O dia em que conheci o grande amor da minha vida…

Eu sou um ser humano, anormal em muitos pontos, mas muito, muito normal mesmo em outros, e como uma pessoa às vezes normal, também odeio admitir quando estou errado, mas vou começar esse texto admitindo um erro meu.
Geralmente sou o cara que aponta os erros das pessoas nas Redes Sociais, mas dessa vez a grande maioria dos internautas estão certos, e eu não: o amor é uma droga e ele não colabora com a gente, e aquela piada que a galera costuma fazer de que quando você conhecer o amor da sua vida, ele vai morar na China, é verdade, e aconteceu comigo.
Ocorreu quando fui visitar meu pai em Salvador, há alguns anos, e sempre tive receios de contar essa história, mas hoje resolvi compartilhar com vocês.
Durante minha estadia naquela cidade linda, e quente, e receptiva, e quente, e aconchegante, e quente, eu resolvi conhecer uma lanchonete que me indicaram, e lá descobri algo que até então pensava ser lenda: existe sim o amor à primeira vista.
Logo quando passei pela porta eu a avistei, e juro, foi até constrangedor, pois não sei quanto tempo se passou, mas imagino que tenha sido cerca de um minuto, talvez um pouco mais, mas pra mim pareceram dias, e ainda assim não pisquei e nem consegui tirar os olhos dela, ela era perfeita.
Pode parecer exagero meu, mas é a mais pura verdade, era a mais linda que até hoje já vi, e todas que passaram em minha vida podem confirmar, nunca disse algo do tipo para elas, porque eu não estaria sendo sincero nem com elas, e nem comigo mesmo.
Suas formas pareciam desenhadas à mão por Deus nos seus maiores e mais inspirados dias, sim, dias, porque não creio que tamanha obra prima tenha sido feita em menos de 24 horas.
Sua cor bronzeada. Ah, a sua cor bronzeada, era divina e hipnotizante, a mais bela cor que já vi.
Seu cheiro era o aroma do paraíso, quando senti fechei os olhos e fui inundado pelas mais lindas e maravilhosas lembranças da minha vida, parecia magia, e a única coisa errada nessas imagens, é que ela não esteve lá comigo.
Enquanto isso eu continuava ali, parado, sem reação alguma.
Então veio em minha mente a realidade, eu era de São Paulo e estava em Salvador na Bahia, como seria depois? Será que esse amor sobreviveria a distância? Será que eu poderia levá-la comigo, ou será que eu poderia ficar?
Já me imaginei morando com o meu pai na mesma hora e vendo ela todos os dias, e sentindo aquelas mesmas sensações todos os dias a cada encontro.
E eu nem tinha dito um oi ainda.
Acho que isso é o amor, antes mesmo de conhecer a gente já faz mil planos para o futuro e não está nem aí se toda a nossa vida tiver que ser mudada para que tudo dê certo.
E deu certo enquanto estive lá, todos os dias eu a via, todos os dias eu sentia as mesmas sensações de quando a vi pela primeira vez. Todos os dias eu conseguia me apaixonar ainda mais.
Mas chegou o dia em que esse amor seria posto à prova, pois contra a minha vontade, eu precisava ir embora, mesmo que o meu coração e meu cérebro, pela primeira vez unidos e em harmonia, dissessem para eu não fazer isso.
Foi como uma cena de cinema, daquelas em que a despedida ocorre num saguão de aeroporto, em que parece que todo mundo pára para admirar a ocasião, pois o amor parece dançar em volta da situação.
E em cada segundo, eu pensava que tudo poderia se resolver de algum modo, com mágica talvez, ela entrar no avião comigo, eternizaríamos a nossa relação, e seríamos felizes para sempre. Mas ela não entrou.
Assim como nos filmes tivemos nosso último beijo ali no saguão do aeroporto, e acabou, na fila de embarque, e nunca mais nos vimos, mas eu nunca vou esquecer ela.
Foi assim gente, que eu conheci, me apaixonei e provei a mais linda, perfeita e saborosa coxinha que eu comi na minha vida.

 

 

 

Gill Nascimento

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Castigo…

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Estou na cozinha, sentado à mesa, cotovelos apoiados na mesma, mãos cobrindo um rosto que contém olhos firmemente fechados, naquela esperança boba de que quando se abrirem, tudo estará diferente, e aquela situação torturante terá passado.
Penso comigo onde foi que errei, em qual momento entre o meu primeiro suspiro e o agora, eu cometi um pecado que mereça tamanho castigo. Muitos me vem à mente, mas nenhum parece tão grande assim.
De vez em quando me levanto e ando de um lado para o outro na sala, tentando juntar a coragem necessária para fazer o que é preciso, mas logo algo me diz que não tenho tanta coragem assim.
Num gesto automático do nervosismo, encho um copo de Whisky, e quando percebo, ele já está vazio e minha garganta queimando, mas toda a ansiedade e medo continuam firme e forte onde sempre estiveram.
Pego o telefone fixo, que geralmente só uso em casos de desespero mesmo, e tento ligar para a única pessoa capaz de me ajudar, me indicando uma solução, mas nem o celular e nem o telefone de casa são atendidos. Tento imaginar o que será de mim sem o auxílio e os conselhos da minha mãe, então percebo que estou realmente ferrado.
Enquanto isso ela está lá no andar de cima, me esperando, aguardando minha decisão, ansiosa por minha resposta, pronta para me julgar e me condenar.
Volto para a mesa da cozinha, volto para a minha posição reflexiva.
Começo a relembrar os conselhos do meu pai, e os avisos sobre as armadilhas de uma relação, chego a conclusão que deveria ter dado ouvidos, deveria ter prestado mais atenção, e acima de tudo, ter gravado e acreditado em cada palavra que ele me disse.
Se eu tivesse feito isso, talvez eu não estaria nessa situação agora.
Abro os olhos e vejo um copo meio cheio de Whisky (ou será meio vazio?) em cima da mesa, e tento me lembrar quando me levantei e o enchi novamente, mas não consigo, esse problema conseguiu a proeza de me absorver completamente.
Da mesa mesmo eu olho pela janela, lá fora está tudo tão quieto, apesar do dia bonito que está fazendo, então imagino que todos estão dentro de suas casas, acompanhando, enquanto roem suas unhas, todo o drama que estou vivendo. Chego a olhar em volta procurando as câmeras.
De repente uma nova tortura toma o ar: o som dos ponteiros do relógio antigo na sala. Apontando que ela não vai esperar muito mais tempo, logo virá lá de cima um grito nervoso me chamando, e então não terá mais volta.
O pior de tudo, o relógio também faz questão de me lembrar que eu já deveria ter saído a mais de 20 minutos, mas acabei me metendo nessa confusão.
Enfim a necessidade de sair, vence o medo de lidar com a situação, viro na boca o restante do Swing da Johnny Walker que estava no copo, respiro fundo, falo uns cinco palavrões, e então subo a escada.
No quarto ela nem precisou me ver, ao escutar meus passos já se virou na direção da porta, se posicionou firmemente preparada para me questionar, e aguardou que eu entrasse.
Eu entro, mas nem completamente, antes que ela fizesse a tão temida pergunta:
“Então amor, qual você acha melhor, o preto ou o vermelho?”
Respiro e digo o que meu coração me manda dizer:
“Acho os dois lindos, e adoraria escolher o que não fará com que você precise trocar os sapatos, os brincos e a maquiagem, afinal já deveríamos ter saído há meia hora. Que tal uma dica?”

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Gill Nascimento

Poderosa, mas normal!

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Aí você está naquele tédio absurdo, típico de quem não tem nada pra fazer num momento de folga, quando seus amigos parecem que sumiram e na sua mente só vem a ideia de que eles resolveram tirar uma folga de você e irem se divertir.
O que sobra?
A internet, é óbvio.
Engraçado que nos momentos de tédio até a internet fica chata, você navega sem rumo, seus sites prediletos não foram atualizados desde a sua última visita. O jeito é procurar uma coisa nova.
E então começa uma busca frenética e aleatória por algo diferente. Quando surge aquele Blog, que de início parece bem normal, de uma mulher comum que faz da internet seu muro das lamentações. Mas chama a sua atenção.
Descrevendo desse jeito até parece que estou sendo pejorativo, mas não, essas revoltas e reclamações em textos na rede são sempre bem vindas, afinal, passa a sensação de gente como a gente do outro lado da tela, e que não é só a nossa vida que é uma bosta. E dependendo das lamentações, até nos anima, pois a gente sente que nem está tão mal assim, afinal, tem gente que está pior.
Mas voltando…
Então você começa a ler os textos no Blog, uma mulher, Diana, que reclama e descreve as dificuldades do seu dia.
De como é difícil ser uma mulher independente, trabalhar mais de 10 horas por dia, se sustentar e não contar com a ajuda de ninguém, e ainda chegar em casa e ter que se reconstruir todos os dias.
Porque não basta ser extremamente eficiente em seu trabalho, isso apenas não à torna uma mulher excepcional. Ela tem que ser a melhor no que faz e ainda ser prendada.
Trabalhar tanto e ainda ser capaz de chegar em casa e colocar as coisas no lugar, deixar o chão e os móveis brilhando, e ainda saber cozinhar? Com certeza isso não é pra qualquer um.
Mas quem dera fosse só isso.
Ela ainda descreve como é fazer tudo isso e ainda ter que manter seu corpo, que pra muitos parece perfeito, mas que ela sempre acha aqueles defeitinhos em frente ao espelho.
O tempo já não é muito, mas não dá pra ficar sem treinar não é mesmo? Se faltar tempo, diminui uma horinha de sono aqui, outra horinha de descanso ali. Tudo se ajeita.
E tem a estética também.
Ela tem que se depilar, tem que se maquiar, tem que dar aquela passada quinzenal no salão de cabelereiro, tem que dar um up nas marcas que o tempo tem deixado, atualizar o guarda roupa, tudo aquilo que faz parte da rotina de uma mulher que adora ser a sua melhor versão possível, mesmo que por dentro esteja tudo péssimo.
Ela adoraria ter o super poder de chegar em frente ao espelho, fechar os olhos, imaginar o visual perfeito, e ao abrir, pronto, ele se materializar. Seria uma hora e meia a mais de sono.
Mas não, também faz parte do processo de ser ela.
Ela fala de como é ser bem sucedida no trabalho, ser linda, prendada, independente, auto suficiente, e ainda assim ouvir críticas da sua mãe, que não concorda com seu modo de vida.
Após ler o primeiro texto no Blog dessa mulher você já se sensibiliza.
Engraçado que mesmo com um tempo tão curto do qual ela reclama tanto, ainda arranja um tempinho pra ser Blogueira. Típico.
Quem poderia imaginar que a vida da Mulher Maravilha era assim?

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Gill Nascimento

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Fui desafiado a escrever esse texto pelas lindas e queridas Juliana Lima do Blog Fabulonica e Letícia do Blog Os Benefícios de Beber Café, nos comentários do artigo da primeira Quinta Autoral no Blog da Ju. Pra conferir o Artigo é só CLICAR AQUI. Missão dada e missão cumprida.

Um aluno exemplar…

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Então, estava aqui sem nada relevante pra escrever (como se alguma coisa que escrevo aqui, relevante fosse), então decidi contar uma história pra vocês.
Sabe aqueles filmes sobre adolescentes, em que o ambiente escolar é dividido por turmas distintas?
Esses filmes sempre me fazem lembrar da minha própria adolescência, eu era uma contradição ambulante, eu conseguia ser o líder da turma do fundão, o melhor aluno da sala, um dos mais populares do Colégio e amigo dos nerds, tudo ao mesmo tempo.
Eu não me encaixava em turma alguma porque eu fazia parte de todas.
Levou muito tempo até os professores perceberem que eu era um dos que aprontavam, porque minhas notas eram meu álibi. Para os professores meu único problema era conversar demais.
E numa dessas vezes em que aprontei e saí livre de acusações, fui o idealizador de um plano maquiavélico, digno de até hoje, 18 anos depois, ser contado por quem estuda na escola.
Foi num daqueles dias de prova em que você tem certeza que vai se dar muito mal, mesmo tendo estudado. Ao chegar na escola a única coisa que eu queria era que essa prova não acontecesse.
Reuni minha turma do fundão da sala, meia hora antes de entrar na escola, eu tinha dois reais que minha mãe tinha me dado, e na época isso era muito dinheiro, então de improviso um plano foi se formando.

PASSO 1

Atrás do Colégio havia uma petshop, pra onde meus colegas e eu nos dirigimos, enquanto eu e outro amigo, donos das melhores lábias, distraíamos o atendente que lavava as gaiolas, os outros colegas, mais precisamente 6 moleques, pegavam os cadeados que estavam pendurados nas portas abertas das gaiolas que estavam sendo limpas. Só os cadeados, sem as chaves mesmo

PASSO 2

Após conseguirmos os cadeados, nos dirigimos ao mercado mais próximo, onde compramos 2 quilos de cebola. E debaixo de muitas lágrimas, picamos bem picadinho cada cebola, e dividimos em seis sacolinhas.

PASSO 3

Distribuí entre a galera, mais de 2 metros de “peido de véia” que eu tinha em minha mochila. Pra quem não sabe, “peido de véia” é tipo um barbante, mas que quando é aceso, o cheiro é simplesmente insuportável.

O PLANO

Após tudo estando organizado, começamos a botar o plano em ação. Cada um munido dos materiais necessários e ciente de sua parte, entramos na escola.
O Colégio em que eu estudava era formado por 22 salas de aula, divididas em 6 corredores, cada corredor tinha um portão em sua entrada.
Assim que os alunos entraram em suas salas de aula fizemos o seguinte: espalhamos as cebolas picadas no chão dos seis corredores, saímos e trancamos cada corredor usando os cadeados surrupiados da petshop, acendemos um pedaço generoso de “peido de véia” e colocamos em lugares ocultos e de difícil acesso. E então demos a cartada final, acionando os alarmes de incêndio da escola.
Deu início ao maior dos fuzuês infanto-juvenis que já tinha visto.
Alunos e professores saíram das salas para se dirigir ao pátio, e se depararam com os corredores trancados, e na bagunça pisotearam as cebolas que começaram a soltar sua essência e odor, e em poucos minutos estavam todos chorando, e então começou a bater o cheiro dos “peidos de véia” vindo do forro do teto, e foi aí que começou a bater o desespero em todo mundo.
Enquanto isso, meus colegas e eu estávamos escondidos no banheiro da escola, esperando os corredores serem abertos para nos misturarmos a multidão dos desesperados.
Essa história tornou minha turma uma lenda no Colégio.
Nos livramos da prova e tivemos mais 3 dias para estudar, pois isso tudo aconteceu numa sexta feira.
Depois de muito tempo, encontrei a Diretora da Escola na época, em um casamento, e ela lembrou dessa história, e me perguntou se tinha sido mesmo eu. Confessei, e ainda revelei que o filho dela, o noivo, estava no meio também, rimos muito.
Por coincidência, no ano em que aprontando essa, foi o primeiro e o único em que fiquei de recuperação, e justamente na matéria dessa professora da qual nos livramos da prova.
Deve ter sido o meu castigo.

Gill Nascimento

O que eu queria ser…

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Quem aqui nunca ouviu um colega de trabalho xingar e reclamar dizendo que se soubesse que iria passar pelo que está passando, que não teria se formado na sua atual área profissional e, que teria escolhido alguma outra profissão absurda?
Eu já ouvi muito isso.
Tudo bem, eu já falei muito isso também.
Legal é que nessa hora de raiva e impaciência, a gente acaba falando a profissão mais absurda do mundo mesmo.
Eu da última vez que falei isso, disse que se eu soubesse que eu ia comer o pão que o diabo amassou, teria meformado em física nuclear e me tornado o gênio que o destino havia reservado para mim.
Baita mentira, eu odiava física.
Eu era péssimo em física.
Eu fazia bullying com quem gostava de física.
Eu na verdade tenho a satisfação de trabalhar na área que sonhei trabalhar desde a adolescência, quando vi pela primeira vez como eram as coisas por trás das câmeras, mas conheço muita gente que de alguma maneira acabou sendo arrastada para uma profissão que sequer cogitou.
Comecei a lembrar então da minha tão amada – e mencionada nesse Blog – infância, e das profissões que eu dizia que iria exercer quando crescesse, e acabei me surpreendendo ao perceber que ainda lembrava de tais informações.
Lembrei que aos 6 anos eu era o habitual moleque que amava a rua, que vivia descalço com uma bola no pé e os joelhos ralados, que tinha acabado de descobrir a paixão por um time de futebol, e com isso a vontade imensa de ser igual ao meu ídolo na época.
Fiquei triste ao lembrar que muito cedo tive a consciência de constatar que eu não era muito bom nesse esporte.
Lembrei ainda que com 7 anos eu era a clássica criança que queria ser um bombeiro ou um astronauta, de como eu achava incrível os uniformes e de como eles sempre viravam notícia na televisão só por serem o que eram.
Fiquei feliz ao perceber que realizei um desses sonhos, pois fui bombeiro na Cidade de São Caetano, o que ajudou a pagar minha primeira faculdade.
Aos 9 anos eu queria ser médico, graças a um filme que assisti na época e que infelizmente não lembro o nome, mas me lembro que fiquei fascinado com o quanto eles eram queridos e de como a profissão deles era valorizada.
Até hoje tenho uma admiração muito grande pela profissão, e ainda olho as vezes para ela com o olhar sonhador da minha infância.
Aos 11 anos, quando cursava a quinta série, fiz amizade com um garoto da sala, o qual sou amigo até hoje, e ele era apaixonado por Rap, graças ao seu irmão mais velho que tinha um grupo de Rap, então eu me apaixonei pelo Rap e queria ser Rapper profissional também.
Fora bombeiro, eu passei longe das profissões que sonhei na infância, mas não sou diferente da maioria, todo mundo na infância queria ser como seu ídolo, mas acabou deixando esse sonho se apagar com o tempo.
Eu citei apenas alguns com detalhes, mas além deles eu quis ser cantor, ator, policial do FBI, caçador de fantasmas, jogador de basquete, palhaço de circo, piloto de avião, piloto de helicóptero, piloto de F1, namorado da Sandy, pakito da Xuxa e até apresentador de programa de TV.
Lembrando de tantos sonhos que tive até me parece que perdi o dom de sonhar.

Gill Nascimento