Aprendendo a dizer adeus…

Muito recentemente, aconteceu algo em minha vida que me fez refletir muito sobre como agimos na hora de dizer adeus, no meu caso tive que dar adeus para algo muito especial em minha vida, e isso formou em minha mente várias perguntas.
Será que é realmente um adeus quando deixa saudades?
Será que é mesmo um adeus quando deixa tantas boas lembranças?
Será que é mesmo um adeus quando fica aquele fio de esperança de que um dia a gente possa reviver aquilo do que/qual nos despedimos?
Então comecei a perceber o erro na aplicação do adeus, porque se o nosso coração mantém algo vivo, mesmo depois de nós nos despedirmos, então não foi um adeus, porque no fundo estará sempre com a gente
Mas o erro se intensifica e vai ainda mais longe quando notamos o outro lado dessa moeda. Assim como mantemos vivas coisas boas as quais precisamos abandonar, mantemos vivas, muitas vezes, dentro de nós, coisas ruins que nos aconteceram, das quais nos despedimos, e que nesse caso sim, o adeus tinha que ser definitivo.
Tantas coisas das quais a gente deveria se despedir, sem nem existir a necessidade de ir embora, mas não fazemos, enquanto por tantas vezes damos adeus a tantas coisas as quais adorariamos que um dia retornassem as nossas vidas.
A verdade é que é um erro não só na aplicação do adeus, mas também na aplicação da esperança.
Quando uma pessoa precisa ir embora para muito longe, por exemplo, e se vê obrigada a dizer adeus a tudo e todos que ama, porque não dizer um até logo?
E porque não dizer um adeus a para tudo aquilo de ruim que está ficando para trás? (O que geralmente ninguém faz)
Dizemos tantos adeus desnecessários, e que geralmente nunca gostamos de dizer, quando poderíamos gastá-los de modo que nos seria bastante agradável, e do jeito que vida anda difícil, arrisco dizer que seria ainda mais dito que o normal, só que com a diferença de que seria usado com deleite.
Fácil dizer e difícil aplicar, essa é a verdade, a gente diz adeus, mas não esquece, tanto as coisas boas quanto as ruis, fica aquela batalha entre a saudade das coisas e a tortura das lembranças ruins, pra ver quem te causa mais agonia por dentro.
Meu avô sempre dizia, que nosso coração é como uma casa, cheia de quartos de hóspedes, uma confortável sala de visitas, por todos os lados se vê os porta-retratos com as boas lembranças, tem também o depósito onde ficam guardadas as coisas que não usamos mais, mas que de vez em quando a gente sempre dá uma olhada, e infelizmente também tem um cômodo onde a gente deixa o lixo, aquilo que a gente quer jogar fora, e não queremos que seja nem reciclado, mas infelizmente o caminhão de coleta dificilmente passa para recolher e levar embora, e o pior é que o mal cheiro incomoda, e muito.
Hoje em dia percebo o quanto essa analogia dele está correta.
Esse lixo é tudo aquilo que permitimos que nos torture, porque nos esquecemos de esquecer, deixamos de dizer adeus.
Depois de tanto pensar, fiz uma lista de coisas que, às vezes, surgem às margens da minha memória, e ficam jogando pedrinhas nela, criando aquele efeito cascata e causando um reboliço no meu psicológico, e que eu deveria dizer adeus, e nunca o fiz.
Nunca dei tantos adeus de uma vez só em minha vida, a pergunta que fica é: Eu quero deixar pra trás, mas será que tudo isso para o qual eu disse adeus, um dia voltará a me procurar?
Sinceramente, espero que não.

 

 

 

Gill Nascimento

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27 Comentários

  1. Prezado Gill,

    dizer Adeus é mais do que necessário, torna-se uma obrigação de cada um, principalmente quando vamos acumulando uma bagagem existencial que nos tortura com o passar do tempo. É um alívio nos despojamos daquilo que nos atrapalha, são as pedras que vamos juntando ao invés de deixá-las para trás. Abs.

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    • Essas bagagens são complicadas, de início pensei em abordar esse tema na verdade, mas aí devido algo que estou passando, optei pelo Adeus, mas essa semana devo escrever sobre as bagagens que todos carregam!
      Abraços!!!

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  2. Infelizmente, eu sei dizer muito bem “adeus”, fecho as portas e nunca olho para trás. É bom, é saudável… Mas, as vezes, me pergunto se é legal de verdade não sentir falta das coisas e das pessoas que perdi. Quem sabe… Ciao Gill 😊

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  3. Eu sempre leio os seus textos e espero dar umas risadas. Dessa vez, sairei daqui com uma reflexão muito pertinente. Achei tão lindo tudo o que você escreveu e com certeza serão ensinamentos que tentarei levar para minha vida. Obrigada pelo post. Abraço.

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  4. Gil, aposto que antes de escrever este texto você estava ouvindo a música de Leandro e Leonardo…rsrsrrs (Não aprendi dizer adeus)…rsrsr (brincadeira)… até mais!

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  5. Nel bene e nel male credo che l’addio definitivo non esiste.
    L’uomo ha la memoria , le emozioni, i ricordi…impossibile dimenticare.
    Accantonare si, magari in soffitta, ma quando fai le pulizie o apri una finestra tutto torna.
    L’unica cosa è saper gestire i nostri addi affinche non diventino aria tossica per l’anima.
    bacio.

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  6. Tatiana

     /  5 de agosto de 2016

    Uma reflexão e tanto.
    Tenho uma dificuldade enoorme de dizer adeus pras coisas. Elas ficam muito bem guardadinhas comigo e vez ou outra reaparecem para me animar ou assombrar. Acho que a diferença na hora de se despedidar das coisas boas e ruins e que das boas nos despedimos com certa dor no coração e das ruins só falta dizer “já vão tarde”.

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  7. Esse texto veio na hora certa :/

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  8. É difícil dizer adeus, mas as vezes é preciso né?? Beijoss Gil!

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  9. Faz parte da vida! Bjs

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  10. Acho que o mais importante Gil, não é se vai voltar ou não… e sim o que você leva daquele ponto final. Não importa, sempre que algo for marcante, por mais adeus que se dê, nunca sairá de você e se sair é porque nunca foi importante realmente =)

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  11. Ah, Gil, rolou uma identificação absurda com seu texto e fico imaginando que talvez seja impossível que alguém leia e não tenha uma historiazinha sequer que se encaixe nesse adeus desnecessário! Obrigada pelo post.

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  12. Lisandra Drower

     /  9 de agosto de 2016

    Uau! ❤

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  1. Bagagens… | Casuísmo

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