Tentando falar de amor…

Uma pessoa muito especial para mim, disse que adoraria me ver falando de amor aqui no Blog, e eu venho há tempos tentando escrever, e mesmo estando com a minha inspiração em alta no momento, venho tendo um bloqueio enorme na hora de tentar passar para o papel tal assunto.
Conversando com ela sobre esse fato, falei algo que nem tinha notado a relevância: É muito difícil falar de amor quando se está amando.
Uma amiga de muitos anos me disse certa vez, num assunto parecido, que era impossível um cara que começou escrevendo poesias, não conseguisse falar de amor sem precisar criar versos dentro de estrofes e sem fazer rimas (sim, escrevo poemas e poesias). Mas é completamente diferente.
Em um poema a gente pode falar o que vem no coração, de forma completamente pessoal ou direcionada a alguém, caramba, num poema a gente pode colocar o nome da pessoa, pode escrever uma carta de amor rimada, e ainda assim alcançar o objetivo, tocar a emoção de quem ler.
Agora num texto (e vocês podem ficar à vontade pra dizer que estou errado), além da emoção, tem que haver uma certa identificação, se a pessoa que ler nunca tiver passado pelo que está escrito, ela no mínimo deve pensar que seria ótimo tal experiência. E foi aí onde encontrei o bloqueio.
Como alguém que ama vai falar de forma universal e ambilateral desse tal de amor, quando no fundo parece que só ele está sentindo isso no mundo?
Porque é isso que o amor parece que faz, ele te faz se sentir bem, e olhar em volta as pessoas apressadas e mal humoradas, e achar que o que falta em todas elas é isso que você está sentindo. Da aquele sentimento de que você está escrevendo algo que só você mesmo entende, e mais ninguém, enquanto reza para que a pessoa que se encontra na outra ponta desse sentimento que te domina por dentro, entenda tanto quanto você, pois isso seria um maravilhoso sinal.
Ainda assim, por mais que você queira ser universal e ambilateral, no fundo você estará direcionando suas palavras a alguém, e isso te fará sentir que nada menos que a perfeição é aceitável.
Você escreve, aí apaga porque está brega, reescreve de forma diferente, e apaga novamente porque ficou muito clichê, tenta mais uma vez, e dessa vez embola a folha de papel e faz uma cesta de três pontos na lata de lixo, porque ficou piegas demais.
Mas não é isso o amor?
O amor é brega, é clichê e é piegas, além de outras várias definições, e todas elas parecem ter o mesmo significado, quando a gente está amando.
E não é nem a primeira vez que tento escrever um texto falando sobre o amor, e nem a primeira vez que fracasso, da primeira vez, lembro que me aconselharam a escrever o que, na minha opinião, era o amor.
Todo amor é clichê, mas se todo clichê fosse amor, esse conselho teria sido um amor puro.
Alguém em sã consciência definiria tal sentimento de forma muito técnica e compreensiva, e todo mundo ficaria feliz, mas como disse, seria uma pessoa lúcida, e uma pessoa que ama, de lúcida não tem nada, talvez esclarecida, mas sóbria não.
Quem tem dentro do peito esse sentimento por alguém, e tenta colocar no papel o que vem sentindo desde que isso surgiu, simplesmente irá escrever coisas incompreensíveis, que só mesmo o autor pode entender.
Praticamente um compositor de MPB.
Digo isso porque já tentei, e até hoje tento vender o texto como música para o Djavan ou para o Caetano (risos).
E isso nem é tudo, esse sentimento não te transforma apenas enquanto você está sentindo, ele até pode ir embora (ou apenas se esconder), mas deixa suas marcas, e isso te muda.
Lembro da primeira vez que passei por essa experiência, e quando enfim me recuperei depois que acabou, eu até conseguia olhar para as curvas que desciam da cintura ao quadril de uma mulher, depois que ela passava, mas antes eu tinha que olhar para o sorriso, eu até sentia atração pelos contornos e relevos dos seios, mas parava sempre no brilho do olhar. São as marcas deixadas.
Esse bendito sentimento exorcizou o cafajeste que havia dentro de mim.
Talvez eu esteja devaneando enquanto tento falar de amor, ou talvez esteja falando de amor enquanto estou devaneando, mas desde quando o amor é algo compreensível?
O amor é uma loucura, e o mundo está um verdadeiro hospício, que sejamos um pouco loucos para tentarmos nos adaptar.

 

 

 

Gill Nascimento

 

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28 Comentários

  1. Dificilmente conseguimos flautear o amor. Porque do mundo só conseguimos enxergar o desalento. E para contestar o fâmulo que ainda nos resta, é necessário primeiramente ter a pacatez de se apaixonar.
    Ótimo artigo Gill! 📝

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  2. Gostei do seu texto, me prendeu até o fim…
    Falar de amor não é fácil…, encontrar palavras para sentimentos tão profundos leva tempo…, mas depois de feito…,
    – puxa como foi simples!
    É assim, simples e profundo, toca na alma.

    Curtido por 2 pessoas

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  3. Esse tal de amor é realmente coisa de louco Gil. Parabéns pelo texto.

    Curtido por 2 pessoas

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  4. E hai parlato d’amore 😉
    Magari tutta la follia del mondo fosse amore, saremmo salvi.

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  5. Adoro seus textos! Incrível ❤

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  6. “Esse bendito sentimento exorcizou o cafajeste que havia dentro de mim.” hahaha.
    Que texto incrível, Gill!
    Realmente, falar do amor é algo bem complexo, mas você conseguiu falar muitíssimo bem, parabéns!

    Beijos,

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  7. Levantei só pra aplaudir de pé. Ainda bem que não tem ninguém aqui pra me ver ovacionar a tela.
    Amei, amei, amei.

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  8. Uma garota qualquer...

     /  15 de julho de 2016

    Como traduzir em palavras um sentimento tão louco? O amor é um grande loucura, a gente sente mas não sabe explicar, é profundo demais. Ainda assim acho que você conseguiu em poucas palavras definir um pouco desse sentimento tão louco. Parabéns pelo texto!

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  9. A verdade é que alguns sentimentos nascem de forma que são muito melhores quando são apenas sentidos, faltam palavras na hora da explicação. Mas seu texto, ótimo como sempre! Hahaha Parabéns!
    Beeeijos

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  10. Excelente Post ! Estou curtindo bastante lendo os posts deste blog, são todos muitos legais e interessantes, sempre gostei de blogs assim.

    Parabéns !

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  12. Tatiana

     /  18 de julho de 2016

    E na sua dificuldade em falar sobre o amor… falou sobre isso como nenhum outro!
    Ótimo texto!
    Boa semana (:

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  13. Adorei Gill!!!! Muito bom mesmo!!! Parabéns!!! Com certeza um dos melhores textos que li sobre o amor até hoje!
    E confesso que fiquei curiosa em ler suas poesias! 🙂

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