As 5 Mais… Mães e a Internet!

Achando que o mundo não estava bom o suficiente, alguém criou a internet…
E não é que o Sr. Timothy John Berners Lee acertou em cheio, porque sua invenção acabou com o tédio de muita gente, além de toda praticidade que trouxe ao mundo.
O único problema nessa criação, foi que ela se tornou popular tarde demais para a geração das nossas mães, claro que muitas levam jeito pra coisa, mas em contraste com elas, tem àquelas mães que por mais que tentem, todos os dias temos que ensinar as mesmas coisas para elas, como se a informação não ficasse em suas mentes.
A minha mãe é uma dessas, e pensando nas risadas que sempre dou por causa dela e de suas habilidades como internauta, resolvi fazer hoje um Top 5 de curiosidades sobre mães e a internet.
Vamos As 5 Mais de hoje…
 
 

PRIMEIRA CURIOSIDADE

 

Mães e Webcams.
Por estar viajando a trabalho, recentemente minha irmã apresentou para a minha mãe o Skype, porque convenhamos, o roaming internacional das operadoras de telefonia brasileira ninguém merece, e a relação que minha mãe vem tendo com a webcam, na hora de falar comigo, é hilária.
Todas as vezes que ela me liga tenho que falar as mesmas coisas:
“Mãe, a senhora está muito perto da câmera!”
“Mãe, agora a senhora está longe demais, não estou te ouvindo direito!”
“Mãe, apenas sente na cadeira normalmente em frente ao computador.”
“Mãe, normalmente a senhora fica colocando a cara em frente à câmera assim?”
E quando ela se lembra que basta olhar no monitor que verá no quadradinho menor, como ela está aparecendo, aí fica tentando se ajeitar, e acaba esquecendo de conversar.
 
 

SEGUNDA CURIOSIDADE

 

Mães e Redes Sociais.
A maioria das mães são meio que padrão, por isso abandonei meu primeiro Facebook, onde se encontra toda minha família, porque não conseguia aturar minha mãe e minhas tias.
Minha mãe parece que monitorava o Facebook 24 horas por dia.
Se eu saísse com os amigos e postasse uma foto com eles num bar, ela já comentava perguntando se eu estava de carro, ou algo do tipo “Tem tempo pra ir beber com os amigos, mas não tem tempo pra vir fazer uma visita né? Não vou curtir essa foto!”.
Eu me segurava para não bloquear a velha nessas horas. E quando ía vê-la, a primeira coisa que perguntava era o porquê de eu não ter respondido seu comentário, mas ter respondido os dos outros.
Mas além dos micos que as mães nos fazem pagar, tem outra coisa que elas sempre fazem, não podem ver uma corrente, que compartilham, desconfio eu que, são nossas mães que criam essas correntes, porque não sei de onde surgem. Certa vez briguei com a minha irmã por isso, porque é outro padrão, são sempre os filhos mais novos que ensinam as mães a usar o Facebook, e a minha irmã além de ensinar a minha velha a compartilhar as correntes, ensinou ela a sair marcando todo mundo. Até hoje tem umas 100 postagens pendentes da minha lá no meu Facebook.
 
 

TERCEIRA CURIOSIDADE

 

Usando o celular.
Quando eu vou na casa da minha mãe para almoçar, sempre dou boas risadas, minha mãe é daquelas que limpam a casa todos os dias, faça chuva ou faça sol, e depois que termina a faxina, começa o preparo do almoço. Antigamente, após terminar tudo, e também almoçar, ela se sentava no sofá, ou para assistir TV, ou para ler a Bíblia, mas hoje em dia as coisas mudaram.
O processo é exatamente o mesmo, ela limpa a casa, faz o almoço, almoça, e depois ela pega um pequeno cobertor, arruma as almofadas, se ajeita no sofá, cobre as pernas com o cobertor, pega seus óculos e os coloca, e então pega seu celular e começa a compartilhar suas correntes no Facebook e nos Grupos da família no Whatsapp.
Mas o engraçado das mães, é que nem toda a prática que elas possuem de anos escolhendo o feijão antes de cozinhar, faz com que elas digitem rapidamente, porque não sei a de vocês, mas a minha só digita com o indicador direito.
Antigamente ela lavava a louça do almoço depois da novela do “Vale a Pena Ver de Novo” na Globo, agora ela só lava depois que termina de fazer o que tem pra fazer no Facebook e no Whatsapp, geralmente junto com a do jantar. E quando penso que só vou ver postagem dela no Feed do Facebook, ela só postou uma foto de frases bíblicas e um “Boa tarde amigos do Face!”.
 
 

QUARTA CURIOSIDADE

 

Postando fotos.
A minha mãe, geralmente, posta mais as mesmas imagens que ela recebe no Whatsapp, com pensamentos ou versículos bíblicos, mas ela adora postar também as fotos das suas proezas culinárias, que geralmente me levam direto pra sua casa pra filar a bóia, porque é sério, parece até que as fotos tem o cheiro da comida.
Mas o engraçado mesmo são as fotos dela mesma, já presenciei algumas brigas dela com a minha irmã, que geralmente é a fotógrafa. Minha irmã reclamando que de trocentas fotos que tiraram, ela queria postar justamente a mais feia.
E pra foto do perfil então, sempre soltam o cabelo, passam uma escova, um creme, penteia daqui, penteia dali, e no final tira uma foto até legal, mas na hora de postar, corta a foto, e então fica parecendo uma foto 3×4 de RG.
 
 

QUINTA CURIOSIDADE

 

Se perdendo em alto mar.
Se navegamos pela internet, então podemos dizer que nossas mães não possuem nem bússola, nem mapa, na verdade enquanto nós navegamos, elas deveriam ficar naquelas piscinas infantis onde a água só vai até o joelho. Mas não, elas querem ir em alto mar, e de vez em quando elas se perdem.
É muito comum, quando minha mãe está entretida em seu Facebook, de repente ela falar “Aí Jesus, como eu vim parar aqui?”, “Meu Deus, o que isso?”, “Sangue de Jesus tem poder!”, “Giovanna, me ajuda, como eu saio desse negócio aqui?”. Giovanna é a minha irmã, que sempre tem que salvar a velha, porque, aparentemente, ela não pode ver um link que sempre clica, e não me perguntem como, mas sempre acaba indo parar em algum site pornô.
 

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Por hoje é só pessoal, mas na próxima terça tem mais, só não me perguntem o tema, pois ainda não sei, vocês não gostam mais de mim e não me mandam mais sugestões. (risos)
Uma ótima semana para todos.
Abraços!

 

 

 

Gill Nascimento

Tomando uma bronca…

Tem coisas que acontecem na nossa vida que nos fazem pensar “da próxima vez eu vou pensar melhor antes de fazer…”.
Mas antes de contar a história atual que me fez chegar a essa conclusão óbvia, primeiro preciso contar uma pequena história antiga que colaborou para que eu chegasse nessa conclusão óbvia.

Em 2003 eu estava em uma cidadezinha de Minas Gerais que faz divisa com a Bahia, chamada Divisópolis, onde minha mãe cresceu e tem uma casa (não sei atualmente, mas até alguns anos atrás ela não estava no mapa, então melhor nem procurarem). Fiquei um tempinho por lá (na verdade fui pra passar 15 dias e me apaixonei pelo lugar, fiquei 1 ano e 8 meses, ainda tenho muitas histórias para contar de lá), então decidi que seria ótimo comprar uma moto.
Certa vez fui convidado para uma festa numa cidezinha vizinha e tão pequena quanto, já na Bahia, e resolvi ir com a bendita CG150, acontece que eu já tinha tomado o esquenta pra festa, que me alterou um pouco. No trajeto até a cidade onde ocorreria a festa, havia uma descida bem íngreme em forma de “S” que terminava numa ponte que passa em cima do Rio Pardo, onde só dava para passar um carro e nada mais, quando saí da curva (que não sei como consegui até hoje) já havia um carro passando na ponte e eu não iria conseguir parar.
Exatamente, me joguei dentro do rio com a moto que teve perda total, e eu quase tive também. Nos 3 meses seguintes eu dei muito trabalho pra minha mãe, o que fez ela tomar um ódio imenso de motos.

Voltando a atualidade…
Recentemente vendi meu antigo carro, parte por ele ser uma SUV enorme e blindada que pertencia ao meu patrão, e bebia muito mais do que eu, parte porque depois do acidente que tive, no Natal passado, tomei ódio daquele carro. Como comprei a preço de banana na mão do meu chefe, vendi por um valor que me deu um ótimo lucro, então comprei outro carro, não tão econômico, mas muito se comparado ao antigo, e com o dinheiro que sobrou comprei uma moto que sempre quis ter.
Fiz tudo no mais alto e absoluto sigilo, antes de viajar para a Argentina a trabalho, retirei a moto pouco antes da viagem, e deixei guardada na garagem, quase que escondida.
Há alguns dias quando voltei de Buenos Aires, recebi a visita surpresa da minha mãe, o que já me deixou com um medo gigante de que ela visse a moto, mas tudo correu bem. Então meu irmão, juntamente com a minha sobrinha, minha cunhada, minha irmã e meu pai, também chegaram, e eu pensei “agora vai dar merda, um deles vai acabar vendo e minha mãe vai ficar sabendo”.
Não ocorreu.
Ao menos não até eu ir buscar a minha filha na casa da mãe dela.
Quando voltei, a primeira coisa que escutei foi o pedido do meu pai: “Filho, posso dar uma volta naquela máquina?”.
Joguei a chave do carro pra ele e fiz uma cara de “cala essa maldita boca”, mas disse “pode velho, vai na fé”, mas ele respondeu “estou falando da moto, filhote”, e meu irmão completou “verdade, também ia te pedir o mesmo”, e logo em seguida minha mãe gritou “Queee moooto?”.
Conclusão:
Tenho 31 anos, meu irmão tem 29, meu pai tem 49, e todos tomamos tapas, beliscões, porradas, puxões de orelha, da minha mãe e da minha cunhada, eu por ser o culpado de tudo, levei inclusive chineladas da minha mãe, com os meus próprios chinelos.
Quando escrevo aqui que gostaria de voltar à minha infância, não era à isso que me referia, mas tudo bem, eu mereci.
Então passado um tempo, enquanto fazia um inventário dos meus hematomas, conversei comigo mesmo e disse:
“Dá próxima vez, penso melhor antes de fazer algo que vá desagradar a minha mãe!”

 

 

 

Gill Nascimento

Pedido do Leitor… Mães & TPM!

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
A vida corrida e problemática continua, a inspiração anda faltando, mas estou aqui e não desisto.
Recentemente recebi uma DM de um seguidor do Twitter, que sempre lê meus textos, e disse que tem sentido falta dos meus textos humorísticos, no estilo Standup, e pra minha felicidade, ainda sugeriu um tema.
Ele pediu que eu escrevesse sobre uma mistura super explosiva e perigosa: MÃES & TPM.
Se eu soubesse na minha adolescência, e até mesmo na minha infância, o que sei hoje, com certeza teria sido um filho muito melhor. Mentira. Teria apenas evitado aprontar durante ao menos 7 dias por mês, só pra garantir minha segurança.
Meu pai, apesar de não sermos muito próximos, me ensinou muitas coisas sobre o universo feminino, mas não entendo como ele não me preveniu sobre isso. Deveria ser obrigação de todo pai, ensinar seus filhos homens a como lidar com as mulheres em sua vida, durante o período menstrual, principalmente as mães.
Fico lembrando de algumas brigas totalmente sem sentido que tive com a minha, e hoje entendo, foi a maldita da TPM.
Lembro uma vez, em que ainda morava com a minha velha, e que perguntei se ela sabia onde eu tinha deixado minha carteira, pois não conseguia encontrar. E de repente o inferno subiu para a terra.
(Tentarei transcrever mais ou menos o que minha velha me falou, escreverei respeitando as pontuações, mas se quiser ler tal como ela me falava, ignore vírgulas e pontos finais)

“- Meu Deus, eu tenho uma casa inteira para cuidar e ainda trabalho fora, e não tenho problemas, mas você não consegue cuidar de uma carteira?
– Aposto que se eu procurar eu encontro em menos de um minuto, mas não vou, e sabe porquê?
– Porque sei que vai sair pra farrear com aqueles seus amigos vagabundos, então  não, não vou procurar a porra da sua carteira, procure você, e não ache, assim quem sabe não saia, e fique em casa ao invés de ir beber com aquele monte de drogados.
– Mas eu te conheço, se não achar sua carteira, então lembrará que sou sua mãe, e que mereço respeito e carinho, e virá com uma voz mansa me pedir dinheiro, porque nessa hora eu sou mãe, nessa hora lembra que eu tenho utilidade.
– Quero saber como vai ser no dia em que eu morrer. Quem vai te dar dinheiro quando você perder a porra da sua carteira no meio da sua bagunça que você chama de quarto? Quem vai lavar as roupas que você usa pra sair e impressionar aquelas putas com as quais você anda? Quem? QUEM?
–  Aí eu quero só ver o que vai fazer. Vai lá no meu caixão tentar me acordar pra pedir esses favores?
(lágrimas começam a surgir nos olhos dela e a voz começa a embargar)
– Porque eu só presto quando você precisa, mas eu não sou sua empregada, nem sou um dos seus amigos vagabundos, e nem uma daquelas putas que vive batendo no nosso portão. Eu sou a porra da sua mãe, e mereço respeito agora. Mas você é como seu pai, é homem, e não sabe dar valor a uma mulher. Não quero ser lembrada como mãe só depois que eu morrer.
(Então ela pausou para respirar, porque não havia feito isso enquanto falava, respirou fundo, e pareceu recuperar magicamente a calma, e então se virou para sair do  cômodo, mas parou, voltou e falou com a voz mais calma do mundo, como se nada tivesse acontecido e de repente eu tivesse voltado a ser seu bebê)
– Sua carteira filho? Você esqueceu na calça e eu tirei antes de lavar, coloquei na sua primeira gaveta. Você vai sair? Tem dinheiro suficiente?
– Desculpa sua mãe tá? É que eu tive um dia de bosta!”

Lembro como se fosse hoje, que naquele dia pensei em duas opções: ligar para um sanatório ou fugir de casa.
Eu não podia falar nenhum palavrão que já tomava chinelada ou tapa mesmo, na verdade ainda não posso, mas todos os palavrões que eu sei, aprendi nessas crises da minha mãe. Dava para escrever um Aurélio só de  palavrões nessas ocasiões.
E volto a bater na mesma tecla: como meu pai pode não ter me ensinado isso? Me prevenido sobre a TPM? Me deixar crescer sem saber de tal perigo?
É como ter uma arma em casa e não avisar para seu filho que é perigoso e que eles não podem mexer.
Eu fui um adolescente que deu muito trabalho para os pais, e presenciei muitas crises da minha mãe, desse mesmo tipo, e só depois dos 18 anos entendi: foi a maldita da TPM.
Tantos hematomas poderiam ter sido evitados, tantas dores de cabeça devido horas de sermão poderiam nem ter existido se meu pai tivesse me ensinado sobre os perigos de apenas três letras.
Mas acho que isso faz parte do processo de ensino dos filhos. Eu acho que o pai pensa na hora que o moleque está crescendo:
“Se eu for ensinar pra esse moleque sobre a TPM, depois terei que ensinar todo o resto pra ele, terei que me meter mais no meio da educação, dar sermões, meter medo, fazer ele obedecer e respeitar a mãe dele e eu mesmo. Por outro lado se eu não avisar nada, ele vai passar pelo que eu passo todo mês, vai se cagar de medo da louca da mãe dele, e vai obedecer com muita facilidade. Deixa essa merda assim, menos trabalho pra mim!”

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Gill Nascimento

As 5 Mais… Bordões Maternos!

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Mais uma terça, mais um texto da categoria “As 5 Mais”, hoje atendendo o pedido da seguidora Patrícia no Twitter. O tema de hoje são aqueles bordões maternos.
Cada mãe tem sua fala em particular, mas existem aquelas falas que fazem parte do dia a dia de todas em geral, vamos destacar As 5 Mais hoje.
Aproveita aí e mostra pra sua mãe, ou manda o link para ela com alguma piadinha, aposto que ela vai adorar, a minha gostou e riu bastante. E se você, querida leitora, já tem filho ou filha, mostre para eles também, e descubra se você se encaixa no perfil tradicional materno.
Então vamos as 5 mais ditas das falas das nossas queridas mamães:

1° FALA

“Você não é todo mundo!”
Qual filho ou filha nunca escutou isso?
Eu ficava indignado com a minha mãe quando ela falava isso, lembrando desse tempo, ela comentou que minha justificativa para tudo, era que “todo mundo ia”, “todo mundo fazia”, “ todo mundo podia”, e que por isso ela falava isso.
Aí eu comentei, que na maioria das vezes era verdade, e que se não fosse as minhas fugas esporádicas, eu seria um recluso adolescente, o diferente da turma. Senti um pouco de arrependimento no olhar dela por ter sido tão durona na minha infância. Mas a verdade é que todos os meus amigos diziam a mesma coisa para suas mães, que diziam a mesma coisa para eles, e no final a grande maioria acaba dando suas escapadas para poder se divertir.

2° FALA

“Se eu for aí e encontrar, você vai ver!”
Minha mãe era a campeã nessa fala, até porque eu era, e ainda sou, o campeão em perder as coisas dentro de casa.
Pra mim era uma lógica simples: se não está onde eu deixei, foi minha mãe que guardou em outro lugar, pois é ela que arruma tudo.
E muitas vezes estive certo, mas na grande maioria fui eu mesmo, e não lembrava onde tinha deixado as coisas. Mas era sumir algo e eu gritar pra ela perguntando se ela sabia onde estava. Aí ela gritava da cozinha que estava onde eu tinha deixado, eu gritava de volta do quarto, que não estava não.
E ficava assim, um gritava de lá e o outro de cá, até que ela perdia a paciência e soltava essa bendita dessa fala mágica,  porquê era ela falar, e eu de repente achar o que procurava.
Comprovado, o medo realça a nossa memória.

3° FALA

“Um dia você vai acordar e não vai me encontrar, aí eu quero ver…”
O golpe baixo das discussões entre mãe e filho(a) era esse. Discutir com a mãe é certeza de derrota, mas quando  você, por acaso, encontra argumentações válidas, e de repente a tão rara vitória parece se aproximar, sua mãe resolve apelar e soltar esse bordão.
Essa frase é mais comum na fase adolescente, e eu fui um adolescente que deu muito trabalho mesmo, minha mãe usava muito esse bordão também.
E eu sei que a sua mãe também já falou, e que algumas vezes ela propositalmente embargou um pouco a voz, para dar aquela impressão de início de choro, pra você não pensar duas vezes antes de jogar a toalha.

4° FALA

“Quando você tiver filhos, eles vão fazer com você o mesmo que você faz comigo!”
Até hoje não entendo muito qual o efeito que elas esperam obter com essa frase. Será que alguma vez isso funcionou com algum filho?
Lembro que a primeira vez que minha mãe me falou isso eu respondi: “Tomara, adoraria ter um filho maravilhoso como eu!”.
Mas naquela cabecinha linda e materna delas, elas acham que nós concordamos com elas nisso de não sermos bons filhos. Sabe de nada inocente.

5° FALA

“Eu vou contar até três, se você não entrar…”
Essa é de longe a que a minha mãe mais usava, e a mãe dos meus amigos também.
Eu sou da época em que umas chineladas não era crime, e sei que merecia cada uma das que levei, e foram muitas. Minha mãe, lembro como hoje, por duas vezes ao comprar Havaianas (daquelas com o solado e correia azuis, e em cima branca), ela comprou uma 36, para uso próprio, e outro par 44, para uso no meu irmão e em mim.
A posição corporal das mães na hora de soltar esse bordão e iniciar a contagem, é praticamente igual em todas, o chinelo na mão boa, e o corpo próximo ao batente da porta ou do portão, pra não ter erro quando a cria passar correndo.
O problema é que muitas vezes elas trapaceavam, mesmo que passasse antes do três, ainda assim o chinelo chegava a chiar no ar com o movimento rápido.

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É isso por hoje galera, espero que tenham gostado. Aliás, peçam seus temas para a categoria, esse era o último pedido que tinha aqui, fiquem a vontade, será um prazer receber temas para “As 5 Mais”, de vocês.
Tenham um ótimo dia.

Abraços!

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Gill Nascimento

Papo de bar, assunto: Mãe!

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Sabe, eu gosto muito dessa categoria ‘Proseando’, quando escrevo algo pra essa categoria, me imagino num papo de velhos amigos num bar, relembrando as velhas e mais bobas histórias do passado.
As mesas dos bares são verdadeiras máquinas do tempo, você pega um bom amigo de infância e senta em uma e peça um drink, vai entender o que estou dizendo. Um dia desses estava com um amigo meu tomando um chopp e botando o papo em dia, depois de algumas canecas, começamos a lembrar do passado, mais especificamente das nossas mães, e das mães dos nossos melhores amigos da época.
Mães são assuntos sempre que rendem boas risadas, porque são tão diferentes umas das outras, mas no fundo são tão iguais, acho que se tirar o corpo e deixar só a alma, ninguém conseguiria diferenciar umas das outras.
Eu até hoje chamo as mães dos meus amigos de tia, graças a Deus tenho contato com 90% dos meus amigos de infância e com suas famílias. Então posso falar com propriedade, elas continuam iguaizinhas.
Lembrei de como minha mãe era com meus amigos, de como eles tinham mania de dizer que ela era a melhor de todas, e não é porque é a minha mãe, mas ela é muito gente fina mesmo. Minha mãe era o tipo de mãe que não conseguia dizer não para os meus amigos, então sempre que eu queria sair, era só pedir pra um amigo pedir pra ela, cansei de fazer amigos pedirem pra ela deixar eu ir em lugares que eles nem foram comigo. Minha mãe tem um diferencial das outras mães, mais ou menos, toda mãe acerta na hora de comentar o que acha de uma amizade, as que prestam e as que não prestam, minha mãe errou em todas, ela implicava com as boas influências, e amava os meus amigos sem caráter.
Indo mais afundo, do começo da adolescência pra lá, lembrei das comédias de quando ela estava com raiva. Em frente de casa tinha uma creche Municipal enorme, com uma árvore em frente a entrada, sempre que eu passava da hora de entrar pra casa, ela ia nessa árvore, tirava um galho, pacientemente arrancava folha por folha, e mesmo que se eu não estivesse à vista ela começava a contar até dez para eu entrar. No cinco eu já estava dentro de casa tremendo como se estivesse nu no Polo Norte e tomando um sorvete. Ela nunca bateu em mim com um desses galhos, mas nunca tive coragem de arriscar quando a contagem começava.
Esse meu amigo e eu lembramos de como era engraçado o que era educação pras nossas mães. Não que elas estivessem erradas, mas elas exageravam. Lembrei que certa vez, no aniversário de um amigo meu, não lembro de quantos anos eram, como era bem perto de casa ela não quis ir, deixou que eu fosse sozinho, mas antes teve que dar todas as instruções:
– “Filho, não fale palavrão, sempre fale por favor e obrigado, lave as mãos ao sair do banheiro e não coma muito, porque você não está passando fome pra fazer isso, e também é falta de educação!”
Que criança de até 12 anos vai em uma festa cheia de doces, salgados e bolo e não vai comer até não aguentar mais?
Esse meu amigo lembrou de uma parte que o tempo me tinha feito esquecer, ri muito por isso, nossas mães tinham a mania de pedir que os cabeleireiros contassem nosso cabelo igual aos dos seus ídolos, sofri muito bullying por isso, e ele também. Tenho um irmão e ele é apenas 2 anos mais novo que eu, pensa em duas crianças que usaram durante um bom tempo o mesmo corte de cabelo do Chitãozinho e do Xororó. Bem, essas crianças éramos nós, e vocês devem concordar que aquele corte que eles usavam nos anos 80 e 90 era muito feio. Meu amigo por sua vez, ostentou por mais de um ano o mesmo corte do Fábio Jr.
Lembramos também de como era engraçado que, as comidas gostosas elas só faziam quando a gente tinha algum amigo almoçando ou jantando com a gente. Quando não tinha nenhum amigo, meu irmão e eu éramos obrigados a comer verduras e legumes, nada de frituras, só o que ela considerava saudável pra gente, mas quando tinha um amigo, os legumes refogados davam lugar as batatas fritas, as verduras estranhas davam lugar ao alface com tomate que toda criança ama, o bife de fígado magicamente virava um bife de contra filé. Era muito normal a gente sempre dar um jeito de um almoçar na casa do outro.
Esse meu amigo e eu demos muito trabalho pras nossas mães na nossa adolescência, hoje como pai e irmão mais velho de uma adolescente de 15 anos que ajudei a educar, sinto até arrependimento pelas coisas que fiz, mas ainda assim renderam boas lembranças e muitas risadas. Certa vez, quando tinha 15 anos e tocava em um Grupo de samba, saí com meus amigos e cheguei de madrugada, quase de manhã, foi o dia em que tomei meu primeiro porre de verdade, quando cheguei minha mãe e mais cinco mães de amigos meus, unidas me esperavam na calçada de casa, quando minha velha sentiu o cheiro de bebida e cigarros em mim, me deu um tapa na cara que rodei igualzinho o seu Madruga roda quando a dona Florinda lhe bate, com a diferença de que caí de bunda no asfalto.
Depois dessa ocasião foi marcação serrada, e aquilo dos amigos pedirem pra ela deixar eu sair com eles, já não colava mais.
Meu amigo e eu conversamos durante mais de 5 horas relembrando, só paramos porque o bar ia fechar.)
Hoje tenho 30 anos, uma filha de 6, minha mãe continua a mesma, briga comigo e me repreende sempre que acha que mereço, opina na minha alimentação, na minha vida social, nas minhas relações, até na maneira como me visto, e quer saber do mais? Eu amo muito tudo isso. Ela só se transforma na melhor mãe do mundo quando assume o papel de avó, mas desses benefícios, meu irmão e eu não conseguimos tirar nenhum proveito, só nossas filhas mesmo. E sabe as mães dos meus amigos? Pois é, até hoje elas continuam me minando quando apareço pra fazer uma visita, assim como a minha mima os meus amigos.
Olhando por outro lado, acho que tive, e em certo ponto, ainda tenho várias mães, e isso me deixa feliz e com uma saudade nostálgica gigantesca.

Abraços

Gill Nascimento