Papo de Bar… Passando vergonha com a namorada!

A vida é caprichosa, e gosta de nos presentear com as mais chatas ironias, e um grande exemplo, é como todo homem um dia encontra uma mulher que curte algo que vai de encontro a algum ponto fraco seu, ocasionando constrangimentos e, algumas vezes, a perda da famosa pose de machão.
Pensando nesse assunto e aproveitando o alto teor etílico que circulava no corpo e na mente dos meus queridos colegas de trabalho, levei o tema para uma mesa de bar, e com muitas risadas descobri algumas histórias bem embaraçosas deles, e contei algumas minhas também, e até o final desse texto decido se acrescento a minha colaboração ao texto, ou não.
Claro, que analisando de um certo ângulo, essas mulheres são ótimas para nós homens, pois em quase todos os casos que citamos durante o Papo, graças a elas, os medos foram vencidos.
Um dos meus colegas contou que quando conheceu sua esposa, teve que lidar com ela e todo o amor que tinha por aventura e adrenalina, principalmente envolvendo altura, ela amava escalar, adorava parques de diversões com aqueles brinquedos radicais, e tinha uma paixão desmedida por asa delta. E ele por sua vez evitava ficar próximo a beirada das lajes em dias de churrasco, por simplesmente não suportar altura.
Aí entra o defeito de quase todos os homens, e me incluo nesse meio, não admitimos nossos medos, pintamos um homem cem porcento destemido para nossas mulheres, e nem eu mesmo sei o porquê disso.
Esse meu colega sofreu muito no início do relacionamento, certa vez ele travou nos primeiros quinze metros de uma escalada no Rio de Janeiro com a namorada, e deu a desculpa de que estava ajeitando o equipamento de segurança. Em outra ocasião gritou como um gay no show da Madonna, numa atração do Playcenter, e inventou pra namorada que fez só pra se divertir.
O engraçado é ele acreditar que ela acreditou nas suas péssimas mentiras. Ela é mulher, ela sabe.
Outro colega lembrou como sofreu com a sua esposa no início da relação, pois ela era uma baladeira nata, e ele era mais tranquilo, e muito, mas muito fraco mesmo pra bebida, enquanto ela por sua vez era famosa pela resistência alcoólica. Chegava o fim de semana, ele queria um domingo de filmes no sofá, e ela queria uma noite de sábado regada a drinks e muita música eletrônica, ele queria uma taça de vinho, no máximo duas, e ela queria doses e mais doses de tequila.
O problema é que ele nem mencionava suas preferências, e então encarava as dela, e usava sempre a mesma desculpa de que ia beber pouco porque teria que dirigir, o que é mais do que um motivo muito justo. O problema era quando ela resolvia chamar um táxi para ambos poderem se divertir, dava um trabalho enorme para ele fingir que estava bebendo tanto quanto ela. Com o passar do tempo, balada por balada, e de dose em dose, ele acabou aumentando sua resistência, mas até então, já tinha certeza que a namorada tinha se tocado, e certa vez, numa reunião de família, ela insinuou que desconfiava que grande parte da felicidade dele, quando ela engravidou antes mesmo de casarem, foi pelo fato de ter sido obrigada a sossegar.
O terceiro exemplo eu me compadeci, pois sofri muito com isso quando comecei a trabalhar na área de publicidade.
O terceiro colega lembrou o azar que teve de se apaixonar por uma mulher que ama viajar, sendo que ele tinha simplesmente pavor de aviões.
Logo no início do namoro viajaram juntos para Nova Iorque nos Estados Unidos, e ele pra não passar vergonha engoliu uma dose cavalar de calmantes na hora do embarque. Não lembra nem de ter colocado o cinto antes do avião decolar. E o pior é que a esposa dele não gostava apenas de viajar, ela amava aviões também, então ele teve que lidar com a decepção dela, quando ele simplesmente apagou no vôo. Na volta ele teve que voltar acordado, se cagando de medo, mas tentando disfarçar.
O mesmo aconteceu seis meses depois numa viagem para Porto de Galinhas, e outros 5 após, para Lençóis Maranhenses, hoje em dia ele não tem mais problema com aviões, e ela perdeu o gosto pelas aventuras.
Eu por minha vez, tinha um problema muito grande com a minha imaginação, o que me causava vários problemas quando o assunto eram filmes de terror, na hora do filme eu nem me assustava tanto, o problema depois eram os pesadelos. Eu não conseguia dormir. E quem rir de mim não vai para o céu.
E pro meu azar, certa vez arrumei uma namorada que simplesmente era fascinada por filmes de terror, ela gostava tanto ao ponto de ir duas vezes ou mais no cinema, pra assistir o mesmo filme.
No início eu tentava aproveitar que ela não estava nem aí pra mim, e nem prestava atenção nos filmes, mas o sexto sentido feminino é demais, ela começou a perceber, aí entrou em ação outro dom feminino, o de fazer duas coisas ao mesmo tempo, e com excelência, ela assistia o filme, e confirmava se eu estava assistindo também. Perdi as contas de quantas noites de sono eu perdi, e quado ela ia dormir no meu apartamento era ainda pior, tenho certeza que ela ligou os pontos, mas de mim ela nunca ouviu uma confissão.
Hoje em dia eu não tenho mais esse problema, e sou fissurado em filmes e livros de terror, acho até que deveria ligar para ela e agradecer.
Então vai aí algumas dicas para os meus amigos leitores do sexo masculino, assumam seus medos e evitem problemas, ou então não assumam, e se livrem deles na marra, graças ao vosso orgulho, mas o melhor mesmo é procurar uma mulher que não goste daquilo que você odeia.

 

 

 

Gill Nascimento

Papo de Bar… O Desafio está aceito!

Estava eu na última sexta em Buenos Aires num bar memorável, por ter cerveja sempre gelada, whiskies da minha idade e um ambiente agradável, quando um colega mencionou gostar do Blog e os assuntos que puxo para nele postar, e nisso eu perguntei:
“Você por acaso já entrou na internet, para ler algum dos meus Papos de Bar?”
Ele foi sincero e disse que não, e eu achei isso nem um pouco legal, e mencionou uma série que assistiu, onde tinha um capítulo todo rimado que ele achou sensacional, e disse que se tornaria fã do meu Blog, se eu escrevesse um texto do mesmo jeito, e eu citando um bordão do mesmo seriado, respondi:
“O desafio está aceito!”
Quando ele me propôs esse estímulo, com certeza não sabia o que fazia, não tinha ideia que comecei a deslizar minha caneta pelo papel, escrevendo poesias. Ele nem se surpreendeu por eu ter aceitado com tanta rapidez, e ao invés disso perguntou:
“Qual é o assunto dessa vez?”
Não havia pensado nisso, além de escrever rimando, eu precisaria de um tema, isso sim seria um pouco difícil, e então eu me vi diante de um dilema, mas se era pra ser desafiado, que graça teria se não me arrancasse suor?
Foi então que me veio à mente:
“Desafios, para quê um tema melhor?”
Vivemos num mundo onde todos os dias constantemente somos desafiados, às vezes nem percebemos, a vida costuma ser tão difícil, que já ficamos acostumados. Somos fortes e capazes, e às vezes deixamos isso passar, nem percebemos o quanto lutamos, para um simples dia superar.
Engraçado como ficamos preocupados quando surge um desafio que foge do normal, se tivéssemos consciência da força que temos, nosso psicológico não ficaria tão mal. Perguntei para um colega, se ele tinha conhecimento de sua própria força:
“Se tenho, desconheço, mas se diz que possuo, que Deus te ouça!”
Coitado de mim que falo com se fosse um especialista na matéria, na verdade eu sou igual a todos. Conhecer minha capacidade? Quem me dera!
Quantas vezes em nossa vida nos deparamos com um  problema que nos trás descrença, e antes mesmo de encará-lo já profetizamos nossa própria sentença.
A verdade é que geralmente, dificilmente acreditamos na nossa eficácia, e se duvidamos de nós mesmos, pra quem sobrará tamanha audácia?
Meu avô sempre dizia: “Geralmente somos nós mesmos o nosso pior oponente!”
Agradeço à Deus todos os dias, por ter guardado seus conselhos em minha mente. Pois o que ele disse, nada mais é que uma simples e pura verdade, pois somos nós que impomos nossos limites, nos transformando em meros covardes.
O limite, na maioria das vezes, nada mais é que uma desculpa para nossa covardia, mas quando não temos tempo para sentirmos medo, os limites não existem no nosso dia. Geralmente somos corajosos quando não temos tempo nem a opção do contrário, e então vencemos a luta, por não termos nós mesmos como adversário.
Outro colega comentou, que faz isso com muita frequência, desistir antes mesmo de tentar, desconhecendo sua própria eficiência, mas que em outra vezes, por não ter opção, superou obstáculos muito maiores, fazendo ele perceber, que não ter escolha, tornam assim as coisas mais fáceis e melhores.
E essa é a verdade, ter opções, às vezes, nos deixa meio acomodados, melhor seria se no caminho da vida, não pudéssemos olhar para os lados.
Espero que tenham gostado do texto, pois confesso, foi um desafio difícil de ser completado, mas adorei escrevê-lo, tanto quanto adorei ser desafiado!

 

 

 

Gill Nascimento

Papo de Bar… Balada GLS!

Na última sexta-feira, dia em que trabalhei até quase meia noite e saí merecidamente direto para um bar, estava na dúvida se puxaria algum assunto para o texto de hoje, ou se só encheria a cara, reclamaria e relaxaria.
Incrível como toda sexta parece que o expediente se estende, parece que é o destino movendo seus pauzinhos para que a gente não saia para beber após o término do trabalho, mais incrível é como ele ainda não percebeu o quanto esse tiro sai pela culatra.
Mas enfim, nem precisei pensar num assunto legal pra depois vir e postar aqui, até porque rolou uma conversa bem engraçada que achei que seria legal compartilhar.
Logo após chegarmos no bar, um conhecido de um dos meus colegas, que também estava por lá, mas já de saída, nos convidou para ir com ele em um balada GLS de Buenos Aires, para onde estava indo naquele exato momento, e arrancou um não cheio de argumentos, não homofóbicos, mas firmes, de um dos meus colegas, nisso um outro colega que, aliás, é homossexual e estava com a gente, olhou para mim e para o quarto colega do grupo, riu cúmplice, e disse:
“Will, você não sabe o que está perdendo quando nega um convite como esse, mas nem vou te dizer, deixo isso para os dois héteros da mesa, acho que nesse caso eles terão mais credibilidade contigo!”
E então começamos a explicar para ele:
“É o seguinte, numa balada comum, quando você chega em uma mulher, você sempre corre o risco de tomar um fora logo de cara, porque de cada cinco mulheres, quatro estão ali apenas para se divertir, se distrair, dançar e relaxar, ou podem ser comprometidas, e não querem nem saber de homens para atrapalhar isso, e apenas uma vai estar procurando um homem, e ainda assim você corre o risco de não agradar.
Enquanto isso numa balada GLS, ao contrário do que sua mente pequenina pensa, vai ter mulheres sim, e todas elas estarão pensando apenas em se divertir, dançar, curtir, beber e relaxar, sem homens para atrapalhar, mas a aproximação é bem mais fácil, porque até então pra elas você é gay, claro que tem umas que notam de cara que você não é, então melhor dar preferência aquelas que já estão em estado etílico um pouco mais avançado.”
Nisso ele perguntou:
“E não dá no mesmo? Quando eu falar que sou hétero vou tomar um fora da mesma maneira!”
E continuamos a explicação para o colega de mente pequena:
“Que graça teria se não tivesse um pouco de trabalho? A diferença entre as duas baladas é que em uma a aproximação é cortada logo de início, digamos que as mulheres nem se dão a chance de saber o que estão perdendo, enquanto isso na outra, se não houver de cara a identificação da sua opção sexual, você vai poder conversar, ser simpático, fazer ela rir, mostrar que é um cara legal e uma companhia agradável, até ela descobrir que você não é gay.”
Ele começou a captar a mensagem, então pra garantir, citei um exemplo que aconteceu comigo uma vez, em que fui numa balada GLS acompanhando uma turma do trabalho, em que, inclusive, também estava o colega gay que participou desse Papo de Bar:
“Dá última vez que fui em uma balada assim, conversei durante um bom tempo com uma mulher linda, e ela até pagou bebidas para mim, e chegou um momento em que ela disse que estava ali justamente para se divertir sem ter que ficar a noite inteira se desvencilhando das investidas de homens, mas que se eu não fosse gay ela ficaria comigo com certeza, porque eu era um cara muito legal e divertido, e uma companhia incrível, e a cara que ela fez quando eu disse ser hétero, foi simplesmente impagável. E sim, rolou!”
Naquele momento eu pensei que ele pediria o telefone da dita mulher que fiquei na balada, para confirmar a história, mas na verdade ele pediu o telefone do nosso conhecido argentino, pra ver se ainda dava tempo de ir na balada GLS.
E foi assim que tiramos o preconceito e o pré conceito de um homem.
Só esquecemos de falar pra ele sobre o risco de descobrir como as mulheres que ele canta nas baladas se sentem quando precisam ficar dando foras nos homens, achamos melhor ele descobrir sozinho.

 

 

 

Gill Nascimento

Papo de Bar… Casais e seus apelidinhos!

Existe algo no mundo do relacionamento que as mulheres fingem não saber que existe, mas sabem, e isso é a vergonha que o namorado sente de ser na frente dos amigos o cara que ele é quando estão à sós.
Claro que existem homens que não vêem problema nisso, mas a grande maioria, dependendo de como for a relação, gostaria de enfiar a cara na terra igual a um avestruz quando a parceira age na frente de todo mundo como se eles estivessem sozinhos.
E não, moças, antes que me julguem, não é vergonha da relação, da namorada, ou até mesmo machismo, é apenas vergonha mesmo, tem situações que a gente até sabe administrar, mas em compensação tem outras que na frente dos amigos diminui e muito (na nossa mente) a nossa masculinidade, e prezamos muito isso.
Quando acontece e o casal está junto, até que aguentamos, antes a zueira dos amigos do que a calça jeans da namorada na cama, agora por telefone é sacanagem, e existem mulheres, que creio eu, cientes disso, fazem de propósito.
Tocamos nesse assunto no bar porque vimos uma situação dessa acontecer, e mesmo tendo sido em espanhol, foi engraçado.
Parece que acontece mais ou menos assim: o cara tem uma namorada que diz ser desencanada e nenhum pouco insegura e ciumenta, então não liga que ele saia com os amigos de vez em quando, e quando isso acontece ela simplesmente espera dar o horário necessário para já estarem na segunda rodada de bebidas, onde a zueira é garantida, e liga pra ele pra ver como as coisas estão, e fazer ele falar aquelas coisas que geralmente só fala quando estão sozinhos, inclusive aqueles apelidinhos ridículos que não dá pra falar sem uma voz infantil.
E após essa ligação ele se torna a atração entre os amigos nos trinta minutos seguintes, ou mais até.
Isso chega a ser cruel, tão cruel, que um amigo disse preferir mil vezes uma mulher ciumenta capaz de ir no bar pra garantir que o marido/namorado não esteja aprontando, do que essa “castração moral” na roda de amigos, até porque não tem como evitar, coitado do cara que não agir conforme manda o figurino quando a mulher liga e pergunta com voz infantil: “Que horas você volta meu Ursinho, tô com saudades, você também tá com saudades da sua Dindinha?”.
Lembro até hoje da vez que descobrimos, num bar, devido a uma dessas benditas ligações, que o apelido carinhoso da namorada de um amigo nosso era “Dindinha”, e o dele era “Ursinho”, o cara não teve paz durante o resto da noite, e essa ligação ocorreu antes das 22 horas. Na verdade eu mesmo passei o mês inteiro chamando ele de Ursinho, o que o deixava indignado.
Claro que dá pra disfarçar e sair de perto dos amigos da onça, e atender a ligação, mas acredite, tem que ir bem longe, porque um deles vai prestar atenção, e quando perceber que vai render boas piadas, fará todos os outros prestarem atenção também, e quando você percebe, já é tarde demais.
Pensando bem, isso já aconteceu comigo, e também passei mais de um mês sendo chamado pelos meus amigos de “Bizuquinho”, e eu queria morrer toda vez que isso acontecia. Porque não basta falar com voz de criança, tem que responder as perguntas se mencionando na terceira pessoa, tipo “daqui a pouquinho seu Bizuquinho vai embora, tá minha Neném?”, e isso é o prego no caixão da moral do homem na roda de amigos.
A pior parte mesmo é que dificilmente a gente consegue obter uma vingança, porque a primeira coisa que a gente pensa quando os amigos nos pegam pra Cristo, é em fazer a mesma coisa com cada um deles, mas quando acontece com um, os outros ficam e espertos e evitam de qualquer maneira uma situação igual. Nem todo mundo é idiota como eu. (risos)
Mas a maioria dos homens já teve uma mulher assim, que possui essas manias de por apelidinhos ridículos, falar com voz infantil, e que espera retribuição da mesma forma, e ai do homem que não retribuir.
Um amigo mencionou um fato até interessante, ele namorou numa época uma garota que dava vontade até de chamar de brother, de tão legal que ela era, quando ele saía com os amigos, ela ligava era pra pedir pra ele levar cerveja pra casa quando voltasse, e coisas desse tipo, menos na TPM, quando chegava essa bendita fase, ela se transformava na namorada fofinha e carente, que fala com voz de criança e coloca apelidinhos. E o pior de tudo era que todo mês, durante benditos 5 ou 6 dias, ela arrumava um apelido diferente pra ele. Foram três anos e ela nunca repetiu um apelido, segundo ele.
Quando isso acontece pessoalmente, os amigos dificilmente tiram sarro, até se compadecem, nos ajudam a fugir e ficar bêbados, além do fato de que zuar pode ser um perigo, vai saber o tamanho das garras da “gatinha manhosa”, e a leoa que ela esconde bem lá no fundo, não é mesmo?
Viramos a madrugada falando desse assunto e demos boas risadas relembrando alguns apelidos que já tivemos, ou que conhecemos devido amigos que tiveram, ou até mesmo ainda têm, mas acho que de todos, o meu Bizuquinho era de longe o pior.

 

 

 

Gill Nascimento

Papo de Bar… Duas Metades!

Todos já ouviram expressões como “as duas metades da laranja”, “minha cara metade”, “almas gêmeas”, entre outras, das quais agora não me recordo, por estar escrevendo esse texto meio alto após chegar do Papo de Bar, e com certeza sabem que tais expressões são usadas quando se referem a casais apaixonados, que pretendem passar o resto de suas vidas juntos.
Bem recentemente, ouvi uma opinião sobre o assunto, com a mesma base de pensamentos, mas um formato diferente de pensar, e eu, ao menos, ainda não tinha ouvido nada do tipo, e acabei levando isso para a mesa onde meus amigos e eu nos reunimos.
Geralmente quando falamos de casais que nasceram um para o outro, são muito usadas as expressões que citei lá no início, se referindo ao fato de que esses casais são perfeitos um para o outro por se completarem, por possuírem em cada um aquilo que falta no outro, como se fossem mesmo um a tampa e o outro a panela, ou cada um uma metade.
Mas será que é a forma correta de ver as coisas mesmo?
Tudo bem, é belo, é romântico, mas será que dá pra deixar mais funcional sem perder o romance?
Aparentemente sim.
Primeiro vejamos o lado negativo dessa versão: Se cada um é uma metade, e juntos formam um só, quando se separam voltam a ser metades, e é isso que geralmente torna o fim de uma relação algo tão difícil.
Agora citando um amigo meu, que já estava meio alto também:
“E se ao invés de a tampa surgir e só tampar, ela ensinasse a panela a se tampar sozinha quando fosse necessário, e vice e versa? Não seria bem melhor?”
Ignorem a metáfora bêbada, mas se prendam ao conceito da ideia, sim, existe a outra metade de cada pessoa por aí, mas não para oferecer e ser aquilo que nos falta, e sim para nos ensinar a ser completos.
Não devemos depender, devemos aprender, aprender a nos completar, e se depois transbordar, deixa que transborde, melhor sobrar do que faltar.
Isso de que duas metades se unem para se tornar uma só chega a ser meio estranho, 1 é ímpar, e um número ímpar de romântico não tem nada, tem que ser dois, não com um algarismo apenas, mas 1+1, dois algarismos que fiquem lindos e combinem juntos, que se completem, mas que continuem sendo dois.
Outro amigo disse o seguinte:
“A gente, estando inteiro, já corre o risco de entrar numa relação e sair dividido, entrar como metade, sentir o gosto de como é ser inteiro e depois ter que voltar a ser metade é sempre uma barra. Depois é como um processo de desintoxicação de algum vício, lento e muito doloroso!”
A gente não tem que ser aquilo que falta em ninguém, só precisamos ter para doar, ao invés de emprestar.
Sempre gostei muito da expressão “almas gêmeas”, mas nunca entendi como seu significado informal pode ser “pessoas que se completam uma a outra”, porque se são gêmeas, são iguais, e se são iguais, uma não tem nada em si que a outra precise.
Quando mencionei isso, meu primo voou longe nos pensamentos:
“Talvez se tornam almas gêmeas depois de terem sido duas metades, que ensinaram uma a outra a se completarem, e completas se tornaram iguais, gêmeas, talvez tudo não passe de um processo cheio de fases, num sentimento que de simples não tem nada!”
A verdade é que ninguém nasce completo, somos todos frascos pela metade, esperando alguém que contenha a mesma essência que nós, que nos complete, sem precisar se esvaziar, porque creio eu que o amor não venha a ser um sacrifício, mas sim uma doação.

 

 

 

Gill Nascimento