Dois amores

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“Na dúvida entre dois amores, é sábio descartar os dois. Pois se fosse amor não haveria dúvidas!”
Mentira, ao menos na minha opinião.
Acredito ser possível sim que se ame mais de uma pessoa. Afinal, você ama seus pais, não é mesmo?
Alguns dirão que é um amor diferente, mas não é. Amor é amor. Vontade de trepar é outra coisa.
Amor, numa definição minha, é aquela disposição à defender o objeto amado de todo e qualquer mal existente no mundo.
Logo, pense comigo, quantos são os objetos na sua vida que se enquadram nessa análise? Seus pais, seus cachorros, seus amigos, seu carro, seu twitter… Isso mesmo, amor é amor, independente do objeto.
E há sim a possibilidade de se amar mais de um objeto ou mais de uma pessoa.
Lembro-me que, certa vez, sai com uma menina e, logo no primeiro encontro, ela decidiu falar sobre meus relacionamentos anteriores (pra quem não sabe, namorei duas vezes) e, fez a pergunta que não deve ser feita à um homem sincero, a menos que aguente a resposta: “Você ainda sente algo pelas suas ex namoradas?”
“Sim, eu as amo”
E ela começou a chorar, perguntando como eu tinha coragem de trepar com ela e depois falar isso. E a resposta foi mais simples ainda.
“Nós transamos por estarmos com tesão. Nós não fizemos amor. Eu não sei se você já teve a oportunidade de fazer amor com alguém. É algo diferente. É algo que não é simplesmente físico. Existe uma conexão espiritual. Mas, quando eu digo que as amo, significa que, no momento que elas precisarem de mim, elas podem me chamar. Não pra sexo, pra dar uns amassos, nem nada do tipo, mas se um pneu furar, e eu estiver na cidade, eu irei. Isso é amor.”
Ela fingiu que entendeu, mas percebi que aquilo não iria durar. Afinal, ela nunca foi amada. E, deveria estar procurando um amor virgem.
Já em relação á um relacionamento, eu tenho minha visão. Eu, apesar de cafajeste, sou monogâmico.
Se você está em um relacionamento, pra mim, tem que ser com uma pessoa só (eu já traí e não é legal, você troca o amor pelo tesão). Todavia, é óbvio que você pode acabar amando outra pessoa. Amá-la pela forma que ela te trata, pelo jeito como ela sorri das suas bobagens e etc. A única dica que eu dou é: ao invés de achar que ama as duas pessoas, veja apenas se você não está usando uma, para lhe dar o que a outra não consegue. E, se sim, reveja suas escolhas.
Você não vai deixar de amar a pessoa por não estar com ela. Você apenas irá amá-la o suficiente para não enganá-la num relacionamento, ou para que ela possa receber de outra pessoa, um amor que você não é capaz de dar.
Sendo assim, pra finalizar, vou usar uma frase da Poliana Azevedo: a verdadeira paz você encontra quando descobre que precisa apenas de dois amores para ser feliz: o próprio e o de Deus.

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Abiezer Lopes

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Ainda dá tempo!

Ai1Jx_NyScV3j0wGc8HZ8Ptxc3ts6KNv3ydYLg_gVSXtOi pessoal, aproveitando minha primeira coluna de novembro, hoje eu quero dividir um texto antigo com vocês.

Escrevi esse texto no final de 2012 e, tenho postado nos anos subsequentes, sempre no final de dezembro. Entretanto, este ano quero postar um pouco antes por um motivo. Todo mundo decide mudar de vida na virada do ano. Por que dessa vez, apenas dessa, não aproveitamos os dois meses que nos restam para resgatar esse 2015?

“Dois mil e treze será diferente? Duvido muito.
Desde que o mundo é mundo, os dias são iguais. Quase vinte e quatro horas. Quase dia, quase noite. Quase bom, quase ruim. E, se os dias são assim, imagine os anos.
A questão aqui é que 2012 não foi como você previu em 2011. Não foi perfeito. Mas também não foi uma decepção completa.
O problema é que acreditamos que tudo será novo ao badalar do relógio. Só resta saber porquê justo este badalar tem que ser o decisivo. Nunca me explicaram.
Acredita-se em horas iguais todos os dias, mas neste caso o horário só é bom uma vez por ano. Quando der meia-noite o mundo ficará cor de rosa. Bando de cinderelas ao avesso que somos.
De qualquer forma, 2012 não foi perfeito. Você pode ter perdido tua namorada, teu emprego ou algum ente querido. Teu time foi rebaixado. O comitê olímpico decepcionou. O Neymar achou que o gol ficava na mesma linha da bandeira do Neil Armstrong.
Porém, vimos uma faísca de esperança. Quer melhores exemplos de que tudo é possível do que político sendo preso no Brasil e o Corinthians campeão da Libertadores?
Onde quero chegar, caro colega, é que a culpa do ano não ter sido perfeita não é tua. Nem a tua vida é culpa tua, é dos teus pais. Contudo, a forma como vive é de tua inteira responsabilidade.
Ninguém falou que a vida seria fácil, quem dirá um ano apenas. A vida, na verdade, é uma briga de leões. Logo, anime-se. Erga seus ombros. Ande com orgulho, pomposamente. Não lamba suas feridas, celebre-as. As cicatrizes que têm são sinais de um competidor.
Você está, e continuará, numa briga de leões. Só porque não ganhou, não significa que não saiba rugir.
Agora moço, como pretendes rugir em 2013? Como pretende viver?
Se não souber responder à essas perguntas, é bem provável que tua história em 2013 seja igual à de 2012, exceto que não terá como torcer para que os Maias estejam certos e acabem com tua vidinha medíocre.
Dizem que ninguém sabe onde está indo até saber de onde veio. Observe o que fez de errado e não faça novamente. Mas, não use o passado para o martírio, apenas para aprendizado. Não erre mais os mesmos erros. Existem novos no mundo lá fora.
Então, em 2013, faça apenas uma coisa (ou não faça. Sou um texto, não um deus): comece todo dia como se fosse de propósito. Lembre-se de todas aquelas frases gastas e que poucos levam à sério. Carpe diem; Seja a mudança que deseja ver no mundo; Uma longa caminhada começa com um único passo; etc e etc.
É provável que você não use nenhuma delas. Ou até use uma ou duas.
E, mesmo que use todas, não vai fazer com que 2013 seja diferente. Sabe porque amigo?
Porquê não é 2013 que tem de ser diferente. É você.
Em memória de Danilo Michelon!”

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Abiezer Lopes

Vícios!

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“Vou parar de fumar” – disse eu após escrever o último texto no domingo à noite.
E fiquei sem colocar um único cigarro na boca até ontem – quarta-feira – à noite também. Fui fraco e decidi acender um. O gosto era horrível, parecia papel queimado. O vento acabou com o mesmo em 1 minuto. Até achei que eu havia fumado como um desesperado e acendi outro. Mal sabia eu que era apenas meu psicológico. Aqueles 5 minutos do cigarro passaram como um, sem contar que havia influência do álcool ali presente.
No final da noite, eu havia fumado quatro cigarros. Pouco comparado à quantidade que fumava antes. Muito, considerando que eu não fumaria mais.
Hoje, ao acordar com um gosto horrível na boca, comecei a montar uma analogia entre o cigarro e meus amores frustrados, ou melhor, meu amor frustrado.
É igualzinho ao cigarro. Você diz que vai parar, e quando você diz você está totalmente decidido daquilo. É clausula pétrea. Nada fará você mudar de opinião. Você resistirá até o fim. Capaz.
Chega à abstinência, você tem força, você resiste. Um dia, uma semana, uns meses. Até que não dá mais. O trabalho está horrível, a vida não é como você planejou, sobretudo, como eu todos os casos de quebra de promessa, há a influência do álcool. E você sucumbe.
Você não consegue mais resistir a esse amor. Mas que vergonha. Cadê tua força? Guardaste numa gaveta pra que não visse a merda que esta fazendo?
E o pior de tudo, o gosto é horrível. Não dá liga. Não é pra ser assim. Mas você acredita que seja só o vento queimando, só o tempo arrumando. E tenta novamente. Até se adaptar ao sabor novamente. Você sabe que aquilo vai lhe matar. Você sabe que o final vai ser o mesmo. Mas não, você continua sendo um idiota e persistindo na merda. “Só mais hoje”.
No dia seguinte você até se arrepende. Coloca a culpa no álcool. Faz misérias da tua alma. E promete novamente nunca mais fumar. Só tome cuidado amigo. É mais fácil você acender outro hoje do que amanhã.
Agora, deixe-me parar de escrever, deixe-me ir trabalhar. Afinal, se nem eu pago minhas contas, imaginem meus amores frustrados. E para terminar, farei mais uma promessa: “Hoje eu paro de amar”.

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Abiezer Lopes.

O Avesso do Avesso do Avesso

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Está tudo pelo avesso. Nada mais tem valor. Não digo valor econômico, falo dos morais. Onde esconderam a ética, o respeito, a vergonha na cara e o amor próprio? Era comodato? Tivemos que devolver?
É vergonhoso olhar em volta e ver que tudo está tão fácil. Tão simples. Quem foi que descomplicou o amor? Quem simplificou a sexualidade?
A mulher, que outrora “foi divina e graciosa, estátua majestosa do amor, por Deus esculturada”, hoje é a “delícia”. E muitas ainda gostam disso.
Na minha época, delícia era nome de margarina. Apesar que, é um comparativo adequado às que se sujeitam à isso, posto que escolhemos por “com sal” e “sem sal”. Nessas não há tempero.
Hoje se vai pro baile de sainha. Muitas vezes, sem calcinha. A dama de vermelho de hoje reflete à menina com uma chinelada na cara tentando se adequar à padrões de beleza utópicos. Elas deveriam ser bonitas quando acordam. Isso sim é padrão. O padrão próprio.
Da forma como caminha a humanidade, daqui a pouco a proibição da igreja será o amor antes do casamento. A putaria tá liberada.
Já é comum ouvir mulher dizendo que tem um carinha como estepe. E ainda tem a pachorra de falar que homem não presta. Pelo jeito estamos aprendendo bem.
O belo de hoje é a camiseta que disseram que era vestido. Os homens mais sem vergonhas devem pensar: “como será que ela é vestida?”
Na década de 70, segundo alguns mais antigos, o belo era a inteligência. Considerando que 40 anos depois já estamos nesse padrão, podemos considerar que daqui uns 100 anos seremos primatas novamente. Ainda bem que o mundo acaba agora. Mas isso não vem ao caso.
O amor está banalizado. Amo-te hoje, “amanhã sei lá”. Nunca vi ninguém amar tanta gente num ano só. Se Schopenhauer, que defendia fielmente a ideia de que o amor não é único, visse a nossa situação, com certeza não elaboraria a teoria de que “o amor é apenas instinto de sobrevivência”.
No fim, observando o mundo à nossa volta, só nos resta acreditar em Platão: “A morte não é o pior que nos pode acontecer.

Abiezer Lopes

O Bom e Velho “Bom Dia”

Pessoas são seres estranhos. De verdade. São complicadas demais. Por mais que você estude comportamentos, linguagem corporal, leia artigos de revistas que tentam explicar um pouco do universo dos seres humanos mortais, você nunca saberá como viver em meio à tanta gente estranha. Eu pelo menos não sei até hoje.

Se você está feliz e procura fazer pessoas felizes, te rotulam de louco, por exemplo. Ontem mesmo, devo ter desejado “bom dia” há umas 50 pessoas. Se 5 responderam, foi muito. Tá certo que desejo não precisa ser recíproco. Entretanto, a convenção social, criada por esses mesmos seres estranhos, pede que seja respondido. E eu também.
Se é gentil com uma mulher, ou é bicha, ou está interessado. Haja extremos. Se conversa demais com a mesma brincando, está “dando em cima”. Se responde apenas o que lhe é perguntado e evita gastar tempo e vocabulário com o ser, é arrogante. Se não se importa, é frio. Se cuida demais, é enxerido. Porra. Decidam-se. Ou inventem um manual de verdade. Não é à toa que misantropia é tendência nas passarelas do mundo todo.

Que a liberdade poética me permita o saudosismo, pois antigamente não era assim não. Eu, pelo menos, fui criado na base do “Senhor” e “Senhora”. Hoje, as pessoas não sabem o que é isso. Tratam-se por “você”. Os próprios velhos que deveriam se sentir bem por serem respeitados, agora entraram na moda do “o Senhor tá no céu”. Te cria vovô. Respeito não tem idade não.
Quantas e quantas vezes fui corrigido por não usar o “por favor”. “Muito Obrigado” então, nem dá pra contar. Agora, todos usam de ordens ao falar. Deve ser o convívio com as máquinas. Com elas é só digitar o comando, não precisa de carinho, nem de educação. Ela não se recusa.
Sou apaixonado pela tecnologia, mas vejo que ela tem nos separado. Isso é triste.

Espero que essa tecnologia nos traga um lado bom. Ou só traga pra mim mesmo, já que a moda é o individualismo. Espero que descubram o manual do ser humano moderno. Até lá, vou ver se aprendo a seguir os conselhos do velho avô: “Quem fala demais, dá bom dia à cavalo”. Talvez um dia algum responda. Já que nós mesmos não nos preocupamos com isso.

Abiezer Lopes