5 Coisas que Estressam

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Hoje vou inaugurar uma categoria nova de artigos, e conto com a participação de vocês pra que ela se torne semanal, quem sabe com um dia fixo assim como o Papo de Bar que é nas segundas. Basta que sugiram temas para eu estar tratando nessa categoria.
Essa categoria se chamará “As 5 Mais”, onde falarei um top de 5 fatos do nosso dia a dia, do nosso cotidiano, ou 5 coisas que estão presentes na vida das pessoas, coisas que nos deixam tristes, felizes, humorados, raivosos, vai da escolha de vocês.
Como hoje é o primeiro, eu mesmo escolhi o tema, um Top de 5 Coisas que estressam demais, pra vocês estarem pegando a essência da categoria.
O legal de uma categoria tão comum quanto essa, é fazer de um modo diferente do que as pessoas geralmente fazem. Então tentarei falar coisas pelas quais todo mundo passa, mas mal notam, mas ainda assim odeiam muito.
Eu por exemplo, me estresso com filas, odeio qualquer fila, mas tem um tipo de fila que é especial, e por isso muito mais odiada. São aquelas filas que gostam de tirar onda com a nossa cara, que parecem que possuem consciência própria.
Sabe àquelas filas que enquanto você está nela ela é o Rubinho Barrichello, mas assim que você troca ela por outra fila, ela se torna o Ayrton Senna? Essas são as piores.
E o pior mesmo é que essas filas geralmente são enormes, e quando você sai da lenta para ir pra rápida, a rápida fica lenta, e a lenta fica rápida, e você se ferra.
A segunda coisa que me estressa é, como me torno ágil, rápido e desenvolto quando acordo cedo, mas em compensação sou lerdo, desajeitado e desastrado quando acordo atrasado.
Parece brincadeira, você acorda no melhor de um sonho, olha pro relógio e percebe que acordou 40 minutos antes do despertador, então se levanta, se ajeita mais cedo e com calma, pra ter um tempo pra tomar um café e arrumar direito a mochila, e consegue fazer tudo isso nos 40 minutos que te sobravam.
Mas aí quando você acorda 20 minutos atrasados você corre pela casa, fazendo tudo voando, e só um banho e vestir a roupa leva um tempo de 1 hora, e no final você sai sem nem conseguir beber uma água, e ainda com creme dental na gravata.
A terceira coisa que me estressa é a capacidade de me tornar um idiota quando estou diante de alguém que gostaria de impressionar. Parece que nossa coordenação motora se esvai e a acuidade mental se deteriora. Nada fica em nossas mãos, parece que ela fica escorregadia, e tudo cai. Por outro lado tudo resolve ficar na nossa frente para nos fazer tropeçar, e pior ainda é que os objetos que tropeçamos só se tornam visíveis aos olhos depois que já topamos e xingamos algum palavrão.
A quarta coisa que me estressa não sei se acontece com as mulheres, mas com os homens garanto que sim. Me estressa o fato de o quanto somos feios quando estamos sozinhos, mas quando estamos acompanhados parece que ficamos lindos. Que macumba é essa?
Uma vez tomei um fora de uma mulher num barzinho onde estava com um amigo, mas uma semana depois a mesma mulher deu em cima de mim. Só que nesse dia eu estava em um encontro, muito evidente aliás.
Além disso, parece que quando estamos acompanhados, todas as mulheres resolvem notar nossa existência. Você olha pra uma mulher e percebe que ela já estava te olhando, olha pra outra e se depara com um sorriso. Parece que ficamos mais interessantes quando estamos ao lado de alguém que se interessa pela gente.
E a quinta, e talvez a que mais me estressa nessa lista, é a capacidade que tenho de só sentir vontade de comer alguma comida depois que essa comida já acabou ou, às vezes, já estragou.
A comida fica ali por dias olhando pra você toda vez que você abre a geladeira, às vezes até parece implorar pra que você à devore, aí você ignora. Então quando você lembra dessa comida, bate a vontade de comê-lá, vai na geladeira e cadê?
Aí acabou ou estragou.
Eu simplesmente odeio quando isso acontece. E o pior que só acontece quando a gente está com preguiça de sair para comprar mais.
É isso aí pessoal, me digam aqui nos comentários o que acharam da ideia da categoria, se é boa ou não, se gostaram ou não, se já tiverem sugestões, fiquem à vontade, por favor.
Aqui a satisfação do leitor é a alegria do escritor.
Abraço!

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Gill Nascimento

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Um dia nada novo

Desafiei a Juliana do Blog Fabulonica à escrever um texto para eu postar aqui no Blog, e ela se auto desafiou a escrever no estilo Casuísmo, e eu simplesmente amei o resultado. Eu já disse a ela que ela deveria postar seus textos em seu Blog, pessoal, leiam, aposto que se juntarão à mim nesse coro.

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Acordo atrasada.
A vida é tão corrida que, ás vezes, o cansaço dribla a memória. Esqueci de ativar o símbolo da rotina. E o despertador, por sua vez, optou por mais alguns minutos de soneca.
Olho o relógio e corro contra o tempo mundano. Tomo um café, banho quente e coragem. Visto o uniforme do cotidiano. Respiro fundo e começo a contagem:
Pastas, planilhas e atas.
Notebook, comida do gato, conferir Facebook.
Conta a pagar atrasada, mais um pedaço de pão, fui bloqueada.
Ai meu coração!
Breve histeria e assim começa um novo dia. O trânsito caótico e agitado. Os vendedores ambulantes de plantão. Palavrões… Buzinas…  Tudo parado!
A vida é um ciclo vicioso de hábitos e confusão.
O dia passa devagar, as horas foram almoçar e não voltaram. O chefe enfurecido começa a resmungar e as fofocas começaram.
A Luiza comprou apartamento, a Rita está devendo no banco, o Júlio pegou a mina do outro departamento e eu? Só lamento, as horas demorarem tanto.
Os ponteiros finalmente se encontram. Em ponto, parto para segunda jornada. Roupa para lavar… louça para secar. Fazer um telefonema…  Desmarcar um cinema. Agendar uma consulta… apagar ligação oculta. Conferir e-mail acumulado… xingar porteiro abusado. Deixar a unha secar… esperar o micro-ondas esquentar o jantar.  Tomar o remédio da pressão…  Aguenta coração!
Chega! Já estou cansada. O mal desse século é a vida agendada.
Pego minha passagem e opto pela viagem a outros universos e mundos. Confiro a mala e faço check-in na sala. Minha poltrona é um grande aeroporto, aonde parto rumo a imaginação. Lá eu sou a guerreira armada, a fada ou a princesa amada. Nas páginas dos livros o final feliz acontece, o amor floresce e o despertador me aborrece…
Quê?!  Agora ele resolveu funcionar?
— É a vida meu povo.
Resmungo e durmo. Afinal, amanhã é mais um dia nada novo.

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Juliana Lima

Por um dia ruim…

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A vida tem seu ritmo, sua cor, seu aroma, seu formato, e a gente se acostuma com essas particularidades com o tempo.
Mas tem dias que a gente só quer o toque sutil da anormalidade em nosso dia, para nos tirar da rotina, para nos bagunçar, para dar aquela sacudida na poeira do nosso tédio.
Tem dias que a gente quer que algumas coisas não dêem certo.
Tem dias que a gente, mais do que tudo, quer que os ônibus entrem em greve e não passem, para que não precisemos levantar de nossas camas quentinhas e aconchegantes para ir trabalhar.
Tem dias que a gente quer que uma chuva forte o bastante caia pra nos ilhar em casa,  nos impedindo de sair, e nos dando motivos convincentes o suficiente, para ficarmos deitados no sofá vestindo um pijama de flanela, comendo besteiras e lendo um livro.
Tem dias que por mais que sejamos pessoas boas, que não desejam o mal para ninguém, a gente torce para que o chefe fique doente e não vá trabalhar, para diminuir os danos, porque por mais que tentemos ser invisíveis e passar despercebidos, ele sempre sente nossa falta, como se fossemos a única pessoa no mundinho dele.
Tem dias que tudo que a gente quer é que aquela tecnologia maligna, o despertador, esqueça de despertar, e que Morfeu não se levante da nossa cama antes do relógio marcar meio dia.
Tem dias que tudo que a gente quer é que a energia falte, pra gente não poder tomar um banho, pra gente não poder passar a camisa, nem o terno, pra gente poder botar a culpa em algo que não seja a nossa preguiça, na hora de justificar na falta que cometeu.
Simples assim.
Tem dia que a gente precisa que algo dê errado para que enfim alguma coisa dê certo, se é que isso é plausível ou compreensível.
Vivemos numa época em que a gente tem a sensação sufocante de que não possuímos o controle sobre nossa vida, uma época em que a gente sente que se tentarmos tomar esse controle, não teremos controle sobre os prejuízos.
Uma vez disse aqui, que o destino é sarcástico, e volto com essa afirmação.
Quando você está cansado física e psicologicamente e tem uma reserva econômica de segurança, quando todas as suas dívidas estão em dia, quando está tudo se encaminhando da melhor maneira possível, nada dá errado, não acontecem greves, seu chefe não adoece, e nem você, não acontecem tempestades, o despertador não falha, tudo dá certo na sua vida.
Agora quando você está bem disposto, quando suas dívidas estão atrasadas e você está precisando de um dinheiro a mais, precisando fazer umas horas extras, tudo dá errado.
Quem puxa as cordas do palco de fantoches chamado Planeta Terra, desconhece o termo ‘momento propício’, ou a expressão ‘veio à calhar’.
Hoje eu precisava que as coisas não dessem muito certo.
Mas está tudo correndo bem, o que é um paradoxo, pois as coisas dando certo, estão dando errado.
Ao menos pra mim.

Gill Nascimento

Um dia muito estranho…

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Tem algo que tenho certeza que você vai concordar comigo, não tem nada pior do que um dia em que tudo dá errado pra gente. Aqueles dias em que conforme as coisas vão acontecendo, mais você vai tendo certeza de que em algum lugar existe um ser divinamente superior te olhando num monitor e tendo acessos violentos de risos, da sua cara!
Pior é que esses dias cada vez são mais comuns na vida da gente, tão comuns que a gente acaba se acostumando a obter tudo do jeito mais difícil, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional.
Certa vez uma colega de trabalho fez o seguinte comentário, durante um debate sobre esse assunto, que alguns funcionários da produtora estava fazendo: “Quanto maior a dificuldade para obter algo, maior o valor que se é dado a tal conquista, e mais preparada a pessoa se torna, pra futuramente ter algo seu e deixar de depender dos outros, um patrão nesse caso!”.
Ciente de que moro num país em que dificilmente se consegue subir dois andares na pirâmide da classe social sem sujar as mãos, que ser honesto no máximo te dá conforto na consciência, só posso concluir que esse comentário dela estaria muito certo num país de primeiro mundo, mas não aqui.
Claro que não é impossível de se obter sucesso trabalhando honestamente, mas o caminho é mais longo, longo o bastante pra, quando enfim você puder usufruir das suas conquistas, não ter mais disposição e nem condições físicas pra tal coisa. Então suas conquistas serão aproveitadas apenas por sua descendência, não por você.
Mas voltando ao assunto, estamos tão acostumados com o fato de viver da maneira mais difícil, que estava imaginando como seria um dia, um dia apenas, em que tudo desse certo. Será que eu seria capaz de lidar?
Um dia que começaria comigo acordando bem disposto e na hora certa, ao ponto de eu conseguir tomar um café da manhã saudável antes de sair. Um dia estranho ao ponto de eu conseguir terminar de me vestir antes de entrar no carro.
Um dia em que eu chegaria na produtora e meu patrão estaria de bom humor, e daria um bom dia com um  sorriso e uma voz com tom musical de quem transou na noite passada. Estranho o bastante pra eu achar que entrei na empresa errada.
Um dia em que para variar eu conseguiria almoçar na hora certa, e sem ser interrompido. Um dia estranho ao ponto de eu chegar no restaurante e a moça do caixa não dizer que a máquina de cartão do meu VR está sem sistema.
Um dia em que a tarde ninguém precisaria trabalhar num ritmo frenético pra não deixar o trabalho para o dia seguinte. Um dia estranho ao ponto de o trabalho ser bem feito de primeira, para que quando o relógio marcasse 17 horas eu pudesse entrar dentro do meu carro e ir embora.
Um dia em que ao voltar pra casa o trânsito não estivesse travado como normalmente fica. Um dia estranho ao ponto de eu levar 20 minutos pra chegar em casa, o que é o correto, e não uma hora e meia como geralmente gasto.
Um dia que ao chegar em casa e tomar um banho, eu após isso possa deitar no meu sofá e assistir um jornal que não diga que minhas contas estarão mais caras no fim do mês. Um dia estranho ao ponto de não haver manifestos após uma declaração da nossa governante.
Um dia que após ter dado tudo certo durante todo tempo, eu possa me deitar acreditando que não foi um sonho. Um dia estranho ao ponto de eu querer um dia normal no dia seguinte, cheio de azar e más notícias, porque não estou preparado psicologicamente para lidar algo diferente disso.

Abraços!

Gill Nascimento

Propagando e profanando a propaganda…

Olá!

Não sei se vocês sabem, mas sou produtor e trabalho com produções de comerciais há um bom tempo, e como profissional na área, sim, tem muitos comerciais que não aguento mais ver, sim, temos nossas piadas internas sobre muitos comerciais, e sim, mudaríamos muitos comerciais se dependesse de nós que produzimos. A parte ruim é que geralmente as marcas tem seus núcleos de publicitários criativos e praticamente só alugam estúdios, equipamentos e equipes para gravar seus comerciais, então meio que ficamos de mãos atadas nessas horas.
O trabalho de um publicitário na hora de criar um anúncio seja ele um comercial Televisivo ou apenas visual, é passar ao público aquilo que eles querem ouvir e ver, em alguns casos com muitas mensagens subliminares pra fazer você pensar que precisa daquele produto, mas que na verdade não precisa. Até aí tudo bem, somos seres humanos, ser iludido está nosso DNA como necessidade básica para sobrevivência.
O que mais gosto mesmo é dos slogans. Imagine se o mundo fosse povoado por habitantes que levam tudo ao pé da letra, com certeza os slogans seriam muito diferentes, pra evitar certas situações.
Por exemplo, eu adoraria entrar numa loja da Telha Norte, chegar no(a) gerente e começar a despejar todos os problemas da minha vida, e quando ele(a) tentasse me interromper eu simplesmente diria: “Ainda não terminei, se o lema de vocês é ‘você feliz é o nosso forte’, imagino que precisam saber pelo que estou passando antes de me ajudar, então me escute.”.
Outra coisa que gosto nessa área, é como os atores famosos se sacrificam pra fazer os comerciais, ou vocês acham mesmo que eles consomem o que anunciam? Vocês acham que o MC Donald’s seria uma das maiores empresas do mundo se eles colocassem atores famosos pra fazerem os comerciais? Por que por mais ignorante que seja a pessoa, ela saberia ao ver uma atriz linda e maravilhosa fazendo o comercial do MC Donald’s, que era mentira.
Fizemos no ano passado o comercial de uma marca de cerveja, desconhecida e que estava entrando no cenário nacional, contratou vários atores famosos para fazerem os comerciais, ícones da TV mesmo, e no fim das gravações sobrou aquele monte de cerveja usada nas cenas, em lata, garrafa e longe neck, eu como não sou bobo levei bastante pra casa. Esse ano tivemos a renovação da campanha da marca e novamente a mesma coisa, um monte de atores famosos e muita cerveja sobrou, só que agora eu não levei nada, por que já conhecia o produto e sua qualidade.
Se eu, pobre e humilde mortal, não sou capaz de tomar a tal cerveja, quem dirá um ator como o Bruno Gagliasso? (aposto que já sabem de qual cerveja estou falando)
Outra coisa interessante, é que muitas marcas eu consumo pelo respeito que adquiri conhecendo a política interna delas ao trabalharmos em seus comerciais. Por exemplo, o café que eu tomo na minha casa, quando produzimos seu primeiro comercial, para o teste de elenco não tinha privilégios pra ninguém, todos tinham que participar, era muito divertido ver atores consagrados no meio de atores iniciantes que estavam ali tentando a sorte. Não sei dizer se era economia no comercial ou direitos iguais e uma grande política ant desigualdade social, mas que eu gostei eu gostei.
Outra coisa legal são os desafios que as marcas fazem em seus comerciais aos clientes, tais como encontrar preço mais barato na concorrência, e como eles cobririam tais preços, dá vontade de arrumar um trabalho na marca só pra presenciar as encrencas arrumadas pelos clientes desavisados que não gravaram o comercial pra poder pausar a imagem e ler as letras miúdas na parte inferior da tela. Uma amiga minha gerente em uma loja que fazia tal promoção em seus comerciais me contou certa vez as histórias mais absurdas das encrencas que esses comerciais causavam.
Falando das letras miúdas, vocês já tentaram ler quando elas aparecem na sua televisão? Hoje em dia com a tecnologia dá para pausar a imagem numa boa sem gravar, então tentem, vocês descobrirão que em alguns casos é mais fácil ganhar na Mega-Sena do que conseguir aproveitar tais promoções, pois o tempo da promoção quando não é curto a quantidade de produtos é.
Devo confessar que em muitos casos me sinto mal por participar da produção de alguns comerciais, afinal, me sinto como um político mentiroso em campanha eleitoral, prometendo um monte de coisas que não irei cumprir, mas na maioria das vezes me divirto mesmo.
Então é isso, queria apenas passar pra vocês uma ideia do que faço de uma maneira mais leve e divertida, espero que não tenham bocejado.

Abraço!

Gill Nascimento