Desempacotando lembranças…

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Eu sou o tipo de pessoa que escreve sobre tudo, principalmente  sentimentos, mas como já citei aqui algumas vezes, nem sempre compartilho essas escritas. E além disso, gosto do estilo antigo de escrever, uma folha de papel e uma caneta ou lápis, as palavras parecem que fluem mais facilmente assim.
E essa semana me mudei, enfim, aliás, motivo da minha ausência aqui no Blog ultimamente, e no processo de desencaixotar as coisas, acabei encontrando algumas coisas que escrevi, e nem faz tanto tempo, e isso me fez refletir.
Como muitos já perceberam, meu carro chefe nesse Blog são as crônicas, na verdade, dificilmente escrevo sobre algo que não vivo, então é de se imaginar que se eu escrever qualquer tipo de texto e postar aqui, no mínimo estou passando por algo parecido, daí vem os receios da exposição. Mas tenho me aberto ao desabafo por aqui, e confesso que isso tem me feito muito bem.
Hoje ao reler alguns textos que escrevi, me perguntei em qual momento da minha vida me tornei uma pessoa que muda tão facilmente seu caminho.
E com isso outras perguntas vieram, na tentativa de obter uma resposta para a primeira:
O que acontece quando aquilo que a gente quer tanto não parece mais possível?
Quando não podemos gritar para os quatro cantos do mundo o que a gente tem dentro do peito?
Quando desistimos de um sonho e embarcamos em outro, e então quando fechamos os olhos percebemos que o antigo sonho continua ali, na nossa imaginação, nos nossos desejos e no nosso coração, só que agora ele já não é tão possível. Na verdade longe disso. O que fazer?
Somos seres ansiosos, buscamos o nosso sonho, mas às vezes acabamos por parar em algo similar, um genérico que não cura.
É como navegar, sabendo que está na direção certa, mas o medo bate quando a terra que procuramos demora para surgir no horizonte, então voltamos, ou aportamos na primeira ilha que surge, e o pior vem depois, quando nos acomodamos.
Então nos tornamos náufragos no mar das nossas próprias incertezas e medos, precisando de coragem, talvez um empurrão, para colocar a jangada em mar aberto e continuar de onde parou.
Não vivemos sem sonhos, e quando não os alcançamos, acabamos por substituí-los, o problema é que nem sempre essa substituição nos satisfaz. E quando essa realidade nos bofeteia a face, a pergunta mais torturante surge:
Foi o sonho que ficou fora de alcance, ou fui eu quem deixou de correr atrás?
Não é fácil descobrir que somos os culpados das nossas próprias desilusões e frustrações, nem é fácil encarar nosso próprio olhar reprovador no espelho, mas somos assim, só percebemos o que fizemos de errado quando é tarde demais.
E o que fazemos quando esse esclarecimento nos encontra?
Isso mesmo, ou nada, ou tudo exatamente igual a primeira vez, porque somos teimosos.
Mas isso é quando a gente consegue tomar coragem e jogamos a jangada no mar, o que é difícil. Geralmente aquelas primeiras perguntas feitas aqui, demoram muito tempo para serem respondidas, outras vezes nunca são. Porque mais difícil que voltar ao caminho do sonho verdadeiro, e deixar o aconchego do sonho similar, principalmente se houver o risco de alguém se machucar no processo. Ainda mais se dessa vez essa pessoa não for a gente.
E se estão se perguntando, a resposta é sim, eu meio que passei (ou estou passando) por isso, mas já tinha até esquecido.
Então vai uma dica aí, quando você precisar por algum motivo remexer naquelas lembranças materiais, se houverem riscos de que velhos sentimentos sejam desenterrados, peça ou pague para alguém fazer isso por você. Eu tive a sorte de ter a minha irmã e minha namorada para embalarem minhas coisas enquanto viajava, mas tive o azar de não pensar nisso tudo antes, e resolver eu mesmo desembalar tudo.
E agora estou aqui, torrando a paciência de vocês.

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Gill Nascimento

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42 Comentários

  1. As lembranças nem sempre são rasuráveis, alguma lição pode ser concedida em cada vistoria, até das coisas esquecidas, temos que lembrar o que foi bom enquanto durou;

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  2. Nossa Gil… Já fiz isso tantas vezes, sair do foco original e acabar optando por realizar um sonho generico. Só que depois a falta bate e bate com força: PQ não fiz de tal maneira, por qual motivo não esperei um pouco mais.
    PS; você não torra a paciência de ninguém, eu, simplesmente adoro os seus textos. Me falta tempo para comentar em todos, gostaria, mas todos os que leio eu adoro.
    Boa mudança e maravilhosas novas conquistas.

    HuG!
    🙂

    Curtido por 3 pessoas

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    • Obrigado André…
      E é bem assim mesmo, vem aquele sentimento de que a gente poderia ter se esforçado mais, que tudo poderia estar diferente e melhor se a gente não tivesse feito essas mudanças e esses desvios no caminho! Nunca pensamos que assim como poderiam estar melhores, também poderiam estar piores, a verdade é que bate uma saudade daquilo que nem chegamos a conhecer! Nossa mente tem dessas coisas!
      Lindo dia pra ti!

      Abraço!

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  3. Muito bom Gill! Como sempre adoro tudo! Bom fim de semana!! Bjs

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  4. Então vai uma dica aí, quando você precisar por algum motivo remexer naquelas lembranças materiais, se houverem riscos de que velhos sentimentos sejam desenterrados, peça ou pague para alguém fazer isso por você.
    Amei a dica!!!

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  5. Então, de vez em quando eu sempre faço isso… desenterro por querer as lembranças do passado e como me alegro por saber que mudei. Muitas vezes eu acabo vendo como amadureci e sorrio por ter sido tao besta em algumas situações. Outras eu choro porque as cicatrizes ainda não estão totalmente fechadas… minhas lembranças sempre são tão nostálgicas e mesmo que doa, eu gosto!

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  6. Muito bom, como sempre..Beijinhos!

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  7. Gosto do seu Blog e me identifiquei bastante com o seu texto, inclusive com o seu hábito de escrever com papel e caneta – compartilho da sensação de que as ideias fluem melhor assim 🙂

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  8. É Gill!
    Acho que a vida é feita mais se sonhos abandonados ou reformulados que realizações, infelizmente.
    Belíssimo texto!
    A minha felicidade é saber que terei meu livro de crônicas autografado. 😊

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    • Reformular sonhos, adaptá-los à nossa realidade, será que isso conta como realização? porque o gosto não tenho certeza que seja o mesmo!
      E sobre o livro, aparentemente você acredita mais nele do que eu mesmo kkkkkkk
      Lindo dia pra você sua linda!

      Beijos!

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      • Acho que conta. O gosto pode não ser o mesmo, mas com o passar do tempo nós não somos mais os mesmos também. Acho que as realizações vão mudando de peso e medida.
        É claro que eu acredito, esqueceu que tenho faro para os talentos rs rs… sempre acreditei em vc 😊
        Lindo dia para você seu lindo😆

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  9. I sogni sono importanti. A volte desideriamo ardentemente che si avverino e quando accade può succedere che non sia come avremmo voluto.
    A volte non si avverano e siamo lì a sperare.
    mM non sempre il sogno resta lo stesso o ciò che si avvera ci pice perchè semplicemnte cambiamo. L’umano è nato per evolversi, cambiare rotta, anche stare fermo, ma è difficile, saremmo l’ombra di noi stessi, saremmo il niente.
    Meglio è il movimento.
    Ciao.

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    • In realtà, la cosa buona comunque!
      Triste sguardo indietro e notare che lasciano tracce nel modo di sogni non siamo in grado di eseguire, ma superiamo e talvolta anche riusciti a riprendere da dove avevamo lasciato, ciò che conta non si arrende e non piangere!
      Bella giornata per voi!

      Baci!

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  10. Excelente Gill!!! Esses momentos em que nos damos conta de que mais deixamos sonhos pra trás do que os realizamos é entristecedor 😦 Otima reflexão

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  11. Oi, Gil,
    Somos pessoas cheias de sentimentos e nos emocionamos. É normal isso. As nossas vidas parecem uma montanha russa. E é assim que seguimos. Escrever é uma terapia que nos faz bem. Não é por acaso que estamos “blogando” e trocando mais do que palavras, convivemos, mesmo que virtualmente.
    Abraços

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  12. Estas indas e vindas são o melhor de nós. Viver e reviver… Nossas lembranças sem medo… repassando co outro olhar… de outro lado. Muito bom

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  13. Maravilhoso. Andei pensando em coisas parecidas essa semana, sabe. Mas de qualquer forma, obrigada por compartilhar essa experiência com a gente. Com certeza vou chamar alguém no meu lugar ao invés de me torturar, como geralmente faço.

    Um abraço!

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  14. Adorei sua escrita. Seu blog é incrível e enriquece os olhos e a mente!
    Apesar de termos blogs com temáticas opostas, me encontrei no seu e adorei tudo.
    Muito sucesso e por favor não pare. 💚👍

    http://www.mairanny.com

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  15. cissytavares

     /  14 de fevereiro de 2016

    Quando me casei tive um momento bem semelhante a esse, enquanto ia desmontando meu quarto de solteira e encaixotando minhas coisas, fui achando agendas, cadernos de poemas e versos, cartões de amigos, presentinhos de ex namorados… rsrs achei de tudo um pouco! Coisas que foram boas de se lembrar, outras nem tanto…. mas todas fizeram parte da minha história, então no geral me fez bem…

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  16. Não sou o tipo de pessoa que costuma ficar olhando para trás. Dificilmente desembalaria a mudança sozinha, já teria torrado a paciência de um mutirão de amigos, kkkkk, então, eu deixo Gil você torrar a minha. Kkkkk brincadeirinha Gil, adorei a reflexão. Perfeita.

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  17. Belo texto! Entendo que se expor pode ser complicado, mas é bom compartilhar esses pensamentos porque vemos que não somos os únicos que passam por esses momentos cheios de questionamentos.

    Seu texto me lembrou um livro que li recentemente, extremamente filosófico, em que o autor nos enche dessas perguntas um tanto quanto “perturbadoras”.

    “Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro de nós, o que acontece com todo o resto?”. Esse é um dos trechos do livro, que se chama Trem noturno para Lisboa, caso você tenha interesse em lê-lo 🙂

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    • Sim, tenho descoberto isso de compartilhar e seus benefícios e tenho curtido!
      Obrigado pela dica de leitura, tá aí algo sempre bem vindo rsrs vou pesquisar sim, me interessei!
      Uma terça maravilhosa pra você!

      Beijos!

      Curtido por 1 pessoa

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  18. Torrando nossa paciência com situações que passamos, por isso muitos se identificam com o seu site Gil. Parabéns.

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