Máscaras na face do bem…

O mundo anda bem estranho sabe, e tenho percebido que os diagnósticos dessa estranheza não estão completamente corretos.
Se pararmos para analisar, baseando-se em tudo que tem acontecido ultimamente e ganhado a mídia, chegaremos a óbvia conclusão de que o que falta nesse mundo é um pouco mais de bons sentimentos, muito mais amor, muito mais compaixão, muito mais bem querer.
Mas isso até aonde os nossos ouvidos alcançam e nossos olhos enxergam, ao se inteirarem sobre o que vem acontecendo mundo afora, e geralmente somente notoriedades são expostas na mídia, e ainda sou da crença de que tudo se inicia de baixo, e que pra grandes conquistas, primeiro precisamos de pequenos gestos.
Isso tem me levado a perceber que não é apenas a falta de bons sentimentos que tem causado tantos problemas, mas também o excesso de máscaras.
Quando pensamos em máscaras no sentido metafórico, já logo imaginamos mais coisas ruins, como a falsidade, por exemplo, mas esquecemos que ela não esconde só a verdadeira, e ruim, face de alguém, pode acontecer o inverso, uma máscara pode vir a esconder por trás uma faceta boa de alguém.
A pergunta que fica é porque motivos alguém esconderia detrás de uma máscara o seu melhor lado, o seu melhor eu?
A resposta é até bem simples, e está lá em cima, no primeiro parágrafo desse texto: O mundo anda bem estranho.
Estranho ao ponto de algumas pessoas sentirem vergonha de mostrar que são diferentes da maioria, e que possuem um bom coração, cheio de bons sentimentos e com anseios de melhoras gerais num modo totalmente altruísta.
Ninguém é capaz de criticar essas pessoas, porque olhando bem, quem vai sentir ânimo de fazer a diferença, de um modo positivo, num mundo onde só quem causa mudanças de modo negativo, se torna manchete?
Claro, não que a pessoa vá fazer algo esperando fama ou ao menos se tornar notícia, mas no mínimo esperamos que o ato em si seja destacado para servir de exemplo.
Agora parem e vejam, em qualquer veículo de informação, seja ele impresso, rádio, TV ou internet, qual a proporção de destaque dado à atos de pessoas boas que podem inspirar, comparado a quantidade de relatos de desgraças, crimes, tragédias e crueldades. É uma luta muito injusta essa.
Imagino eu que isso desanime muita gente, a falta de reconhecimento, não para si mesmas, mas para aquilo que elas fazem ou gostariam de fazer.
E vocês devem estar se perguntando o que tem a ver as máscaras que mencionei.
Simples na verdade, tem muita gente boa por aí usando a máscara da indiferença, por causa de tudo isso que citei até agora, e não tiro a razão delas.
Imagine a seguinte situação, você por acaso ficou sabendo que uma pessoa que gosta muito, depois de muito tempo ausente, retornou, e se sente muito feliz por isso, emocionado(a) até, como se a qualquer momento fosse explodir de felicidade, sem ser capaz de prever e nem de conter as suas reações, e então vai ao encontro dela, mas antes veste uma máscara de verdade em seu rosto, pra que ela não veja o seu choro de felicidade devido a esse retorno.
É isso que tem acontecido, as pessoas tem escondido sentimentos bons por detrás de máscaras, como se fosse vergonhoso demonstrá-los, nesse mundo onde a mídia cultua e divulga tantos sentimentos ruins.
Por sorte ainda estamos vivendo uma época em que a influência do bem ainda é mais poderosa, mas por quanto tempo?
Pois aquilo que não é conhecido e disseminado, não pode ser influenciável. A bondade toca, ela emociona, ela alegra, ela aquece o coração, e vê-la acontecendo nos incentiva a querer fazer também, da aquela vontade de querer ver mais, sempre.
Ficou um impasse nesse ponto, enquanto o lado triste e ruim da vida ganha o mundo por meio do espaço a ele dedicado pela mídia, pessoas se acanham em mostrar o seu próprio lado bom.
O que podemos fazer é esperar que um dos lados venha a ceder o mais breve possível, que a mídia mude o foco, ou a bondade perca a vergonha, pois o mundo está mesmo precisando muito disso.

 

 

 

Gill Nascimento

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21 Comentários

  1. Que tapa na cara! E acho que culpa disso é devido a alienação das pessoas nos últimos tempo. Parece que o ser humano anda fútil, superficial, se preocupando mais com sua imagem e como as pessoas o enxergam! Quando alguém faz algo bom é justamente pra mostrar pros outros que ele é legal e ganhar curtidas. A verdade é que amo e bondade estão perdendo espaço. É só parar um pouquinho e analisar a atual situação do mundo. É complicado, e precisamos mudar de atitude porque a tendência é piorar!
    Belo texto.

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  2. Cara, seus textos são muitos bons! Esperando pelo próximo…

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  3. ….bonito texto….é uma bela perspectiva, sabemos que guiar-se pela mídia é um grande erro, não reflete a realidade, possuem uma parcialidade tendenciosa e perigosa, distorcem alguns valores em prol de manchetes…o bom, é que fora e longe das câmeras, holofotes e posts, podemos viver e ver o que realmente importa…acho que é uma questão de educação, uma questão de treino, de estar disposto, de manter a esperança…”treinarmos” para sentirmos mais e melhor, sem medos…. 🙂

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  4. Torcendo pra que esse dia chegue logo. Adorei!

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  5. Bárbara Mussili

     /  28 de julho de 2016

    É relevante isso porque todos podemos ser menos desconfiados e ser gentis em pequenos gestos.Acho que uma palavra da ordem tb é empatia. Obrigada pela reflexão.

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  6. Gillzinho sempre arrasando!
    Quando o mundo será mais humano é uma grande questão.
    Adoro seus textos 🙂
    Beijos

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  7. Io credo che la maschera si indossi per poter essere come gli altri, globalizzarsi, oggi spesso si ha paura di mostrare come siamo per non restare isolati.
    L’uomo è “strano” sicuramente, ma ha facoltà di ragionare…spesso lo dimentichiamo. E diventiamo mediocri.

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  8. Excelente reflexão.
    Em meu entender, é necessário que os media mudem o foco. Desta forma, estabelece-se um sistema dialético de melhoria entre as variáveis.

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    • Exatamente, eu também acho que o primeiro passo deveria vir da mídia, abrindo espaço para o que nos serve de exemplo, e fechando um pouco para as tragédias e coisas ruins …. Tenham uma excelente noite!!! Abraços!!!

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  9. Sempre tem como encontrar o bem, mesmo sendo mais difícil que encontrar o mal… mas se a gente derrubar essas mascaras não tendo medo de se emocionar, de fazer algo por alguém, de chorar de alegria ou de saudades, deixando o orgulho e a indiferença de lado, a gente pode começar a ser a diferença… ela precisa começar em algum lugar, né? Um dia a gente chega lá, Gill! Fé em Deus!!

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  10. Texto maravilhoso e cheio de verdades. (aplausos)

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