Uma força sobrenatural desconhecida…

Eu, geralmente, sou uma pessoa muito cética, mas abro mão desse ceticismo em algumas ocasiões, porque existem situações nas quais a explicação mais cabível, é a atuação de alguma força sobrenatural desconhecida, dentre essas ocasiões, uma em especial se destaca, e muitos de vocês irão se identificar, que é quando perdemos algo dentro de casa.
Isso acontece muito comigo, e recentemente descobri que essa força sobrenatural desconhecida, vai muito além do que eu pensava.
Lembro que assisti uma certa vez um filme japonês de terror, que o nome me fugiu da memória no momento, no qual o espírito de uma japonesa ficava de cavalinho nos ombros do protagonista, e ia onde ele fosse.
Bem, desconfio que essa força sobrenatural que atua dentro de casa quando a gente perde algo, também faça o mesmo que o espírito da japonesa do filme, pois descobri que sou muito capaz de perder as coisas dentro de um quarto de hotel também. Com a mesma efetividade.
O mais engraçado nessas situações é que, quando a gente vai pegar algo e descobre que sumiu, de início vamos diretamente ao lugar onde pensamos ter deixado, nunca aconteceu, por exemplo, de eu lembrar da necessidade de algum objeto, não saber onde ele se encontrava, e ele ter sumido, mesmo não sabendo a localização, sempre acabo encontrando rapidamente.
Acho que essa força sobrenatural não vê graça em esconder algo que eu já não sei onde está.
Nessas horas sinto saudade de morar com a minha mãe, que sempre levava a culpa, devido sua mania de arrumação, agora que moro sozinho, ainda falo, ou melhor, grito, em meio à palavrões, que se eu descobrir quem pegou o objeto meu que sumiu, essa pessoa imaginária vai se ver comigo, até porquê, nunca é culpa nossa quando algo some.
Outra curiosidade dessas ocasiões, é que só acontecem quando você recentemente organizou o ambiente em que vive, deixando parecer que é bem mais fácil se viver no meio da bagunça, e o pior, te fazendo bagunçar tudo novamente, porque depois de abrir a terceira gaveta sem encontrar o que procura, não há calma que fique para nos ajudar, e então começamos a jogar as coisas de lado e pro alto enquanto procuramos.
Essa parte de só acontecer quando a casa foi arrumada, pode até ser compreensível, eu pago uma diarista pra dar um jeito na minha casa duas vezes por semana, e ela já sabe que não deve tirar pequenos objetos dos lugares, coisas essenciais como chaves, óculos, e outros objetos que geralmente usamos com mais frequência e acabamos sempre deixando sobre a superfície do primeiro móvel da casa com o qual nos deparamos. Porém, minha mãe vai de vez em quando na minha humilde residência e acha que seu toque mágico é necessário na arrumação, e então tudo some.
Mas ainda assim, as coisas desaparecem mesmo quando não há a interferência de ninguém, até mesmo a minha, então esses fatos não explicam nada. Um bom exemplo, e até comum, é quando você chega em casa só pra buscar alguma coisa e precisa sair novamente, deixa a chave do carro em cima de uma mesa, vai pegar o objeto em algum outro cômodo, e quando volta a chave não está mais lá, mesmo você estando sozinho e tendo certeza de que a deixou exatamente ali, onde a sua mão automaticamente foi, pensando que iria encontrá-la.
Eu estou hospedado num quarto de hotel que possui de móveis, uma cômoda, um criado mudo, uma cama, um frigobar, um closet, um armário no banheiro, e nada mais, e ainda assim em um mês, já consegui perder algo dentro dele, tendo quase todos os detalhes que citei acima, mais ou menos umas cinco vezes. Deu até vontade de perguntar na recepção, se por acaso, minha mãe teria vindo me visitar enquanto eu estava fora
Agora o fator chave, que explica quase que completamente, essa minha tese sobre a existência de uma força sobrenatural desconhecida, é que depois de você ter aberto todas as gavetas possíveis, jogago metade das suas coisas pro alto, arrastado os móveis, decepcionado Deus devido a quantidade de palavrões pronunciados, e com um sentimento de derrota, desistido de encontrar o que procurava, você acaba encontrando exatamente no lugar onde tinha certeza que tinha deixado, e que por acaso foi o primeiro lugar onde você procurou.

 

 

 

Gill Nascimento

O que todos querem ouvir…

Quando Deus determinou que mentir seria um pecado, acho que ele não estava olhando à frente no futuro, quando as pessoas tornariam o cumprimento desse mandamento tão difícil, fazendo perguntas tão complicadas de se responder sinceramente.
Estava pensando sobre isso um dia desses, quando entrei no Facebook, coisa que raramente faço, e me deparei com uma foto de uma amiga no Feed, e a legenda era uma simples pergunta, “Estou bonita?”, e eu senti uma vontade imensa de responder com a verdade, algo do tipo “O sorriso está lindo, amiga, mas não posso dizer a mesma coisa do restante!”, e não é que ela seja feia, mas naquela foto, parecia que ela queria ser.
Eu adotei já há algum tempo a filosofia de evitar fazer perguntas as quais não quero saber, ou não tenho tempo pra ouvir a resposta, gostaria de dizer que funciona, mas estaria mentindo.
Desde então tenho adotado a filosofia de ser do outro time, dos que dão as respostas que não queremos ouvir, exceto quando podem ferir os sentimentos de alguém, diminuindo assim, e muito, a quantidade de mentiras contadas, e fazendo assim algumas pessoas pararem de fazer perguntas que me fazem ter a necessidade de mentir.
Um bom exemplo aconteceu no último fim de semana, quando voltei para casa para passar o dia dos pais com a minha filha, e acabei tendo que encarar um batalhão de parentes numa festinha familiar.
O fato de estar viajando a trabalho há tanto tempo, atiçou na minha família uma necessidade gigantesca de me bombardear com todos os tipos de perguntas, a maioria simples, mas grande parte eu não estava muito afim de responder, então coloquei minha nova filosofia em ação.
Comecei com a resposta para uma das mais simples e feitas perguntas que existe, a famosa “Como você está?”, naturalmente as pessoas perguntam isso apenas por cordialidade, e o máximo que querem ouvir é um “Tudo bem, e contigo?”, mas eu fui muito além.
Meu tio que já estava um pouco sem paciência por não ter bebidas alcoólicas na festa, pois também estávamos, além do dia dos pais, comemorando o aniversário de dezessete anos da minha irmã, me fez essa pergunta, e teve que me aturar durante quinze minutos, mais ou menos, falando tudo que estava se passando comigo, desde os menores problemas, aos maiores, desde os simples, aos mais constrangedores, e por várias vezes tentou me cortar para se desvencilhar e sair à francesa, evitando assim meu falatório, mas com muito jeitinho não deixei.
Fui evitado por ele durante todo o restante da festa, e pensei “Caramba, isso dá certo, e além de tudo é divertido!”.
Depois foi a vez da minha prima, que havia me apresentando seu novo namorado, e perguntou o que eu tinha achado dele, no que eu respondi: “Cara legal, parabéns, só é azarado!”.
Ele quis saber o que me fez chegar a conclusão de que ele seria um azarado, e eu respondi com toda sinceridade, “Você!”, e me virei e saí.
Vocês devem estar aí pensando sobre aquilo de não ferir os sentimentos das pessoas, mas nesse caso eu pude abrir uma excessão, já que minha prima é a mulher mais insensível que já conheci.
E continuei nesse ritmo durante toda a festa, e no final, quando todos já tinham ido embora, minha mãe se aproximou de mim e perguntou “Rapaz, que bicho te mordeu? Todo mundo estava comentando que você estava estranho!”, e eu respondi com toda a sinceridade do mundo, uma resposta que caberia bem melhor aqui nesse artigo, abordando esse mesmo tema, mas seria menos divertido, com certeza, e vocês não iriam ler até o fim, assim como minha mãe que não teve paciência de ouvir toda a resposta.
Então cheguei a conclusão de que as pessoas não querem a verdade se ela for dura e longa demais, querem ou preferem uma mentira simples e de preferência bem curta.
Então, só posso esperar que Deus esteja vendo isso, e me perdoe, porque o jeito será continuar mentindo.

 

 

 

Gill Nascimento

Descobrindo as semelhanças…

Vivemos num mundo complicado, onde muita gente gosta de notar as várias diferenças que existem entre as pessoas, ao invés de notar como são tantas também as semelhanças, e quando notadas, são tratadas como meras coincidências, ao invés de algo em comum.
Estou falando daquilo que podemos arriscar generalizar e dizer que todos fazem e todos têm, adoro fazer isso no Twitter, e sempre rende boas risadas dos meus seguidores.
Um fator em comum entre a maioria das pessoas são suas famílias, a maioria possui uma, isso não é novidade, mas o que deixamos de perceber, é como elas são parecidas.
Por exemplo, na minha tem, e na de vocês muito possivelmente também, um tio barrigudo, que adora tomar umas a mais, contar piadas e tirar onda com a cara do restante da família, ama dar pitaco no churrasco, mas nunca assume a churrasqueira, e sempre sai nas fotos com uma lata de cerveja na mão.
Outro bom exemplo é aquela tia, que em toda reunião aparece com uma tupperware de salada de maionese ou de torta de frango, que sempre adora perguntar “E as namoradinhas?”, que sempre sabe tudo sobre tudo e todo mundo, que sempre começa uma conversa com “Deixa eu te contar, menina…”, e no final da festa sempre leva outra tupperware com carne, salada e arroz à grega, para aquele nosso primo antsocial que nunca comparece nesses eventos.
E tem também, sempre, um primo ou prima adolescente, rebelde, que não pode ficar longe da vista de um adulto, que ingere bebida alcoólica, que sempre dá em cima de primos e primas mais velhos, e que em algum ponto da noite sempre acaba recebendo sermão dos pais no meio de todo mundo e acaba no sofá, de braços cruzados, emburrado(a) pelo resto da noite.
Outro fator em comum é que toda família tem uma idosa ou idoso legal, que sempre aparece na hora de alguma crise, pra resolver o problema com alguma malandragem das antigas, e que todos adoram ouvir as histórias da sua juventude rebelde, principalmente depois de estarem ébrios. Lembrei da minha falecida avó, que salvou minha noite certa vez, quando numa festa familiar não havia saca-rolhas, e ela me ensinou o truque de bater o fundo da garrafa de vinho na parede, fazendo assim a rolha sair.
Não podemos esquecer também daquele tio ou primo, que toda família tem, e que ninguém gosta, por ser mulherengo, preguiçoso, marrento e metido a malandro, e que na boca dos mais velhos sempre surgem comentários abafados de que ele possa estar envolvido com drogas, mas que as crianças sempre amam.
Como esquecer da criança nerd? Toda família tem uma, na qual deposita grande esperança no futuro, e que sempre se torna assunto na festa, com os pais babando ao rasgar orgulhosos elogios enquanto falam do seu desempenho acadêmico, e que sempre faz alguma tia invejosa tentar igualar seu filho, dizendo que ele também não vai nada mal no colégio.
A verdade é que a vida é meio que padrão, se olharmos pelo ângulo correto, e enquanto notamos sempre os fatos que causam um afastamento, deixamos passar os clichês que poderiam nos aproximar, principalmente com boas risadas.
Todos temos características em comum, um “todo mundo quer”, ou um “todo mundo dispensa”, um “todo mundo ama”, ou um “todo mundo odeia”, um “todo mundo têm”, ou um “todo mundo já teve”, e tenho sorte de gostar de prestar atenção nesses detalhes, e isso já me rendeu boas amizades, companhias e risadas, o fator comum sempre causa aproximação, cumplicidade, reconhecimento e identificação, e deveria ser melhor explorado.
Então fica essa dica aí, deixemos um pouco de lado as características e defeitos das pessoas que nos fazem querer continuar mantendo distância, e prestemos um pouco mais de atenção aos detalhes em comum que seria legal compartilhar, porque aprendi que é bem melhor deixar os fatores em comum, ou coincidências, se assim preferirem, neutralizar os defeitos e as diferenças, do que deixar os fatores opostos neutralizarem as qualidades e as semelhanças.
É o famoso “Não julgue o livro pela capa!”, visto por um ângulo diferente.

 

 

 

Gill Nascimento

A verdade sobre viajar à trabalho…

Engraçado como toda as vezes que menciono que estou viajando a trabalho, as pessoas comentam que deve ser legal conhecer vários lugares, e aproveitar os locais nas horas de folga, e outras coisas desse tipo, mas quem acha correto usar as palavras trabalho e legal na mesma sentença?
Já perdi as contas de quantas vezes ouvi a frase “Faça o que você ama e não trabalhe sequer um dia em sua vida!”, acho completamente errada, o certo seria “Trabalhe com o que você ama, e logo odiará isso!”, tenho certeza que se eu tivesse me formado em turismo, hoje em dia odiaria viajar, até mesmo de férias.
Viajar a trabalho só serve pra nos fazer sentir falta de tudo na sua casa, até mesmo aquilo que você odeia.
Por exemplo…
Vizinhos são seres difíceis de se lidar, mas nesse exato momento estou sentindo falta dos meus, até mesmo dos antigos vizinhos de quando morava no condomínio, uma lésbica barulhenta em baixo, um casal de velhos tarados na frente e minha ex síndica ranzinza e argentina que morava no apartamento de cima.
Devo tudo isso ao fato de ter passado os últimos dois meses em hotéis, toda semana são vizinhos diferentes, algumas vezes todas as noites, e cada um com uma peculiaridade única, dormir é sempre um desafio, porque é praticamente inevitável não tentar adivinhar o que são os sons no quarto ao lado.
Sabe quando você era criança, e ficava vendo coisas nas sombras formadas no chão do quarto, à noite, pela luz da lua que entrava pela janela?
Ficar tentando imaginar o que está acontecendo no quarto ao lado, por causa dos sons, causa as mesmas paranóias, só que numa versão adulta.
Um dia desses quase liguei pra recepção pensando que tinha um cara matando a esposa ou namorada no quarto ao lado, mas quando peguei o telefone o som cessou, então dormi, afinal, de nada adiantava se ela já estivesse morta mesmo, mas no outro dia descobri que meu vizinho de quarto era um idoso de 69 anos, e que estava hospedado sozinho. O que aquele senhorzinho estava fazendo, só Deus sabe.
Outro dia tive que bater na parede para ver se incentivava a mulher  do quarto ao lado a gemer um pouco mais baixo, e de manhã ao sair para tomar café, encontrei a pessoa hospedada nesse quarto, por acaso um rapaz de uns 16 anos que estava lá com os pais, que o deixaram ficar num quarto sozinho. Fiquei com pena dos pais, que devem ter pago uma fortuna pelos pornôs comprado pelo garoto na TV a cabo, pois foram quatro noites assim.
Também tive um casal de vizinhos que tinham um filho ainda bebê, que não dormia por nada, queria brincar a noite inteira, precisei de um tempo para entender o que estava acontecendo, pois quem chorava era a mãe, e não a criança.
Teve também uma noite em que acho que o quarto ao lado estava assombrado, pois parecia que tinha alguém praticando sapateado lá dentro, mas quando liguei na recepção para reclamar, o porteiro noturno disse que o quarto naquela noite estava vazio, e ainda subiu para confirmar. Depois que ele saiu o som parou, e aí que eu não dormi mesmo, pois se não estava mais no quarto ao lado, poderia estar no meu. Nunca se sabe.
Outra vez foi um cara que passou umas duas horas na noite fazendo elogios como “gostosa”, “delícia”, “tentação”, e eu pensei “Caramba, a mulher desse cara deve ser fenomenal!”, mas logo de manhã, quando saía, vi o serviço de quarto precisar de dois carrinhos para tirar os pratos do banquete da noite anterior, enquanto um cara de uns duzentos quilos dava 20 dólares de gorjeta, e tudo de repente fez sentido.
E sabe o que é pior nisso tudo?
A pior parte é que tenho certeza, ao menos quase, de que quem está ficando com fama de chato sou eu, que preciso reclamar no mínimo duas vezes por semana com a portaria, e acordando com um baita mal humor quase todas as manhãs, por nao dormir direito.
Aprendi a valorizar meus vizinhos com tudo isso, acreditem, porque o barulho quando se torna costumeiro, até deixa de incomodar, mas quando todo dia ele é diferente, se torna uma longa e penosa tortura, e sinceramente, não desejo isso pra ninguém, ao não ser para esses próprios hóspedes chatos e barulhentos que tornaram a minha vida mais difícil do que já é.
Então não, viajar a trabalho, na maioria das vezes, não é nem um pouco legal.
E para completar, a única profissão que faria o dito popular “Faça o que você ama e não trabalhe sequer um dia em sua vida!” fazer sentido, seria testador de colchões, porque assim como goiabada, paçoca e coxinha, dormir também é puro amor!

 

 

 

Gill Nascimento

A origem dos ditados populares!

Um dia desses ao chegar no trabalho, com a mesma disposição de todos os dias (nenhuma), eu falei algo que falo com muita frequência nessas ocasiões: “Acordei bem disposto hoje, mas essa disposição acabou assim que entrei aqui!”; e pra minha surpresa, ao contrário do normal, quando todo mundo concorda e diz estar sentindo a mesma coisa, alguém dessa vez discordou e ainda me disse a seguinte frase:
“Você tem a vida inteira pela frente pra sentir preguiça, então deixe isso pra depois e vamos trabalhar!”
Diante de tal conselho, comecei a me perguntar quem será que foi a primeira pessoa na história da humanidade a ter dito que temos a vida inteira pela frente, para fazer algo. A ironia é que, com certeza, foi uma pessoa muito preguiçosa e que adorava adiar suas tarefas.
E como vocês já me conhecem, meus devaneios malucos continuaram daí em diante, e então comecei imaginar a origem de algumas filosofias e ditos bem populares. Será que a nossa interpretação condiz com o que realmente aconteceu, quando tais frases foram ditas pela primeira vez?
Porque na minha opinião, a preguiça explicaria muitos ditados populares por aí afora.
Um bom exemplo é o ditado: “Antes um pássaro na mão, do que dois voando!”.
Será que quem disse isso realmente quis dar um conselho para as pessoas serem mais sensatas, e menos gananciosas? Ou a tal pessoa que disse isso, simplesmente disse porque sentiu preguiça de pegar o segundo pássaro?
Outro caso seria a pessoa que disse: “Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar!”.
Essa pessoa teve realmente a intenção de dizer isso, que aliás nada mais é que uma das maiores verdades que conheço, ou ela só quis mesmo arrumar uma desculpa pra não precisar falar mais que o necessário num momento de pouca disposição?
Uma outra frase interessante é: “Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe!”.
Fala sério, eu duvido que essa pessoa disse isso por causa da sua experiência de vida e o conhecimento que com ela adquiriu, porque dá trabalho resolver os problemas da vida, e ainda mais trabalho pra manter a vida sem problemas. O cara só queria sentar e esperar os problemas se resolverem sozinhos, e justificar sua preguiça de parar um pouco de curtir e começar a trabalhar para as bençãos durarem um pouco mais.
Outro exemplo muito bom é a frase: “A preguiça é a mãe de todos os vícios!”.
Pode ser que quem tenha dito isso não quis prevenir ninguém de que a preguiça vicia, gerando ainda mais preguiça, mas só justificar a sua própria, afinal, se ela é uma mãe, ela deve ser obedecida, tá na Bíblia gente.
Quem disse, por exemplo: “A união faz a força!”.
Vai saber se essa pessoa quis mesmo promover a união, ou só queria ajuda pra fazer uma tarefa que deveria fazer sozinho. Eu mesmo usava esse ditado quando minha mãe me mandava lavar a louça, pra assim o meu irmão secar.
Tem um ditado que quase se alto explica: “A pressa é a inimiga da perfeição!”.
Será mesmo que a pessoa que disse isso era perfeccionista, ou ela simplesmente adorava enrolar na hora de fazer as coisas? Eu, particularmente, só uso esse ditado quando estou de mal com algum prazo.
Um exemplo bem interessante também: “O barato sai caro!”.
Não tenho certeza que a pessoa que disse isso, quis dizer que vale a pena pagar mais caro pela melhor qualidade, pode ser que fosse alguém como eu, que tem preguiça de sair procurando promoções.
E essa então: “O tempo cura tudo!”.
Românticos dirão que isso foi dito por alguém que estava sofrendo por amor, eu digo que era alguém doente com preguiça de ir na farmácia mesmo, ou um corno com preguiça e vergonha de ir para o bar.
Uma das mais famosas: “Dinheiro não traz felicidade!”.
Qual é? Dá pra imaginar essa frase sendo lançada pelo Seu Madruga em um episódio do Chaves.
Eu poderia citar dezenas mais de exemplos, mas vou encerrar por aqui, até porque a mensagem foi passada, e aposto que quem lê vai começar a pensar melhor nos ditados de agora em diante, e pra falar a verdade, eu estou mesmo é com preguiça de continuar escrevendo, mas tudo bem, afinal “A intenção é que conta!”.

 

 

 

Gill Nascimento