Uma força sobrenatural desconhecida…

Eu, geralmente, sou uma pessoa muito cética, mas abro mão desse ceticismo em algumas ocasiões, porque existem situações nas quais a explicação mais cabível, é a atuação de alguma força sobrenatural desconhecida, dentre essas ocasiões, uma em especial se destaca, e muitos de vocês irão se identificar, que é quando perdemos algo dentro de casa.
Isso acontece muito comigo, e recentemente descobri que essa força sobrenatural desconhecida, vai muito além do que eu pensava.
Lembro que assisti uma certa vez um filme japonês de terror, que o nome me fugiu da memória no momento, no qual o espírito de uma japonesa ficava de cavalinho nos ombros do protagonista, e ia onde ele fosse.
Bem, desconfio que essa força sobrenatural que atua dentro de casa quando a gente perde algo, também faça o mesmo que o espírito da japonesa do filme, pois descobri que sou muito capaz de perder as coisas dentro de um quarto de hotel também. Com a mesma efetividade.
O mais engraçado nessas situações é que, quando a gente vai pegar algo e descobre que sumiu, de início vamos diretamente ao lugar onde pensamos ter deixado, nunca aconteceu, por exemplo, de eu lembrar da necessidade de algum objeto, não saber onde ele se encontrava, e ele ter sumido, mesmo não sabendo a localização, sempre acabo encontrando rapidamente.
Acho que essa força sobrenatural não vê graça em esconder algo que eu já não sei onde está.
Nessas horas sinto saudade de morar com a minha mãe, que sempre levava a culpa, devido sua mania de arrumação, agora que moro sozinho, ainda falo, ou melhor, grito, em meio à palavrões, que se eu descobrir quem pegou o objeto meu que sumiu, essa pessoa imaginária vai se ver comigo, até porquê, nunca é culpa nossa quando algo some.
Outra curiosidade dessas ocasiões, é que só acontecem quando você recentemente organizou o ambiente em que vive, deixando parecer que é bem mais fácil se viver no meio da bagunça, e o pior, te fazendo bagunçar tudo novamente, porque depois de abrir a terceira gaveta sem encontrar o que procura, não há calma que fique para nos ajudar, e então começamos a jogar as coisas de lado e pro alto enquanto procuramos.
Essa parte de só acontecer quando a casa foi arrumada, pode até ser compreensível, eu pago uma diarista pra dar um jeito na minha casa duas vezes por semana, e ela já sabe que não deve tirar pequenos objetos dos lugares, coisas essenciais como chaves, óculos, e outros objetos que geralmente usamos com mais frequência e acabamos sempre deixando sobre a superfície do primeiro móvel da casa com o qual nos deparamos. Porém, minha mãe vai de vez em quando na minha humilde residência e acha que seu toque mágico é necessário na arrumação, e então tudo some.
Mas ainda assim, as coisas desaparecem mesmo quando não há a interferência de ninguém, até mesmo a minha, então esses fatos não explicam nada. Um bom exemplo, e até comum, é quando você chega em casa só pra buscar alguma coisa e precisa sair novamente, deixa a chave do carro em cima de uma mesa, vai pegar o objeto em algum outro cômodo, e quando volta a chave não está mais lá, mesmo você estando sozinho e tendo certeza de que a deixou exatamente ali, onde a sua mão automaticamente foi, pensando que iria encontrá-la.
Eu estou hospedado num quarto de hotel que possui de móveis, uma cômoda, um criado mudo, uma cama, um frigobar, um closet, um armário no banheiro, e nada mais, e ainda assim em um mês, já consegui perder algo dentro dele, tendo quase todos os detalhes que citei acima, mais ou menos umas cinco vezes. Deu até vontade de perguntar na recepção, se por acaso, minha mãe teria vindo me visitar enquanto eu estava fora
Agora o fator chave, que explica quase que completamente, essa minha tese sobre a existência de uma força sobrenatural desconhecida, é que depois de você ter aberto todas as gavetas possíveis, jogago metade das suas coisas pro alto, arrastado os móveis, decepcionado Deus devido a quantidade de palavrões pronunciados, e com um sentimento de derrota, desistido de encontrar o que procurava, você acaba encontrando exatamente no lugar onde tinha certeza que tinha deixado, e que por acaso foi o primeiro lugar onde você procurou.

 

 

 

Gill Nascimento

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O melhor incentivo que alguém pode dar…

Por mais que sejamos fortes, confiantes e seguros, sempre irão existir aqueles momentos em nossa vida, em que teremos duvidas sobre a nossa capacidade, em que não confiamos na nossa própria força, em que desconfiaremos da nossa perseverança, e que estaremos em sintonia com a nossa falta de fé em nós mesmos.
Por mais resistente que seja a casca, nunca sabemos o quão frágil pode chegar a ser o conteúdo interno.
E quando somos golpeados por todos esses péssimos sentimentos, o que seria de nós nesse mundo, se não fossem os nossos familiares e amigos nos dando força e incentivo, naqueles tristes momentos de insegurança que insistem em nos afligir?
Já mencionei várias vezes aqui que sou péssimo com decisões, então sempre valorizei muito esse tipo de ajuda, principalmente porque sou impulsivo, quando uma dúvida me tortura, praticamente jogo cara e coroa pra tomar uma decisão, se não houver ninguém por perto para me impedir.
Ainda assim estou seguindo em frente, sempre com 50% de chances de que as coisas dêem certo, e a mesma probabilidade de que dê tudo errado, graças a essa impulsividade. Mas e quem não é assim?
Porque a maioria das pessoas travam quando estão em dúvida, pelo medo de arriscar e acabar pegando o caminho errado.
Aconteceu isso recentemente com um amigo meu, ele havia chegado numa parte da estrada em que ela se dividiu em uma bifurcação, e ele simplesmente não sabia por qual caminho seguir.
De um lado ele tinha um caminho seguro, que resolveria os seus problemas atuais, de maneira simples e eficaz.
E do outro ele tinha um caminho mais conturbado, cheio de curvas sinuosas, buracos na estrada, mas que continha durante o trajeto a vista da qual ele queria se lembrar, porém ele não tinha certeza se era um motorista capacitado para seguir tal caminho.
Essa dúvida e essa insegurança estavam acabando com ele.
Quando me ligou para me contar e perguntar o que eu achava que ele deveria fazer, praticamente todos os nossos amigos, e seus familiares já haviam dito a mesma coisa que eu acabei lhe dizendo, que deveria seguir seu coração, confiar mais em si mesmo e na força que tem e desconhece, e seguir aquele caminho que o deixaria feliz, pois não valeria a pena alcançar um objetivo se não houvesse o sabor da satisfação no final, e que não valeria a pena também sacrificar um sorriso sequer, por causa de um caminho mais simples.
Quantas vezes fazemos isso, não é mesmo?
Pegamos um caminho mais fácil, para chegar ao mesmo destino do caminho mais difícil, mas a nossa alegria e o sabor da conquista ficam lá atrás, no exato ponto em que paramos na bifurcação, sofremos com a dúvida, e acabamos por escolher a rota com menos riscos.
Alguns diriam que é eterna luta entre o coração e o cérebro, quando paramos diante dos dois caminhos que temos para seguir, o cérebro indica o caminho mais simples, o coração aponta para o caminho mais complicado, o cérebro quer evitar dor de cabeça, e o coração quer acelerar e sentir a adrenalina.
E a gente nunca sabe qual dos dois devemos ouvir, afinal, ambos sempre possuem ótimos argumentos. Nesse momento entram as pessoas em quem confiamos em pedir suas opiniões.
Com o meu amigo que citei, após ter falado comigo, nada mudou, ele continuava se corroendo em dúvidas e sem saber qual trajetória tomar, por mais que todos tenham dito a mesma coisa, que no caso seria para ele seguir o coração e encarar um pouco de adrenalina, para não ter que deixar para trás parte da sua felicidade em troca de um pouco de segurança.
E então tive certeza sobre uma das grandes verdades do mundo, da qual já suspeitava por experiência própria.
Meu amigo seguiu seu coração  no final, e até então está ótimo e feliz, além de satisfeito, mas ele não fez isso porque enchemos ele de palavras motivadoras, e inflamos seu ego falando sobre a sua capacidade, ele tomou essa decisão no primeiro momento em que alguém disse que o melhor caminho para ele era o mais simples e fácil, pois não achava que ele tinha capacidade de encarar o caminho mais difícil, superar os obstáculos, e ainda se dar bem no fim da história.
E essa é uma das grandes verdades do mundo, não existe melhor incentivo e injeção de força e confiança, do que uma pessoa que duvide que nós sejamos capazes.

 

 

 

Gill Nascimento

A magia dos Bares!

Já perdi as contas de quantos leitores e leitoras comentaram algum texto meu dizendo que bebo demais ou que vivo no bar, mas se não fossem alguns drinks e os bares desse mundão de meu Deus, não existiriam textos nas segundas, aqui no Blog, e além disso, um bom bar pode ter sua magia.
Como certa vez, um amigo que estava passando por um momento muito dificil tanto na vida pessoal, quanto na amorosa e profissional, e já estava pensando em chutar o balde de vez, o que deixou alguns outros amigos e eu preocupados, já que não sabíamos se ele se referia a pedir demissão, e mandar todo mundo à merda, ou se pensava mais em algo do tipo uma corda pendurada no teto.
Como bons amigos que somos, tentamos ajudá-lo a aliviar um pouco essa barra, uma dose de cada vez, um bar a cada dia.
E não é que nosso plano um dia deu certo, do nada enquanto estávamos num barzinho sentados em volta de uma mesa, conversando sobre assuntos variados, ele se levanta pra buscar mais uma rodada de bebidas, sem paciência para esperar o atendimento do garçom, pois o ambiente estava meio lotado na ocasião, e quando voltou, possuía um novo ânimo e uma nova visão sobre todos os problemas que o atormentavam.
Então ele nos contou o que aconteceu.
Segundo ele, enquanto esperava o atendimento do Barman, escutou uma conversa entre dois caras que estavam próximos, e aparentemente um deles estava passando por maus bocados, assim como ele próprio, e ouvia o consolo do amigo, e até nos apontou os dois caras.
As palavras de conforto desse bom amigo foram mais ou menos assim:
“Eu sei que as coisas estão ruins agora, mas veja pelo lado bom, quanto maior a tormenta, maior e mais longa será a era de bonanças que virá a seguir, não se desespere, você é forte, e já superou desafios piores, lembro bem, nos conhecemos a muito tempo, vai se abater logo agora?
E não se esqueça, muita gente depende de você, use isso para manter o foco e obter mais determinação e força, e verá que você vai conseguir. E qualquer coisa, faça de nós, seus verdadeiros amigos, os seus alicerces, sabe que pode contar com a gente.
E esquece aquela idiota, cara, você sabe que é ela quem vai sair perdendo.”
E então meu amigo começou a pensar no quanto estivemos próximos dele nos últimos dias, não só nós, amigos dele, como também seus familiares, e pensou também na sua família, que precisa dele, e que sempre contou com a sua lucidez e responsabilidade na hora de tomar decisões, e o quanto ele tinha deixado todos na mão ultimamente, e também percebeu que sua ex não merecia nem sequer uma palavra de lamento da parte dele, pois ele sempre tentou ser o melhor namorado possível, e de repente adquiriu um auto valor próprio que nunca teve antes, e se sentiu muito, mas muito melhor mesmo.
O engraçado, e também revoltante, é que, praticamente, cada um de nós que estava ali com ele naquele dia, já havíamos falado basicamente as mesmas coisas para ele, e não conseguimos fazê-lo se sentir melhor, mas quando um estranho falou, e nem pra foi para ele, simplesmente ele se sentiu revigorado como num passe de mágica, vai entender.
Um tempo depois foi minha vez de ir buscar a próxima rodada, e então aproveitei para agradecer ao cara, que tanto ajudou, mesmo sem nem saber, o meu amigo, ele realmente tinha operado um milagre.
Foi então que descobri que as palavras dele, de motivação, direcionadas ao amigo, eram referentes a uma aposta em que o cara estava participando, e seus amigos haviam casado mil reais na vitória dele, sobre uma mulher que o desafiou, para ver quem cairia primeiro com a bebida da casa, acontece que a mulher era quase imbatível, grande vantagem de ser cadeirante.
Nós dois rimos um bocado quando tudo ficou claro, mas prometemos ambos guardar isso em segredo, já que tinha ajudado tanto o meu amigo.
É como eu disse, os bares podem ser lugares mágicos.

 

 

 

Gill Nascimento

O dia mais louco que eu vivi…

Existe uma pergunta que eu sempre fazia para os meus amigos, assim que voltei de Minas Gerais:
“Vocês conseguem imaginar como é uma eleição municipal numa cidadezinha de interior com 17 mil habitantes?”
Eles até que tentavam imaginar, mas nunca chegavam nem perto, a maneira mais simples e curta de tentar explicar algo desse nível, era dizendo ser uma simples e completa loucura, o que na verdade resumia muito bem, mas como era eu dizendo, sempre completava com muitas histórias, para pintar nas mentes sedentas por micos e comédias, uma singela noção da realidade de tamanho evento.
E uma em particular eu sempre gostava de contar, mas como disse ontem, só fazia na presença da minha querida mamãe, que também presenciou tudo, e podia confirmar a veracidade da história, porque confesso, se fosse eu o ouvinte, ou leitor, dificilmente acreditaria, de tão absurda que parece ser.
Mas vamos a história…
Nessa cidadezinha, havia o até então atual prefeito e candidato a reeleição, e quando as campanhas começaram, assim como nas eleições municipais anteriores, só houve um adversário, o que me deixou entusiasmado desde o início, pensando em como isso poderia ser, e fiquei muito feliz ao perceber que nem cheguei perto de imaginar a loucura que seria aquelas eleições.
Quando contava para os meus amigos de São Paulo, eles achavam ridículos alguns detalhes das histórias, como algumas manias do povo, por exemplo, e confesso, eu no começo também achava a mesma coisa, mas isso não durava muito, logo eu adotava as mesmas manias e achava demais.
Um bom exemplo eram os apelidos dos eleitores. Por serem dois candidatos a prefeito, então os partidos se uniam e formavam duas chapas, e devido isso a cidade se dividia em duas também, de um lado os Torranos, eleitores do atual prefeito na época, que era um grande fazendeiro de café, daí o apelido, e do outro lado os Pokanos, que eram eleitores do outro candidato, que por acaso era meu primo, e hoje é o prefeito da cidade, ele é um fazendeiro de cítricos, onde o produto principal eram as mexericas pokan, o que também rendeu o apelido dos seus eleitores.
E não é exagero de minha parte dizer que a cidade se dividia em duas, acreditem, casais se separavam por apoaiarem candidatos diferentes, filhos e filhas eram expulsos de casa por não apoiarem a mesma coligação que os pais, e brigas aconteciam com muita frequência nos bares e nas ruas, até mesmo nas escolas as crianças brigavam, sem nem mesmo terem idade eleitoral.
A loucura era tão grande, que fizeram escalas para as campanhas dos candidatos, um dia de campanha de um, e no outro dia do outro, no dia de campanha de uma coligação, os candidatos da chapa adversária não podiam se promover, nem mesmo abrir as portas de seus comitês.
No meio de toda essa bagunça eleitoral, havia mais uma família dividida, uma das mais ricas da cidade, e o caçula da família, que por acaso era um bom amigo meu, e muito, mas muito desajustado mesmo das ideias, era um Pokano, enquanto a magnata da sua família, sua avó, era uma Torrano fervorosa. E aconteceu de ela oferecer sua linda fazenda para que o prefeito da cidade promovesse um showmício e um almoço para seus eleitores, e quem sabe conquistar mais alguns.
A verdade é que mudando ou não de lado, num evento desse porte, onde tinha comida, churrasco e bebida a vontade e de graça, a cidade inteira, praticamente, marcava presença, inclusive eu, que não havia mencionado ainda, mas era Pokano roxo, não pelo fato do candidato ser meu primo, mas sim porque mexerica é minha fruta predileta, e também porque ele me pagou R$500 na época, só pra eu transferir meu título para lá.
E enquanto toda cidade esperava pelo dia de se fartar e encher a cara a custa do prefeito, meu amigo perturbado estava tramando um plano, que virou a cidade inteira de cabeça para baixo.
No dia anterior a festa, ele vizitou de madrugada, e sem que ninguém soubesse, a fazenda da sua avó, e trocou os potes de sal, que seriam usado para temperar toda a comida do evento, por potes de sal misturado com uréia, usada nas folhagens das plantações de café para espantar e matar os insetos. As cozinheiras nem notaram a diferença na hora de fazer a comida, devido a semelhança dos dois produtos.
A festa correu normalmente e bem demais, até acima das expectativas. Mas foi a noite, por volta das 22 horas, quando todos já estavam em suas casas, alguns ainda bêbados, que literalmente a merda foi jogada no ventilador.
Eu dei a extrema sorte de não comer nada na festa, pois almocei na casa de um tio meu, com quem havia pescado no dia anterior, e não quis perder o saboroso fruto de nossa pescaria, cozido pela minha tia que tem um talento incrível na cozinha.
Mas quem comeu se deu muito, mas muito mal mesmo.
Quando chegou um certo ponto da noite, eu já havia me deitado para dormir, pois tinha exagerado um pouco na cerveja, começo a ouvir os gritos da vizinha da direita e da sua neta, e não muito depois, começou também os gritos do casal de vizinhos da esquerda, e da suas filhas.
Longos e angustiantes gritos de pessoas que precisavam usar o banheiro, e que não aguentariam esperar muito tempo. Isso mesmo, o efeito causado pela uréia foi soltar violentamente o intestino de todo mundo que comeu, praticamente 90% da cidade.
Eu bêbado, mesmo com os gritos, consegui dormir, mas no outro dia foi uma loucura, por onde eu passava eu ouvia relatos das pessoas, dizendo ter passado a noite inteira no banheiro, muitos diziam estar até com assaduras, e a situação era tão comum entre todos, que eles nem sentiam mais vergonha de falar, muitos admitiam não ter conseguido chegar a tempo no banheiro.
E acreditem se quiser, a cidadezinha até estava cheirando um pouco mal, de verdade. Uma mulher na minha rua levou restos da comida para dar aos porcos em seu sítio, e dois deles morreram.
Ouvi histórias de que uma mulher grávida teve um aborto instantâneo devido isso, mas esse fato não posso atestar, pois até sair de lá ainda não havia conseguido saber se era verdade.
Mas o mais absurdo de tudo foi o que aconteceu no hospital da cidade, e isso eu garanto por ter sido vizinho de uma enfermeira do hospital, e morar em frente ao clinico geral. No final da noite, início da madrugada, o hospital lotou, e o problema, como imaginam, não era a quantidade, mas sim o fato de todos terem o mesmo problema, e como esse problema estava tornando o ambiente do hospital insuportável e o ar irrespirável, o que fez os funcionários do hospital chegarem ao ponto de sair arrecadando dinheiro entre eles mesmos e os pacientes, e tendo feito isso, ligaram para um morador da cidade que tinha um caminhão com o qual fazia carretos, contrataram seus serviços, e pediram para que ele levasse todos os pacientes para cagar no mato.
Meu amigo? Bem, depois disso e até eu voltar para São Paulo, ele ficou desaparecido, pois recebeu muitas ameaças, mas fiquei sabendo que tudo se resolveu e ele voltou um tempo depois.
Já a cidade voltou ao normal, com toda sua loucura eleitoral, dois ou três dias depois, o cheiro demorou uns quatro.

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Quando contei essa história no Grupo de Blogueiros e Blogueiras do Whatsapp, pedi que minha mãe mandasse um áudio confirmando se era verdade ou não…
Beijos especiais pras lindas Flávia e Mayara do Blog Coelho da Lua, Juliana do Blog Fabulônica,  Natália do Blog Only Secret Dreams,  Sílvia do Blog Reflexões e Angústias, Letícia do Blog Os Benefícios de Beber Café, Laynne do Blog Meu Espaço Literário, e o amigo Palhão do Blog do Palhão, que já ouviram essa história, e me incentivaram na época a contar aqui. Espero que vocês tenham gostado.
Abraços!

 

 

 

Gill Nascimento

Cancelando a volta…

Um dia desses, aqui mesmo no Blog, mencionei no texto Tomando uma bronca, o fato de ter morado em uma cidadezinha chamada Divisópolis, no norte de Minas Gerais, e o fato de que lá vivi ótimas histórias, e prometi contar algumas aqui. Bem, esse dia chegou.
O que não mencionei foi como acabei morando lá.
Em 2002, minha mãe, devido o fato de minha falecida avó estar doente, resolveu se mudar para lá, e ajudar meu avô e meus tios a cuidarem dela, e eu, com 18 anos na época, não fui, pois tinha acabado de prestar o vestibular, estava trabalhando, namorando, tinha uma vida em São Paulo que não dava pra abandonar. Foi uma guerra pra conseguir ficar, mas venci e ela se foi sem mim.
No ano seguinte, quando tirei férias, já dá faculdade e também do trabalho, resolvi passar 15 dias nessa bendita cidadezinha, rever minha família, e os parentes que não via havia um bom tempo.
Foi a minha perdição. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer, como geralmente digo pro pessoal quando conto as histórias de lá, que me apaixonei pela cidade devido a natureza tão próxima, a pacatez do clima de interior, o acolhimento e coisas desse tipo, e apesar de ter me apaixonado por esses fatores, a verdade é que o que mais gostei naquela cidade, é que em dias de festa, ela era muito louca, muito louca mesmo.
Fui num final de ano, e isso foi o primeiro quesito que me conquistou, pois a cidade fazia divisa com a Bahia, aliás, a casa dos meus avós já ficava na Bahia, e a menos de 15 minutos da casa da minha mãe, em Minas, e como sabem, na Bahia não tem horário de verão, então na virada de ano, dava pra curtir a queima de fogos em MG, e depois ir para a cidade vizinha e curtir outra queima, já na Bahia, eu achava aquilo sensacional.
Eu elevei as piadinhas de tiozão de início de ano a outro nível.
Fora o fato que a cidade começou a festa de final de ano no dia 24 de Dezembro, pela manhã, e só terminou no dia primeiro de Janeiro a noite. Eu até então me achava baladeiro e festeiro, e me considerava muito resistente, mas no dia 28 eu já estava pedindo arrego.
E com essa primeira festa local, descobri outro encantamento daquela cidade, ela tinha uma média de 11 homens para cada mulher, e ser Paulistano me colocava em grande vantagem aos outros homens na cidade. Nenhum cara com 19 anos resistiria a tal fato. Mas por incrível que pareça, me comportei nesses 9 dias de festa, devido ao fato de estar namorando, mas as investidas femininas (e algumas masculinas, fazer o quê) faziam bem para o ego.
Em 10 dias na cidade eu já conhecia mais pessoas e tinha feito mais amizades que meu irmão, que já estava lá já havia 18 meses.
Passado a loucura do final de ano, resolvi conhecer o lado pacato e ecológico da cidade, e levei o segundo golpe da paixão.
Passei os 4 dias seguintes me revezando entre comer minhas frutas preferidas tirando direto das árvores, nos quintais dos meus próprios parentes, pescando em rios e lagos, tomando banhos em cachoeiras, caçando no mato, e jogando conversa fora a noite sentado em algum banco da praça, que diferentemente das metrópoles, ficam lotadas em quase todos os horários e dias.
Já não sabia mais quem eu era, o festeiro que virou 60 horas direto sem dormir e bebendo, ou o cara tranquilo que amava o silêncio a espera de um peixe pra fisgar o anzol. Mas adorava fato de que ali eu poderia ser facilmente ambos.
Então um dia antes do marcado para a minha volta, um amigo me listou, mais ou menos, todos os eventos e festas que aconteciam na cidade durante o ano, com o bônus de que aquele ano de 2004 era de eleições municipais, o que garantia, praticamente, 6 meses de festas nos finais de semana, e me contou os principais detalhes de cada festa que havia na cidade. Foi o terceiro golpe da paixão, com um toque muito forte de sedução.
O resultado foi que não voltei, fiquei por lá mesmo, terminei um namoro de 3 anos, larguei um emprego também de 3 anos, e quase larguei a faculdade, pois levei seis meses até conseguir transferência para uma universidade de Vitória da Conquista.
Uns dizem que foi uma loucura o que fiz, outros dizem que gostariam de ter a minha coragem, eu digo que eu precisava daquilo, pois foi uma das melhores épocas da minha vida.

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E não acabou gente, amanhã vou contar uma história hilária que aconteceu durante as campanhas eleitorais, alguns Blogueiros e Blogueiras aqui já até conhecem essa história, pois contei em áudio num grupo do Whatsapp, e é tão surreal, que quando conto ninguém acredita, então só conto ela na presença da minha mãe, que foi testemunha e pode confirmar os fatos. No dia em que contei no Grupo, teve áudio dela confirmando, senão eu nem teria contado.
Tenham um ótimo dia.
Abraços!

 

 

 

Gill Nascimento