Uma paixão, ou uma teimosia…

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A vida tem seus escárnios, vivemos em uma época em que grande parte das pessoas lamentam o fato de a inocência infantil estar cada vez se desfazendo mais cedo nas pessoas. Mas por outro lado, ironicamente, existem vezos infantis, que jamais nos abandonam. Como a péssima mania de às vezes querermos algo apenas por impertinência. E ainda assim querermos descomedidamente.
Às vezes insistimos tanto em querer algo, que acabamos por conseguir, com afinco, com trabalho, e com um gosto incrível de conquista no paladar do ego, só pra no primeiro problema, descobrirmos que aquilo que tanto desejamos não era tudo aquilo que pensávamos.
É como comprar um aparelho tecnológico de última geração. No primeiro defeito que ele apresentar, você se dirigirá à uma autorizada para usufruir do tempo de garantia, consertá-lo para poder novamente aproveitar o produto, mas no fundo não vai ser a mesma coisa. No fundo terá aquele sentimento de violação, como se algo imaculado tivesse sido desvirtuado.
Perde grande parte do seu valor.
E assim acontece com tantas outras coisas em nossa vida, inclusive sentimentos.
Quem nunca sentiu aquela lascívia incontrolável por alguém, correu atrás, conquistou, e que depois descobriu que não era toda aquela paixão que aparentava ser, por favor, se manifeste e se municie de uma pedra, e pode atirar sem medo, pois terá seus méritos.
Sim, acontece de maneira similar ao desejo fútil de adquirir um objeto qualquer por pura vaidade. Sim, acontece de maneira parecida à birra infantil por querer algo que em pouquíssimo tempo deixará de lado.
O que mais tem por aí é paixão com fogo de palha esperando pela gente. À primeira vista até aquece, mas no primeiro vento se apaga.
Mas longe de mim querer insinuar que uma criança não sabe querer de verdade, na verdade acho que o sentimento verdadeiro também pode ser comparado à um sentimento infantil.
O verdadeiro sentimento é como aquele carinho que a gente sente por aquele brinquedo do qual nunca conseguimos nos separar.
Sabe o amor por aquele ursinho de pelúcia que sai do seu quarto na casa dos seus pais e vai com você pro seu primeiro apartamento?
Sabe o afeto por aquele carrinho de fricção que sai da sua caixa de brinquedos debaixo da sua cama na casa dos seus pais pra ir parar numa prateleira na sua nova casa?
Sentimento verdadeiro é isso, é um querer estar junto, mesmo quando as coisas já não são mais as mesmas de antes.
Sentimento verdadeiro amadurece e se adapta, sem perder a magia.
Só posso concluir é que cada um de nós precisamos encontrar aquele amor puro o bastante para nos fazer lembrar da nossa inocência e pureza de coração. Aquele amor que suportará as mudanças, que se adaptará aos novos ambientes, que nos deixará crescer, mas que continuará sendo o mesmo aos nossos olhos.

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Gill Nascimento

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Leitores que tem sugerido temas no Facebook, no Twitter e aqui, gostaria de agradecer e dizer que estou trabalhando em cada texto com muito carinho, é legal ver que a minha intenção com o título do Blog tem começado a engrenar. Esse texto foi um pedido da Carol Arino na página de Sugestões. Obrigado e Abraços!

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22 Comentários

  1. Eu tinha um cachorrinho de pelúcia que se chamava Biduya.
    Éramos inseparáveis assim mas ele não durou o suficiente para se mudar comigo 🙂

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    • Eu ainda tenho meu brinquedo predileto, um boneco do Inspetor Bugiganga, as juntas são feitas de elástico para ele ser flexível e se esticar como no desenho, muitas vezes automaticamente pego ele na estante do quarto e fico mexendo com ele, me traz boas lembranças e até me acalma, é meio que mágico, Lucas!
      Um abraço!

      Curtido por 1 pessoa

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  2. Jessica Lopes

     /  4 de outubro de 2015

    Belíssimo texto, moço! Amei!
    Tenho o ursinho de pelúcia que me acompanha desde a casa dos meus pais. Tenho também “o sentimento verdadeiro de querer estar junto mesmo quando as coisas já não são as mesmas de antes.” E quem não tem, né?!
    Bom domingo! 😘

    Curtido por 3 pessoas

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    • Eu conheço o seu ursinho kkkkkkk
      O verdadeiro sentimento torna aquilo e quem amamos em talismãs que nos acalmam nos trazendo à mente coisas boas quando temos ao nosso alcance… Umas das magias de amar, com certeza!

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  3. Arrasou! Eu sabia que seu coração tinha espaço para as coisas sentimentais💜 kkkkk….
    Certa vez… ganhei um ursinho de um falecido. Amava ele☺…
    Um dia a paixão acabou e o ursinho foi para o lixo, mas eu sentia saudades do ursinho😢.
    Comprei outro igual, mas não olho p ele kkkkk não é o mesmo. Fica na prateleira de enfeite.
    Amei seu texto. 😄

    Curtido por 2 pessoas

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  4. Belíssimo texto Gil, com tudo o que há de melhor em uma “sessão nostalgia”.Muito bom!!!

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  5. Concordo com você… Precisamos do verdadeiro sentimento, aquele que independente do que aconteca continua nos trazendo paz… Bjs Gil!

    Curtido por 1 pessoa

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  6. Adorei Gill e também concordo com tudo que disse, todo sentimento verdadeiro deveria ter a inocência do amor de uma criança pelo seu brinquedo predileto, praticamente nunca acaba
    Bjinhos

    Curtido por 1 pessoa

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  7. Nayara Rosolen

     /  5 de outubro de 2015

    “Sentimento verdadeiro amadurece e se adapta, sem perder a magia” Amei!!! Disse tudo, Gill! Parabéns pelo texto!
    Beeijos

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  8. Eu tenho uma pessoa especial lá da minha infância, tempo de escola no ensino médio, ficamos um tempo distantes e sem noticias, contato…mas sempre lembrava com carinho e muitas saudades, o reencontrei a uns 10 anos e desde então retomamos nossa amizade cheia de carinho e afeto de tempos atras. Sou muito feliz por ter essa pessoa na minha vida novamente!

    Curtido por 1 pessoa

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  9. Paixão e teimosia uma hora acabam , mas o amor verdadeiro permanece em todas os momentos e situações das nossas vidas . Também lamento que a pureza e a inocência infantil , hoje em dia , quase não mais exista . Essa é a melhor fase da vida de uma pessoa .

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