Papo de Bar… Assunto: Vida

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Olá pessoal, como vocês estão?
Resolvi fazer um Papo de Bar diferente. Apesar do nome da categoria, eu sempre escrevo sóbrio, nem de ressaca eu escrevo, e não sei se vocês sabem, mas o Abiezer quando chega a quinta feira e ele ainda não escreveu o texto de sexta, ele vai pro bar, e escreve o texto meio ébrio. E cá entre nós, ele escreve bem pra caramba.
Vamos ver se funciona comigo.
Acabei de sair de um bar na cidade de Vitória da Conquista na Bahia, e vou dizer, o papo lá merecia ao menos umas vinte garrafas a mais. Estávamos falando da vida, mais precisamente o que ela é.
Se você reunir milhares de pessoas e perguntar para elas o que é a vida, é muito provável que todas as respostas sejam diferentes, porque a vida é mutável, ela é diferente pra cada um e nunca é igual dois dias seguidos.
Se me perguntassem ontem o que era a vida, eu teria dito que ela é o odor do dejeto de algum ser e o nosso universo é a privada. Já hoje eu estou pegando mais leve.
Um primo meu entre uma dose de tequila e outra, disse que a vida é uma coletânea de sacrifícios, em que a gente pra ter algo que quer muito, acabamos na maioria das vezes precisando abrir mão de algo que não queremos nos desfazer.
E como discordar de tão sábia afirmação?
Outro amigo disse que a vida é o preparatório pro inferno ou pré vestibular para o céu, depende da gente escolher o cursinho.
Tem como escolher? Acho que estou sendo obrigado a me preparar para os dois então.
Já uma amiga, já alta com algumas taças de vinho, disse que a vida é um jardim onde a gente colhe o que a gente planta, mas que nem tudo que a gente planta dá fruto.
Essa versão pra mim também está correta, e eu acho que preciso esterilizar minha horta.
Estávamos em quatro pessoas, então achei que não era o bastante para esse artigo, fui obrigado a incomodar o lazer de algumas pessoas no bar.
Um senhor muito simpático me disse que Deus achou que os anjos eram muito playboys e então resolveu dar mais responsabilidades para eles, então criou a Terra e deu a vida pra gente. Resumindo, somos bichinhos de estimação de seres celestiais.
Esse pegou pesado, mas não podemos negar o sentido na resposta dele. O problema é que se estiver certa essa versão, acho que os bichinhos de estimação perderam a graça e foram deixados de lado.
A dona do bar que se ofereceu para responder, disse que se Deus bebe, com certeza a vida deve ser a ressaca do Criador.
Como conhecedor dessa tal ressaca, de como ela incomoda, devo dizer que ela pode estar certa.
Outra senhora me disse que pra ela a vida era o castigo das Almas que não se comportaram bem na escola do Além.
Mais plausível, não? Mas se assim for, que alma péssima eu devo ter sido.
Quis ouvir a resposta de um jovem que devia ter no máximo seus 18 ou 19 anos. Ele disse que na opinião dele a vida é o resultado do tédio de Deus misturado com um pouco de Seu humor negro.
Não posso negar que ri muito dessa resposta, pois eu mesmo em vários momentos da minha vida olhei para o céu e perguntei gritando: “Tá de tiração, Deus?”.
Tive muitas respostas mais, mas essas foram as mais legais e detalhadas. E claro, tem a minha própria resposta.
Pra mim é como se nossas Almas estivessem em algum plano fazendo uma prova com consulta, a vida é o livro onde elas procuram as respostas.
Mas sabe como é, o nervosismo nessas horas, quando estamos sendo avaliados, mesmo com direito de consulta tudo se torna mais difícil.
Mas a única coisa que posso concluir é que independentemente do que seja a vida, é o motivo para eu beber, porque sóbrio não dá.

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Gill Nascimento

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A Distância entre a Possibilidade e a Realidade

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Comigo está tudo uma maravilha, estou de férias.
E sabe o que tem hoje? É isso mesmo, tem Papo de Bar.
Estou pensando em determinar um dia para os artigos dessa categoria, porque senão, se depender de mim e da minha vontade, nesses dois meses de férias só terá Papo de Bar por aqui, se é que me entendem.
Estou no interior de Minas Gerais, e barzinho que é point em cidade do interior é bem bacana, tipo, em dia de sábado a noite ele lota e você de repente percebe que 50% da população adulta da cidade está lá. Se você pagar mico, em cerca de 5 minutos a cidade inteira está comentando o assunto. Adoro isso, sempre viro notícia. A primeira vez que vim nessa cidade, em 15 dias todo mundo já me conhecia.
Mas vamos ao assunto de hoje.
No último fim de semana me reuni com alguns amigos aqui da cidade num barzinho bem legal, e depois de alguns chopps, um amigo puxou um assunto bem interessante. Começamos a falar sobre a distância entre a possibilidade e a realidade.
Eu sei o que estão pensando, e não, não estava numa turma de intelectuais, longe disso, apenas éramos bêbados normais. E se eu continuar muito tempo com esse Blog (o que eu espero), vou acabar destruindo a imagem que algumas pessoas têm de que bêbados só sabem falar sobre futebol, mulheres e sexo.
Mas voltando.
Falamos bastante sobre o assunto, enveredando mais para o quesito sonhos e desejos. Geralmente visualizamos os sonhos e desejos como possibilidades, calculamos o quanto teremos que lutar para torná-los realidade, e é nesse momento em que determinamos a distância entre a possibilidade e a realidade que esperamos que ela se torne.
Mas sabe o que é mais frustrante, é que parece que quanto mais queremos essa possibilidade, mais distante ela se encontra da nossa realidade.
Um dos meus amigos fez uma comparação bem interessante, segundo ele, pensando dessa maneira, cada obstáculo e cada luta que enfrentamos para realizar nosso sonho, são ruas, avenidas e estradas que percorremos, carregando na mochila o nosso desejo ou sonho, para enfim chegarmos com ele ao nosso destino, a realidade.
Completando esse raciocínio, pude chegar a conclusão  de que o único problema é que a gente tem que caminhar, não tem veículo nenhum pra nos ajudar a chegar mais rápido ao nosso destino, não dá pra pedir carona e, na maioria das vezes, se pararmos para descansar, quanto mais descansamos, mais distante vamos ficando.
É como se a realidade fosse algo móvel também, sem endereço fixo, e que não pode parar para esperar ninguém. E o pior é que às vezes enquanto estamos seguindo nosso caminho à pé, a realidade segue o seu de carro, às vezes num carro esporte bem rápido, em outras até de fórmula 1.
Como competir com isso?
Sinceramente, enquanto estávamos ébrios no bar desenrolando o assunto desse artigo, ninguém sabia a resposta, e agora sóbrio ainda não sei.
Mas chegamos a conclusão que é até bom não sabermos mesmo a resposta, vai que em alguns casos a resposta seja que não dá para competir. Preferimos não saber para continuarmos acreditando que é possível, é aquele raro caso em que a ignorância é até bem vinda.
Enquanto isso o negócio é a gente continuar com a mochila cheia de sonhos e desejos, e seguindo essa estrada que nem sempre é amiga.O negócio é ter fé, não perder o foco e o fôlego, e torcer para que de vez em quando a realidade desacelere, aí a gente corre.

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Gill Nascimento

Nossas Manias Heróicas

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Cinco da manhã e ela vem bater aqui em casa. Algo que acontece uma vez a cada seis meses, aproximadamente. Eu atendo. Algo que acontece sempre. É só ela beber um pouco e acreditar que há algo não resolvido, que aparece. Não me importo muito. Até gosto, na maioria das vezes.
Geralmente ela chega com cheiro de cerveja e um rosto que não deixa transparecer se está feliz ou puta da vida. Dessa vez, está com um vestido azul, na altura das coxas, com a barra bordada – deve ter sido feito pela mãe dela, que a propósito é ótima costureira – e um casaco que não pude perceber a cor, pela escuridão do carro. Ou, se percebi, não reparei o suficiente pra me lembrar.
Os olhos, mais mel do que nunca. E o sorriso, branco e reto, como sempre – resultado de anos de uso de aparelho.
Antes, ela ligava e eu a encontrava para conversar. Agora, que é independente, ela que aparece quando deseja.
O assunto, não importa muito. Ou melhor, importa. Mas, ela não vai se lembrar dele no dia seguinte, ou daqui duas semanas. O único interesse é dar a última palavra na discussão que foi encerrada há dias. E, me fazer dizer que ela está certa. Não dessa vez.
Evitando a discussão, e bêbado de sono, tento explicar o que ela já sabe. O melhor exemplo, encontro em um filme bem fraco: Hanckok.
Um cara que tem todos os requisitos para ser um super herói, mas que se afunda no álcool para esquecer ou para tentar lembrar e, um certo dia descobre que tem sim um passado.
O problema, é que no passado dele, existe uma mulher.
(É impressionante como a vida não tem criatividade alguma em seus roteiros.)
Eles se amam, ficaram juntos nos últimos 3 mil anos. Mas, sempre brigando.
Ela, já casada com outro. Ele, casado com as garrafas.
Podem até tentar ficar juntos, entretanto, se tornam mortais. Estar perto, os torna destrutíveis. E, eles tem mais poder ainda pra se matar.
Acho que deu pra entender.
Como sempre, quando comigo, algumas lágrimas rolam do rosto dela. Já foram tantas as vezes, que dessa vez nem me lembro o porquê.
Como nos últimos anos, nem ao menos nos tocamos. Apenas atendemos a necessidade de falar alto um com o outro e, nos afastamos, novamente.
Daqui seis meses a história se repete, por mais que sempre digamos “eu não apareço mais” e “eu não atendo mais”. Afinal, temos essa necessidade de nos matarmos. De nos tornarmos destrutíveis.
Daqui seis meses, iniciamos uma nova discussão e, descobrimos um novo super herói.
Todavia, nossos super heróis sempre serão, bêbados, arrogantes, que falam alto e, acima de tudo, humanos.

Abiezer Lopes

Lições que os bares nos dão!

Foto tirada pelos blogueiros Edson e Rafa do site Cervejeiro Viajante (já que fiquei bêbado e nem pensei que faria um post e mencionaria o bar, não tirei fotos)

Foto tirada pelos blogueiros Edson e Rafa do site Cervejeiro Viajante (já que fiquei bêbado e nem pensei que faria um post e mencionaria o bar, não tirei fotos)

Que tal discutirmos as curiosidades da vida?

Tipo, como é tão difícil pra gente conseguir fazer algo, enquanto pra outras pessoas é tão fácil, quando elas nem estavam tentando fazer nada.

Ontem fui tomar umas cervejas num barzinho chamado Bier Haus, que aliás super indico, fica no número 3068 da rua Tronca no bairro do Rio Branco em Caxias do Sul, mas apesar do aconchego, do visual moderno e jovem, era um barzinho, e todo bar que é realmente bar tem seus bêbados, e esses (do barzinho) em especial me despertaram essa curiosidade. Acho que vocês vão concordar plenamente comigo, filosofias para escritores são como bordões para comediantes, quando criamos uma não largamos mais, outras pessoas as adotam e assim os autores ficam até mais conhecidos, quando são dados os devidos créditos é claro, mas isso é só na maneira de falar, por que criar uma filosofia completamente original e com sentido é muito difícil, é mais fácil escrever um texto inteiro do que uma filosofia, por que a filosofia é isso, uma frase que arranque enormes textos de quem tentá-la interpretar, ou se preferirem, um texto numa pequena frase.

Mas a curiosidade que quero falar é justamente sobre esse ponto, a dificuldade que tem, um escritor, para se criar uma filosofia original e com sentido, quando os bêbados fazem isso com tanta facilidade. Está certo, as filosofias de boteco são completamente ‘sem noção’, mas é inevitável comentar que a maioria tem um sentido imenso e uma originalidade incrível.

Algumas se fossem pensadas por escritores que prefiriram sua casa à boêmia, ficariam com certeza mais sérias e respeitadas, e poderia até eternizar seu autor fazendo gerações repetí-las e escolas usá-las como base em alguns ensinamentos, por exemplo:

“Quem tem medo de cagar não come!” (essa escutei no Bier Haus)

Um escritor sério, um poeta, escreveria de outra forma, se esse texto não fosse completamente sem noção, e eu quisesse passar algo que lhes fossem útil eu diria dessa forma:

“Quem tem medo de errar não tenta!”

Aí parem e pensem no que se aprende quando se interpreta essa frase a fundo, a mensagem que ela está passando, é quase impossível fazer o mesmo na forma original ao invés de rirmos pra caramba.

Existem outras que não precisam perder o lado humorístico, mas ao menos poderiam ser mais simplificadas, vejam essa, por exemplo, também escutei no bar no Bier Haus:

“Se chiar resolvesse, Sonrisal não morria afogado!”

Uma loira levaria dias para interpretar dessa forma (brincadeirinha, adoro piadas de loiras, mas às respeito muito, a minha irmã é loira e extremamente inteligente), vejam como ficaria muito melhor e ainda assim engraçada:

“Se reclamar adiantasse não existiriam advogados!”

Outra bela filosofia foi a que escutei de um homem que nem estava assim tão embriagado, estava apenas aconselhando um marido ciumento que não aguentava mais ver os homens mexerem com sua esposa:

“A vida é como um jogo de xadrez, quanto mais a gente expõe a dama, mais perigo corre o rei!”

Essa faço questão de deixar da mesma maneira que ouvi, por que demonstra a criatividade do povo brasileiro, ou se preferir, do ‘corno brasileiro’, ou do ‘bêbado brasileiro’, sei lá!

Mas esses exemplos servem apenas para frisar o que disse no começo, nós que escrevemos sempre (ou tentamos, como no meu caso), temos tanta dificuldade de criarmos frases de efeito com sentidos redundantes, verdadeiras filosofias, enquanto bêbados com suas mentes anestesiadas conseguem isso com tanta facilidade. Por que o mundo é tão complicado? Querem saber o pior mesmo? O pior não é não conseguir, mas sim não poder fazer o mesmo, por que das duas uma (ou até as duas mesmo): se formos ao bar beber para tentar escrever alguma coisa, ou vamos conseguir uma bela dor de cabeça na ressaca do outro dia, ou vamos arrumar uma tremenda briga com nossa cônjuge!

E dentre essas duas opções prefiro ficar com a dor de cabeça de tentar arrumar alguma inspiração em casa mesmo, apesar de que hoje estou de ressaca.

Gill Nascimento