Papo de Bar… Casais e seus apelidinhos!

Existe algo no mundo do relacionamento que as mulheres fingem não saber que existe, mas sabem, e isso é a vergonha que o namorado sente de ser na frente dos amigos o cara que ele é quando estão à sós.
Claro que existem homens que não vêem problema nisso, mas a grande maioria, dependendo de como for a relação, gostaria de enfiar a cara na terra igual a um avestruz quando a parceira age na frente de todo mundo como se eles estivessem sozinhos.
E não, moças, antes que me julguem, não é vergonha da relação, da namorada, ou até mesmo machismo, é apenas vergonha mesmo, tem situações que a gente até sabe administrar, mas em compensação tem outras que na frente dos amigos diminui e muito (na nossa mente) a nossa masculinidade, e prezamos muito isso.
Quando acontece e o casal está junto, até que aguentamos, antes a zueira dos amigos do que a calça jeans da namorada na cama, agora por telefone é sacanagem, e existem mulheres, que creio eu, cientes disso, fazem de propósito.
Tocamos nesse assunto no bar porque vimos uma situação dessa acontecer, e mesmo tendo sido em espanhol, foi engraçado.
Parece que acontece mais ou menos assim: o cara tem uma namorada que diz ser desencanada e nenhum pouco insegura e ciumenta, então não liga que ele saia com os amigos de vez em quando, e quando isso acontece ela simplesmente espera dar o horário necessário para já estarem na segunda rodada de bebidas, onde a zueira é garantida, e liga pra ele pra ver como as coisas estão, e fazer ele falar aquelas coisas que geralmente só fala quando estão sozinhos, inclusive aqueles apelidinhos ridículos que não dá pra falar sem uma voz infantil.
E após essa ligação ele se torna a atração entre os amigos nos trinta minutos seguintes, ou mais até.
Isso chega a ser cruel, tão cruel, que um amigo disse preferir mil vezes uma mulher ciumenta capaz de ir no bar pra garantir que o marido/namorado não esteja aprontando, do que essa “castração moral” na roda de amigos, até porque não tem como evitar, coitado do cara que não agir conforme manda o figurino quando a mulher liga e pergunta com voz infantil: “Que horas você volta meu Ursinho, tô com saudades, você também tá com saudades da sua Dindinha?”.
Lembro até hoje da vez que descobrimos, num bar, devido a uma dessas benditas ligações, que o apelido carinhoso da namorada de um amigo nosso era “Dindinha”, e o dele era “Ursinho”, o cara não teve paz durante o resto da noite, e essa ligação ocorreu antes das 22 horas. Na verdade eu mesmo passei o mês inteiro chamando ele de Ursinho, o que o deixava indignado.
Claro que dá pra disfarçar e sair de perto dos amigos da onça, e atender a ligação, mas acredite, tem que ir bem longe, porque um deles vai prestar atenção, e quando perceber que vai render boas piadas, fará todos os outros prestarem atenção também, e quando você percebe, já é tarde demais.
Pensando bem, isso já aconteceu comigo, e também passei mais de um mês sendo chamado pelos meus amigos de “Bizuquinho”, e eu queria morrer toda vez que isso acontecia. Porque não basta falar com voz de criança, tem que responder as perguntas se mencionando na terceira pessoa, tipo “daqui a pouquinho seu Bizuquinho vai embora, tá minha Neném?”, e isso é o prego no caixão da moral do homem na roda de amigos.
A pior parte mesmo é que dificilmente a gente consegue obter uma vingança, porque a primeira coisa que a gente pensa quando os amigos nos pegam pra Cristo, é em fazer a mesma coisa com cada um deles, mas quando acontece com um, os outros ficam e espertos e evitam de qualquer maneira uma situação igual. Nem todo mundo é idiota como eu. (risos)
Mas a maioria dos homens já teve uma mulher assim, que possui essas manias de por apelidinhos ridículos, falar com voz infantil, e que espera retribuição da mesma forma, e ai do homem que não retribuir.
Um amigo mencionou um fato até interessante, ele namorou numa época uma garota que dava vontade até de chamar de brother, de tão legal que ela era, quando ele saía com os amigos, ela ligava era pra pedir pra ele levar cerveja pra casa quando voltasse, e coisas desse tipo, menos na TPM, quando chegava essa bendita fase, ela se transformava na namorada fofinha e carente, que fala com voz de criança e coloca apelidinhos. E o pior de tudo era que todo mês, durante benditos 5 ou 6 dias, ela arrumava um apelido diferente pra ele. Foram três anos e ela nunca repetiu um apelido, segundo ele.
Quando isso acontece pessoalmente, os amigos dificilmente tiram sarro, até se compadecem, nos ajudam a fugir e ficar bêbados, além do fato de que zuar pode ser um perigo, vai saber o tamanho das garras da “gatinha manhosa”, e a leoa que ela esconde bem lá no fundo, não é mesmo?
Viramos a madrugada falando desse assunto e demos boas risadas relembrando alguns apelidos que já tivemos, ou que conhecemos devido amigos que tiveram, ou até mesmo ainda têm, mas acho que de todos, o meu Bizuquinho era de longe o pior.

 

 

 

Gill Nascimento

Papo de Bar; Assunto: Casamento

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Mais uma semana se inicia, e segunda é dia de Papo de Bar, minha categoria predileta, mas confesso que dessa vez extrapolei um pouquinho, estou com uma ressaca violenta.
Eu, juntamente com três amigos, fui à um dos meus barzinhos prediletos no sábado, e o papo rolou solto a noite toda, mas um assunto se destacou mais.
Um amigo meu, recentemente casado, está passando pelo descobrimento da vida à dois, e comentou muito o quanto sua mulher se transformou depois que as escovas de dente se juntaram.
Antes ela não ligava quando ele saía com a gente para tomar umas, não sentia muito ciúmes e às vezes até saía com a gente pra se divertir. Ela era o tipo de mulher que se torna melhor amiga dos amigos do namorado quando sai com a turma dele. Todos nós adorávamos ela.
Hoje em dia esse meu amigo diz se sentir de novo como um adolescente rebelde, que ainda mora com a mãe autoritária, e que precisa fazer as coisas ou escondido, ou implorando por permissão. Aquela namorada legal que todos adoravam, se tornou uma esposa autoritária que, além de odiar todos os amigos do marido, ainda fala mal deles, os mesmos com os quais ela bebia às vezes, quando era namorada e não esposa.
A pergunta é: Por que uma aliança transforma tanto as pessoas?
E não estou me referindo só as mulheres não.
Parece um conto de fadas às avessas em alguns casos. A mulher encontra o príncipe encantado, aí o padre diz: “… Vos declaro marido e mulher. Agora pode beijar a noiva!”. Aí um beijo e o Príncipe vira sapo. O homem encontra a sua princesa, coloca a aliança no dedo dela e pronto, ela vira bruxa.
Eu tenho um amigo que saía sempre com a nossa turma, geralmente ele era o cara que agitava toda a turma para sair e se distrair um pouco. Ninguém dizia não pra ele. Hoje em dia ninguém mais diz sim aos seus convites, tudo porque ele esquece de se divertir e fica a noite toda reclamando da vida de casado e preocupado com a mulher, com medo que ela tenha aproveitado o fato de ele ter saído para poder sair também.
Quer dizer que ele pode e ela não? Que mundinho machista é esse no qual ele vive?
Já um outro amigo disse que sua esposa certa vez falou pra ele que, tinha abandonado as amigas e parado de sair, tudo pra poder ficar bem no casamento com ele. O problema é que isso nunca foi um problema pra ele, ele nunca nem cogitou a possibilidade de exigir dela tal sacrifício. Mas ela fez e exige que ele faça o mesmo.
Crise instaurada num casamento por um motivo completamente sem noção.
Esse sentimento de posse que algumas pessoas adquirem quando se casam, ou até mesmo antes disso, me assusta demais.
Durante nossa conversa no bar, um amigo disse que o homem procura mulheres com personalidades parecidas com a da própria mãe, para casar, e que por sua vez as mulheres procuram um homem com a personalidade parecida com a do seu próprio pai.
Se isso for verdade, tá explicado tudo então.
Onde eu em minha plena consciência vou procurar uma mulher como a minha mãe? Ao contrário, procurarei uma completamente o oposto. Minha mãe é ciumenta, controladora, paranoica, adora fazer tempestade num copo d’água, tem um dom pra criar briga, e sempre tem uma pulga atrás da orelha.
O lema da minha mãe é: “Se está tudo certo, é porque alguma coisa está errada!”
Nunca que eu me casaria com uma mulher que pensa assim, nem se eu estivesse bêbado.
Um amigo fez uma observação bem interessante, segundo ele o casamento dá tanto ao homem quanto à mulher, o dom da generalização.
Por exemplo: se a esposa ou o marido de alguém, fez algo de errado, seu esposo ou sua esposa também podem vir a fazer o mesmo, e então se cria aquele famoso “pé atrás”, o ciúmes normal se torna possessivo, passa a haver uma necessidade de controle maior, surge a desconfiança.
Eu particularmente, já fui casado, me divorciei, mas por sorte não passei por nada disso, porque senão o casamento teria durado muito menos do que durou.
A verdade é que sempre existirão pessoas com esses problemas em casa, e a grande maioria vai reclamar e chorar pros amigos(as), e pra isso sempre haverão os bares.

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Gill Nascimento

Enfrentando o medo…

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Ele está no corredor do quarto, suor frio escorre de sua testa e suas pernas tremem. Ele se sente o homem mais covarde do mundo, por estar sem coragem de abrir a porta e encarar o perigo.
Enquanto sente seu medo ganhar força e proporção, consegue escutar as batidas aceleradas do seu coração. Quase pode escutar o sangue correr em suas veias. Sua respiração ofegante, de quem parece ter corrido uma maratona, o incomoda. Ele teme que tanto sua respiração quanto sua frequência cardíaca estejam sendo escutadas do outro lado da porta.
Ele está ciente que não pode pedir ajuda pra ninguém, que essa é a sua luta, a sua missão.
Percebe que está mentalmente rezando e pedindo ajuda e coragem pra Deus, pra enfrentar seus medos.
Pensa nas opções pra contornar a situação e não encontra nenhuma que o faça dar um passo em direção a porta.
Se imagina pedindo perdão de mil maneiras possíveis, e ainda não consegue se ver em situação melhor que a atual, e o desespero chega para fazer companhia ao seu medo.
Ele cogita a possibilidade de atravessar a porta de peito estufado, camuflando o medo e, demonstrando confiança, mas isso poderia fazer parecer que ele não estava arrependido, e acabar piorando ainda mais sua situação.
Ele que serviu o exército por 5 anos, cumpriu missões em áreas perigosas da América do Sul, em pacificações de áreas dominadas por rebeldes e traficantes, ele que desmonta um rifle em segundos e é mestre em defesa pessoal. Ainda assim ele teme atravessar aquela porta e enfrentar o que está no outro cômodo.
Ele lembra de sua infância, dos conselhos dados pela sua mãe, conselhos visando seu bem, conselhos que ele deveria ter mantido no lugar mais acessível e mais visível de sua mente, mas não fez. Agora só consegue ouvir a voz de sua mãe dizendo como ele deveria agir para evitar tais situações, e lamenta não ter dado a devida atenção.
Lembra ainda do seu pai que também o alertou, e ainda avisou do perigo que era brincar com tal situação, desse perigo que ele estava enfrentando agora, e que na época ele achou engraçado e exagero por parte dele. Como foi tolo ao não dar ouvidos.
Agora ele está ali, encolhido num canto do corredor, como uma presa acuada pelo predador, aquele do topo da cadeia alimentar, olhando pra porta sem ter ideia do que fazer, misturando medo e arrependimento, temendo pelo seu futuro e sua integridade física.
Então ele levanta num acesso de coragem.
Respira fundo, estufa o peito e vai em direção à porta.
Pára por alguns instantes controlando o medo que no fundo ainda o domina, e põe a mão na maçaneta.
Gira a maçaneta para abrir a porta enquanto se condena mentalmente:
– “Maldita hora em que ela veio me perguntar se eu achava que ela estava mais gorda do que quando a conheci, naquele verão de 1982, quando ela tinha 13 anos, e eu resolvi ser sincero e dizer que sim!”

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Gill Nascimento

Domingo de um marido…

Dedico esse texto a minha amiga Deise, que foi uma das primeiras a lê-lo, e que deve ser bem esse tipo de esposa chata! (risos)

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Bem dizia meu avô com todo seu sotaque carregado de nordestino: “Meu ‘fi’ casar não é coisa de gente não, nunca caia nessa besteira!”; e ele estava certo, ao menos em certo ponto, pois nunca vi um homem falar que é feliz no casamento (e é homem mesmo, estou falando assim porque mulheres não reclamam com homens do seu casamento, a não ser que esse seja seu marido, rs), é como disse um bêbado um dia desses num desses barzinhos desse mundão imenso: “Esposa é aquela pessoa amiga e companheira, que está sempre ali, ao seu lado, para ajudá-lo a resolver os grandes problemas que você não teria se fosse solteiro!”.
Vocês não devem estar entendendo onde estou querendo chegar não é mesmo? Não tem problema não, na verdade nem eu mesmo sei onde quero chegar! Acho que sou apenas mais um daqueles que entraram numa fria na hora em que o padre perguntou: ‘Aceita?’, e que no calor do momento respondeu: ‘Sim’. Mas a vida é assim mesmo.
Quem aqui (homens), não teve na sua juventude uma turma de amigos mais ou menos da mesma idade que a sua, e foi vendo aos poucos com o passar do tempo os elos da corrente dessa turma serem quebrados graças aos laços do matrimônio de algum dos membros da mesma? Eu mesmo passei por isso, foi muito triste com o tempo, ver o número da galera que saía junta para bagunçar ir diminuindo aos poucos, de um em um.
Mas o pior de tudo mesmo é, ver esses mesmos que se distanciam por causa de um barco furado mais famoso que o Titanic chamado ‘casamento’, querendo levar seus amigos antigos, que tanto fizeram um pelo outro, para o fundo do mar também (ou será do poço?). Os bares da vida como já disse, muito ensinam, gostaria de saber quem foi o bêbado que chorando as mágoas da vida disse: “Casamento é como piscina gelada, ninguém quer pular, mas o primeiro besta que pula sempre quer que os outros pulem também!”, esse homem foi um filosofo de primeira categoria nesse momento e nem percebeu, poderia ter registrado essa frase, não fez perdeu dinheiro.
E as mulheres dizem que sofrem, só porque o marido toma sua cervejinha após o trabalho, mas se o casamento fosse como os contos de fadas dizem, não haveria necessidade de existir bebida alcóolica.
Final de semana chega, enfim o coitado do marido que trabalha a semana toda mais de oito horas por dia está de folga, não pode sair com os amigos para ver o futebol de várzea porque por incrível que pareça, a mulher sente ciúmes desses amigos (é por isso que quando ele tem liberação da patroa pra sair com os amigos ele acaba indo para o ‘Cabaré’ só de raiva), aí ele fica em casa assistindo ao seu time na televisão, não pode nem pedir para a mulher pegar uma cervejinha na geladeira que logo vem à patada: “Por acaso você está me vendo com cara de empregada? Você que não levanta esse seu rabo imundo do sofá e vá pegar não pra ver se vai ter algo na mão aqui, seu vagabundo!”; aí no melhor do futebol, quando seu time praticamente não sai do ataque, a mulher resolve ir à feira, e ele tem que ir junto, o pedido de companhia é sutil: “Vamos logo seu imprestável, ou você acha que vou carregar um monte de sacolas pesadas? Se você não for quero só ver o que vai levar na marmita durante a semana, eu não me importo, se você não for compro apenas o que me cabe, você que se vire!”.
Aí pegou pesado, a única coisa que ela faz direito é cozinhar, então melhor colaborar não é mesmo?
Aí ele descobre que não precisa fazer academia, apenas precisa ir à feira com a mulher uma vez por semana que está tudo resolvido. Chega em casa quebrado, com sede, com raiva por ter perdido a vitória do seu time, e com muita fome, pois andou com um monte de sacolas pesadas durante horas. A feira para a mulher era como um Shopping Center, ela parava em todas as barracas, apalpava todas as frutas e legumes e brigava com todos os feirantes.
No final das contas seu almoço foi um pastel de ar com gosto de poluição e um caldo de cana sem gosto com limão sem caldo.
O jantar até que saiu cedo, umas 10 horas da noite, ele janta descansa e sem pique vai dormir logo em seguida, e antes mesmo de tentar alguma coisa a mulher já deixa bem claro: “Ai amor, estou com uma dor de cabeça!”. Por que nessa hora é “amor”? Podia ao menos esperar a investida do marido, ele precisava sentir que ainda era homem ao menos pra isso.
Mas enfim, casamento é assim mesmo, num dia é um mar de rosas, no outro um oceano de espinhos.
Lembro que quando escrevi esse texto eu ainda era casado, estava na mesa de um bar tomando coragem ‘engarrafada’ pra ir embora, e o dono do bar já estava quase me expulsando.

Gill Nascimento