Papo de Bar… O Mapa, a Bússola e o Tesouro!

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O que o passado nos fala?
A verdade é que ele não nos fala nada, ele nos grita!
O passado é um amigo que vive nos lembrando as nossas cagadas, tentando nos mostrar onde erramos, tentando nos ensinar o que devemos corrigir a partir do momento em que ele deixa de ser o presente.
Meu avô dizia que o passado é o idoso que sempre tem uma lição para nos dar, ao passo que, o presente é aquela criança recém nascida que sempre precisa de cuidados e atenção total, enquanto isso o futuro é aquela grande paixão avassaladora que nos cega e nos faz agir sem pensar direito.
Foi com certeza uma das lições mais importantes que meu avô me deu.
O passado é um idoso amigo, e como todo tal, adora contar uma boa história, sempre retirando de nós as mais variadas reações, e sempre abrindo os nossos olhos. E como todo bom velhinho gente boa, o passado primeiro ensina, e só depois ele nos faz rir.
Mas quando o presente se torna realmente passado?
E quando realmente devemos deixar ele de lado?
Pensando nisso, tenho notado que, às vezes, essa criança recém nascida demora um pouco para envelhecer.
Coloquei esse assunto na mesa de um bar (grande novidade), e presenciei comentários muito interessantes.
Um amigo comentou que, o passado sempre tem uma lição para nos dar, mesmo quando esse passado é recente, se não há lições, então ainda não é passado, é presente, e ainda pode ser corrigido, ou melhorado.
É de se pensar, a lógica é que o presente se estende à frente, transformando o futuro em atualidade, mas se olharmos pelo lado dessa opinião, o passado é como um ponto num terreno que abrange um raio em sua volta, um domínio que ainda pode ser modificado.
Uma amiga fez outra analogia interessante. Segundo ela, o passado é o caminho acidentado e cheio de curvas que ficou para trás, e que não conseguimos enxergar quando olhamos pelo espelho retrovisor, mas que, quando paramos para fazer os reparos necessários para continuar a viagem, suas marcas estão ali, os pneus gastos, a suspensão danificada, o combustível acabando, e claro, no porta malas as lembrancinhas que fomos adquirindo em cada lugar que passamos. E como todo motorista experiente, quando precisarmos repetir esse trajeto, lembraremos de cada obstáculo, e saberemos contorná-los, saberemos onde estará cada radar, e reduziremos a velocidade para não tomarmos uma multa, estaremos cientes de quais são as melhores paradas para descansarmos, e então a viagem não terá mais tantas lições, mas terá muito mais prazeres.
Sempre pensei parecido.
E onde fica o futuro nessa história?
Ele é o destino planejado, mas desconhecido, que se encontra no fim dessa viagem.
Então entra uma dúvida que tenho vivido muito, atualmente.
Sendo o passado essa estrada, e nós os motoristas, existindo a possibilidade de refazer um dia essa viagem sem cometer os mesmos erros e minimizando os danos no nosso veículo de transporte (o veículo pode ser nesse caso o que você, leitor, achar melhor nessa analogia, no meu caso, o coração), será que existe a possibilidade de o destino ser então o mesmo?
Fiz essa pergunta na mesa para concluir o tema do Papo, e obtive uma resposta interessante do meu patrão:
“A gente pode sim vir um dia a refazer esse caminho, sem muitos danos, aproveitando mais as paradas, curtindo mais a paisagem, mas no fim, bem, durante toda a nossa vida a gente faz várias viagens de férias, sempre aprendendo cada vez melhor os caminhos, sempre amando cada vez mais os destinos, até que chega o dia em que refazemos uma viagem que sempre prometemos refazer, curtindo cada momento, cada visão do horizonte, e no fim, se torna uma viagem de aposentadoria, e não de férias.”
Repetimos vários destinos, refazemos vários caminhos, revemos várias paisagens, sempre aprimorando cada percurso. Até o dia em que encontramos o nosso lugar.
O passado é o mapa, o presente é a bússola, e o futuro o tesouro escondido. Sejamos nós os desbravadores!

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Gill Nascimento

Prevendo futuros…

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Um dia desses estava andando no Centro de São Paulo, naquela verdadeira fauna humana, onde você encontra de todas as espécimes existentes de pessoas, e me deparei com uma mistura de cartomante e vendedora de loja.
Uma mulher vestida de modo peculiar, uma roupa meio moderna de cigana, ela pegou em meu braço e tentou vender seu peixe:
– Senhor, não gostaria que eu te dissesse seu futuro? No amor, nos negócios, e o que pode fazer para garantir que venha a ter uma vida feliz?
Nisso eu respondi:
– Senhora, me desculpe, mas não gostaria de tomar seu tempo, nem perder o meu, veja bem, se disser que meu futuro é incrivelmente bom, feliz e promissor, não irei acreditar, as coisas não são fáceis assim. Se me disser que meu futuro é uma bosta, que serei infeliz, me darei mal na vida profissional e no amor, também não irei acreditar, sou pessimista, mas nem tanto. Por outro lado se me contar um futuro completamente normal, simplesmente não acreditarei, pois prever um futuro normal de alguém, eu também sou capaz. Nos três casos me recusaria a pagar.
Essa cartomante riu, e até agradeceu minha atenção e tratou de agarrar o braço de outra pessoa, que em alguns instantes se foi com ela, para ver as previsões para seu futuro.
Ceticismo à parte, fiquei pensando nessas pessoas que gostariam de saber o que lhes acontecerão futuramente.
Que graça tem isso?
Me aprofundando ainda mais nos pensamentos, imaginei como seria a vida de uma pessoa que teve uma consulta com uma cartomante que realmente viu seu futuro.
Seria uma verdadeira merda.
A pessoa além de perder o direito de se surpreender com os acontecimentos, ainda correria um risco enorme de morrer de ansiedade.
Certa vez uma colega de trabalho se consultou com uma cigana, e veio me contar como foi.
Segundo ela, a cigana havia previsto muita evolução profissional em sua vida nos anos que se seguiria, um amor avassalador apareceria e causaria um reboliço em seu coração, e seria bom, e financeiramente ela iria evoluir, e se estabilizar.
Engraçado é que ela acreditou piamente em tais previsões. Ela já até pensava em como contaria para o atual namorado, quando o amor previsto surgisse.
Se uma cartomante pudesse ler meu futuro realmente, eu gostaria que ela visse coisas mais úteis, e não essas besteiras que qualquer sessão de horóscopo de jornais ou revistas podem me dizer.
Estou precisando de uma cartomante que preveja com detalhes as decisões erradas que tomarei no futuro, e me previna, só isso já estaria de bom tamanho. Se tiver uma que preveja os números da mega sena eu também aceito, e pago muito bem pela consulta.
Falando sobre esse assunto com outra colega de trabalho, ouvi o seguinte: “Algumas pessoas precisam de palavras inspiradoras nas quais se agarrar, para seguir em frente com mais tranquilidade.”.
Que tranquilidade? Desde quando a ansiedade é tranquila?
Olhei pra essa colega e falei: “Então vou prever seu futuro, sou capaz de apostar que acertarei, se agarre nisso. Sua vida será uma droga em alguns momentos, em outros ela será ótima, você terá que trabalhar muito, e achará os ganhos injustos, mas não parará, porque fará o que é necessário. Na sua vida amorosa, você quebrará a cara várias e várias vezes, postará nas redes sociais que desistiu, e um tempo depois estará se aventurando de novo. No final, terá a vida que você escolher e construir, e lutará muito para mantê-la, e só dependerá de você que assim seja!”.
Ela olhou pra mim com uma cara de surpresa e disse que eu me daria muito bem como cigano.

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Gill Nascimento

O que o futuro nos reserva…

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Vou começar esse artigo com um conselho sincero pra vocês: nunca comecem o dia pensando no futuro, deixem isso pra depois que tudo estiver a pior merda, quando nada puder piorar a situação, porque antes de tudo isso, você se meter numa batalha mental é pura idiotice.
E falo isso sendo que no meu caso, nem pensei no meu futuro, e sim em como as coisas podem virem a ser no futuro numa visão geral, imagine para a maioria que fica pensando no futuro numa visão pessoal, aí é de ferrar com a paz psicológica. Está mais que provado que sou um eterno e irremediável pessimista, então imagino que vocês imaginam como eu imaginei que será o futuro, não é mesmo?
Vamos fingir que alguém foi ao futuro e voltou com algumas das principais novidades e eu consegui em primeira mão…
Imaginem que a medicina estará tão avançada daqui 30 anos que, uma pessoa só morrerá se não tiver dinheiro pra se manter viva, aí vocês pensam, “que ótimo”, será ótimo mesmo, ver pessoas honestas e de bem perdurarem por vários anos, mas e os políticos? E os criminosos? Essas pessoas também se eternizarão, e do jeito que o Brasil dá sorte na política, o milagre da medicina que salvará tantas vidas será descoberto justamente quando os médicos estarão pensando em desligar os aparelhos do pior político possível.
Imaginem o cenário esportivo mundial, hoje já existe tanta tecnologia facilitando a vida dos atletas, daqui 30 anos qualquer um poderá ser atleta, e o pior, todos terão tempo de sobra pra fazer o que não deve, jogadores de futebol, por exemplo, não terão mais concentração, o que surgirá de “Adrianos” não vai ser fácil de lidar. Atleta que pensar em treinar, será alvo de bullying dos colegas, ao invés de treinos eles irão pra gandaia, encher a cara, atirar na periguete dentro do carro, colocar a culpa no segurança que era pra estar com a arma no coldre, mas não estava, ou então podem ir para um sítio, passar o fim de semana com a amante e depois matá-la e dar para os cachorros comerem. Imaginem, se hoje que existe concentração, treinos e os atletas não tem muito tempo pra se divertir essas coisas já acontecem, imaginem daqui 30 anos. Vai virar moda.
Com certeza daqui 30 anos será inevitável o surgimento da tão temida moeda universal, na verdade moeda será um modo de dizer, porque em espécie ela não existirá, bastará você colar sua digital em algum leitor biométrico e pronto, acesso fácil aos créditos que seu status social lhe permitir. Aí eu pergunto: “e como sobreviverão os ladrões?”; só eu aqui temo a possibilidade de no futuro todos nós corrermos o risco de perder nossos dedos para os assaltantes, ou até mesmo nossos olhos (vai que dêem preferência aos leitores de retina)?
Lembro de um filme que assisti uma vez com o Sylvester Stallone chamado ‘O Demolidor’, nesse filme sexo era feito de maneira virtual, porque para evitar doenças se evitava o contato físico, tive pesadelos durante semanas com essa possibilidade. Aí você junta o fato de poder viver muito tempo graças à medicina avançada com o fato de os políticos viverem muito tempo também, chego à conclusão que, o futuro da terra é o inferno, enquanto eu vou correr o risco de não poder transar, os políticos continuarão me fodendo sem cerimônia.
E a estética? Se o que os filmes futurísticos transmitem hoje, vier a se tornar realidade no futuro, ferrou, como sentir tesão com mulheres usando maquiagens no melhor e mais moderno estilo Patati e Patatá? Não dá, ao menos pra mim não, sou e sempre serei um defensor da naturalidade. Imaginem só, daqui 30 anos a matéria de destaque no Programa TV Fama: ‘Angela Bismarchi faz sua 1502° intervenção cirúrgica, dessa vez ela adicionou 150 ml de silicone em seu terceiro seio, e marca almoço pra comemorar, com Geisy Arruda que pela 102548792° vez reconstruiu seu hímen!’.
Um futuro como esse me assusta desde já.
Mas é claro que algumas coisas que o futuro nos promete chegam até a me animar, como, por exemplo, o fato de que, profissões como a advocacia pode vir a se extinguir, já que a tecnologia monitorará cada passo do ser humano, câmeras de vigilância, chips instalados em nosso corpo, entre outras coisas, nos denunciarão, condenarão ou absolverão. Imagine, você pode ser salvo de ir preso por causa de uma diarréia. No julgamento o juiz te pergunta se você tem algum álibi e você simplesmente responde: ‘sim, tenho, estava cagando na hora mencionada como a do crime, se duvida é só conferir o relatório de usuários do papel higiênico do banheiro público no dia em questão!’; seria trágica se não fosse tão engraçada essa possibilidade.
A verdade é que, desde já, vou começar a pedir perdão pelos meus pecados, porque dependendo do que o futuro me reserve, eu abro mão da possibilidade de prolongar por séculos a minha vida, prefiro o sossego do desconhecido.

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Gill Nascimento

Vivendo um filme…

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Você já parou pra pensar que o futuro, que era ficção nos filmes de antigamente, já chegou? Ao menos grandes partes.
Quem aqui, como eu, tem idade o suficiente para ter assistido em 1989 o filme “De volta para o futuro II”, e ficou na época apaixonado pela possibilidade do desenvolvimento tecnológico alcançar tais patamares, então lembrou muito bem disso recentemente, quando a Lexus apresentou ao mundo seu Skate flutuante.
O Lexus Hoverboard usa a levitação magnética para se deslocar sem atrito com o piso. Supercondutores resfriados por hidrogênio líquido combinados com imãs permitiram tal feito.
Eu fico pensando até onde essa história vai, o que mais que vimos em filmes vai se tornar realidade? Porque dá um pouco de medo. Quem aqui lembra do filme “A.I. Inteligência Artificial” com Haley Joel e Jude Law, ou “Eu Robô” com Will Smith? Ou mesmo o recém lançado “Exterminador do Futuro”, vai entender a parte do medo que estou mencionando.
Por mim podem lançar Skates, carros e trens magnéticos, podem lançar identidades eletrônicas por meio de chipes implantados em nosso corpo, vou adorar se inventarem o transporte eletrônico de matéria, vou amar se arrumarem um jeito de colonizarmos outros planetas, mas pelo amor de Deus Pai, robôs com cérebros capazes de aprender e de se adaptarem, não.
Pra tudo nesse mundo tem limites, e acho que a inteligência artificial deveria estar fora dos limites, afinal, acho que ninguém quer viver em uma “Matrix”.
Agora já está na hora de os cientistas acharem maneiras de prolongar a vida humana, mas nada do tipo como no filme “O Preço do Amanhã” com Justin Timberlake, em que literalmente o tempo é dinheiro, tremo só de pensar nessa possibilidade.
Seria bem legal viver até os 500 anos, e ter 30 anos de idade durante pelo menos uns 40 anos.
Mas já que estou citando tantos filmes, volto ao “Matrix”, aquilo de aprender as coisas via cabo USB é bem interessante. Quero ser cobaia quando inventarem uma maneira de passar experiências e ensinamentos por meio de um cabo de dados ligado à um computador.
Lembro que no ano passado fui numa feira tecnológica e que quase surtei com um capacete de realidade virtual. Na hora lembrei do filme “O Demolidor” com Sylvester Stallone, e com isso me veio outro temor, o de que virtualizem o sexo, pelo amor de Deus, isso não, tudo menos isso.
Tem gente lendo e pensando que eu deveria estar me preocupando com o fato de as máquinas estarem tomando os empregos dos humanos. Gente, isso acontece desde que eu me conheço por gente. Na verdade eu me preocupo sim, mas enquanto a criatividade for uma exclusividade humana, não corremos tantos riscos!

Abaixo um vídeo oficial do Lexus Hoverboard em ação!

Tempos modernos…

Boa tarde…

Engraçado viver nesses tempos de Redes Sociais e Internet não é mesmo?
Agora vocês devem estar se perguntando “E existiu outros tempos onde não havia nada disso?”. Existiu, e apesar de ainda não ser tão velho assim (30 anos, pra quem gostaria de saber), vivi parte dessa época, em que a Internet existia, mas não era tão acessível nem popular.
Aonde está a parte engraçada disso?
Simples, as relações, elas mudaram e muito. Vamos voltar no tempo e lembrar como era o processo completo para se conhecer, tornar-se amigo e ter certa intimidade com uma pessoa.
Antigamente para duas crianças ou adolescentes se tornarem amigos, começavam no fator SE VER PELA PRIMEIRA VEZ, podia ser na escola, numa brincadeira entre uma turma de amigos ou algo do tipo. Vamos tomar um exemplo:
“Uma turma de crianças se reúnem na rua para brincar de pique esconde, e uma dessas crianças resolve convidar o primo da rua de cima, que ninguém mais da turma conhecia, começa a brincadeira, no meio da brincadeira ele ajuda alguém que está mal escondido. Pronto, o primeiro contato de simpatia acontece. No outro dia essas duas crianças que nunca haviam se encontrado antes da brincadeira, percebem na hora do recreio que estudam na mesma escola, conversam sobre os professores, como uns são chatos e outros são legais. Pronto, segundo contato. E assim 5 dias por semana eles se vêem, se cumprimentam, conversam e se conhecem mais, em 1 mês são amigos, acaba o ano, começa um novo, volta as aulas e eles caem na mesma sala. Pronto, sinal verde para uma boa amizade. Trabalho de escola em dupla, os dois se juntam para fazer, revezam entre a casa de um e outro, começam a chamar a mãe do amigo de tia. Pronto, melhor amizade.”
Foi um exemplo entre milhares de situações cotidianas que podem acarretar em uma amizade verdadeira entre duas crianças, já aconteceu comigo e talvez contigo que está lendo agora. E hoje em dia?
Bem, hoje em dia já começa que não vemos mais crianças brincando na rua de pique esconde, pega-pega, bolinha de gude, pião, taco, futebol. Até bateu a nostalgia aqui e a saudade da minha infância.
Vamos agora simular um exemplo de como as crianças se conhecem hoje em dia e formam amizades:
“A criança está no computador, acompanhando as atualizações de status dos seus amigos no Facebook, de repente ela vê uma postagem que não pode ficar sem comentar, comenta zuando seu amigo, aí do nada surge outro amigo desse amigo que também comenta zuando ele, um curte o comentário do outro, fazem mais duas ou três piadinhas e param. Pronto, houve um primeiro contato de simpatia. Num outro dia acontece mais ou menos parecido, e dessa vez eles tiram mais onda juntos. Pronto, segundo contato de simpatia. Num belo dia o amigo em comum resolve postar algo e marcar os dois, ambos comentam, um interagindo com o outro e acaba que um adiciona o outro em sua lista de amigos da Rede. Pronto, um princípio de amizade. Passam a compartilhar, curtir e comentar o que o outro posta, sempre trocando algumas palavras e até conversando, descobrem que têm  coisas em comum entre eles, como sites que visitam, músicas que escutam, jogos que jogam, entre outros. Pronto, uma boa amizade se forma. E então quase 1 ano depois do primeiro contato na Rede Social eles se encontram na festa de aniversário do amigo que eles têm em comum, e mesmo tendo tanto tempo que conversam praticamente todos os dias, é a primeira vez que se encontram e são completamente desconhecidos, mas conversam um bocado, marcam de jogar vídeo game um dia qualquer e se inicia o processo de amizade que os amigos de antigamente faziam antes de qualquer coisa.”
Só eu vejo algo de estranho nisso? Pode ser. Tudo bem.
Mas o pior é que esse tipo de coisa não se reserva só as crianças e adolescentes não, acontecem com nós adultos também. Vamos à um exemplo do processo normal de conhecimento e formação de amizade entre dois adultos:
“Um homem resolve trocar de emprego, pois lhe surge uma boa oportunidade. Ele chega na empresa nova, onde não conhece ninguém, não sabe como as coisas funcionam, da aquele frio na barriga e aquele sentimento de vazio no peito. Está prestes a cometer uma gafe qualquer quando um colega chega e avisa antes que aconteça. Pronto, primeiro contato de simpatia. Na hora do almoço se senta sozinho no refeitório e pensa em ligar pra esposa e contar como está sendo seu dia e eliminar um pouco da solidão, então chega o mesmo colega que o ajudou e senta ao seu lado e puxa conversa. Pronto, segundo contato de simpatia.
Passa uma semana de trabalho, mais ou menos a mesma rotina diária, chega a sexta e uma galera da empresa combina de sair depois do expediente pra tomar um chopp, ele iria ficar de fora, afinal era novato e não conhecia ninguém, então o colega simpático chega e o convida para ir, ele vai, bebem juntos, conversam, descobrem que compartilham gostos por muitas coisas, entre elas o tipo de bebida e comida que preferem. Pronto, uma amizade começa a se formar. E assim o tempo vai passando e essa rotina diária e semanal se repetindo, até que um dia um deles da uma festa em sua casa comemorando algo e convida o outro para ir e levar sua esposa também. Pronto, amizade formada.”
Processos de conhecimento como esse é claro que acontecem praticamente com a mesma frequência, pois infelizmente ainda trabalhamos com a mesma frequência, mas temos que admitir que também existem a maneira virtual dos adultos de se conhecerem. Vamos à um exemplo, que talvez vocês se identifiquem:
“A pessoa nas horas livres ao invés de ir encontrar com os amigos ou visitar os familiares, entra em contato com eles pelas Redes Sociais, então num belo dia pra cobrir o vazio causado pela vontade de se abrir com alguém e não saber quem, cria um Blog. A pessoa vai postando, sem nem ligar se estão lendo ou não, apenas desabafando mesmo, até que um dia alguém comenta sua postagem. Ela responde e curte o comentário e pensa “Nossa, não sabia que tinha alguém lendo o que escrevo”, resolve visitar o Blog da pessoa também, ver sobre o que ela escreve e se identifica com muitas das coisas que ela posta, curte e comenta algumas. Pronto, primeiro contato de simpatia. No outro dia ela resolve desabafar mais uma vez e novamente aquela pessoa curte e comenta e ela responde ao comentário, dessa vez mencionando e citando coisas que leu no Blog da outra pessoa. Pronto, segundo contato de simpatia. E assim vai indo, um curtindo e comentando as postagens do outro, começam a indicar o Blog do outro no seu próprio Blog, elogiando o trabalho do outro e a forma como escreve. Pronto, uma amizade começa a se formar. Então num belo dia um deles faz um grande elogio ao outro que resolve então passar o link do seu perfil no Facebook pedindo pra adiciona-lo, e é o que acontece. Então ambos começam a conhecer mais sobre a vida pessoal do outro, quem é, o que faz, quem são os parentes, o que acham dele, no que trabalha e essas informações que o Facebook adora dar. Pronto, amizade formada. Aí num belo dia um deles acaba tendo que ir a trabalho na cidade do outro e resolve marcar de se encontrarem, talvez almoçarem e beberem alguma coisa. Eles marcam, se encontram, pra enfim descobrirem que mesmo depois de mais de 2 anos conversando pela Internet, ainda é estranho se encontrarem pela primeira vez, pois mesmo sabendo tanto um do outro fica a sensação do desconhecimento.”
Agora me digam, é bem assim ou não é?
Claro, tenho que concordar que a Internet aproxima muito as pessoas, eu mesmo tenho muitas amizades que começaram na Internet e que amo de verdade, mas o processo original sempre será muito melhor.

Gill Nascimento