O dia mais louco que eu vivi…

Existe uma pergunta que eu sempre fazia para os meus amigos, assim que voltei de Minas Gerais:
“Vocês conseguem imaginar como é uma eleição municipal numa cidadezinha de interior com 17 mil habitantes?”
Eles até que tentavam imaginar, mas nunca chegavam nem perto, a maneira mais simples e curta de tentar explicar algo desse nível, era dizendo ser uma simples e completa loucura, o que na verdade resumia muito bem, mas como era eu dizendo, sempre completava com muitas histórias, para pintar nas mentes sedentas por micos e comédias, uma singela noção da realidade de tamanho evento.
E uma em particular eu sempre gostava de contar, mas como disse ontem, só fazia na presença da minha querida mamãe, que também presenciou tudo, e podia confirmar a veracidade da história, porque confesso, se fosse eu o ouvinte, ou leitor, dificilmente acreditaria, de tão absurda que parece ser.
Mas vamos a história…
Nessa cidadezinha, havia o até então atual prefeito e candidato a reeleição, e quando as campanhas começaram, assim como nas eleições municipais anteriores, só houve um adversário, o que me deixou entusiasmado desde o início, pensando em como isso poderia ser, e fiquei muito feliz ao perceber que nem cheguei perto de imaginar a loucura que seria aquelas eleições.
Quando contava para os meus amigos de São Paulo, eles achavam ridículos alguns detalhes das histórias, como algumas manias do povo, por exemplo, e confesso, eu no começo também achava a mesma coisa, mas isso não durava muito, logo eu adotava as mesmas manias e achava demais.
Um bom exemplo eram os apelidos dos eleitores. Por serem dois candidatos a prefeito, então os partidos se uniam e formavam duas chapas, e devido isso a cidade se dividia em duas também, de um lado os Torranos, eleitores do atual prefeito na época, que era um grande fazendeiro de café, daí o apelido, e do outro lado os Pokanos, que eram eleitores do outro candidato, que por acaso era meu primo, e hoje é o prefeito da cidade, ele é um fazendeiro de cítricos, onde o produto principal eram as mexericas pokan, o que também rendeu o apelido dos seus eleitores.
E não é exagero de minha parte dizer que a cidade se dividia em duas, acreditem, casais se separavam por apoaiarem candidatos diferentes, filhos e filhas eram expulsos de casa por não apoiarem a mesma coligação que os pais, e brigas aconteciam com muita frequência nos bares e nas ruas, até mesmo nas escolas as crianças brigavam, sem nem mesmo terem idade eleitoral.
A loucura era tão grande, que fizeram escalas para as campanhas dos candidatos, um dia de campanha de um, e no outro dia do outro, no dia de campanha de uma coligação, os candidatos da chapa adversária não podiam se promover, nem mesmo abrir as portas de seus comitês.
No meio de toda essa bagunça eleitoral, havia mais uma família dividida, uma das mais ricas da cidade, e o caçula da família, que por acaso era um bom amigo meu, e muito, mas muito desajustado mesmo das ideias, era um Pokano, enquanto a magnata da sua família, sua avó, era uma Torrano fervorosa. E aconteceu de ela oferecer sua linda fazenda para que o prefeito da cidade promovesse um showmício e um almoço para seus eleitores, e quem sabe conquistar mais alguns.
A verdade é que mudando ou não de lado, num evento desse porte, onde tinha comida, churrasco e bebida a vontade e de graça, a cidade inteira, praticamente, marcava presença, inclusive eu, que não havia mencionado ainda, mas era Pokano roxo, não pelo fato do candidato ser meu primo, mas sim porque mexerica é minha fruta predileta, e também porque ele me pagou R$500 na época, só pra eu transferir meu título para lá.
E enquanto toda cidade esperava pelo dia de se fartar e encher a cara a custa do prefeito, meu amigo perturbado estava tramando um plano, que virou a cidade inteira de cabeça para baixo.
No dia anterior a festa, ele vizitou de madrugada, e sem que ninguém soubesse, a fazenda da sua avó, e trocou os potes de sal, que seriam usado para temperar toda a comida do evento, por potes de sal misturado com uréia, usada nas folhagens das plantações de café para espantar e matar os insetos. As cozinheiras nem notaram a diferença na hora de fazer a comida, devido a semelhança dos dois produtos.
A festa correu normalmente e bem demais, até acima das expectativas. Mas foi a noite, por volta das 22 horas, quando todos já estavam em suas casas, alguns ainda bêbados, que literalmente a merda foi jogada no ventilador.
Eu dei a extrema sorte de não comer nada na festa, pois almocei na casa de um tio meu, com quem havia pescado no dia anterior, e não quis perder o saboroso fruto de nossa pescaria, cozido pela minha tia que tem um talento incrível na cozinha.
Mas quem comeu se deu muito, mas muito mal mesmo.
Quando chegou um certo ponto da noite, eu já havia me deitado para dormir, pois tinha exagerado um pouco na cerveja, começo a ouvir os gritos da vizinha da direita e da sua neta, e não muito depois, começou também os gritos do casal de vizinhos da esquerda, e da suas filhas.
Longos e angustiantes gritos de pessoas que precisavam usar o banheiro, e que não aguentariam esperar muito tempo. Isso mesmo, o efeito causado pela uréia foi soltar violentamente o intestino de todo mundo que comeu, praticamente 90% da cidade.
Eu bêbado, mesmo com os gritos, consegui dormir, mas no outro dia foi uma loucura, por onde eu passava eu ouvia relatos das pessoas, dizendo ter passado a noite inteira no banheiro, muitos diziam estar até com assaduras, e a situação era tão comum entre todos, que eles nem sentiam mais vergonha de falar, muitos admitiam não ter conseguido chegar a tempo no banheiro.
E acreditem se quiser, a cidadezinha até estava cheirando um pouco mal, de verdade. Uma mulher na minha rua levou restos da comida para dar aos porcos em seu sítio, e dois deles morreram.
Ouvi histórias de que uma mulher grávida teve um aborto instantâneo devido isso, mas esse fato não posso atestar, pois até sair de lá ainda não havia conseguido saber se era verdade.
Mas o mais absurdo de tudo foi o que aconteceu no hospital da cidade, e isso eu garanto por ter sido vizinho de uma enfermeira do hospital, e morar em frente ao clinico geral. No final da noite, início da madrugada, o hospital lotou, e o problema, como imaginam, não era a quantidade, mas sim o fato de todos terem o mesmo problema, e como esse problema estava tornando o ambiente do hospital insuportável e o ar irrespirável, o que fez os funcionários do hospital chegarem ao ponto de sair arrecadando dinheiro entre eles mesmos e os pacientes, e tendo feito isso, ligaram para um morador da cidade que tinha um caminhão com o qual fazia carretos, contrataram seus serviços, e pediram para que ele levasse todos os pacientes para cagar no mato.
Meu amigo? Bem, depois disso e até eu voltar para São Paulo, ele ficou desaparecido, pois recebeu muitas ameaças, mas fiquei sabendo que tudo se resolveu e ele voltou um tempo depois.
Já a cidade voltou ao normal, com toda sua loucura eleitoral, dois ou três dias depois, o cheiro demorou uns quatro.

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Quando contei essa história no Grupo de Blogueiros e Blogueiras do Whatsapp, pedi que minha mãe mandasse um áudio confirmando se era verdade ou não…
Beijos especiais pras lindas Flávia e Mayara do Blog Coelho da Lua, Juliana do Blog Fabulônica,  Natália do Blog Only Secret Dreams,  Sílvia do Blog Reflexões e Angústias, Letícia do Blog Os Benefícios de Beber Café, Laynne do Blog Meu Espaço Literário, e o amigo Palhão do Blog do Palhão, que já ouviram essa história, e me incentivaram na época a contar aqui. Espero que vocês tenham gostado.
Abraços!

 

 

 

Gill Nascimento

Tag Bloggers Recognition Award

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Fui indicado pelo Lucas do Blog do Palhão e pela Vanessa do Blog Leitura em Crise para participar da Tag Bloggers Recognition Award, fiquei feliz pela indicação, uma Tag diferente, sem perguntas, e um tema super legal. Espero que gostem.

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REGRAS

  • Faça um post explicando por que você começou a blogar e dê algumas dicas;
  • Nomeie blogs de seus colegas blogueiros;
  • Comente nos blogs deles para que saibam que foram nomeados.

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COMO TUDO COMEÇOU…

Minha história como blogueiro começou quando fiz meu primeiro Blog em 2005, um Blog de humor, onde eu postava imagens engraçadas e piadas.
Levei esse Blog até 2007 mais ou menos, meio que já empurrava com a barriga, desanimado, até que um dia conversando com uma amiga Blogueira no antigo MSN, mostrei a letra de um samba que havia composto, e fui desafiado e convidado por ela para escrever uma poesia para o Blog dela. E eu topei, e a poesia bombou.
Geralmente quando me perguntam como comecei como Blogueiro, digo que foi no meio de 2007 no segundo Blog, quando decidi investir em criações minhas, postando poesias e textos de minha autoria.
Fui feliz com aquele Blog, o Manias de Poeta, descobri o prazer em desabafar no papel, e até hoje não consigo me sentir bem escrevendo num teclado. Eu brincava, dizia que o certo seria se cadernos tivessem ombro, pois eram melhores que gente para nós consolar, e ainda acho isso.
Continuei até 2010/2011, quando descobri que estava doente, eu tive um tumor no esôfago, e foi ele chegar por um lado e minha inspiração ir embora pelo outro. Foram mais de 2 anos de luta que felizmente venci.
E agora em 2015, há quase 4 meses, resolvi criar este Blog, mudar um pouco o meu estilo, me enveredando para o humor, sempre fui muito palhaço, quis ver se dava certo escrito também. Tô feliz com o resultado até agora.
As dicas que eu dou para o Blogueiros, sempre na verdade, é  criar uma identidade para seu Blog, algo em que o Blog se baseie, algo que quando as pessoas verem em outro lugar as faça lembrar do seu Blog.
A dica que o Palhão deu eu também reforço, a ociosidade afasta os leitores, então atualizar frequentemente é ótimo, 1 artigo por dia acho o ideal, da tempo de trabalhar bem e se a qualidade for boa deixará o leitor ansioso pelo artigo do dia seguinte.
Última dica, não seja um robô, interaja com os leitores e os incentivem a interagir, e aceite as críticas, elas podem vir, afinal estamos todos sujeitos a isso. Mostrar que existe uma pessoa por trás do Blog, e que ela é legal, é ótimo.
Mas essa é minha opinião, e digo não como Blogueiro, digo como leitor de vários Blogs, é isso que faço, tento fazer com que meu Blog tenha aquilo que eu espero ver nos Blogs que visito.
Espero que esteja dando certo!

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Então é isso galera, essa foi minha história de como comecei como Blogueiro, espero que tenham curtido, se tiverem mais alguma curiosidade é só perguntar nos comentários, ficarei feliz em responder.

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Blogs que Indico

Letícia do Blog Os Benefícios de Beber Café
Natália do Blog Only Secret Dreams
Fabiana do Blog Mude e Faça

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Gill Nascimento

Bolsa Feminina

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Existe alguma coisa que toda vez que você vê, não consegue ficar sem se perguntar como pode ser possível?
Aquilo que você não consegue evitar o pensamento de que simplesmente não pode ser real?
Aquilo que te faz até pensar em bruxaria?
Eu devo confessar, tenho algo assim, que toda vez que vejo fico pasmo e acho incrível, parecendo tipo, mágica.
Isso se chama bolsa feminina.
Lembro quando assisti Harry Potter e vi Hermione usar pela primeira vez sua bolsa sem fundo e pensei: “Essa bolsa não é mágica, ela existe, e toda mulher que conheço tem uma, toda bolsa feminina, não importa o tamanho, ela é sem fundo”.
Uma vez fui me consultar com meu médico, o consultório fica num prédio apenas de consultórios médicos, em frente ao Hospital Sírio Libanês, enquanto estava na fila vi uma cena muito engraçada. Nesse prédio a gente se identifica na recepção, faz o cadastro e recebe um cartão eletrônico que libera a catraca na entrada, encostando num leitor, e na saída, depositando-o numa das catracas.
A cena foi a seguinte: do lado de dentro das catracas, uma mulher procurava o cartão para poder depositar na catraca e sair. Primeiro ela procurou em pé por uns 2 minutos ela revirava tudo dentro da bolsa, depois ela começou tirar as coisa mais volumosas e pedir pra uma amiga segurar enquanto ela continuava procurando na bolsa. Então veio a terceira parte, ela virou a bolsa e jogou todas as coisas no chão e começou a procurar.
Enquanto isso eu olhava para as mãos da amiga e para as coisas no chão, e fazia um inventário mental rápido dos objetos mais inusitados.
Nas mãos da amiga tinha um sanduíche da Subway, uma chapinha, um PSP, uma carteira que mais parecia outra bolsa, o nono livro da Coleção Cavalo de Tróia do J. J. Benitez e uma marmita.
E no chão enquanto a mulher ainda procurava o cartão, se espalhava uma caixinha de baralho, um pacote contendo 9 camisinhas sabor chocolate com pimenta, um Netbook, um álbum de fotos de um gato siamês, uma garrafinha de molho shoyu e um Galaxy Note 4.
E isso eram só as coisas mais inusitadas, na minha opinião, ainda tinha aquelas coisas que toda mulher carrega, como maquiagem completa, cremes hidratantes, protetores solar de 3 fatores diferentes, 4 modelos de óculos de sol e um de leitura, uma agenda, um diário, e mais alguns itens indispensáveis para o dia a dia feminino.
Na recepção desse prédio além do segurança e de mim, todo o restante eram mulheres, então apenas eu parecia curioso com a cena, enquanto todo mundo achava tudo muito normal.
E enquanto isso, nada da mulher achar o bendito do cartão de acesso.
Foi quando a mulher resolveu guardar tudo, organizadamente, ela ia pegando e ia jogando dentro, simples assim.
Depois de tudo guardado ela coloca a bolsa no ombro (ainda me pergunto como aguentava carregar tanto peso), olha com uma cara de constrangida para o segurança e fala que ia subir de novo no consultório pra ver se tinha esquecido o cartão lá, e meio que num gesto involuntário colocou ambas as mãos nos bolsos de trás da calça, e olhando com uma cara de “Putz, que merda!”, ela tira a mão do bolso juntamente com o cartão.

Gill Nascimento

Bem vinda, azarada sorte! – A Saga de Euzébio

E que atire a primeira maçã podre quem nunca fez uma cagada!
Euzébio e seu monumental azar continuam causando por aí, e ele bem que tentou mudar o rumo de seu destino, mas não adiantou de nada, o azar continua por persegui–lo.
Ele tomou banho de Arruda, visitou alguns Pais-de-santo, cartomantes, Centros Espíritas, igrejas e todas as opções que lhe eram cabíveis, mas seu azar só fez aumentar!
E por assim dizer, “suas infelicidades”, fizeram ele voltar a virar notícia por aqui…

Bem vinda, azarada sorte!

Depois de alguns pares de chifres, um relacionamento conturbado com o ex-presidiário sessentão sarado, de ter amargado algumas noites ao relento, de ter sua ficha suja para sempre na sociedade e de vários empregos perdidos, Euzébio resolve por seu próprio esforço mudar sua sorte. Decidido, ele abandona seu ex-companheiro, monta seu próprio negócio, e se afasta de uma vez de todos aqueles que se envolveram em seu longo e azarado histórico direta e indiretamente.
Com seus 50 anos de idade, mais experiente, mais esperto, está certo que não cairá tão facilmente nas armadilhas da sua sorte traiçoeira, e quem conhece a história de Euzébio sabe muito bem que de burro ele não tem nada, e que ele na verdade é bem inteligente, seu problema sempre foi o azar, e algumas vezes a inocência, e também o fato de tudo sempre recair sobre sua responsabilidade. Afinal esse título ele nunca perderá, o de ser sempre “O culpado”.
Usando bem o que aprendeu na faculdade de administração, consegue elevar ao patamar de um negócio bem-sucedido sua pequena locadora de DVDs e Games. Morando longe de sua antiga história, e tendo escondido em vários cantos de seu estabelecimento e sua casa vários amuletos e artefatos místicos que ele acredita trazer sorte, consegue ir levando sua vida numa normalidade nunca antes alcançada. E se torna num certo ponto uma pessoa enfim feliz.
Mas por mais que tenha por várias vezes acabado com sua felicidade (as poucas vezes que a sentiu), uma mulher em sua vida ainda lhe fazia falta, e apesar dos anos que passou com o “sessentão”, ele tinha certeza de que não era um homossexual.
Certa vez em sua loja, num dia que até então estava sendo bem normal, entra uma cliente nunca antes vista, mas que bastou naquele momento, aquela primeira visão, para que o coração de Euzébio batesse muito mais acelerado. Procurando se acalmar, lutando contra seus instintos masculinos que a muito tempo não desejavam tanto alguém, ele atende normalmente a cliente, que aliás, se chamava Dora. Mas como eu já disse Euzébio sempre foi inteligente, e também muito paciente, torcendo para que a moça quisesse muito alugar algum filme, ele apenas espera, pois teria que fazer seu cadastro, e em seu cadastro teria todos seus dados, inclusive telefone e endereço.
Euzébio agora estava interessado em alguém, tinha seu endereço, seu telefone, e não tinha em nenhum momento demonstrado esse interesse, podia calmamente descobrir se sua pretendida era ou não como as outras mulheres que haviam passado por sua vida. E foi realmente o que ele fez, começou investigar. E estava feliz com o que estava descobrindo, Dora parecia ser uma pessoa bem íntegra e batalhadora, e por certo humilde também, pois residia num pequeno apartamento de quarto e cozinha, trabalhava muito e não parecia ter muito mais além do que o necessário.
Estava na hora de botar em prática seu plano de conquista. Dora era uma cliente fiel de sua locadora, e por algum motivo que ele não sabia, tinha a impressão de que ela adorava viver num mundo de fantasia. Estava decidido, da próxima vez que ela aparecesse iria convidá-la para sair, e foi o que ele fez, mas não obteve sucesso, e o mais estranho é que Euzébio teve a impressão de que ela também sentia interesse por ele, e que por algum motivo desconhecido preferiu deixar de lado o interesse e dizer não ao seu convite.
Euzébio ficou desolado, mas se segurou, esperou para ver se o ocorrido iria afastá-la também de sua locadora, e parecia mesmo ter afastado, mas Euzébio tinha seu endereço, e esse pequeno contratempo (na verdade foi um fora mesmo) não iria impedi-lo de correr atrás desse seu mais novo objetivo. Euzébio resolveu agir com coragem, foi atrás dela para tirar essa duvida que o corroia por dentro, o verdadeiro motivo pelo qual ela não quis sair com ele.
Dora o atendeu com muita educação, convidou ele para entrar em seu apartamento, ofereceu-lhe algo para comer e beber, e conversou calma e educadamente sobre assuntos diversos que nada tinham a ver com o que Euzébio queria saber.
Euzébio notou que sua percepção estava correta, e que Dora era realmente humilde, mais até do que ele imaginava, seus móveis, suas roupas, tudo em seu apartamento transparecia a vida de alguém que batalhou muito para ter o que tinha. Enfim Euzébio conseguiu perguntá-la sobre sua dúvida, e ela pareceu sincera em sua resposta, mas mesmo assim parecia haver algo mais. Mas esse algo mais não o incomodava, e se sentiu satisfeito quando ela aceitou seu convite nessa segunda vez.
Saíram por várias e várias vezes, até decidirem assumir seus sentimentos e com isso um compromisso sério. Não demorou muito para Dora se mudar e ir morar com Euzébio. Dessa vez estava dando tudo muito mais do que certo, Euzébio parecia enfim ter acertado, estava feliz, os negócios iam bem, sua companheira era uma pessoa por demais boa e sincera, e o azar parecia ter por fim lhe abandonado.
Porém nada é para sempre, nem a felicidade, e se agora estava tudo muito bem, a única certeza que podemos ter é que não muito dificilmente tudo iria piorar como sempre, e que o azar do Euzébio já demorou demais para entrar em ação nessa história.
Começou pela locadora, numa bela noite de chuva em que o mais novo casal resolveu levar alguns filmes para assistir no apartamento após fecharem. A chuva não era muito forte, e mesmo que fosse não era necessário nenhum cuidado especial na locadora, pois o local era plano e alto, e muito seguro, mesmo assim ao amanhecer ficaram surpresos ao ver mais da metade de todos os seus filmes perdidos em uma inexplicável inundação.
Os prejuízos foram enormes, a água teve um ótimo gosto ao escolher os filmes para destruir, começou pelos lançamentos, seguiu pelos de ação e parou quando chegou a sessão dos filmes de terror, os mais alugados naquela região. Mas a maior surpresa foi saber que a inundação foi causada por um motivo muito estranho. Na laje da locadora havia um banheiro semi-terminado que foi usado pelos pedreiros e construtores do pequeno prédio, aparentemente o telhado do pequeno banheiro voou com o vento na hora da chuva, o vaso sanitário que até então estava entupido, desentupiu com a chuva, e a água da chuva e a que estava parada em seu encanamento achou uma saída que dava dentro do comércio do nosso amigo azarado.
Com todo o problema, o primeiro depois de muito tempo, nem passou pela cabeça de Euzébio que poderia significar o retorno de seu azar, mas era exatamente isso que significava. Ao somar todos os prejuízos Euzébio se viu quase que falido, pois além de todos os filmes que perdeu ainda teria que consertar o encanamento, reformar o piso de seu estabelecimento comercial, reparar as infiltrações causadas pelo encanamento antigo entre outros. Teria que vender seu carro, trocar seu apartamento por um menor, esvaziar sua poupança bancária e ainda fazer um empréstimo.
Se você leu as duas primeiras histórias de Euzébio, deve estar pensando: “agora sim, esse é o Euzébio que conheço”.
Euzébio podia assumir para si mesmo que estava recuperando o enorme azar que sempre o assombrou, e isso o deixava desesperado, mas o que mais o preocupava era o fato de ter que contar sobre esse seu probleminha para sua amada Dora, sua única real sorte, e contaria, pois não suportava a idéia de mentir ou omitir algo dela que sempre foi tão sincera.
A noite, após o jantar, resolve preparar o terreno para poder contar-lhe sobre sua história de azar, mas antes de começar, Dora avisa que tem algo muito delicado e sério para falar-lhe, e que durante seu relato não gostaria de ser interrompida.
Foi a maior surpresa para Euzébio descobrir que ele tinha um sentido muito apurado, depois de tanto apanhar da vida, e que realmente havia algo mais com Dora como ele imaginou no inicio, no apartamento dela, quando ela explicou-lhe o porque de sua recusa ao seu primeiro convite.
Dora explicou-lhe que não queria se envolver com ele no início, por medo de contaminá-lo com seu enorme azar (que ironia do destino não acham?), pois tinha percebido desde o inicio que ele era um homem muito bem intencionado e de bom coração, mas que não resistiu ao seu segundo pedido, pois sua gentileza, sutileza, educação e respeito foram as primeiras coisas que a conquistaram, se envolveu, mas ainda assim tentou de tudo para que o azar não se sobressaísse a sorte que teve ao encontrá-lo, mas não obteve sucesso, pois depois de tanto tempo juntos (pouco mais de 1 ano) aconteceu-lhe essa desgraça com seu ganha-pão.
Euzébio ao final de sua narrativa nem contou-lhe sua história, pois não podia negar a si mesmo que estava feliz por enfim não ser o culpado (pelo menos na mente de Dora ele não era), mesmo tentando conter a desconfiança de que a culpa era toda sua não pode negar a si mesmo uma simples conclusão:
“Dora até poderia ser a azarada e ter o seu azar como a culpa pelo ocorrido na locadora, mas não teria culpa parcial ele mesmo e seu azar, pois depois de ter se curado de seu problema com a falta de sorte, ter superado tudo que passou e estar até mesmo um pouco feliz, tinha que se apaixonar justamente por uma linda mulher que tinha como principal característica um azar tão grande quanto o seu? Não era ele culpado por se envolver com uma mulher sabendo que elas sempre foram as maiores causas de suas desventuras, e ainda a colocá-la debaixo de seu teto?”
Sim era ele, Euzébio era o culpado como sempre. Mas dessa vez ele nem estava ligando, pois se seu azar era o causador de seu encontro com Dora, se seu azar atacou de cupido juntando o homem mais azarado do mundo, culpado por natureza, à mulher mais azarada do mundo, bendito fosse seu azar, pois azarada ou não, ela era sincera, o amava, e não seria capaz de traí-lo, e ele a amava muito. Nunca mais cadeia, nunca mais relento, nunca mais humilhações, e enfim adeus sessentão sarado, enfim teria sua masculinidade respeitada.
E assim viveu, feliz e azarado para sempre!

Gill Nascimento

Será que dá para piorar? – A Saga de Euzébio

Vocês se lembram do Euzébio? Pois bem, ele voltou hoje. Depois de um tempo ele conseguiu se livrar do sessentão sarado e retornar as boas com a sociedade, até se casou novamente, e arrumou um novo emprego muito bom, mas nem por isso deixou de ser um cara azarado, pois há certas coisas que não mudam nunca. A partir de agora vocês vão ler um texto que conta a continuação da história do nosso amigo Euzébio, o culpado de nascimento mais azarado do mundo…

SERÁ QUE DÁ PARA PIORAR…

O dia não poderia começar pior, uma bela dor de cabeça!

“Vamos retornar um dia, onde tudo começou, para que todos possam entender o porquê dessa maldita dor de cabeça”

Ao chegar do trabalho, no hotel onde estava hospedado por ter brigado com sua esposa, – Euzébio não sabia porque, mas tinha a ligeira impressão de que sua esposa teve a intenção de causar aquela briga – ele se prepara para tomar um banho, antes nota que havia esquecido de trazer as famosas cuecas de emergência, ele toma o banho e vai rapidamente em sua casa buscar as cuecas, antes não tivesse ido, pois encontrou sua mulher na cama com o gerente de seu banco. Como todo corno espectador, não falou nada, não fez nada, nem deixou sua presença ser notada, apenas saiu e foi tomar um porre daqueles no bar, e chorar as mágoas para o primeiro bêbado que aparecesse.

Agora sim…

O dia não poderia começar pior, uma puta dor de cabeça, por causa de um par de chifres, com direito a exibição ao vivo digna de um Óscar Pornô, e também por causa da ressaca do pós chifre, além da dor de cabeça, estava atrasado para o trabalho, nem lembrava quem havia lhe trazido para o hotel.
Euzébio chega ao trabalho 1 hora atrasado, ao entrar na recepção é lembrado pela recepcionista de uma reunião que deveria estar participando há meia hora, uma reunião muito importante, mas já era tarde, foi demitido.
A partir daí começa usar da fé para tentar se restabelecer, pois tinha muitas dívidas para pagar, e no momento estava morando num hotel, por sorte tinha algumas economias no banco e ganhou um bom dinheiro dos direitos do último trabalho, dava para se manter por algum tempo, pelo menos essa esposa não lhe arrancou uma pensão como a primeira.
Após um mês procurando trabalho, sem sucesso, pois nem todos dão emprego para ex-presidiário, se vê obrigado a usar contra sua vontade, mas por necessidade, suas economias, e vai ao banco.
Posso dizer que foi aquele pé que faltava para derrubar Euzébio.
No banco descobre que alguém tinha limpado sua poupança e lembra: “aquela vadia e aquele desgraçado do gerente me passaram a perna”…

“Simplesmente eu poderia pedir para vocês, que estão lendo esse texto, fazer uma corrente positiva pra tentar tirar toda essa zica do Euzébio, zica essa que já vem de longe, mas não adianta, pau que nasce torto não tem jeito, vai sempre mijar fora do pinico. Vamos lá Euzébio! O que tinha de pior para acontecer já aconteceu, agora só falta você  estufar o peito e gritar pro mundo: FERROU!”

… Euzébio já sem saber o que fazer, começa usar o pouco tempo que tem para ficar no quarto do hotel para pensar, pensar em uma maneira de escapar do pior: virar um sem-teto.
Pensa daqui, pensa dali, e nada de achar uma saída. Euzébio já havia sofrido muito na vida, mas mesmo assim não sabia se virar com facilidade, não se achava capaz nem de sair por aí catando latinha e papelão, fez faculdade do crime quando esteve na cadeia, mas nem cogitava a idéia de roubar, pois preferia morar embaixo da ponte do que voltar para a prisão.
O tempo estava se encurtando, o quarto em alguns dias seria pedido pela gerência, tinha que rapidamente arrumar uma maneira de se ajeitar. Foi então que lembrou de um nome: Julio.
Euzébio pegou o telefone, cruzou os dedos, pensou positivo: “O Julião não vai me deixar na mão”. E realmente não deixou, Euzébio encontrou aos 45 do segundo tempo uma luz no fim do túnel, e correu ao seu encontro…

“Ei! Nem vão pensando que a sua torcida, leitor, ajudou o Euzébio, pois essa luz no fim do túnel não brilhava tanto assim!”

… Com um teto sem ter que pagar nada, comida e tempo para procurar se ajeitar, sem que ninguém lhe cobrasse, Euzébio vê sua sorte em partes virar!
Julião! Ah Julião! Nada como uma reconciliação com o sarado sessentão tarado, para melhorar a situação, é como diz aquele ditado:
“Se você sentir duas bolinhas encostando na sua bunda, não se preocupe, o pior já passou”

Gill Nascimento

(Não se esqueça, se gostou, não perca amanhã a terceira e última parte dessa história, venha descobrir que fim levará o cara mais azarado do mundo)