Personagens…

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Estava pensando aqui, nesse mundo estranho e nessa época complicada em que vivemos.
Estava um dia desses numa fila de banco, enorme, o que significa que fiquei um bom tempo nela, e alguns de vocês devem lembrar, odeio filas do fundo da minha alma. Mas nem é sobre isso que irei falar, apesar de estar com uma vontade imensa de querer gastar umas 800 palavras fazendo isso.
O importante é uma conversa que escutei. Uma moça comentava com uma amiga sobre uma entrevista de emprego que foi fazer, e como passou dias ensaiando o que iria falar e como iria agir, baseada nas dicas dadas pela colega que a indicou
Ela mesmo afirmava que teria que incorporar uma personagem completamente diferente de si mesma, só pra poder agradar ao possível futuro chefe, que possui uma preferência peculiar por personalidades.
Então comecei a pensar no quanto isso é normal hoje em dia, do quanto precisamos nos transformar para nos encaixar nesse mundo.
Eu mesmo já representei alguns papéis algumas vezes, e em outras vezes passei por uma verdadeira mutação.
Engraçado que após fazer tais coisas, e alcançar os objetivos por trás delas, o sabor da conquista não era o esperado. Acho que foi quando aprendi a dar valor as conquistas obtidas pelo meu eu original.
Lembro uma vez em que estava realizando um teste de elenco para um comercial que gravaríamos, e ao entrevistar uma atriz, a cada pergunta que fazia, ela assumia uma personalidade diferente para responder. Fui obrigado a pedir que guardasse a atuação para o teste, e não usasse na entrevista, pois queria falar com a pessoa por trás dos personagens.
Nessa ocasião, lembro que comentei o caso com a minha Diretora e ela respondeu de maneira bem interessante:
“O ser humano sente uma necessidade absurda de agradar, uma vontade enorme de ser o necessário, e um desejo incrível de sempre ser bom o bastante, mas nunca confia em si mesmo, então precisa assumir personagens que julga serem bons o bastante para fazer aquilo do qual duvida ser capaz, como se esses personagens tivessem vida própria.”
E pensando bem, concordo muito com isso, confiamos mais na nossa atuação do que na nossa própria ação, como se ao assumir esses personagens adquiríssemos habilidades e conhecimentos que não possuímos, mas os personagens sim. É meio até que surreal isso, mas esses personagens nos dão confiança.
Voltando ao que minha Diretora disse, sobre a necessidade que o ser humano tem de sempre querer agradar, outro absurdo imenso. É a mistura de querer agradar e querer/precisar ser aceito.
Uma pergunta que sempre me fiz, quando percebi o quão fútil isso é:
“Será que onde quero me encaixar é tão bom quanto o lugar onde eu realmente me encaixo?”
O problema é que, acho eu, a maioria das pessoas não se dão a chance de descobrir isso, elas primeiro querem sentir o gosto do que querem, ao invés de sentir o sabor do que precisam.
Ainda seguindo a linha de raciocínio da minha Diretora, sobre o fato de sentirmos uma vontade enorme de sermos necessários. Sempre somos necessários, para as pessoas certas, mas nunca estamos satisfeitos e queremos mais e, na minha humilde opinião, esse é o problema.
Queremos ser necessários justamente para aqueles que não necessitam, uma grande tolice na minha opinião.
Quando nós mesmos não nos damos o valor, é aí que esses personagens começam a surgir, é aí que começamos a atuar, e acabamos nos perdendo nessas atuações.
Tenho aprendido ultimamente que para aquelas pessoas que realmente se importam, minha versão original é a melhor, e não preciso atuar para ser aceito, basta que eu seja eu mesmo.
Sem máscaras e sem personagens.
E que acima de tudo, preciso confiar em mim mesmo para alcançar meus objetivos, e assim sentir o verdadeiro sabor das conquistas no paladar do ego e da alma.

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Gill Nascimento

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32 Comentários

  1. Concordo! Esta ai algo que não me pertence. O que faço ainda que para agradar é porque é da minha vontade. Não sei conviver com a sensação de não ter o poder de decisao sobre mim, por isso tenho fé e não religião, tenho convicções, mas não faço parte de nenhum movimento, tenho um trabalho e agora um blog onde posso ser outra parte do meus muitos eu, mantendo em todos meus personagens, mãe, mulher, profissional, amiga, minha essência, sem representações de personagens, mas apenas dando a cada um dos meus papeis a parte de mim que lhes cabe.em plena consiência que nem sempre serei igual em todos eles. Gostei do texto Gil. Beijao

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  2. Texto interessante. Eu particularmente prefiro ser natural, acho que passamos mais sinceridade e confiança. Tem gente que atua tanto que se perde..rs… Beijinhos!

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  3. Putz, esse texto simplesmente externou tudo que eu tenho refletido nesses últimos meses.

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  4. Infelizmente a coisa mais comum ao redor de todos são pessoas que se vestem para agradar o outro! Até nós já caímos nessa e provavelmente ainda cairemos. Essa mudança na gente mesmo muitas vezes é sutil e só podemos percebê-la depois que já foi! Mas seria tão ótimo se todos pudessem ser todos! Entende? Seria muito mais fácil sermos nós mesmos numa sociedade sem preconceitos e julgamentos! Eu não creio que alguém goste de fingir outros papéis, então não deveriam fingir.. Pra isso precisamos de pessoas que amem a si mesmo e se sintam seguras, assim como outras pessoas que saibam aceitar o próximo como ele é!
    Lindo e verdadeiro texto!
    Abraços!

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    • Lembro que uma vez ouvi uma frase a qual nunca esqueço, mas nunca pesquisei a quem pertence, mas lembro onde ouvi, naquela série Lances da Vida: “A vida é um baile de máscaras, onde escondemos nossos rostos para mostrar quem realmente somos!”…
      Umas das maiores verdades que já ouvi!

      Beijos Gabi!
      Tenha uma linda semana!

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  5. Per essere me stessa non ho avuto il lavoro per cui mi ero presentata. Un lavoro importante.
    Sinceramente far vedere chi non sono non è nella mia natura.
    Infatti il lavoro che ho svolto per molti anni era basato soprattutto sulla mia personalità e sono riuscita benissimo. Credo in me stessa e non amo falsare ciò che sono.
    Solo in teatro ho cambiato me stessa: per recitare la parte che mi veniva assegnata 🙂
    E’ importante rtestare se stessi, da valore a noi e a chi ci incontra.

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  6. Sempre me pego pensando nisso…mas infelizmente, em uma entrevista de emprego, parece que se falarmos a verdade, tipo sou tímida e insegura mas gosto de desafios, as pessoas não vão acreditar, sei lá.

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    • A verdade é que essas pessoas que geralmente nos entrevistam, estão preparadas para ler cada gesto nosso, então dificilmente vamos atuar bem o bastante para que o personagem consiga convencer. A insegurança é normal, anormal é não confiar em nós mesmos, e é essa a impressão que ficará!
      Tenha um lindo dia!

      Beijos!

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  7. danaflowers

     /  14 de dezembro de 2015

    Fui fazer uma entrevista a uns 200km de onde moro, fiz o papel de boazinha, coisa que não sou e no final o entrevistador me olhou e disse que precisava de alguém mais enérgico. Acabei a entrevista com a certeza que se tivesse sido realmente eu, teria 90% de chances da vaga, nessa eu dancei…rss. Mas valeu a experiência pois depois disso… fui sempre o que sou! Bjs Gill

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  8. Muito bom esse post! Nos faz refletir… Eu era um personagem em uma busca constante de ser aceita, mas com a ajuda de muitas leituras e pesquisas, meu mundo foi se abrindo, abriu de uma tal maneira que hoje não consigo não ser eu. É automático, agrade ou doa a quem for.
    Parabéns mesmo pelo texto, me identifiquei em várias partes e sua diretora infelizmente está certíssima.

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    • Melhor maneira de existir é essa, se permitindo existir, e não se contendo, tentando agradar todo mundo, você está mais que certa em ser sempre você mesma, isso atrai as pessoas certas!
      Tenha uma linda semana!

      Beijos!

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  9. Você só vive bem em sociedade se vez ou outra faz cara de paisagem e balança a cabeça. Mas assumir uma personalidade que não é sua é algo que eu nunca fui boa em fazer. Na verdade, nem sorrir e balançar a cabeça não é algo que eu sou muito boa em fazer… Prefiro ser meio grossa, mas responder a tudo o que me falam. E quando reclamam, eu ainda tenho a moral de dizer “FALOU ALTO, FALOU PRA TODO MUNDO”! Hahahahahahahahahaha

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  10. Prigrazi

     /  14 de dezembro de 2015

    Adorei o texto e é incrível como as vezes usamos máscaras para fingir ser alguém que não somos,já fiz muito isso quando ainda não tinha encontrado minha identidade,fingia ter o jeito de outras pessoas e com o tempo cansei,busquei meu real jeito de ser e realmente encontrei meu eu! Bjs

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  11. Ótimo texto !

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