Descobrindo as semelhanças…

Vivemos num mundo complicado, onde muita gente gosta de notar as várias diferenças que existem entre as pessoas, ao invés de notar como são tantas também as semelhanças, e quando notadas, são tratadas como meras coincidências, ao invés de algo em comum.
Estou falando daquilo que podemos arriscar generalizar e dizer que todos fazem e todos têm, adoro fazer isso no Twitter, e sempre rende boas risadas dos meus seguidores.
Um fator em comum entre a maioria das pessoas são suas famílias, a maioria possui uma, isso não é novidade, mas o que deixamos de perceber, é como elas são parecidas.
Por exemplo, na minha tem, e na de vocês muito possivelmente também, um tio barrigudo, que adora tomar umas a mais, contar piadas e tirar onda com a cara do restante da família, ama dar pitaco no churrasco, mas nunca assume a churrasqueira, e sempre sai nas fotos com uma lata de cerveja na mão.
Outro bom exemplo é aquela tia, que em toda reunião aparece com uma tupperware de salada de maionese ou de torta de frango, que sempre adora perguntar “E as namoradinhas?”, que sempre sabe tudo sobre tudo e todo mundo, que sempre começa uma conversa com “Deixa eu te contar, menina…”, e no final da festa sempre leva outra tupperware com carne, salada e arroz à grega, para aquele nosso primo antsocial que nunca comparece nesses eventos.
E tem também, sempre, um primo ou prima adolescente, rebelde, que não pode ficar longe da vista de um adulto, que ingere bebida alcoólica, que sempre dá em cima de primos e primas mais velhos, e que em algum ponto da noite sempre acaba recebendo sermão dos pais no meio de todo mundo e acaba no sofá, de braços cruzados, emburrado(a) pelo resto da noite.
Outro fator em comum é que toda família tem uma idosa ou idoso legal, que sempre aparece na hora de alguma crise, pra resolver o problema com alguma malandragem das antigas, e que todos adoram ouvir as histórias da sua juventude rebelde, principalmente depois de estarem ébrios. Lembrei da minha falecida avó, que salvou minha noite certa vez, quando numa festa familiar não havia saca-rolhas, e ela me ensinou o truque de bater o fundo da garrafa de vinho na parede, fazendo assim a rolha sair.
Não podemos esquecer também daquele tio ou primo, que toda família tem, e que ninguém gosta, por ser mulherengo, preguiçoso, marrento e metido a malandro, e que na boca dos mais velhos sempre surgem comentários abafados de que ele possa estar envolvido com drogas, mas que as crianças sempre amam.
Como esquecer da criança nerd? Toda família tem uma, na qual deposita grande esperança no futuro, e que sempre se torna assunto na festa, com os pais babando ao rasgar orgulhosos elogios enquanto falam do seu desempenho acadêmico, e que sempre faz alguma tia invejosa tentar igualar seu filho, dizendo que ele também não vai nada mal no colégio.
A verdade é que a vida é meio que padrão, se olharmos pelo ângulo correto, e enquanto notamos sempre os fatos que causam um afastamento, deixamos passar os clichês que poderiam nos aproximar, principalmente com boas risadas.
Todos temos características em comum, um “todo mundo quer”, ou um “todo mundo dispensa”, um “todo mundo ama”, ou um “todo mundo odeia”, um “todo mundo têm”, ou um “todo mundo já teve”, e tenho sorte de gostar de prestar atenção nesses detalhes, e isso já me rendeu boas amizades, companhias e risadas, o fator comum sempre causa aproximação, cumplicidade, reconhecimento e identificação, e deveria ser melhor explorado.
Então fica essa dica aí, deixemos um pouco de lado as características e defeitos das pessoas que nos fazem querer continuar mantendo distância, e prestemos um pouco mais de atenção aos detalhes em comum que seria legal compartilhar, porque aprendi que é bem melhor deixar os fatores em comum, ou coincidências, se assim preferirem, neutralizar os defeitos e as diferenças, do que deixar os fatores opostos neutralizarem as qualidades e as semelhanças.
É o famoso “Não julgue o livro pela capa!”, visto por um ângulo diferente.

 

 

 

Gill Nascimento

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Cancelando a volta…

Um dia desses, aqui mesmo no Blog, mencionei no texto Tomando uma bronca, o fato de ter morado em uma cidadezinha chamada Divisópolis, no norte de Minas Gerais, e o fato de que lá vivi ótimas histórias, e prometi contar algumas aqui. Bem, esse dia chegou.
O que não mencionei foi como acabei morando lá.
Em 2002, minha mãe, devido o fato de minha falecida avó estar doente, resolveu se mudar para lá, e ajudar meu avô e meus tios a cuidarem dela, e eu, com 18 anos na época, não fui, pois tinha acabado de prestar o vestibular, estava trabalhando, namorando, tinha uma vida em São Paulo que não dava pra abandonar. Foi uma guerra pra conseguir ficar, mas venci e ela se foi sem mim.
No ano seguinte, quando tirei férias, já dá faculdade e também do trabalho, resolvi passar 15 dias nessa bendita cidadezinha, rever minha família, e os parentes que não via havia um bom tempo.
Foi a minha perdição. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer, como geralmente digo pro pessoal quando conto as histórias de lá, que me apaixonei pela cidade devido a natureza tão próxima, a pacatez do clima de interior, o acolhimento e coisas desse tipo, e apesar de ter me apaixonado por esses fatores, a verdade é que o que mais gostei naquela cidade, é que em dias de festa, ela era muito louca, muito louca mesmo.
Fui num final de ano, e isso foi o primeiro quesito que me conquistou, pois a cidade fazia divisa com a Bahia, aliás, a casa dos meus avós já ficava na Bahia, e a menos de 15 minutos da casa da minha mãe, em Minas, e como sabem, na Bahia não tem horário de verão, então na virada de ano, dava pra curtir a queima de fogos em MG, e depois ir para a cidade vizinha e curtir outra queima, já na Bahia, eu achava aquilo sensacional.
Eu elevei as piadinhas de tiozão de início de ano a outro nível.
Fora o fato que a cidade começou a festa de final de ano no dia 24 de Dezembro, pela manhã, e só terminou no dia primeiro de Janeiro a noite. Eu até então me achava baladeiro e festeiro, e me considerava muito resistente, mas no dia 28 eu já estava pedindo arrego.
E com essa primeira festa local, descobri outro encantamento daquela cidade, ela tinha uma média de 11 homens para cada mulher, e ser Paulistano me colocava em grande vantagem aos outros homens na cidade. Nenhum cara com 19 anos resistiria a tal fato. Mas por incrível que pareça, me comportei nesses 9 dias de festa, devido ao fato de estar namorando, mas as investidas femininas (e algumas masculinas, fazer o quê) faziam bem para o ego.
Em 10 dias na cidade eu já conhecia mais pessoas e tinha feito mais amizades que meu irmão, que já estava lá já havia 18 meses.
Passado a loucura do final de ano, resolvi conhecer o lado pacato e ecológico da cidade, e levei o segundo golpe da paixão.
Passei os 4 dias seguintes me revezando entre comer minhas frutas preferidas tirando direto das árvores, nos quintais dos meus próprios parentes, pescando em rios e lagos, tomando banhos em cachoeiras, caçando no mato, e jogando conversa fora a noite sentado em algum banco da praça, que diferentemente das metrópoles, ficam lotadas em quase todos os horários e dias.
Já não sabia mais quem eu era, o festeiro que virou 60 horas direto sem dormir e bebendo, ou o cara tranquilo que amava o silêncio a espera de um peixe pra fisgar o anzol. Mas adorava fato de que ali eu poderia ser facilmente ambos.
Então um dia antes do marcado para a minha volta, um amigo me listou, mais ou menos, todos os eventos e festas que aconteciam na cidade durante o ano, com o bônus de que aquele ano de 2004 era de eleições municipais, o que garantia, praticamente, 6 meses de festas nos finais de semana, e me contou os principais detalhes de cada festa que havia na cidade. Foi o terceiro golpe da paixão, com um toque muito forte de sedução.
O resultado foi que não voltei, fiquei por lá mesmo, terminei um namoro de 3 anos, larguei um emprego também de 3 anos, e quase larguei a faculdade, pois levei seis meses até conseguir transferência para uma universidade de Vitória da Conquista.
Uns dizem que foi uma loucura o que fiz, outros dizem que gostariam de ter a minha coragem, eu digo que eu precisava daquilo, pois foi uma das melhores épocas da minha vida.

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E não acabou gente, amanhã vou contar uma história hilária que aconteceu durante as campanhas eleitorais, alguns Blogueiros e Blogueiras aqui já até conhecem essa história, pois contei em áudio num grupo do Whatsapp, e é tão surreal, que quando conto ninguém acredita, então só conto ela na presença da minha mãe, que foi testemunha e pode confirmar os fatos. No dia em que contei no Grupo, teve áudio dela confirmando, senão eu nem teria contado.
Tenham um ótimo dia.
Abraços!

 

 

 

Gill Nascimento

Descobrindo a fonte de antigos traumas…

Quem precisa de terapia de regressão hipnótica para descobrir fontes de traumas, quando a gente tem uma família que adora reviver o passado, não é mesmo?
Principalmente porque quando familiares se juntam pra relembrar histórias antigas, sempre acabam lembrando apenas as piores, aqueles micos que a gente gostaria de enterrar no passado, nunca há uma seleção, vira aquela disputa infantil, um lembrando das piores situações do outro, por fora risadas e por dentro palavrões.
Mas voltando ao fator de descobrir no passado a origem de receios atuais, consegui descobrir recentemente a fonte de algo que odeio.
Nunca comentei aqui, mas odeio sair em fotografias, e nem é porque me acho feio ou algo do tipo, só não gosto.
Sempre relacionei isso ao fato de que passo o dia todo trabalhando com fotos e vídeos de outras pessoas, e também ao fato de que em 2011 devido ao tumor que tive no esôfago, que após o tratamento afetou minha tireóide, engordei ao ponto de chegar a 115 quilos.
Engordei tanto que, eu saía de casa, mas era um processo um pouco lento, minha cabeça saía 5 minutos após minha barriga, e minha bunda 15 minutos após todo o restante. Nessa época não há registros da minha existência, ao menos não que eu saiba.
Agora acabei de descobrir que o fato de odiar sair em fotografias nada tem a ver com isso, graças a um momento em que a família se reuniu e começou a contar histórias do passado.
Eu, particularmente, não tenho a mínima vergonha das minhas histórias, nem preciso que algum parente me ajude a destruir a minha imagem, geralmente faço isso com muito prazer, mas nesse dia em questão, chegou o momento em que as histórias começaram a acabar, e o que ocorre quando isso acontece?
Exatamente, alguém sempre pega os álbuns de fotografias, que sempre são muito úteis para trazer mais histórias ridículas à margem da memória.
Então foi aí que me veio a revelação: Eu fico muito estranho em fotos.
Todo mundo fala sobre isso, de que anos à frente todas as fotos ficam horríveis, devido a moda que se vai, o estilo do cabelo que se torna ridículo, e até o velho disfarce de que prefere a idade atual do que a juventude, só para dizer que está 100% bem com o amadurecimento a algumas casuais rugas.
Tudo balela.
Ninguém gosta de rever aquilo que deixou de existir, como o cabelo que antes acariciava a testa, a barriga reta sem academia, os seios firmes mesmo sem sutiã, a pele lisa e sem marcas, entre outras coisas, porque sempre faz falta.
Exceto eu.
Entendi na hora meu trauma, eu não sou fotogênico mesmo.
Olhando minha fotos lembrei do quanto eu era estranho, com 15 anos eu já tinha meus atuais 1 metro e 84 centímetros de altura, parecia um bicho-pau de tão magro, se vocês me olhassem dos pés à cabeça, levariam cinco minutos correndo os olhos pelas canelas finas que pareciam não acabar nunca.
Então minha tia achou uma foto que conseguiu me deixar sem graça e xingando palavrões por dentro.
Quem aí lembra da época em que o Cauã Reymond surgiu na Globo na série Malhação, fazendo uma dupla de capoeiristas com o Henry Castelli? Lembram que ele usava um arquinho no cabelo para segurar seus revoltos cachos?
Pois bem, eu aderi a esse estilo na época, e jurava que havia destruído todos os registros, mas eis que havia uma fotografia sobrevivente, em que eu, com 19 anos, 2 metros de canela, que nem mesmo uma calça boca de sino, que havia voltado à moda naquele fatídico ano, conseguia disfarçar, surgi ali no meio da reunião de família e fiz a alegria de todo mundo, menos a minha própria.
Então pensei: Foi aqui, com certeza foi aqui onde esse ódio por fotos se originou.
Mas eu estava errado.
Quando todos já haviam se divertido o bastante com aquela humilhante imagem, eis que surgiu das cinzas minha mãe com algo ainda mais ridículo e antigo: Uma foto minha e do meu irmão, com 7 e 5 anos, em que usávamos obrigatoriamente o corte dos ídolos dela, na época, Chitãozinho & Xororó.
Lembram aquele corte de cabelo que era moda entre os sertanejos, no final da década de 80 e começo da de 90, em que em cima até era normal, mas atrás, no pézinho do cabelo, era deixado meio que um pouco cumprido?
Deus, como o senhor não castigou minha mãe por fazer isso comigo e com o meu irmão?
A foto ainda tinha sido tirada na escola e eu estava vestido no melhor estilo sertanejo da época. Não acredito que cheguei a frequentar uma escola daquele jeito.
Imagino que não só o meu ódio por fotografias tenha se originado ali, mas também toda a minha anormalidade, todas as minhas inseguranças, e até mesmo um pouco de perturbação mental.
Minha mãe deveria dar valor ao meu amor por ela, porque sinceramente, ela não fez por merecer.

 

 

 

Gill Nascimento

 

Tomando uma bronca…

Tem coisas que acontecem na nossa vida que nos fazem pensar “da próxima vez eu vou pensar melhor antes de fazer…”.
Mas antes de contar a história atual que me fez chegar a essa conclusão óbvia, primeiro preciso contar uma pequena história antiga que colaborou para que eu chegasse nessa conclusão óbvia.

Em 2003 eu estava em uma cidadezinha de Minas Gerais que faz divisa com a Bahia, chamada Divisópolis, onde minha mãe cresceu e tem uma casa (não sei atualmente, mas até alguns anos atrás ela não estava no mapa, então melhor nem procurarem). Fiquei um tempinho por lá (na verdade fui pra passar 15 dias e me apaixonei pelo lugar, fiquei 1 ano e 8 meses, ainda tenho muitas histórias para contar de lá), então decidi que seria ótimo comprar uma moto.
Certa vez fui convidado para uma festa numa cidezinha vizinha e tão pequena quanto, já na Bahia, e resolvi ir com a bendita CG150, acontece que eu já tinha tomado o esquenta pra festa, que me alterou um pouco. No trajeto até a cidade onde ocorreria a festa, havia uma descida bem íngreme em forma de “S” que terminava numa ponte que passa em cima do Rio Pardo, onde só dava para passar um carro e nada mais, quando saí da curva (que não sei como consegui até hoje) já havia um carro passando na ponte e eu não iria conseguir parar.
Exatamente, me joguei dentro do rio com a moto que teve perda total, e eu quase tive também. Nos 3 meses seguintes eu dei muito trabalho pra minha mãe, o que fez ela tomar um ódio imenso de motos.

Voltando a atualidade…
Recentemente vendi meu antigo carro, parte por ele ser uma SUV enorme e blindada que pertencia ao meu patrão, e bebia muito mais do que eu, parte porque depois do acidente que tive, no Natal passado, tomei ódio daquele carro. Como comprei a preço de banana na mão do meu chefe, vendi por um valor que me deu um ótimo lucro, então comprei outro carro, não tão econômico, mas muito se comparado ao antigo, e com o dinheiro que sobrou comprei uma moto que sempre quis ter.
Fiz tudo no mais alto e absoluto sigilo, antes de viajar para a Argentina a trabalho, retirei a moto pouco antes da viagem, e deixei guardada na garagem, quase que escondida.
Há alguns dias quando voltei de Buenos Aires, recebi a visita surpresa da minha mãe, o que já me deixou com um medo gigante de que ela visse a moto, mas tudo correu bem. Então meu irmão, juntamente com a minha sobrinha, minha cunhada, minha irmã e meu pai, também chegaram, e eu pensei “agora vai dar merda, um deles vai acabar vendo e minha mãe vai ficar sabendo”.
Não ocorreu.
Ao menos não até eu ir buscar a minha filha na casa da mãe dela.
Quando voltei, a primeira coisa que escutei foi o pedido do meu pai: “Filho, posso dar uma volta naquela máquina?”.
Joguei a chave do carro pra ele e fiz uma cara de “cala essa maldita boca”, mas disse “pode velho, vai na fé”, mas ele respondeu “estou falando da moto, filhote”, e meu irmão completou “verdade, também ia te pedir o mesmo”, e logo em seguida minha mãe gritou “Queee moooto?”.
Conclusão:
Tenho 31 anos, meu irmão tem 29, meu pai tem 49, e todos tomamos tapas, beliscões, porradas, puxões de orelha, da minha mãe e da minha cunhada, eu por ser o culpado de tudo, levei inclusive chineladas da minha mãe, com os meus próprios chinelos.
Quando escrevo aqui que gostaria de voltar à minha infância, não era à isso que me referia, mas tudo bem, eu mereci.
Então passado um tempo, enquanto fazia um inventário dos meus hematomas, conversei comigo mesmo e disse:
“Dá próxima vez, penso melhor antes de fazer algo que vá desagradar a minha mãe!”

 

 

 

Gill Nascimento

Esse mundo moderno…

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É incrível como o Século XXI facilitou a comunicação entre pessoas que estão longe umas das outras, não é mesmo?
Mas, às vezes, não estou pronto para toda essa facilidade e instantaneidade, pois essa rapidez tem uma feia mania de gostar de nos pegar de surpresa.
Um exemplo foi o que me ocorreu durante minha viagem de trabalho para Buenos Aires, chegou um momento em que eu já estava achando estranho a falta de mensagens dos familiares, já que tinha recém me recuperado de um longo período de variadas enfermidades, com as quais dei muito trabalho para a minha família, então meio que ainda esperava um certo nível de preocupação. Então quando já estava convencido de que eles enfim tinha acreditado nas minhas afirmações de que estava bem, me chega uma mensagem no Whatsapp, da minha mãe, bem simples na verdade, dizia o seguinte:
“Filho, estou com saudades. Te amo!”
Eu sou uma pessoa simplória, que sempre achou que quanto menos palavras usadas para expressar um sentimento, melhor, então podem imaginar o quanto fiquei feliz com uma mensagem diferente das normais cheias de perguntas preocupadas, e repletas de conselhos, como se eu fosse uma criança que mal aprendeu a atravessar a rua. Quando estava prestes a responder a mensagem com muito carinho, minha mãe manda outra completando:
“Desculpa, mandei errado, era para o seu irmão!”
Fiquei sem palavras, e simplesmente não respondi, mas tudo bem, meu irmão também merece um pouco de atenção, mesmo sendo vizinho dela.
Ainda em Buenos Aires recebi um SMS por engano, de alguém que até agora não sei quem é, e que dizia o seguinte:
“Como foi a reunião na escola das crianças? Tudo bem? Não esquece de deixar elas com a mamãe para sairmos assim que eu chegar!”
Uma pessoa normal responderia que a mensagem foi enviada por engano para ela, pois vai saber se o verdadeiro destinatário é uma pessoa responsável, não é mesmo? Além do mais envolvia crianças no meio. Ou então nem se daria ao trabalho de responder. Mas convenhamos que eu não sou nem um pouco normal, então respondi:
“Crianças? Escola? Sua mãe? Sairmos? Ih ferrou, esqueci geral, só acordei agora!”
Sei lá a encrenca que essa resposta pode ter ocasionado, mas me diverti imaginando, depois eu me confesso e peço perdão.
Uns dias antes de receber essas mensagens, recebi no Whatsapp (campeão dos micos) um áudio de mais de 4 minutos de uma amiga e ex colega de trabalho, e antes mesmo de baixar o áudio chegou a segunda mensagem em tom de desespero:
“Gill, por favor, ignore esse áudio e apague, mandei por engano pra você, mas era pra uma amiga, pelo amor de Deus, não ouça!”
Orra, cá entre nós, foi o mesmo que implorar para eu ouvir. Mas fui um amigo legal, e apaguei antes de ouvir. Porém, ela acha que eu não ouvi, já que os vistos não ficaram azuis, mas antes de apagar na conversa, fui na pasta de mídia do Whatsapp e copiei o arquivo para outra pasta. Ainda não comentei com ela que ouvi o áudio em que ela fala mal de um dos meus melhores amigos, e que por outro lado fala muito bem (até demais) de mim. Pessoalmente será bem mais divertido.
Em questão de comunicação instantânea, eu ainda prefiro o bom é velho telefone, que muita gente até esquece que o celular possui essa função, quando o assunto é mensagens, até respondo, mas chega um certo ponto que me dá agonia e vontade de encerrar a conversa. Acho que sou das antigas, se é pra escrever, prefiro um bom e velho email.
Quando foi decretado o falecimento do Messenger do MSN, eu meio que pensei que essa febre das mensagens instantâneas ia abaixar um pouco, mas aí o danado do Whatsapp ficou tão popular quanto, até mais na verdade, e tudo voltou, e bem pior.
Recentemente na última queda do Whatsapp, uma quantidade surpreendente de pessoas foram chorar nas Redes Sociais devido isso, como se alguns dias sem o aplicativo fossem matá-los.
Alguns chegaram ao ponto de instalar aplicações semelhantes para se comunicar com os amigos virtuais e eu não entendi, eles passaram pelas mensagens privadas das Redes Sociais a nova forma de contato, mas porque não conversaram por ali mesmo?
E tem o tal dos vácuos, esses danados são temas de várias chorumelas pelas Redes Sociais. A pessoa manda uma mensagem e se em 2 minutos não recebe uma resposta, já entra em desespero.
Certa vez uma amiga reclamou do meu tempo de resposta, e então perguntei pra ela se ela já tinha ouvido falar das tais “necessidades fisiológicas”, para as mulheres até pode ser que elas não atrapalhem, mas para nós homens, ao menos no “número 1”, não dá, precisamos das mãos desocupadas.
Pra vocês terem ideia do nível de loucura que as pessoas podem chegar,um dia desses estava conversando com minha ex mulher no bendito do Whatsapp, quando ela começou gravar um áudio, mas quando passou de um minuto que ela estava gravando, eu me cansei e liguei para ela, que ficou nervosa porque atrapalhei o áudio dela. Será que ela pretendia usar para algo depois? Tipo a primeira faixa de um CD que pretende gravar, sei lá, porque senão, entre áudios de mais de um minuto e uma ligação, prefiro uma ligação.
Talvez eu que seja o chato, mas não uso muito a função de gravar áudios, então se a pessoa me manda um, gigante ainda por cima, esperando uma resposta a altura, acaba se ferrando, porque no máximo sai duas linhas escritas, e olhe lá se eu não responder apenas um “OK” sem nem mesmo ouvir a porcaria da gravação.
Tudo bem, se você, leitor, conseguiu chegar até aqui na leitura, parabéns pela sua paciência, porque até eu confesso que isso ficou uma bagunça, mas o que não anda bagunçado hoje em dia, não é mesmo?
E todos nós temos nossa bagunça pessoal onde só a gente se encontra.
Mas eu ri escrevendo esse texto, espero que tenham gostado. E quem sabe concordado.
Qualquer coisa me mandem um áudio no Whatsapp…

Mentira, me mandem um email!

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Gill Nascimento