Papo de Bar… Deixando o ninho!

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Sei que tenho estado meio ausente, andei durante a última semana entre idas e vindas ao médico, devido dores de cabeça muito forte que eu pensava ser minha enxaqueca crônica, mas quem acompanha o Blog deve lembrar que sofri um acidente de carro no final do ano passado, acabou que era uma sequela do acidente e tive que fazer uma pequena cirurgia. Graças à Deus agora está tudo bem.
Hoje é dia de Papo de Bar, e esse em especial foi feito nesse último sábado mesmo, em casa durante a visita que recebi de alguns amigos.
Claro, não posso beber ainda, então de minha parte foi feito com sobriedade.
Acho que vocês devem pensar “Caramba, o Gill toda vez que se reúne com os amigos, tem que beber!”.
Não gente, muitas vezes nos reunimos e não bebemos, e em festas inclusive. Na nossa infância. Mas saíamos bêbados de tantos refrigerantes que bebíamos.
O legal de receber amigos em casa após você ter feito uma cirurgia, é ver eles não admitirem que estavam preocupados com você, porque homem é assim: Durante sua internação ficam ligando pra sua mãe e perguntando como você está, se não há riscos e coisas desse tipo, na sua frente isso nunca aconteceu.
Alguns dos meus amigos, aposto que falaram pra minha mãe que se ela contasse sobre o telefonema, eles diriam que era mentira.
Então na nossa frente o máximo que eles conseguem fazer são piadas sobre o assunto. Sempre tem aquele que pergunta como foi a operação de hemorróidas, outro que pergunta como foi retirar a fimose, é de praxe.
Mas vamos ao tema de hoje.
Eu tenho amigos de todas as idades, mais velhos, mais novos, sou um cara bem sociável, na minha opinião, segundo minha mãe eu sou mesmo é descarado, e um desses meus amigos, mais novos, está saindo da casa dos pais, e resolveu perguntar como é morar sozinho no início, achei que valia a pena um Papo de Bar sobre o assunto.
A saída da barra da saia da mãe é um época memorável, e com meus amigos e eu não foi diferente. Tudo ao nosso redor, nessa época, parece ter cheiro de liberdade e mais cores.
Lembro que quando deixei o ninho só pensava em duas coisas: mulheres em minha cama e poder andar nu pela casa.
O problema é que só pensei nessas duas coisas e esqueci todo o resto.
Quando saí de casa deixei minha mãe com um irmão dois anos mais novo e uma irmã de 4 anos, então imagino que ela tenha comemorado o fato, pois era menos um pra bagunçar a casa que ela arrumava, difícil deve ser para quem é filho único, como meu amigo que iniciou o assunto.
Então explicamos pra ele tudo que certamente irá acontecer a partir do momento que ele estiver dentro do espaço que ele chamará de seu, e fora da redoma protetora do lar materno.
Primeiro ele irá se decepcionar muito, quando perceber que terá muito mais responsabilidades, e que se cansará mais, ao ponto de não conseguir cumprir nem uma fração das diversões que planejava ter.
Que se preocupar com contas para pagar, o orçamento de uma casa, deixar as coisas dentro de um ambiente mais ou menos aceitáveis para uma moradia que não seja num estado de calamidade, isso cansa tanto quanto o nosso trabalho, então serão em si dois empregos a partir  daí.
Segundo, ele descobrirá que mãe é mãe, você pode estar aonde for, com quem for, e independentemente da situação. Na primeira vez que ela for conhecer a casinha do filhinho dela, ela encontrará mil e um motivos pra voltar no dia seguinte, e no depois dele, e no outro, e no outro…
Lembro que a minha velha perguntou na primeira vez em que foi no apê que eu aluguei quando saí de casa: “Essas raparigas que eu aposto que você tem trazido para cá, elas não sabem fazer faxina não?”
Pior de tudo é que ninguém tem coragem de impedir a mãe de ir toda semana dar uma geral na casa, porque nada melhor que ter um cantinho só nosso com o cheiro da casa da nossa mãe, e quando a gente se dá conta, ela já tem a cópia da chave da porta e está chegando em dias aleatórios e em momentos inoportunos. Mas aí já é tarde demais.
E terceiro, ele irá descobrir que não é fácil se alimentar sem a nossa progenitora por perto. Eu no início, muitas vezes, ia buscar marmitas na casa da minha mãe, mas isso porque eu odeio miojo e salsicha.
Mas a verdade é que a maioria sobrevive nos primeiros meses, às vezes anos, de congelados, besteiras, miojos e salsichas.
E então acontece o mesmo com todos: resolvem engolir o orgulho e pedir algumas dicas culinárias para a  mãe.
Mal aprendem a fazer um arroz papado, um feijão duro e mal temperado, e a temperar um bife para fritar, e já saem espalhando ao mundo que são verdadeiros chefes gourmets. Eu sei que é verdade, eu fiz isso.
E então quando essas três fases passarem, ele já terá perdido o tesão da novidade, o cheiro de novo não estará mais no ar, e todo o resto já estará ligado no automático, os planos já terão sido deixado de lado, todas aquelas mulheres provavelmente já terão dado lugar a uma só, andar nu pela casa dará lugar para chegar com a roupa do trabalho e cochilar no sofá mesmo, e ele terá descoberto o delivery e aprendido a dar valor para o cartão do Vale Refeição da empresa.
Depois de falar tudo isso pra ele, coloquei uma mão em seu ombro e com um olhar tranquilizador e amigo eu disse:
“Mas calma, fora tudo isso, existem momentos bons. Eu acho!”

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Gill Nascimento

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Papo de Bar… Infância nos almoços de domingo!

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Podemos dizer que enfim o ano  começou, já que o carnaval passou. Eu estive em falta nos últimos dias aqui no Blog, devido duas semanas muito corridas que tive que envolveram trabalho, aniversário da minha princesinha Areta, e enfim minha mudança. Tive também uma pequena visita da minha enxaqueca crônica. Mas graças à Deus, ela conheceu a casa nova e já se foi.
E por falar em visita, o Papo de Bar dessa semana começou com esse assunto. E na verdade ele também foi meio que isso. Foi um papo entre amigos num almoço que rolou na casa da minha namorada, ontem mesmo.
O assunto deu início quando um amigo citou que, quando ele e sua esposa tivessem o primeiro filho, ele suspeitava que os convites para esses almoços entre amigos, pudessem vir a diminuir.
Quando perguntei o porquê, a resposta foi muito divertida:
“Penso assim porque é assim que me sinto referente aos meus amigos que tem filhos homens, o problema nem acontece com os que tem filhas meninas, como você (eu), os moleques são terríveis, a gente tem que esconder o vídeo game,  porque é a primeira coisa que eles pedem pra brincar quando chegam, eu sofro demais quando vejo os filhos dos meus amigos maltratando meu Joystick, meu coração não aguenta.
O pior é minha mulher que sempre responde antes de mim que eles podem sim brincar, agora não vejo ela deixar as filhas das amigas dela brincarem com as suas maquiagens.
E o pior desses meninos é que eles nunca jogam um jogo de aventura, de corrida ou de futebol, onde os controles sofrem menos, eles sempre querem jogar games de luta, e antes deles começarem eu já fico  de luto pelos meus joysticks.”
Foi então que lembramos como era a nossa infância quando eram nossos pais que iam nesses almoços entre amigos, e como tivemos uma infância de verdade.
Se o almoço era na casa de amigos que também tinham filhos, já sabíamos que íamos ficar o dia inteiro na rua jogando bola, soltando pipa, jogando pique esconde, entre outras brincadeiras, sem correr o risco de ouvir gritos das nossas mães, porque nessas visitas elas mantinham um certo nível de compostura.
Quando os amigos dos nossos pais não tinham filhos, não mudava muita coisa não, mas geralmente priorizávamos o fator “comer muita besteira”, as brincadeiras ficavam em segundo plano.
Lembro que, quando meus pais iam almoçar na casa de amigos, após o almoço, sempre acontecia do meu pai e os amigos dele irem para algum bar tomar uma cervejinha e jogar uma sinuca, e falar sobre aqueles assuntos que geralmente nós homens não falamos na frente das nossas mulheres.
Era a hora que eu mais gostava, naquela época todo bar tinha uma máquina de fliperama, e a mesma quantidade de fichas que eles pegavam para jogar sinuca, eles me davam para jogar no vídeo game. Eles nem precisavam dizer pra eu não comentar nada do que eles falassem ali com a minha mãe, eles sabiam que eu nem ia prestar atenção mesmo, enquanto tivesse fichas no meu bolso.
Tinha também o fato de que eu me acabava de comer doces, salgadinhos e tomar tubaína, coisa que minha mãe nunca permitiria, mas meu pai não estava nem aí.
Enquanto lembrava disso vinham os comentários dos meus amigos e acenos de confirmação de quem também viveu as mesmas situações, acho que foi do mesmo jeito com todas as crianças da minha geração.
Acho que daí veio esse nosso grande amor por um bom barzinho.

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Gill Nascimento

A Distância entre a Possibilidade e a Realidade

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Comigo está tudo uma maravilha, estou de férias.
E sabe o que tem hoje? É isso mesmo, tem Papo de Bar.
Estou pensando em determinar um dia para os artigos dessa categoria, porque senão, se depender de mim e da minha vontade, nesses dois meses de férias só terá Papo de Bar por aqui, se é que me entendem.
Estou no interior de Minas Gerais, e barzinho que é point em cidade do interior é bem bacana, tipo, em dia de sábado a noite ele lota e você de repente percebe que 50% da população adulta da cidade está lá. Se você pagar mico, em cerca de 5 minutos a cidade inteira está comentando o assunto. Adoro isso, sempre viro notícia. A primeira vez que vim nessa cidade, em 15 dias todo mundo já me conhecia.
Mas vamos ao assunto de hoje.
No último fim de semana me reuni com alguns amigos aqui da cidade num barzinho bem legal, e depois de alguns chopps, um amigo puxou um assunto bem interessante. Começamos a falar sobre a distância entre a possibilidade e a realidade.
Eu sei o que estão pensando, e não, não estava numa turma de intelectuais, longe disso, apenas éramos bêbados normais. E se eu continuar muito tempo com esse Blog (o que eu espero), vou acabar destruindo a imagem que algumas pessoas têm de que bêbados só sabem falar sobre futebol, mulheres e sexo.
Mas voltando.
Falamos bastante sobre o assunto, enveredando mais para o quesito sonhos e desejos. Geralmente visualizamos os sonhos e desejos como possibilidades, calculamos o quanto teremos que lutar para torná-los realidade, e é nesse momento em que determinamos a distância entre a possibilidade e a realidade que esperamos que ela se torne.
Mas sabe o que é mais frustrante, é que parece que quanto mais queremos essa possibilidade, mais distante ela se encontra da nossa realidade.
Um dos meus amigos fez uma comparação bem interessante, segundo ele, pensando dessa maneira, cada obstáculo e cada luta que enfrentamos para realizar nosso sonho, são ruas, avenidas e estradas que percorremos, carregando na mochila o nosso desejo ou sonho, para enfim chegarmos com ele ao nosso destino, a realidade.
Completando esse raciocínio, pude chegar a conclusão  de que o único problema é que a gente tem que caminhar, não tem veículo nenhum pra nos ajudar a chegar mais rápido ao nosso destino, não dá pra pedir carona e, na maioria das vezes, se pararmos para descansar, quanto mais descansamos, mais distante vamos ficando.
É como se a realidade fosse algo móvel também, sem endereço fixo, e que não pode parar para esperar ninguém. E o pior é que às vezes enquanto estamos seguindo nosso caminho à pé, a realidade segue o seu de carro, às vezes num carro esporte bem rápido, em outras até de fórmula 1.
Como competir com isso?
Sinceramente, enquanto estávamos ébrios no bar desenrolando o assunto desse artigo, ninguém sabia a resposta, e agora sóbrio ainda não sei.
Mas chegamos a conclusão que é até bom não sabermos mesmo a resposta, vai que em alguns casos a resposta seja que não dá para competir. Preferimos não saber para continuarmos acreditando que é possível, é aquele raro caso em que a ignorância é até bem vinda.
Enquanto isso o negócio é a gente continuar com a mochila cheia de sonhos e desejos, e seguindo essa estrada que nem sempre é amiga.O negócio é ter fé, não perder o foco e o fôlego, e torcer para que de vez em quando a realidade desacelere, aí a gente corre.

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Gill Nascimento

O Bom e Velho “Bom Dia”

Pessoas são seres estranhos. De verdade. São complicadas demais. Por mais que você estude comportamentos, linguagem corporal, leia artigos de revistas que tentam explicar um pouco do universo dos seres humanos mortais, você nunca saberá como viver em meio à tanta gente estranha. Eu pelo menos não sei até hoje.

Se você está feliz e procura fazer pessoas felizes, te rotulam de louco, por exemplo. Ontem mesmo, devo ter desejado “bom dia” há umas 50 pessoas. Se 5 responderam, foi muito. Tá certo que desejo não precisa ser recíproco. Entretanto, a convenção social, criada por esses mesmos seres estranhos, pede que seja respondido. E eu também.
Se é gentil com uma mulher, ou é bicha, ou está interessado. Haja extremos. Se conversa demais com a mesma brincando, está “dando em cima”. Se responde apenas o que lhe é perguntado e evita gastar tempo e vocabulário com o ser, é arrogante. Se não se importa, é frio. Se cuida demais, é enxerido. Porra. Decidam-se. Ou inventem um manual de verdade. Não é à toa que misantropia é tendência nas passarelas do mundo todo.

Que a liberdade poética me permita o saudosismo, pois antigamente não era assim não. Eu, pelo menos, fui criado na base do “Senhor” e “Senhora”. Hoje, as pessoas não sabem o que é isso. Tratam-se por “você”. Os próprios velhos que deveriam se sentir bem por serem respeitados, agora entraram na moda do “o Senhor tá no céu”. Te cria vovô. Respeito não tem idade não.
Quantas e quantas vezes fui corrigido por não usar o “por favor”. “Muito Obrigado” então, nem dá pra contar. Agora, todos usam de ordens ao falar. Deve ser o convívio com as máquinas. Com elas é só digitar o comando, não precisa de carinho, nem de educação. Ela não se recusa.
Sou apaixonado pela tecnologia, mas vejo que ela tem nos separado. Isso é triste.

Espero que essa tecnologia nos traga um lado bom. Ou só traga pra mim mesmo, já que a moda é o individualismo. Espero que descubram o manual do ser humano moderno. Até lá, vou ver se aprendo a seguir os conselhos do velho avô: “Quem fala demais, dá bom dia à cavalo”. Talvez um dia algum responda. Já que nós mesmos não nos preocupamos com isso.

Abiezer Lopes

Papo de bar, assunto: Mãe!

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Sabe, eu gosto muito dessa categoria ‘Proseando’, quando escrevo algo pra essa categoria, me imagino num papo de velhos amigos num bar, relembrando as velhas e mais bobas histórias do passado.
As mesas dos bares são verdadeiras máquinas do tempo, você pega um bom amigo de infância e senta em uma e peça um drink, vai entender o que estou dizendo. Um dia desses estava com um amigo meu tomando um chopp e botando o papo em dia, depois de algumas canecas, começamos a lembrar do passado, mais especificamente das nossas mães, e das mães dos nossos melhores amigos da época.
Mães são assuntos sempre que rendem boas risadas, porque são tão diferentes umas das outras, mas no fundo são tão iguais, acho que se tirar o corpo e deixar só a alma, ninguém conseguiria diferenciar umas das outras.
Eu até hoje chamo as mães dos meus amigos de tia, graças a Deus tenho contato com 90% dos meus amigos de infância e com suas famílias. Então posso falar com propriedade, elas continuam iguaizinhas.
Lembrei de como minha mãe era com meus amigos, de como eles tinham mania de dizer que ela era a melhor de todas, e não é porque é a minha mãe, mas ela é muito gente fina mesmo. Minha mãe era o tipo de mãe que não conseguia dizer não para os meus amigos, então sempre que eu queria sair, era só pedir pra um amigo pedir pra ela, cansei de fazer amigos pedirem pra ela deixar eu ir em lugares que eles nem foram comigo. Minha mãe tem um diferencial das outras mães, mais ou menos, toda mãe acerta na hora de comentar o que acha de uma amizade, as que prestam e as que não prestam, minha mãe errou em todas, ela implicava com as boas influências, e amava os meus amigos sem caráter.
Indo mais afundo, do começo da adolescência pra lá, lembrei das comédias de quando ela estava com raiva. Em frente de casa tinha uma creche Municipal enorme, com uma árvore em frente a entrada, sempre que eu passava da hora de entrar pra casa, ela ia nessa árvore, tirava um galho, pacientemente arrancava folha por folha, e mesmo que se eu não estivesse à vista ela começava a contar até dez para eu entrar. No cinco eu já estava dentro de casa tremendo como se estivesse nu no Polo Norte e tomando um sorvete. Ela nunca bateu em mim com um desses galhos, mas nunca tive coragem de arriscar quando a contagem começava.
Esse meu amigo e eu lembramos de como era engraçado o que era educação pras nossas mães. Não que elas estivessem erradas, mas elas exageravam. Lembrei que certa vez, no aniversário de um amigo meu, não lembro de quantos anos eram, como era bem perto de casa ela não quis ir, deixou que eu fosse sozinho, mas antes teve que dar todas as instruções:
– “Filho, não fale palavrão, sempre fale por favor e obrigado, lave as mãos ao sair do banheiro e não coma muito, porque você não está passando fome pra fazer isso, e também é falta de educação!”
Que criança de até 12 anos vai em uma festa cheia de doces, salgados e bolo e não vai comer até não aguentar mais?
Esse meu amigo lembrou de uma parte que o tempo me tinha feito esquecer, ri muito por isso, nossas mães tinham a mania de pedir que os cabeleireiros contassem nosso cabelo igual aos dos seus ídolos, sofri muito bullying por isso, e ele também. Tenho um irmão e ele é apenas 2 anos mais novo que eu, pensa em duas crianças que usaram durante um bom tempo o mesmo corte de cabelo do Chitãozinho e do Xororó. Bem, essas crianças éramos nós, e vocês devem concordar que aquele corte que eles usavam nos anos 80 e 90 era muito feio. Meu amigo por sua vez, ostentou por mais de um ano o mesmo corte do Fábio Jr.
Lembramos também de como era engraçado que, as comidas gostosas elas só faziam quando a gente tinha algum amigo almoçando ou jantando com a gente. Quando não tinha nenhum amigo, meu irmão e eu éramos obrigados a comer verduras e legumes, nada de frituras, só o que ela considerava saudável pra gente, mas quando tinha um amigo, os legumes refogados davam lugar as batatas fritas, as verduras estranhas davam lugar ao alface com tomate que toda criança ama, o bife de fígado magicamente virava um bife de contra filé. Era muito normal a gente sempre dar um jeito de um almoçar na casa do outro.
Esse meu amigo e eu demos muito trabalho pras nossas mães na nossa adolescência, hoje como pai e irmão mais velho de uma adolescente de 15 anos que ajudei a educar, sinto até arrependimento pelas coisas que fiz, mas ainda assim renderam boas lembranças e muitas risadas. Certa vez, quando tinha 15 anos e tocava em um Grupo de samba, saí com meus amigos e cheguei de madrugada, quase de manhã, foi o dia em que tomei meu primeiro porre de verdade, quando cheguei minha mãe e mais cinco mães de amigos meus, unidas me esperavam na calçada de casa, quando minha velha sentiu o cheiro de bebida e cigarros em mim, me deu um tapa na cara que rodei igualzinho o seu Madruga roda quando a dona Florinda lhe bate, com a diferença de que caí de bunda no asfalto.
Depois dessa ocasião foi marcação serrada, e aquilo dos amigos pedirem pra ela deixar eu sair com eles, já não colava mais.
Meu amigo e eu conversamos durante mais de 5 horas relembrando, só paramos porque o bar ia fechar.)
Hoje tenho 30 anos, uma filha de 6, minha mãe continua a mesma, briga comigo e me repreende sempre que acha que mereço, opina na minha alimentação, na minha vida social, nas minhas relações, até na maneira como me visto, e quer saber do mais? Eu amo muito tudo isso. Ela só se transforma na melhor mãe do mundo quando assume o papel de avó, mas desses benefícios, meu irmão e eu não conseguimos tirar nenhum proveito, só nossas filhas mesmo. E sabe as mães dos meus amigos? Pois é, até hoje elas continuam me minando quando apareço pra fazer uma visita, assim como a minha mima os meus amigos.
Olhando por outro lado, acho que tive, e em certo ponto, ainda tenho várias mães, e isso me deixa feliz e com uma saudade nostálgica gigantesca.

Abraços

Gill Nascimento