Eu amo muito tudo isso. Ela só se transforma na melhor mãe do mundo quando assume o papel de avó, mas desses benefícios, meu irmão e eu não conseguimos tirar nenhum proveito, só nossas filhas mesmo. E sabe as mães dos meus amigos? Pois é, até hoje elas continuam me minando quando apareço pra fazer uma visita, assim como a minha mima os meus amigos.
Olhando por outro lado, acho que tive, e em certo ponto, ainda tenho várias mães, e isso me deixa feliz e com uma saudade nostálgica gigantesca.

Abraços

Gill Nascimento

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11 Comentários

  1. Cara ótimo texto, e boas memórias! E concordo, mães no fundo são iguais, (igualmente preocupadas kk)
    abç o/

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  2. Dizer “naquele tempo” pode parecer mto longo mto antes porém não faz tanto tempo assim mas naquele tempo a cultura e a educação era os principais valores que nossos pais nos passavam…sempre sai de casa para ir a casa de alguém sabendo que era falta de educação chega na casa do próximo em cima da hora do almoço ou do café da tarde ou simplesmente chega de mão abanando. ..Pena que hoje em dia a educação fico perdida ..Que os bons costumes do simples básico obrigado perderam seus objetivos e significado ..basicamente tem deixado de existir…Espero qie no futuro nem tão tão distante isso volte para a origem e todos entendam esses princípios básicos. ..Minhas mãe no entanto era estilo a sua…sempre foi sociável com meus amigos e os mimava mto …Elas podiam ter esse jeito repreencivas ou zeladoras mas sabe..elas só queriam e querem nosso bem …hoje entendemos isso e sabemos que elas passaram e sabiam o que iamos passar e certo modo nos proteger!!

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  3. Mãe é tudo igual só muda o endereço. Até meus 8 anos eu era o capeta, dei muito trabalho a minha mãe. Foi quando eu quebrei meu braço aí eu fiquei menos atentado. Pedir pro amigo falar com a mãe quem nunca! rsrs Comigo sempre funcionou. Quando eu chego bêbado em casa não abro a boca. Deixei pra fazer isso depois dos 18 por que se fosse antes o pau comia era cedo. Qualquer coisa que eu aprontava minha mãe jurava que me arrancava os pentelhos de pinça.

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  4. Cara hahhahah mãe é tudo igual mesmo, certeza que se separasse o corpo e a alma, não saberíamos diferenciar hahah minha mãe nunca pegou o galho, mas tinha uma péssima mania de jogar o que tivesse na frente dela em mim (sei la quantos controles remotos já quebramos!) até hoje quando tem visita em casa e ela faz comida boa eu gosto de tirar uma com a cara dela e falar “pq durante a semana só tem arroz queimado?” Hahah inclusive falei isso hj e ela me mandou fazer o arroz então kkk. Mas mães são seres místicos que estão aqui pra tudo ❤
    E mais uma vez, arrasou no texto. Esse lance de sentar pra beber algo com um amigo e relembrar o passado me anime e muito xDD

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  5. Minha mãe não teve como fazer tudo isso que a sua fez por você, mas quem fez foi minha avó. No fundo eu fui sempre a menina dela, não importa com qual idade. Ela viu e acompanhou muita coisa que minha mãe nem tem noção e é por isso que eu penso muito nela quando lembro da minha infância. É engraçado sentar e poder conversar dessa fase, também queria poder ter amigos que falassem disso e não apenas de si mesmos e o que andaram aprontando na atualidade. Eu tinha certeza absoluta que seguia o seu blog já, em várias oportunidades li seus posts e adorei o que vi.
    Abraço.

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  6. Minha mãe é minha companheira de balada e se eu deixar, zoa mais com os meus amigos que eu hsuhsushu…
    Adorei teu texto!

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  7. Ótimo e verdadeiro texto sobre as mães que são todas iguais , só mudando o nome e o endereço ! Mãe é mãe e sempre e será mãe !

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  8. Delícia de post, colega. Traz aquele cheiro bom de comida quentinha e de tudo que nos é familiar. Hoje sou mãe. E acho graça quando as amiguinhas da Luiza me chamam de tia. Se até outro dia a prerrogativa era tão minha… Voa, né?

    Curtido por 1 pessoa

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