Uma analogia masculina do amor…

“Amava seus erros assim como amava os acertos, porque o que eu amava enfim, era você.”
Bendito seja esse erro grotesco que essa frase carrega. Bendita seja a petulância do uso do verbo amar no passado. Bendita seja a ignorância de acreditar que há pretérito para o amor.
Eu mesmo já cometi essa mazela de botar pra trás o que é pétreo. Amor, como fui aprender posteriormente, é irrevogável. Todavia, diferentemente das cartas legislativas, não se pode apagar o texto da lei e escrever outro debaixo da égide de uma constituinte.
O amor, minha cara, é como uma barba. Sim, como os pelos da face masculina: quando não há pelo algum, o homem pode até aparentar limpeza, ou como dizem os mais desorientados, sucesso profissional, entre outros. Já quando os pelos começam à crescer, começa à pinicar e, apesar de uns fiapos de toalha grudarem, a sensação causada na face alheia é inenarrável.
Conforme o tempo passa, e os pelos aumentam, os olhares já mudam. Alguns já ousam dizer que existe desleixo ou a falta de atenção com algo tão essencial. Fora que para quem a porta, coça pra caramba.
Após o crescimento, o usuário, porquê essa é a terminologia correta, posto que é um vício, se adapta. Já é normal acordar com aquela imagem no espelho. Alguns se intimidam perante aquilo e até se surpreendem. Outros elogiam. Dizem que gostam, mas não teriam coragem ou sentem medo de sofrerem preconceito por a terem.
O usuário em si, ainda pode trabalhar em alguns locais sem sofrer olhares de canto de olhos. Todavia, como num lapso, numa crise de sobriedade, o usuário tende a retirar toda a barba. De uma única vez. Sendo levado à acreditar que a ausência da barba melhorará sua vida medíocre. E o animal a tira. E, sabe o que acontece quando isso se concretiza? O infeliz se arrepende!
Sim. Veja só que sentimento delicioso. O bom e velho arrependimento. E a sensação de tempo jogado literalmente no lixo. Seguido da esperança de que a barba volte linda e bela. E ainda existem imbecis que dizem que se está melhor sem ela.
Pois é, ela até volta, mas o ciclo é o mesmo. Até que se torne corajoso o suficiente para mantê-la e, cuidadoso o bastante para que a mesma não fique desleixada.
Enfim, o que tem a ver a barba com o passado? Tem a ver que, não importa quantas vezes o homem se barbeie, a barba sempre volta. Em alguns tratamentos mais radicais, como depilação à laser, até demora, mas volta.
Logo, não existe passado para a barba. Você pode apará-la, desenhá-la, pintá-la, dizer para o mundo e para si mesmo que é mais bonito sem ela, mas ela volta.
Ela pode ser acariciada por diversas outras mãos. Julgada por diversos outros olhos. Beijada por diversas outras bocas. Pode inclusive eriçar os pelos de diversos pares de outros braços. Mas, no final amigo, o usuário sempre se lembrará da primeira vez que um carinho se passou por ela. Sempre se lembrará do primeiro par de mãos que fez com que se sentisse bem por ter barba. E para essa lembrança, por mais que esteja no passado e seja distante. Essa lembrança, nunca será pretérita.

Abiezer Lopes.

O parceiro Abiezer Lopes, pra quem lembra, é o autor dos artigos Fugindo à Regra e Missão de um Solitário, e um dos apresentadores do Canal Entre a Gente, ele tem um toque pessoal incrível em seus textos reflexivos. Para quem nao conhece, vale a pena conhecer.

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7 Comentários

  1. Muito bom o texto, posso dizer que sou um usuário compulsivo e não vivo sem ela hehehe! Um abraço meu amigo!

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  2. Hahahah quanto amor por uma barba! 😂👏🏻 adorei.

    Curtido por 1 pessoa

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  3. Raphaella Cabral

     /  22 de agosto de 2015

    Nossa kk ótima reflexão. Estava esperando algo tradicional, mas foi bem melhor.
    ;*

    Curtido por 1 pessoa

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  1. Novidade no Blog | Casuísmo

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