Pedido do Leitor… Mães & TPM!

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
A vida corrida e problemática continua, a inspiração anda faltando, mas estou aqui e não desisto.
Recentemente recebi uma DM de um seguidor do Twitter, que sempre lê meus textos, e disse que tem sentido falta dos meus textos humorísticos, no estilo Standup, e pra minha felicidade, ainda sugeriu um tema.
Ele pediu que eu escrevesse sobre uma mistura super explosiva e perigosa: MÃES & TPM.
Se eu soubesse na minha adolescência, e até mesmo na minha infância, o que sei hoje, com certeza teria sido um filho muito melhor. Mentira. Teria apenas evitado aprontar durante ao menos 7 dias por mês, só pra garantir minha segurança.
Meu pai, apesar de não sermos muito próximos, me ensinou muitas coisas sobre o universo feminino, mas não entendo como ele não me preveniu sobre isso. Deveria ser obrigação de todo pai, ensinar seus filhos homens a como lidar com as mulheres em sua vida, durante o período menstrual, principalmente as mães.
Fico lembrando de algumas brigas totalmente sem sentido que tive com a minha, e hoje entendo, foi a maldita da TPM.
Lembro uma vez, em que ainda morava com a minha velha, e que perguntei se ela sabia onde eu tinha deixado minha carteira, pois não conseguia encontrar. E de repente o inferno subiu para a terra.
(Tentarei transcrever mais ou menos o que minha velha me falou, escreverei respeitando as pontuações, mas se quiser ler tal como ela me falava, ignore vírgulas e pontos finais)

“- Meu Deus, eu tenho uma casa inteira para cuidar e ainda trabalho fora, e não tenho problemas, mas você não consegue cuidar de uma carteira?
– Aposto que se eu procurar eu encontro em menos de um minuto, mas não vou, e sabe porquê?
– Porque sei que vai sair pra farrear com aqueles seus amigos vagabundos, então  não, não vou procurar a porra da sua carteira, procure você, e não ache, assim quem sabe não saia, e fique em casa ao invés de ir beber com aquele monte de drogados.
– Mas eu te conheço, se não achar sua carteira, então lembrará que sou sua mãe, e que mereço respeito e carinho, e virá com uma voz mansa me pedir dinheiro, porque nessa hora eu sou mãe, nessa hora lembra que eu tenho utilidade.
– Quero saber como vai ser no dia em que eu morrer. Quem vai te dar dinheiro quando você perder a porra da sua carteira no meio da sua bagunça que você chama de quarto? Quem vai lavar as roupas que você usa pra sair e impressionar aquelas putas com as quais você anda? Quem? QUEM?
–  Aí eu quero só ver o que vai fazer. Vai lá no meu caixão tentar me acordar pra pedir esses favores?
(lágrimas começam a surgir nos olhos dela e a voz começa a embargar)
– Porque eu só presto quando você precisa, mas eu não sou sua empregada, nem sou um dos seus amigos vagabundos, e nem uma daquelas putas que vive batendo no nosso portão. Eu sou a porra da sua mãe, e mereço respeito agora. Mas você é como seu pai, é homem, e não sabe dar valor a uma mulher. Não quero ser lembrada como mãe só depois que eu morrer.
(Então ela pausou para respirar, porque não havia feito isso enquanto falava, respirou fundo, e pareceu recuperar magicamente a calma, e então se virou para sair do  cômodo, mas parou, voltou e falou com a voz mais calma do mundo, como se nada tivesse acontecido e de repente eu tivesse voltado a ser seu bebê)
– Sua carteira filho? Você esqueceu na calça e eu tirei antes de lavar, coloquei na sua primeira gaveta. Você vai sair? Tem dinheiro suficiente?
– Desculpa sua mãe tá? É que eu tive um dia de bosta!”

Lembro como se fosse hoje, que naquele dia pensei em duas opções: ligar para um sanatório ou fugir de casa.
Eu não podia falar nenhum palavrão que já tomava chinelada ou tapa mesmo, na verdade ainda não posso, mas todos os palavrões que eu sei, aprendi nessas crises da minha mãe. Dava para escrever um Aurélio só de  palavrões nessas ocasiões.
E volto a bater na mesma tecla: como meu pai pode não ter me ensinado isso? Me prevenido sobre a TPM? Me deixar crescer sem saber de tal perigo?
É como ter uma arma em casa e não avisar para seu filho que é perigoso e que eles não podem mexer.
Eu fui um adolescente que deu muito trabalho para os pais, e presenciei muitas crises da minha mãe, desse mesmo tipo, e só depois dos 18 anos entendi: foi a maldita da TPM.
Tantos hematomas poderiam ter sido evitados, tantas dores de cabeça devido horas de sermão poderiam nem ter existido se meu pai tivesse me ensinado sobre os perigos de apenas três letras.
Mas acho que isso faz parte do processo de ensino dos filhos. Eu acho que o pai pensa na hora que o moleque está crescendo:
“Se eu for ensinar pra esse moleque sobre a TPM, depois terei que ensinar todo o resto pra ele, terei que me meter mais no meio da educação, dar sermões, meter medo, fazer ele obedecer e respeitar a mãe dele e eu mesmo. Por outro lado se eu não avisar nada, ele vai passar pelo que eu passo todo mês, vai se cagar de medo da louca da mãe dele, e vai obedecer com muita facilidade. Deixa essa merda assim, menos trabalho pra mim!”

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Gill Nascimento

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