Aqui deu merda…

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Imagine que você é uma pessoa com uma situação completamente estável e que se pode dar o luxo de tirar uns bons anos só para conhecer o mundo. Imagine que você é uma pessoa desbravadora, com uma mochila nas costas e um guia na mão.
Imagine que você, para se orientar melhor futuramente, criou um simples sistema, um mapa e marcadores de cores variadas, cada cor com um significado, e por cada lugar que você passou durante suas viagens, você assinalou com o marcador da cor correspondente ao que lá você viveu.
Tem aquela cor que significa “devo voltar aqui um dia”, aquela outra cor que quer dizer que naquele lugar você deixou algo importante, quem sabe uma paixão, tem a cor que determina que tal lugar você não aproveitou o suficiente, e claro, tem a cor que marca os lugares onde você vai passar o mais longe possível. A cor “aqui deu merda, nunca voltarei”.
Agora pare pra pensar.
A vida é mais ou menos isso.
A vida é um acumulado de variadas lembranças, onde nelas se encontram os desejos de reviver, as vontades de esquecer, os arrependimentos por ter feito algo ou estado em tal lugar, e assim por diante.
A vida é uma aventura, e nós somos os mochileiros.
Um lema bom para se viver, é não se preocupar com o caminho a seguir, onde ele vai dar e como ou quando você vai chegar, a gente não tem que se preocupar com aonde vamos, mas sim nos sentirmos felizes por sabermos para onde não vamos voltar. Aqueles lugares assinalados com o marcador “aqui deu merda”.
Indo mais à fundo nessa analogia muito louca (e olha que eu nem bebi), podemos usar a mesma base de pensamento, para várias situações corriqueiras que estamos sujeitos durante a dura e penosa existência corpórea.
Ao invés de lugares, podemos substituir por decisões, por atitudes, e porque não por pessoas? Pois em todos esses outros casos eu garanto que teria um bocado pra assinar com o marcador “aqui deu merda”.
Então não se preocupe com o que você vai fazer, para onde vai, com o que vai escolher, ou quem irá encontrar. Fique feliz, por saber o que não deve fazer, para onde não deve ir, quais escolhas geralmente não são as melhores, e quem você não deve levar contigo.
Sendo mais claro e objetivo, as pessoas seriam mais felizes se parassem de se preocupar com o incerto e, ao invés disso, comemorassem mais suas certezas.
A vida já não é nada fácil, e desperdiçar tempo e energia se preocupando com aquilo que ainda não é, e que talvez nunca será, é simplesmente a maneira mais fácil de piorar tudo ainda mais.
Eu acho que eu passei tanto perrengue ultimamente que, mais do que o normal, tenho pensado muito na vida, e seus múltiplos significados, e talvez eu esteja só divagando no teclado, ou talvez tudo isso tenha mesmo um bom significado e fundamento. Mas eu daria mais credibilidade as minhas próprias palavras se esse texto fosse um Papo de Bar.
Mas é isso aí pessoal, mochila nas costas e o desconhecido horizonte a frente…
E sempre ao alcance das mãos o marcador pra assinalar e te lembrar daquilo que deu merda!

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Gill Nascimento

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Assuntos inacabados…

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Nossa vida, por mais que tentemos ser diferentes, não passa de um caminho cheio de obras inacabadas, cheguei a essa conclusão analisando a minha própria. E se me perguntarem como me sinto referente a isso, a resposta é que nem mesmo sei.
Deveria ser triste olhar para trás e ver um punhado (que só caberia numa mão muito grande, muito grande mesmo) de assuntos inacabados, mas devo confessar que, em sua grande maioria, nem me fede e nem me cheira, pois não consigo sentir falta daquilo que nem sequer conheci.
Com o tempo aprendi a desapegar da expectativa. Sim, claro que penso no futuro, mas penso num futuro baseado naquilo que já conquistei, ou que já construí, não penso mais no futuro possível se aquilo que planejo ou almejo vier a acontecer.
Muitas vezes a gente chama algo de “nosso”, antes mesmo de possuir, e depois, quando perdemos algo que nem chegamos a ter, choramos uma dor que nem era pra sequer existir.
Lembro que falei isso pra um amigo certa vez, e ele disse que não fazia sentido, pois não dá pra perder o que não se tem (isso depois de perguntar que bebida me havia feito criar tal frase).
Mas a verdade é que faz todo sentido, costumamos fazer planos com aquilo que nem sequer passa de um plano também, imaginamos um futuro com o resultado de algo que nem chegou a sair do papel, criamos expectativas com sentimentos de mão única.
E o que acontece?
Como geralmente estamos sujeitos (até mais do que a opção contrária), tudo dá errado, e ao invés de apenas lamentamos porque algo não deu certo, ficamos de luto por tudo aquilo que imaginamos que aconteceria, se o resultado tivesse sido o melhor possível.
E então só sobram os rastros, as sobras daquilo que não foi, os vestígios de planos frustrados, e os resquícios de obras inacabadas e abandonadas.
Mas venho me perguntando ultimamente se, será que precisamos exterminar nossos planos só porque a ideia inicial não saiu conforme imaginamos?
Será que queremos tudo, desde a semente dos acontecimentos, até os frutos de seus resultados, ou queremos somente o resultado em si?
E se assim for, será que não existem outros caminhos que nos levam ao mesmo destino? Ou simplesmente devemos desistir quando o plano A não funciona?
Não existem planos B pra nossa vida?
São realmente muitas questões, e simplesmente não sei a resposta pra nenhuma, mas gosto de acreditar que existem atalhos, desvios, e até caminhos mais longos, que nos levam ao mesmo resultado no final. Isso me conforta.
É como meu avô dizia:
“A vida é uma longa estrada, e a melhor parte da viagem são as curvas sinuosas, pois quando olhamos para trás, enquanto estamos nelas, não conseguimos enxergar as merdas que fizemos, e conseguimos deixar pra trás de verdade!”

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Gill Nascimento

Papo de Bar… O Mapa, a Bússola e o Tesouro!

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O que o passado nos fala?
A verdade é que ele não nos fala nada, ele nos grita!
O passado é um amigo que vive nos lembrando as nossas cagadas, tentando nos mostrar onde erramos, tentando nos ensinar o que devemos corrigir a partir do momento em que ele deixa de ser o presente.
Meu avô dizia que o passado é o idoso que sempre tem uma lição para nos dar, ao passo que, o presente é aquela criança recém nascida que sempre precisa de cuidados e atenção total, enquanto isso o futuro é aquela grande paixão avassaladora que nos cega e nos faz agir sem pensar direito.
Foi com certeza uma das lições mais importantes que meu avô me deu.
O passado é um idoso amigo, e como todo tal, adora contar uma boa história, sempre retirando de nós as mais variadas reações, e sempre abrindo os nossos olhos. E como todo bom velhinho gente boa, o passado primeiro ensina, e só depois ele nos faz rir.
Mas quando o presente se torna realmente passado?
E quando realmente devemos deixar ele de lado?
Pensando nisso, tenho notado que, às vezes, essa criança recém nascida demora um pouco para envelhecer.
Coloquei esse assunto na mesa de um bar (grande novidade), e presenciei comentários muito interessantes.
Um amigo comentou que, o passado sempre tem uma lição para nos dar, mesmo quando esse passado é recente, se não há lições, então ainda não é passado, é presente, e ainda pode ser corrigido, ou melhorado.
É de se pensar, a lógica é que o presente se estende à frente, transformando o futuro em atualidade, mas se olharmos pelo lado dessa opinião, o passado é como um ponto num terreno que abrange um raio em sua volta, um domínio que ainda pode ser modificado.
Uma amiga fez outra analogia interessante. Segundo ela, o passado é o caminho acidentado e cheio de curvas que ficou para trás, e que não conseguimos enxergar quando olhamos pelo espelho retrovisor, mas que, quando paramos para fazer os reparos necessários para continuar a viagem, suas marcas estão ali, os pneus gastos, a suspensão danificada, o combustível acabando, e claro, no porta malas as lembrancinhas que fomos adquirindo em cada lugar que passamos. E como todo motorista experiente, quando precisarmos repetir esse trajeto, lembraremos de cada obstáculo, e saberemos contorná-los, saberemos onde estará cada radar, e reduziremos a velocidade para não tomarmos uma multa, estaremos cientes de quais são as melhores paradas para descansarmos, e então a viagem não terá mais tantas lições, mas terá muito mais prazeres.
Sempre pensei parecido.
E onde fica o futuro nessa história?
Ele é o destino planejado, mas desconhecido, que se encontra no fim dessa viagem.
Então entra uma dúvida que tenho vivido muito, atualmente.
Sendo o passado essa estrada, e nós os motoristas, existindo a possibilidade de refazer um dia essa viagem sem cometer os mesmos erros e minimizando os danos no nosso veículo de transporte (o veículo pode ser nesse caso o que você, leitor, achar melhor nessa analogia, no meu caso, o coração), será que existe a possibilidade de o destino ser então o mesmo?
Fiz essa pergunta na mesa para concluir o tema do Papo, e obtive uma resposta interessante do meu patrão:
“A gente pode sim vir um dia a refazer esse caminho, sem muitos danos, aproveitando mais as paradas, curtindo mais a paisagem, mas no fim, bem, durante toda a nossa vida a gente faz várias viagens de férias, sempre aprendendo cada vez melhor os caminhos, sempre amando cada vez mais os destinos, até que chega o dia em que refazemos uma viagem que sempre prometemos refazer, curtindo cada momento, cada visão do horizonte, e no fim, se torna uma viagem de aposentadoria, e não de férias.”
Repetimos vários destinos, refazemos vários caminhos, revemos várias paisagens, sempre aprimorando cada percurso. Até o dia em que encontramos o nosso lugar.
O passado é o mapa, o presente é a bússola, e o futuro o tesouro escondido. Sejamos nós os desbravadores!

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Gill Nascimento

Papo de Bar… O Dinheiro não traz a felicidade!

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Bom dia, boa tarde e boa noite pessoal. Tudo bem com vocês?
Hoje é dia de Papo de Bar, minha categoria preferida, apesar que ainda estou em dúvida se esse sentimento que tenho por esses artigos vêm do meu coração, ou do meu fígado.
Estava a trabalho Rio Grande do Sul, quando esse Papo de Bar rolou, entre colegas.
Resolvi ressuscitar um estilo de papo que meus amigos de infância e eu gostávamos de ter nessas ocasiões, pois é bem divertido.
Toda a conversa consiste em escolher uma frase, dito popular ou filosofia, que todo mundo fala, e simplesmente dissecá-la em controvérsias, porquês, e poréns.
A frase que escolhemos foi: “Dinheiro não traz felicidade”.
Tem frase mais controversa do que essa?
Logo de cara um colega comentou:
“O dinheiro pode até não comprar a felicidade, mas a falta dele menos ainda, e se for pra ser triste, melhor que seja rico, porque Whisky está caro, e combina com a infelicidade!”
Ser infeliz e ser rico, isso não soa tão mal assim, agora ser infeliz e ser pobre, machuca só de pensar.
Gostaria de saber quem foi que criou essa frase, e posso apostar, era uma pessoa muito rica, mas devia ter disfunção erétil, sua mulher tinha amante e na certa ele não tinha amigos. Aí entenderia ele dizer tal asneira.
Um amigo meu comentou o seguinte:
“Quem criou essa frase estava certo, o dinheiro não traz a felicidade, se você tem o dinheiro, a felicidade vem por conta própria pra te visitar, nem precisa de convite!”
E eu concordo com isso, ela pode até não vir de mudança, mas visita com frequência.
Já uma colega fotógrafa manifestou sua opinião da seguinte forma:
“Concordo com a frase, mas ela está incompleta, a verdade é que o dinheiro só não traz a felicidade para quem não tem muita afinidade com ele, digamos assim!”
Em uma coisa todos nós concordamos, quem criou essa frase era uma pessoa rica, possivelmente brasileira, e quem sabe alguém que queria que a mídia parasse de bater tanto na tecla da desigualdade social, falando tal frase para que os menos favorecidos se sentissem menos desconfortáveis com suas situações.
Perguntei pra um dos meus colegas o que ele preferia, ser rico ou ser feliz, a resposta foi a seguinte:
“Porque tem sempre que haver uma escolha, porque não pode ser os dois? Mas já que tenho que escolher, preferia ser rico, depois que eu tivesse mergulhado em grana, queria ver quem me impediria de ser feliz!”
Claro que também manifestei minha opinião, e que na verdade é bem simples. O fato que todo o problema não é o dinheiro não trazer a felicidade, mas sim a felicidade não trazer o dinheiro, porque de nada adianta ser feliz se não tiver condições de sobreviver para usufruir disso.
E ainda, que o mais provável é que quem tenha criado essa frase, não sabia o que fazer com o dinheiro que tinha, então soltou essa pérola, só ainda não consigo imaginar quais eram as suas intenções.
Claro, que se interpretarmos a frase com a verdadeira profundidade que ela merece, chegaremos as conclusões corretas das intenções do autor, mas ainda assim, fica difícil de concordar, mesmo no mais alto nível filosófico possível
Claro, não estou dizendo que o dinheiro traz sim a felicidade, longe disso, mas que ele tem certa afinidade com ela, isso é inegável, e o mais importante: o dinheiro pode até não fazer a felicidade surgir, mas não tê-lo duvido que faça isso com mais facilidade.

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Gill Nascimento

Chega direito, caramba!

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Estava conversando com uma prima minha um dia desses, relembrando os velhos tempos, num certo momento até nos perdemos folheando uns álbuns de fotografias.
Em um desses álbuns encontramos uma foto bem antiga da nossa falecida avó, e eu não pude evitar de comentar o quanto tenho usado as frases e conselhos dela aqui no Blog. E acabamos relembrando algumas das frases que elas mais falava.
Mas uma em especial me fez pensar bastante. Minha vó costumava dizer: “Tem gente que não sabe chegar, mas a gente ainda assim abre a porta, aí não sabe ser visita, muito menos ser de casa, e quando vai embora ainda faz merda!”.
E realmente refleti muito sobre isso, como nunca refleti nas vezes que ela havia dito.
A nossa vida, se pararmos para pensar, é cheia de gente que chega sem avisar, que não bate na porta, não toca a campainha, simplesmente chega e vai entrando sem limpar os  pés.
Gente que recebe a sua hospitalidade e sua atenção, mas na primeira oportunidade irá criticar isso à suas costas.
Pessoas que agem de uma maneira tão natural, que você em pouco tempo acaba tratando elas como se fosse normal a presença delas em sua vida. Como se sempre tivessem estado ali.
Mas elas simplesmente fazem da vida dos outros uma festa de alguém desconhecido, na qual resolveram entrar de bico ao passar em frente.
Eu poderia continuar essa analogia horrível e dizer que, para o nosso próprio bem, deveríamos tratar de deixar as portas fechadas, só abrir após identificar a pessoa que quer entrar.
Mas não.
A verdade é que precisamos disso mesmo. De gente que chegue sem bater e sem fazer cerimônia, mas que depois saiba ficar, saiba sair, e deixe a gente com saudade quando se for. E que depois volte.
Pessoas que cheguem sem reparar a bagunça.
Pessoas que cheguem e não esperem tratamento especial, que não queiram tudo nas mãos, e que no  final, ainda ajudem a arrumar a própria bagunça. A limpar a própria sujeira.
Pessoas que cheguem e tragam um reboliço, mas um reboliço cheio de alegria, não um que destrua tudo em volta, não um ausente de respeito.
Aquele tipo de gente que no primeiro sorriso já nos deixa aquela impressão: “Vou gostar desse imbecil, parece ser tão idiota quanto eu!”.
Aquele tipo de gente que gostaríamos de ter como vizinho de quarto no  sanatório, porquê de repente você não é mais a única pessoa meio doida no ambiente.
É mais ou menos isso, olhando pro meu histórico de amizades, as melhores surgiram como furacões do bem. Chegaram causando baderna, ficaram e arrumaram, e sempre que saíam, voltavam, fazendo ainda mais bagunça.
Mas no final, era apenas isso, pessoas que não sabiam ser discretas, não sabiam ser silenciosas, eram estabanadas, desajeitadas, tropeçavam nos próprios pés. Mas me faziam rir, me divertir e me emocionar.
Pessoas que me convidaram pra suas vidas e exigiram que eu entrasse da mesma maneira estabanada, desajeitada e bagunceira.
Acho que é mais ou menos isso, precisamos do descaramento cheio de alegria daquelas pessoas que fazem por merecer toda a liberdade do mundo em nossas vidas.
E não da falsidade mal intencionada daquelas pessoas que só querem se aproveitar de um bom momento que estamos passando. Pois quando as coisas não vão bem, essas pessoas não surgem, mas quando vão, elas aparecem sem convite, e na maioria das vezes estragam a festa.

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Gill Nascimento