Limpando a casa…

image

Tem um momento em nossa vida que a gente precisa olhar bem, tudo a nossa volta, e fazer um inventário de tudo aquilo que simplesmente é inútil, de tudo aquilo que já se tornou obsoleto, daquelas coisas que se tornaram apenas enfeites e em nada somam, e mesmo como enfeites, não agradam tanto assim.
Sempre imaginei meu coração como meu lar, e como toda casa, ele também precisa de um dia destinado a uma manutenção e a uma bela faxina.
Pensando exatamente dessa maneira, vocês já perceberam a grande ironia na expressão “jogar a sujeira para debaixo do tapete”?
Porque é o que geralmente fazemos em nosso coração. Você sabe me dizer quanto tempo já faz, que você não coloca o lixo pra fora, para que ele seja logo levado embora de uma vez por todas?
Faz um bom tempo, não é mesmo? E eu não vou negar, faz um tempo que não faço isso também.
Estou pensando sinceramente em separar um dia para tirar a poeira de todos os móveis, arrastá-los, quem sabe mudá-los de lugar, varrer naqueles cantinhos escondidos, onde a sujeira geralmente gosta de se acumular e se esconder.
Depois lavar todos os tapetes e encerar bem o piso, até que meu próprio reflexo seja visto nele, como se fosse um espelho.
E não posso deixar de fora os vidros das janelas, limpá-los até que fiquem completamente transparentes, para que quem venha a olhar de fora, possa ver toda a harmonia e a paz que existe do lado de dentro.
Trocar o capacho também seria legal, talvez colocar um com uma bela mensagem de boas vindas para quem chegar contendo boas intenções, pois pessoas assim serão sempre muito bem recebidas.
Esvaziar a garagem, separar aquelas caixas velhas cheias de quinquilharias e coisas velhas que não uso mais, e que só tomam espaço, e jogar tudo fora de uma vez, sem medo de me arrepender. Porque uma das piores características do ser humano é o medo de desapegar, então ele acaba sempre guardando tudo, naquela caixa empoeirada na prateleira mais alta da garagem, muitas vezes passa a vida toda sem mexer nela novamente, mas nunca se desfaz.
Pintar algumas paredes e trocar alguns retratos, tirar aquelas fotos daquelas pessoas que gostam de ser apenas lembranças, ao invés de serem presença. Porque na minha opinião, fotos antigas, só da família, dos amigos, as fotos dos porta retratos deveriam ser renovadas ao menos uma vez por ano, nem que fosse apenas como uma desculpa boba para haver um reencontro.
Pensando em talvez trocar os móveis da sala de estar, pra receber melhor aquelas visitas queridas, sabe? Pra deixar aquele gostinho de aconchego em quem se achega, e aquela vontade gostosa de voltar.
Claro que também precisa haver aquela limpeza completa do lado de fora também, a recepção deve sempre começar na calçada, no portão de casa, e infelizmente vivemos num mundo onde a primeira impressão ainda predomina.
O resultado de tudo isso?
Bem, eu não sei. Pode ser que depois de um tempo tudo fique bagunçado novamente, e eu tenha que limpar tudo de novo, mas assim como acontece em toda faxina, a cada limpeza, menos coisas precisam ser feitas, menos sujeira é encontrada e menos lixo precisa ser jogado fora. Então acredito que todo esforço será válido. E a renovação do ambiente será muito bem vinda.

_

Gill Nascimento

Anúncios

Papo de Bar… Assunto: Vida

image

Olá pessoal, como vocês estão?
Resolvi fazer um Papo de Bar diferente. Apesar do nome da categoria, eu sempre escrevo sóbrio, nem de ressaca eu escrevo, e não sei se vocês sabem, mas o Abiezer quando chega a quinta feira e ele ainda não escreveu o texto de sexta, ele vai pro bar, e escreve o texto meio ébrio. E cá entre nós, ele escreve bem pra caramba.
Vamos ver se funciona comigo.
Acabei de sair de um bar na cidade de Vitória da Conquista na Bahia, e vou dizer, o papo lá merecia ao menos umas vinte garrafas a mais. Estávamos falando da vida, mais precisamente o que ela é.
Se você reunir milhares de pessoas e perguntar para elas o que é a vida, é muito provável que todas as respostas sejam diferentes, porque a vida é mutável, ela é diferente pra cada um e nunca é igual dois dias seguidos.
Se me perguntassem ontem o que era a vida, eu teria dito que ela é o odor do dejeto de algum ser e o nosso universo é a privada. Já hoje eu estou pegando mais leve.
Um primo meu entre uma dose de tequila e outra, disse que a vida é uma coletânea de sacrifícios, em que a gente pra ter algo que quer muito, acabamos na maioria das vezes precisando abrir mão de algo que não queremos nos desfazer.
E como discordar de tão sábia afirmação?
Outro amigo disse que a vida é o preparatório pro inferno ou pré vestibular para o céu, depende da gente escolher o cursinho.
Tem como escolher? Acho que estou sendo obrigado a me preparar para os dois então.
Já uma amiga, já alta com algumas taças de vinho, disse que a vida é um jardim onde a gente colhe o que a gente planta, mas que nem tudo que a gente planta dá fruto.
Essa versão pra mim também está correta, e eu acho que preciso esterilizar minha horta.
Estávamos em quatro pessoas, então achei que não era o bastante para esse artigo, fui obrigado a incomodar o lazer de algumas pessoas no bar.
Um senhor muito simpático me disse que Deus achou que os anjos eram muito playboys e então resolveu dar mais responsabilidades para eles, então criou a Terra e deu a vida pra gente. Resumindo, somos bichinhos de estimação de seres celestiais.
Esse pegou pesado, mas não podemos negar o sentido na resposta dele. O problema é que se estiver certa essa versão, acho que os bichinhos de estimação perderam a graça e foram deixados de lado.
A dona do bar que se ofereceu para responder, disse que se Deus bebe, com certeza a vida deve ser a ressaca do Criador.
Como conhecedor dessa tal ressaca, de como ela incomoda, devo dizer que ela pode estar certa.
Outra senhora me disse que pra ela a vida era o castigo das Almas que não se comportaram bem na escola do Além.
Mais plausível, não? Mas se assim for, que alma péssima eu devo ter sido.
Quis ouvir a resposta de um jovem que devia ter no máximo seus 18 ou 19 anos. Ele disse que na opinião dele a vida é o resultado do tédio de Deus misturado com um pouco de Seu humor negro.
Não posso negar que ri muito dessa resposta, pois eu mesmo em vários momentos da minha vida olhei para o céu e perguntei gritando: “Tá de tiração, Deus?”.
Tive muitas respostas mais, mas essas foram as mais legais e detalhadas. E claro, tem a minha própria resposta.
Pra mim é como se nossas Almas estivessem em algum plano fazendo uma prova com consulta, a vida é o livro onde elas procuram as respostas.
Mas sabe como é, o nervosismo nessas horas, quando estamos sendo avaliados, mesmo com direito de consulta tudo se torna mais difícil.
Mas a única coisa que posso concluir é que independentemente do que seja a vida, é o motivo para eu beber, porque sóbrio não dá.

_

Gill Nascimento

A Distância entre a Possibilidade e a Realidade

image

E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Comigo está tudo uma maravilha, estou de férias.
E sabe o que tem hoje? É isso mesmo, tem Papo de Bar.
Estou pensando em determinar um dia para os artigos dessa categoria, porque senão, se depender de mim e da minha vontade, nesses dois meses de férias só terá Papo de Bar por aqui, se é que me entendem.
Estou no interior de Minas Gerais, e barzinho que é point em cidade do interior é bem bacana, tipo, em dia de sábado a noite ele lota e você de repente percebe que 50% da população adulta da cidade está lá. Se você pagar mico, em cerca de 5 minutos a cidade inteira está comentando o assunto. Adoro isso, sempre viro notícia. A primeira vez que vim nessa cidade, em 15 dias todo mundo já me conhecia.
Mas vamos ao assunto de hoje.
No último fim de semana me reuni com alguns amigos aqui da cidade num barzinho bem legal, e depois de alguns chopps, um amigo puxou um assunto bem interessante. Começamos a falar sobre a distância entre a possibilidade e a realidade.
Eu sei o que estão pensando, e não, não estava numa turma de intelectuais, longe disso, apenas éramos bêbados normais. E se eu continuar muito tempo com esse Blog (o que eu espero), vou acabar destruindo a imagem que algumas pessoas têm de que bêbados só sabem falar sobre futebol, mulheres e sexo.
Mas voltando.
Falamos bastante sobre o assunto, enveredando mais para o quesito sonhos e desejos. Geralmente visualizamos os sonhos e desejos como possibilidades, calculamos o quanto teremos que lutar para torná-los realidade, e é nesse momento em que determinamos a distância entre a possibilidade e a realidade que esperamos que ela se torne.
Mas sabe o que é mais frustrante, é que parece que quanto mais queremos essa possibilidade, mais distante ela se encontra da nossa realidade.
Um dos meus amigos fez uma comparação bem interessante, segundo ele, pensando dessa maneira, cada obstáculo e cada luta que enfrentamos para realizar nosso sonho, são ruas, avenidas e estradas que percorremos, carregando na mochila o nosso desejo ou sonho, para enfim chegarmos com ele ao nosso destino, a realidade.
Completando esse raciocínio, pude chegar a conclusão  de que o único problema é que a gente tem que caminhar, não tem veículo nenhum pra nos ajudar a chegar mais rápido ao nosso destino, não dá pra pedir carona e, na maioria das vezes, se pararmos para descansar, quanto mais descansamos, mais distante vamos ficando.
É como se a realidade fosse algo móvel também, sem endereço fixo, e que não pode parar para esperar ninguém. E o pior é que às vezes enquanto estamos seguindo nosso caminho à pé, a realidade segue o seu de carro, às vezes num carro esporte bem rápido, em outras até de fórmula 1.
Como competir com isso?
Sinceramente, enquanto estávamos ébrios no bar desenrolando o assunto desse artigo, ninguém sabia a resposta, e agora sóbrio ainda não sei.
Mas chegamos a conclusão que é até bom não sabermos mesmo a resposta, vai que em alguns casos a resposta seja que não dá para competir. Preferimos não saber para continuarmos acreditando que é possível, é aquele raro caso em que a ignorância é até bem vinda.
Enquanto isso o negócio é a gente continuar com a mochila cheia de sonhos e desejos, e seguindo essa estrada que nem sempre é amiga.O negócio é ter fé, não perder o foco e o fôlego, e torcer para que de vez em quando a realidade desacelere, aí a gente corre.

_

Gill Nascimento

O Amor que volta à moda.


image

É assim, quando você menos espera acontece, você até tenta lutar contra a sua vontade, até tenta resistir, mas é inútil, foi amor à primeira vista.
E no início é tudo tão mágico, tudo tão lindo, parecem perfeitos juntos, feitos um para o outro, como se tivessem nascido para se encontrarem.
E as pessoas à sua volta concordam com isso. Elogiam, admiram, perguntam onde se conheceram, como foi o primeiro encontro, dizem que são perfeitos um para o outro, e você se rende à essas palavras que entram em seus ouvidos como carícias, alimentando ainda mais esse sentimento de dependência.
E continua assim por um bom tempo, exibindo a beleza em conjunto.
As vezes até pode ser que seja apenas isso mesmo, uma união por causa de uma beleza que não seria tão bela se não estivessem unidos. Mesmo que haja um incômodo por trás desse sentimento de amor que no fundo não passa de uma dependência fútil da atração que a união de vocês causa, você continua, não desiste.
Porque é assim, com o tempo tudo se desgasta. Porque com vocês seria diferente?
Às vezes já começa com um pouco de dor, mas tudo fica tão belo quando vocês estão juntos, que em virtude disso você releva, você disfarça, você supera.
E inevitável, uma hora, mesmo que tão belo, vai ficar calejado.
Há quem diga que quando começa com uma dependência absurda confundida com amor, depois quando calejado fica até melhor, mais aceitável, mais confortável.
Mas será que é isso mesmo?
Acho que quando o conforto chega o encanto já não é mais o mesmo, as pessoas já não vêem vocês com os mesmos olhos.
Não que não continue bela a união, mas os olhos já se acostumaram à vê-los juntos, já deixou de ter aquele gosto de novidade, aquele aroma de romance novo.
Então você começa a se dar conta que você também está se desapegando, que você se sentia bem com os olhares das pessoas admirando o amor de vocês, e que quando esses olhares se foram, parece que chegou a hora de você ir também.
Os encontros começam a diminuir, os passeios começam a se tornar mais raros. Não tem mais graça quando não é mais novidade.
Até que acaba. Se separam de vez.
Mas como acontece em todos os romances, ficam as marcas, ficam as lembranças.
Como acontece em todas as histórias de amor, você vai olhar as fotos e lembrar dos bons momentos juntos, de como foram felizes, de como as pessoas falavam de vocês com admiração, dos planos que fizeram, dos sonhos que tiveram e dos que realizaram.
Então vocês vão se encontrar de novo, mas vão ficar apenas nos olhares mesmo, nada vai acontecer, ainda não é a hora. Mas vai ficar aquele sentimento após se encararem de que, um dia, vocês ainda vão ser felizes juntos novamente, arrancar suspiros por onde passarem, roubar elogios por onde desfilarem.
E que dá próxima vez não vai doer tanto.
Porque é assim com as mulheres, Elas amam sapatos porque eles sempre voltam à moda.

_

Gill Nascimento

_

Tema sugerido pela minha amiga Pietra Morgado, que me desafiou a escrever. Meninas, se eu tiver sido leviano, me perdoem, afinal, foi baseado apenas na minha visão mesmo (risos). Aliás, o texto de amanhã vai ser complicado, confiram o pedido da Carol na página de Sugestões. Abraços!

Vícios!

image

“Vou parar de fumar” – disse eu após escrever o último texto no domingo à noite.
E fiquei sem colocar um único cigarro na boca até ontem – quarta-feira – à noite também. Fui fraco e decidi acender um. O gosto era horrível, parecia papel queimado. O vento acabou com o mesmo em 1 minuto. Até achei que eu havia fumado como um desesperado e acendi outro. Mal sabia eu que era apenas meu psicológico. Aqueles 5 minutos do cigarro passaram como um, sem contar que havia influência do álcool ali presente.
No final da noite, eu havia fumado quatro cigarros. Pouco comparado à quantidade que fumava antes. Muito, considerando que eu não fumaria mais.
Hoje, ao acordar com um gosto horrível na boca, comecei a montar uma analogia entre o cigarro e meus amores frustrados, ou melhor, meu amor frustrado.
É igualzinho ao cigarro. Você diz que vai parar, e quando você diz você está totalmente decidido daquilo. É clausula pétrea. Nada fará você mudar de opinião. Você resistirá até o fim. Capaz.
Chega à abstinência, você tem força, você resiste. Um dia, uma semana, uns meses. Até que não dá mais. O trabalho está horrível, a vida não é como você planejou, sobretudo, como eu todos os casos de quebra de promessa, há a influência do álcool. E você sucumbe.
Você não consegue mais resistir a esse amor. Mas que vergonha. Cadê tua força? Guardaste numa gaveta pra que não visse a merda que esta fazendo?
E o pior de tudo, o gosto é horrível. Não dá liga. Não é pra ser assim. Mas você acredita que seja só o vento queimando, só o tempo arrumando. E tenta novamente. Até se adaptar ao sabor novamente. Você sabe que aquilo vai lhe matar. Você sabe que o final vai ser o mesmo. Mas não, você continua sendo um idiota e persistindo na merda. “Só mais hoje”.
No dia seguinte você até se arrepende. Coloca a culpa no álcool. Faz misérias da tua alma. E promete novamente nunca mais fumar. Só tome cuidado amigo. É mais fácil você acender outro hoje do que amanhã.
Agora, deixe-me parar de escrever, deixe-me ir trabalhar. Afinal, se nem eu pago minhas contas, imaginem meus amores frustrados. E para terminar, farei mais uma promessa: “Hoje eu paro de amar”.

_

Abiezer Lopes.