O Avesso do Avesso do Avesso

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Está tudo pelo avesso. Nada mais tem valor. Não digo valor econômico, falo dos morais. Onde esconderam a ética, o respeito, a vergonha na cara e o amor próprio? Era comodato? Tivemos que devolver?
É vergonhoso olhar em volta e ver que tudo está tão fácil. Tão simples. Quem foi que descomplicou o amor? Quem simplificou a sexualidade?
A mulher, que outrora “foi divina e graciosa, estátua majestosa do amor, por Deus esculturada”, hoje é a “delícia”. E muitas ainda gostam disso.
Na minha época, delícia era nome de margarina. Apesar que, é um comparativo adequado às que se sujeitam à isso, posto que escolhemos por “com sal” e “sem sal”. Nessas não há tempero.
Hoje se vai pro baile de sainha. Muitas vezes, sem calcinha. A dama de vermelho de hoje reflete à menina com uma chinelada na cara tentando se adequar à padrões de beleza utópicos. Elas deveriam ser bonitas quando acordam. Isso sim é padrão. O padrão próprio.
Da forma como caminha a humanidade, daqui a pouco a proibição da igreja será o amor antes do casamento. A putaria tá liberada.
Já é comum ouvir mulher dizendo que tem um carinha como estepe. E ainda tem a pachorra de falar que homem não presta. Pelo jeito estamos aprendendo bem.
O belo de hoje é a camiseta que disseram que era vestido. Os homens mais sem vergonhas devem pensar: “como será que ela é vestida?”
Na década de 70, segundo alguns mais antigos, o belo era a inteligência. Considerando que 40 anos depois já estamos nesse padrão, podemos considerar que daqui uns 100 anos seremos primatas novamente. Ainda bem que o mundo acaba agora. Mas isso não vem ao caso.
O amor está banalizado. Amo-te hoje, “amanhã sei lá”. Nunca vi ninguém amar tanta gente num ano só. Se Schopenhauer, que defendia fielmente a ideia de que o amor não é único, visse a nossa situação, com certeza não elaboraria a teoria de que “o amor é apenas instinto de sobrevivência”.
No fim, observando o mundo à nossa volta, só nos resta acreditar em Platão: “A morte não é o pior que nos pode acontecer.

Abiezer Lopes

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17 Comentários

  1. Muito bom seu texto, como sempre!
    Esse excesso de liberdade também me incomoda. Os valores não existem mais. O que esperar do futuro?
    Um ótimo dia!

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  2. Ufa! Não sou a única que acha que o belo é a inteligência e o que a pessoa carrega na essência. Já estava quase me mudando pra Marte quando li seu texto.
    Uma triste realidade.
    Um bom dia☺

    Curtido por 2 pessoas

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  3. Por isso procuro estar cercada de pessoas onde o interior vale mais e a essência verdadeira que tem, são o intelecto e a personalidade, não a saia justa e as fotos de academia!
    Ótimo texto! =*

    Curtido por 2 pessoas

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  4. Carol Conceição

     /  18 de setembro de 2015

    Perfeito… a chapeuzinho virou o lobo mau.

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  5. Excelente. Parabéns, Abiezer Lopes.

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  6. Sensacional, adorei.

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  7. Real e triste imagem mostrando como os seres humanos estão perdidos no tempo e no espaço.

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