Bem me quer, mal me quer…

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Eu sou uma pessoa de culturas, regras, convicções, conceitos e princípios, e sei que vou acabar falando de todos eles nesse Blog, com o passar do tempo, mas hoje quero falar de algo que aprendi antes mesmo de aprender a falar.
Minha mãe desde cedo me ensinou a nunca desejar o mal para as pessoas, por piores que elas fossem.
Dona Naná, minha mãe, evangélica fervorosa, rígida e fiel, fazia questão que o meu irmão e eu, aprendêssemos os ensinamentos da Bíblia, e convenhamos, independentemente de acreditar ou não, os conselhos que a Bíblia dá, são ótimos e muito válidos.
Fico imaginando quantas pessoas cresceram com os pais ensinando tais princípios, baseando-se na Bíblia ou não, devem ser uma maioria esmagadora, afinal, não é porque a pessoa não tem um pingo sequer de caráter hoje em dia, que a culpa é dos pais que não ensinaram direito, ou ensinaram coisas erradas quando ela era uma criança.
E essa grande maioria tem um pequeno “bug” em seu sistema nervoso, referente à esses ensinamentos. Qualquer pessoa cresce enfrentando adversidades, obstáculos, traições, entre outros problemas, faz parte da vida, mas a maioria consegue passar por tudo sem desejar o mal pra ninguém, sem querer que ninguém sofra pra pagar seu próprio sofrimento. Isso indica o sucesso dos ensinamentos dos pais.
Até acontecer o primeiro fim trágico de relacionamento.
No primeiro fim trágico de um relacionamento, o “bug” no sistema entra em ação, e a pessoa esquece de tudo que aprendeu, e de repente começa a desejar o pior pra aquela pessoa que se dizia sua companheira, e que acabou se mostrando totalmente diferente daquilo que parecia ser no início.
Não estou generalizando, mas estou declarando uma boa parte das pessoas sendo assim, e se você não é assim, se considere da outra parte, a mais equilibrada emocionalmente.
Um amigo meu, um dia desses, me pediu o celular emprestado pra falar com alguém, e como ele parecia muito nervoso, eu emprestei, imaginei que fosse algo muito urgente.
Eu o havia deixado em paz para ter privacidade para falar, e algum tempo depois ele surgiu e me devolveu meu aparelho de celular.
Pra minha surpresa, só quando cheguei em casa que percebi, ele não tinha feito uma ligação, mas tinha trocado longas mensagens de texto, com a namorada, ex namorada, eles haviam terminado um dia antes e até esse momento em que vi as mensagens, eu não estava sabendo.
Eu ia apagar as mensagens, mas quando vi parte de uma, não consegui resistir, tive que lê-la, e por causa dela a anterior, e assim foi indo até que fui logo ao início e peguei a discussão na ordem cronológica correta.
Vocês não imaginam o quanto eu ri.
Ri muito!
A conversa começou num tom formal, educado e de respeito, entre duas pessoas que pareciam estarem tristes com a situação, mas que admitiam que o término era decisão correta a ser tomada.
Um desejava ao outro felicidades, que encontrasse o amor verdadeiro em outro alguém, porque ambos mereciam, e coisa e tal e tal e coisa.
Até que um deles mencionou em uma mensagem o erro do outro, apontando uma leve culpa, e dizendo que ainda assim estava tudo perdoado e que eram águas passadas.
Foi aí que o “bug” no sistema da educação familiar entrou em cena.
Foi como se outro tivesse tomado um tapa na cara sem merecer, começou uma troca de acusações, um apontando os erros do outro, um dizendo o que outro aprontou.
Então começou as mensagens inversas, um desejando o pior para o outro, um rogando praga ao outro, além dos xingamentos e palavrões.
Foi o primeiro barraco via SMS que presenciei. Nunca me diverti tanto.
E se estão se perguntando, de que parte da população mundial eu faço parte: bem, me considero da parte mais equilibrada emocionalmente, mas também já tive meus momentos de descontrole.

Gill Nascimento

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8 Comentários

  1. Na Bíblia, o Apocalipse é o último livro. No dia-a-dia, é o primeiro quando levamos um pé na b*unda e acaba se tornando o Gêneses da nossa maldade.

    Curiosidade prolixa: Se o contrário de mal é bem e o de mau e bom, por que escrevemos maldade em vez de “maudade” já que o contrário desta é bomdade? Deixe para lá…

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  2. Você diz sobre o bug e que a pessoa que toma a decisão de seguir ou não os ensinamentos dos pais, eu pensava o contrário, sempre que via um bandido na tv eu pensava que tipo de pais ele deveria ter tido, mas me esqueci de uma coisa, as pessoas crescem e devem ser culpadas pelos seus próprios atos. Acabei mudando meu conceito, eu culpava os pais, mas as pessoas mudam as vezes para melhor ou infelizmente para pior, onde o bug se torna mais frequente e mais forte rs. Beijão

    http://www.charme-se.com

    Curtido por 1 pessoa

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  3. Perder é sempre algo ruim. As vezes as pessoas dizem coisas umas as outras e se arrependem muito depois. Agora desejar mal para alguém que viveu momentos realmente bom eu acho meio problema já. Mas, cada um tem uma forma de reagir em defesa de si e do seu ego.

    Nada como um dia atrás do outro pra arrumar ou ferrar tudo de vez. O ser humano no fundo se adapta as situações mais estranhas… rs

    Curtido por 1 pessoa

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  4. Hahaha mas a verdade é que, quem não gosta de “jogar na cara” um do outro quando briga?! Apontar os erros do outro e nao olhar o seu próprio é uma pratica muito comum! Tento aprender a lidar com isso 😉 hahahh as vezes consigo, as vezes nao..

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