Final de ano sem clichês…

image

Final de ano está batendo a nossa porta, e com ele os clichês.
Um dos maiores clichês está na boca do povo. Algumas pessoas nem te dão bom dia e já perguntam: Vai passar o Reveillon aonde?
Gostaria de saber o motivo de tanta curiosidade.
Um dia desses uma vizinha, que adora cuidar da minha vida, me fez essa pergunta, e para o azar dela eu não estava tendo um dia muito bom, a resposta foi a mesma pergunta, e quando ela disse onde passaria, eu respondi: Pois é, não passarei lá!
E fui embora.
Não tenho paciência pra clichês, desde que me conheço por gente.
Os clichês continuam nas amizades, que além de fazer a pergunta que já citei, sempre tentam organizar uma galera para ir passar a virada na praia.
Por que eu em total controle de minhas faculdades mentais faria algo como ir para o litoral no final do ano?
Praias lotadas, estradas lotadas, barulho, escassez de paz e, o pior de tudo, gente bêbada, e ainda pior, mais bêbadas do que eu, isso eu não admito.
Sou um amante da tranquilidade, e litorais nessa época não condizem com tal preferência.
Sempre tem também aquela tia chata, de nariz empinado, que passa o ano inteiro esnobando a maioria dos parentes e falando mal deles, e que no final do ano quer dar uma festa de arromba e chamar todo mundo, inclusive os familiares dos quais fala mal.
Final de ano, época em que a falsidade aflora, e até sai pelos poros de algumas pessoas.
Como na hora da contagem regressiva, em que todo mundo sai abraçando todo mundo. Eu como já citei aqui, tenho um respeito muito grande pelo ato de abraçar, então não faço esse tipo de coisa.
É chato quando o relógio bate apontando meia noite e um novo ano, e ao invés de ir abraçar as pessoas que amo, fico fugindo daquelas as quais não quero ser obrigado a ter que dar um abraço falso.
Final de ano pra mim tem que ser algo meio que simbólico.
Certa vez passei a virada sozinho com minha namorada, num quarto de hotel de estilo vitoriano numa cidadezinha turística do interior de Santa Catarina.
Fogos de artifícios, eram poucos e isolados, o som mais escutado era das vozes das pessoas se desejando um feliz ano novo, pessoas que na sua maioria nem se conheciam, alguns, mais alterados etílicamente, saíam gritando na rua e desejando feliz ano novo a quem escutasse.
Eu adorei aquilo sabe, eu me senti muito mais confortável naquela situação, do que em qualquer outra que já vivi numa mesma época, você sentia que a vibe em volta era legal.
Depois que as coisas se acalmaram, peguei o celular e liguei pras pessoas importantes em minha vida e desejei um feliz ano novo para elas, com calma, de coração, e com sentimentos verdadeiros, e recebi o mesmo em troca, e me senti abraçado, como se estivesse lá.
Onde está o lado simbólico nisso?
Bem, se ao começar o ano se sentindo em paz não há simbologia nisso, então não sei o que há.
Uma vez comentei sobre isso com um amigo, e ele disse que é bom passar com todo mundo, porque é bom perdoar antes de começar um novo ano.
Sério isso? As pessoas precisam que um ano acabe pra perdoar umas as outras?
Sinceramente, não vejo a lógica nisso. Perdoar é algo divino, e deve ser praticado todos os dias, e não numa data e numa hora determinadas.
E se você aí disser no comentário que magicamente suas mágoas somem sempre que chega o dia 31 de Dezembro quando o relógio aponta 23h59min, me desculpe, mas não irei acreditar.
Perdoar eu perdoo, e não preciso que o final do ano chegue para que isso aconteça. Agora esquecer, isso é diferente, afinal, não é porque perdoamos que significa que precisamos trazer a pessoa de volta para nossa vida, e para dentro do nosso abraço.
Então bora abandonar os clichês e fazer o seguinte, vamos começar 2016 sendo verdadeiros, principalmente com nós mesmos.
Isso já pode ser considerado um início de ano com uma pequena parcela de paz interior.

_

Gill Nascimento

Anúncios
Post seguinte
Deixe um comentário

27 Comentários

  1. Gill, concordo com VC. Nunca achei muita graça em final de ano na vdd, acho essas comemorações cruéis. Sempre precisamos viajar, fazer uma ceia farta, está com a casa cheia de gente, dar presentes, vestir as melhores roupas. Porém existem muitas pessoas q não tem condição para tudo isso e se sentem frustadas após um ano de trabalho. Sem dizer as crianças, coitadas!! Quando não ganham do tal papai noel o presente que sonharam ou pior não ganham presente nenhum ( já passei por isso). Participo das comemorações e tal, mas na vdd sempre me sinto melancólica nos finais de ano. Respeito o ritual de passagem e passo junto com minha família (pais e irmãos) e isso alegra meu coração, mais q qlq coisa que eu possa pagar no mundo.
    Bjuss, Luh.

    Curtido por 2 pessoas

    Responder
  2. Assino em baixo e, uma boa meta para 2016: ser verdadeiro no mínimo, conosco. Acho uma maneira escrota, isso mesmo, escrota de trazer o perdão para o lado primitivo de um novo tempo. Vivemos, nos classificados, mudamos e por fim, revisamos. O perdão é seguido de um modo de respeito para se conter da paz interior e logicamente ao próximo. É fácil perdoar, ingerir meia dúzia de palavras cronometradas em uma situação óbvia, que é de sinceridade, algo basicamente penoso. Acredito que no mundo em que vivemos, é difícil contemplar essa reverência, afinal passamos a intercalar como pessoas inúteis e que outras pessoas não merecem nossa atenção. Muito pelo contrário. Somos humanos vivemos em uma sociedade, e só no ano novo percebemos que as outras não eram outras? Fica desprezível. Seria ótimo começar o ano com bons pensamentos para com todos, afinal um galho se parte com apenas sua impressão. É preciso reconhecer que do que progredimos, muitos fazem parte de nosso favorecimento. E nem todos. Mas o que realmente vale é nossa intenção. E que fique claro, cores não são constituídas por muitas, mas com uma mistura de harmonia, tudo fica muito mais colorido. obs*: comentário extenso! 😉

    Curtido por 2 pessoas

    Responder
    • Sim, exatamente isso, preso muito a sinceridade, seja ela boa ou ruim, se digo que perdoo, é porque perdoo, mas as vezes é só isso nada mais, mas no fim de ano muita gente que pisou na bola pensa que esse perdão se estende ao direito de voltar aos nossos círculos e a nossa vida, e eu não sei fingir que as coisas estão bem quando não estão, posso não ficar em paz com essas pessoas, mas ao menos fico comigo, e se isso não vale nada, prefiro os gestos sem valor mesmo então kkkkkkk!
      Tenha um lindo dia!
      😉

      Curtido por 1 pessoa

      Responder
  3. danaflowers

     /  10 de dezembro de 2015

    Amo seus textos, mas esse foi imbatível! “Final de ano, época em que a falsidade aflora, e até sai pelos poros de algumas pessoas”, realmente como é difícil presenciar ou participar de certas situações. Também corro disso, principalmente de tia chata…kkkk. Parabéns pelo lindo texto! E é isso ai começar o ano sendo verdadeiros com nós mesmos é o essencial.
    Bjs

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  4. Thiago Baia

     /  10 de dezembro de 2015

    Parabéns, gostei cara, me fez refletir bastante sobre os clichês de fim de ano, é bem isso mesmo 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  5. Parabéns cara, eu sempre achei isso tmb, mais é sempre bom ouvir de outras pessoas que pensa da mesma forma e trocar experiencias, curti bastabte.

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  6. Perfect! Human Race! ❤ Bjs Bjs

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  7. Lucas Luciani: Eu super concordo com seu ponto vista, e ideia de que o próximo ano será melhor, não faz o menor sentido, pois é você que faz o seu ano, e não números, então definitivamente uma virada de ano, não vai resolver nenhum problema. (Principalmente na crise*)

    Curtido por 2 pessoas

    Responder
  8. Eu não ligo para as festas de final de ano. Fui criado sem esse costume. Quando eu era criança a grana era apertada não dava para ter essas coisas. Arvore a gente tinha mas já guardava montada que era pra ter menos trabalho. Na virada de 2014 para 2015 meu primo veio com a mulher e os filhos três encarnações do mau. Esse ano eu dei graças a Deus que ele não vem. Meus tios e tias todos moram fora e raramente vem passar o final de ano aqui em casa. Se todos eles quiserem vir não vai caber na minha casa. E podem ficar por lá mesmo. Tudo falso.

    Curtido por 2 pessoas

    Responder
    • Esse desapego não vai te fazer mal nenhum, ao contrário, acho que isso torna a gente mais efetivos na busca pela melhora, pois nos faz correr atrás dela, ao invés de ficar esperando que as coisas mudem porque um novo ano vai chegar!

      Curtir

      Responder
  9. Sou dessas também. E pior: faço aniversário dia 31 de dezembro, então as pessoas me cobram muito, como se fosse obrigação eu ter que passar meu aniversário, numa festa cara e cheio de pessoas bebadas e mal educadas só porque é virada de ano. Me julgam de chata, de anti-social, de tudo!
    Mas tô nem ai. Me libertei dessa pressão desde que completei 18 anos, na qual pude escolher aonde passar minhas viradas de ano: em casa, tranquilinha, de pijama novo e com meus pais e avós, do jeito que eu gosto e tem q ser.
    Amei seu texto ( como se isso fosse novidade rsrs)

    beijô

    Curtido por 2 pessoas

    Responder
    • Gente, não sei se te parabenizo pela data ou se digo “meus pêsames” kkkkkk conheço quatro pessoas que fazem no Natal e uma que faz dia 31, e nenhuma é muito feliz com isso kkkkkkk mas apoio o sei jeito, também sou assim, e me sinto muito bem dessa maneira!

      Tenha um lindo dia!

      Beijos!

      Curtir

      Responder
  10. Sempre muito feliz nos textos Gil! Parabéns !!!

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  11. Belo texto! Parabéns, me identifiquei com muitas coisas…

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  12. Una tradizione ancestrale a cui io non rinuncio Finisce un periodo temporale e ne inizia un’altro.
    Lo trascorro solo con le persone che mi piacciono, a cui voglio bene e loro le abbraccio ancor di più, è come dire: ci sei stato e ci sarai ancora.

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  13. Na verdade, essa fantástica invenção de dividir os dias em anos serve pra isso mesmo: se as pessoas não sentirem que algo novo está começando, elas não tomam certas atitudes, como perdoar, começar aquele regime ou parar de fumar.
    Concordo contigo: perdoar é pra todo dia e abraçar quem eu não gosto com cara de árvore desejando um feliz ano novo da boca pra fora é algo que eu dispenso! Mas, se pessoas precisam de um empurrão do tempo, que usem!

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
    • É, existem algumas pessoas que precisam mesmo, mas preferiria que elas aprendessem a exercitar tais atos todos os dias, se inspirar, se encorajar, se decidir, perdoar… Pra mim nesses pontos, todo dia é dia 31 de Dezembro!

      Beijos!

      Curtido por 1 pessoa

      Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: