Vem com tudo 2016!

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Mais um ano se acabou, enfim 2016 chegou, e a pergunta que fica é: E daí?
O que me importa se mais um ano chegou, se todas as expectativas que ele trás, e tudo aquilo que eu espero dele, só acontecerá se eu suar minha camisa, e correr atrás?
Todos os anos são iguais, a única diferença entre eles são os números que os representam, e o número de trabalho que teremos para que um seja melhor que o anterior.
Um amigo me perguntou quais as metas que eu tinha para esse novo ano, e eu respondi com apenas uma palavra: SOBREVIVER.
Eu até esperaria algo mais desse novo ano. Mas de um jeito ou de outro terei que trabalhar, talvez ainda mais, ainda terei contas para pagar, talvez ainda mais, ainda terei do que reclamar, e pelo andar da carruagem, com certeza mais. Então para quê falsas expectativas, não é mesmo?
Novos anos trazem muitas vontades de mudar, de progredir, de melhorar, de evoluir, mas as atitudes a gente continua precisando buscar dentro de nós. E isso as vezes dá uma baita de uma preguiça.
Aí tem gente que fala que sou muito pessimista. Mas eu nunca neguei isso, eu sou mesmo, mas esse é um caso de realismo mesmo. A realidade anda tão dura que, o realismo tem sido confundido e, às vezes, substituído pelo pessimismo. E um faz muito bem o papel do outro, sem que diferenças sejam notadas.
Mas como todo humano normal, dentro de sua média de loucura aceitável, também tenho minhas expectativas e metas para esse novo ano. Só abaixei um pouco o padrão, comparado aos começos de ano anteriores.
Lembro que para 2015 eu esperava uma promoção no trabalho, e ela até veio, mas para esse ano se eu conseguir manter meu emprego já está de bom tamanho.
Também esperava que no ano passado eu tivesse muita paz, felicidade e amor. Nesse ano se não me encherem o saco, não me deixarem triste e tiver sempre uma garrafa de bebida ao alcance das mãos, vou ficar numa boa.
E pra 2014, eu queria muito comemorar um título mundial com a seleção brasileira, e em casa ainda. Agora? Bem, agora só espero que a vergonha nas Olimpíadas, não seja tão grande quanto a daquele ano na Copa. Acho que vou fingir que também sou turista, quando os jogos começarem.
Já teve ano em que tive a meta de comprar um carro novo e reformar o apartamento. Nesse se eu conseguir pagar o IPVA, comprar gasolina, e pagar as contas de casa, já vou conseguir ficar feliz.
Não sei se é a idade que aumenta e com isso os padrões abaixam, ou se na verdade é só comigo, mas que essa realidade pessimista está complicada, isso está.
Além daquilo que desejamos para nós num novo ano, tem aquilo que sempre esperamos que aconteça coletivamente  também, como a melhora do país num todo e para todos.
Se o país melhorar, ótimo, possivelmente meus padrões aumentarão antes que o ano termine. Caso o país continue essa merda, continuarei tendo em quem colocar a culpa das minhas desventuras.
Só espero que o pessoal de Brasília não se irrite muito com isso!
Vem com tudo 2016, eu estou preparado!

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Gill Nascimento

As 5 Mais; Coisas que odiamos nas mulheres!

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Hoje é terça feira, dia de “As 5 Mais”, o primeiro texto da categoria em 2016. E hoje o pedido é complicado, a Fabi do Blog S.O.S. Srta. Brito, me pediu um Top 5 de coisas que odiamos nas mulheres.
Enquanto escrevia esse artigo eu falava pra mim mesmo, para me acalmar: “Calma Gill, elas não sabem onde você mora, você não corre nenhum risco!”.
Mas não funcionou tão bem quanto eu esperava, por via das dúvidas comprei um colete a prova de balas, e pedi pra portaria exigir a identificação detalhada de cada pessoa que chegar me procurando.
Mas sem mais delongas, vamos as 5 COISAS QUE ODIAMOS NAS MULHERES:

1° COISA:

O talento que vocês possuem para investigadoras CSI, quando lhes convém.
Fico pasmo com o quanto uma mulher é atenciosa aos detalhes quando está com ciúmes.
Lembro uma vez, quando fui buscar minha namorada no trabalho e, poucos instantes depois de entrar no carro, ela olha para o câmbio da marcha e pergunta:
“De quem é esse cabelo aqui preso no assoalho? É castanho como o meu, mas é um tom de castanho mais claro, também não é da sua mãe, pois o da sua mãe é cacheado, nem é de nenhuma das suas colegas de trabalho, pois conheço todas e nenhuma tem um os cabelos assim. Pra quem você deu carona?”
Primeiro, era noite e a luz interna do carro estava apagada. Como ela encontrou aquele cabelo?
Segundo, como que ela conhece a tonalidade de cabelo das mulheres que conheço, e como ela diferencia?
Terceiro, de onde saiu tanto talento investigativo?

2° COISA:

Vocês são simplesmente loucas de vez em quando.
Sim, não tenho medo de fazer tal  afirmação. Vejamos a mesma situação vista de dois ângulos diferentes, e como seria a reação de algumas mulheres:
Se o marido, num domingo de  manhã, chegar e falar: “Amor, tenho um jogo de futebol às 11hs, então acordei cedo pra ir na feira e no mercado antes, que tal você fazer uma listinha do que está faltando em casa?”.
Provavelmente a mulher dirá que está tudo bem, que não está faltando nada, mesmo que a geladeira esteja vazia.
Agora se o homem levantar, e ir na feira e no mercado e encher a dispensa e a geladeira, e sem aviso prévio ir assistir seu futebol, mesmo que ele não demore e volte sóbrio, quando ele chegar ela vai reclamar de algo, e dizer que faltou alguma coisa nas compras, algum ingrediente que ela nunca nem havia usado antes em receita alguma.

3° COISA:

A vaidade extrema de vocês.
Claro que adoramos ver vocês lindas, produzidas, sensuais, sambando na cara das invejosas. Mas existem limites, e às vezes, os de algumas mulheres ultrapassam e muito a linha do que podemos chamar de natural, ou até mesmo de normal.
Tem mulher que se maquia enquanto dirige na BR, e se acaso sofre um acidente, e capote o carro várias vezes e de quebra ainda fique presa nas ferragens.
Depois que o bombeiro cortar a lataria do carro e a colocar na maca, mesmo com várias fraturas expostas e sangue pra todos os lados, será pela unha quebrada e pela chapinha desfeita que ela entrará em desespero.

4° COISA:

Quando vocês querem nossa ajuda nos serviços  domésticos.
Existem mulheres, e são muitas, que quando o marido está em casa, relaxando no sofá, e elas estão arrumando a casa, elas ficam reclamando de que no começo o marido ajudava nas tarefas, que faziam tudo juntos, que hoje em dia ela é uma empregada, e coisa e tal, e tal e coisa.
Conselho meus caros leitores homens: Deixem elas reclamarem, só saia do sofá se for pra ir para um lugar bem longe, enquanto ela termina.
Porquê se você levantar e resolver bancar o marido do início do casamento, que ajudava em tudo, não vai fazer com que ela se torne a esposa do início, que gostava da sua ajuda.
A única coisa que vai acontecer vai ser que ela vai reclamar do seu jeito de fazer as coisas, e reclamar ainda mais por ter que refazer, e do “jeito certo”, tudo que você fez.

5° COISA:

Acho que já citei isso em algum artigo aqui, mas como é de longe o que mais me incomoda, e à muitos outros homens, merece ser mencionado: AS PERGUNTAS QUE VOCÊS FAZEM.
Porque convenhamos, na maioria das vezes, vocês fazem perguntas das quais já sabem as respostas. E algumas vezes tudo bem, são perguntas sem riscos.
O problema é quando vocês fazem perguntas das quais já sabem a resposta, e que ainda assim não querem ouvi-las.
O pior é a reação, quando damos a resposta, que vocês já conheciam, mas ainda assim não queriam ouvir, e que mesmo assim fazem vocês explodirem como se fosse uma grande surpresa.
E ainda pior do que isso, é quando a gente sabe que a resposta não irá agradar, então omitimos detalhes ou mentimos logo de uma vez. Nesse ponto somos chamados de mentirosos entre outros nomes, e quando enfim corrigimos e somos sinceros, voltamos para o estágio no qual vocês brigam pela resposta que não queriam escutar.

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Por hoje é só pessoal, espero que tenham gostado. Na próxima terça vou estar atendendo ao pedido da Patrícia, uma querida seguidora do Twitter, que pediu um top 5 de falas que todas as mães dizem. Garantia de boas risadas.

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Gill Nascimento

Papo de Bar; Assunto: Casamento

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Mais uma semana se inicia, e segunda é dia de Papo de Bar, minha categoria predileta, mas confesso que dessa vez extrapolei um pouquinho, estou com uma ressaca violenta.
Eu, juntamente com três amigos, fui à um dos meus barzinhos prediletos no sábado, e o papo rolou solto a noite toda, mas um assunto se destacou mais.
Um amigo meu, recentemente casado, está passando pelo descobrimento da vida à dois, e comentou muito o quanto sua mulher se transformou depois que as escovas de dente se juntaram.
Antes ela não ligava quando ele saía com a gente para tomar umas, não sentia muito ciúmes e às vezes até saía com a gente pra se divertir. Ela era o tipo de mulher que se torna melhor amiga dos amigos do namorado quando sai com a turma dele. Todos nós adorávamos ela.
Hoje em dia esse meu amigo diz se sentir de novo como um adolescente rebelde, que ainda mora com a mãe autoritária, e que precisa fazer as coisas ou escondido, ou implorando por permissão. Aquela namorada legal que todos adoravam, se tornou uma esposa autoritária que, além de odiar todos os amigos do marido, ainda fala mal deles, os mesmos com os quais ela bebia às vezes, quando era namorada e não esposa.
A pergunta é: Por que uma aliança transforma tanto as pessoas?
E não estou me referindo só as mulheres não.
Parece um conto de fadas às avessas em alguns casos. A mulher encontra o príncipe encantado, aí o padre diz: “… Vos declaro marido e mulher. Agora pode beijar a noiva!”. Aí um beijo e o Príncipe vira sapo. O homem encontra a sua princesa, coloca a aliança no dedo dela e pronto, ela vira bruxa.
Eu tenho um amigo que saía sempre com a nossa turma, geralmente ele era o cara que agitava toda a turma para sair e se distrair um pouco. Ninguém dizia não pra ele. Hoje em dia ninguém mais diz sim aos seus convites, tudo porque ele esquece de se divertir e fica a noite toda reclamando da vida de casado e preocupado com a mulher, com medo que ela tenha aproveitado o fato de ele ter saído para poder sair também.
Quer dizer que ele pode e ela não? Que mundinho machista é esse no qual ele vive?
Já um outro amigo disse que sua esposa certa vez falou pra ele que, tinha abandonado as amigas e parado de sair, tudo pra poder ficar bem no casamento com ele. O problema é que isso nunca foi um problema pra ele, ele nunca nem cogitou a possibilidade de exigir dela tal sacrifício. Mas ela fez e exige que ele faça o mesmo.
Crise instaurada num casamento por um motivo completamente sem noção.
Esse sentimento de posse que algumas pessoas adquirem quando se casam, ou até mesmo antes disso, me assusta demais.
Durante nossa conversa no bar, um amigo disse que o homem procura mulheres com personalidades parecidas com a da própria mãe, para casar, e que por sua vez as mulheres procuram um homem com a personalidade parecida com a do seu próprio pai.
Se isso for verdade, tá explicado tudo então.
Onde eu em minha plena consciência vou procurar uma mulher como a minha mãe? Ao contrário, procurarei uma completamente o oposto. Minha mãe é ciumenta, controladora, paranoica, adora fazer tempestade num copo d’água, tem um dom pra criar briga, e sempre tem uma pulga atrás da orelha.
O lema da minha mãe é: “Se está tudo certo, é porque alguma coisa está errada!”
Nunca que eu me casaria com uma mulher que pensa assim, nem se eu estivesse bêbado.
Um amigo fez uma observação bem interessante, segundo ele o casamento dá tanto ao homem quanto à mulher, o dom da generalização.
Por exemplo: se a esposa ou o marido de alguém, fez algo de errado, seu esposo ou sua esposa também podem vir a fazer o mesmo, e então se cria aquele famoso “pé atrás”, o ciúmes normal se torna possessivo, passa a haver uma necessidade de controle maior, surge a desconfiança.
Eu particularmente, já fui casado, me divorciei, mas por sorte não passei por nada disso, porque senão o casamento teria durado muito menos do que durou.
A verdade é que sempre existirão pessoas com esses problemas em casa, e a grande maioria vai reclamar e chorar pros amigos(as), e pra isso sempre haverão os bares.

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Gill Nascimento

Aqui pro amor óh!

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Na sexta de manhã, quando estava em clima de despedida da Região da Patagônia Chilena, encontrei uma brasileira que havia acabado de chegar àquele paraíso, e ela me disse:
“- Esta cidade cheira amor, é como se o amor estivesse no ar!”
Dei uma respirada mais profunda, e senti um cheiro de esterco e pensei: “Não é que ela está certa!”
Quem em sua consciência viaja para um paraíso pensando em amor ao invés de aventura?
Prestando um pouco mais de atenção à mulher, notei que ela tinha uma feição meio inocente, quase beirando a idiotice, então entendi.
Mas à frente quando me encontrei com meu companheiro e companheiras de viagem, dei outra respirada profunda e senti um cheiro de erva ilícita, pensei: “Porra, aqui tá mais concentrado!”
Graças à Deus Pai todo Poderoso, só me falaram essa besteira em meu último dia naquela cidade, senão teriam estragado a minha viagem.
Não que eu seja contra o amor, longe disso, até gosto. Pra quem me conhece mais, sabe que gosto de enveredar para o campo da poesia às vezes.
E pra quê poeta melhor do que aquele que sofre?
E pra que sofrimento maior do que esse tal de amor?
Nunca vi uma pessoa livre desse sentimento infeliz, ao passo que nunca vi também uma pessoa cativa desse sentimento numa boa com a vida!
Uma vez me disseram que amar é uma coisa divina. Então eu deixo para os anjos, porque de santo eu não tenho nada.
Outros vão dizer que amar está na Bíblia e é um mandamento. Tudo bem, mas aposto que no céu não tem falta de lealdade, falta de fidelidade, lá existe reciprocidade, assim fica fácil pra cacete. Quando eu for pro céu vou amar todo mundo que, por enquanto aqui, quero mais é que se dane. E estamos combinados.
Minha mãe certa vez disse que sem amor não somos ninguém. Claro que não somos ninguém, sem esse sentimento torturante e que adora bater pra ver a pessoa chorar, nos tornamos alguém, ganhamos destaque, somos mais presentes e mais felizes.
“Ah Gill, mas quem seriam os grandes compositores e poetas sem o amor?”
Seriam comediantes, ora essa! Fariam a gente rir ao invés de chorar.
Um filme, uma peça de teatro, uma novela, tudo bem ter amor, cenas românticas, chororô, traição e nego se embebedando por um pé na bunda. Mas será que não dá pra manter só na ficção?
Longe de mim dizer que o amor é ruim, mas ele é como uma loteria, bem difícil de acertar. E bem, digamos que eu nunca fui um cara sortudo.
Dizem que tenho todas as características de uma pessoa que tem tudo pra ser feliz na vida amorosa. Sou paciente, calmo, atencioso, feliz, conversador, espontâneo e corajoso.
Mas ninguém pensou que essas características se encaixam maravilhosamente bem também para quem quer ser feliz sem o amor?
Uma vez uma prima minha estava lendo uma revista e resolveu falar sobre o horóscopo para o meu signo, eu não entendo dessas coisas, não acredito nessas coisas, e também não gosto muito. Mas ela disse que meu signo estava numa fase muito boa para o amor.
Pensei: Eufemismo para “essa fase da sua vida vai ser uma verdadeira bosta”!
Pela primeira vez na vida resolvi acreditar em horóscopo e me preparar para evitar o pior.
Agora estou aqui, de volta à São Paulo, já cheguei cheirando o ar pra ver se estava tudo normal, por enquanto o cheiro é da tradicional poluição, mas por via das dúvidas vou tomar uma inalação mais tarde.
Pensei em vir usando máscara, porque vai que fui contaminado no Chile. Não quero trazer esse mal aos meus queridos conterrâneos.
Enquanto estou sem máscara e não tomo inalação, economizo respiração, só por precaução.

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Gill Nascimento

Enfrentando o medo…

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Ele está no corredor do quarto, suor frio escorre de sua testa e suas pernas tremem. Ele se sente o homem mais covarde do mundo, por estar sem coragem de abrir a porta e encarar o perigo.
Enquanto sente seu medo ganhar força e proporção, consegue escutar as batidas aceleradas do seu coração. Quase pode escutar o sangue correr em suas veias. Sua respiração ofegante, de quem parece ter corrido uma maratona, o incomoda. Ele teme que tanto sua respiração quanto sua frequência cardíaca estejam sendo escutadas do outro lado da porta.
Ele está ciente que não pode pedir ajuda pra ninguém, que essa é a sua luta, a sua missão.
Percebe que está mentalmente rezando e pedindo ajuda e coragem pra Deus, pra enfrentar seus medos.
Pensa nas opções pra contornar a situação e não encontra nenhuma que o faça dar um passo em direção a porta.
Se imagina pedindo perdão de mil maneiras possíveis, e ainda não consegue se ver em situação melhor que a atual, e o desespero chega para fazer companhia ao seu medo.
Ele cogita a possibilidade de atravessar a porta de peito estufado, camuflando o medo e, demonstrando confiança, mas isso poderia fazer parecer que ele não estava arrependido, e acabar piorando ainda mais sua situação.
Ele que serviu o exército por 5 anos, cumpriu missões em áreas perigosas da América do Sul, em pacificações de áreas dominadas por rebeldes e traficantes, ele que desmonta um rifle em segundos e é mestre em defesa pessoal. Ainda assim ele teme atravessar aquela porta e enfrentar o que está no outro cômodo.
Ele lembra de sua infância, dos conselhos dados pela sua mãe, conselhos visando seu bem, conselhos que ele deveria ter mantido no lugar mais acessível e mais visível de sua mente, mas não fez. Agora só consegue ouvir a voz de sua mãe dizendo como ele deveria agir para evitar tais situações, e lamenta não ter dado a devida atenção.
Lembra ainda do seu pai que também o alertou, e ainda avisou do perigo que era brincar com tal situação, desse perigo que ele estava enfrentando agora, e que na época ele achou engraçado e exagero por parte dele. Como foi tolo ao não dar ouvidos.
Agora ele está ali, encolhido num canto do corredor, como uma presa acuada pelo predador, aquele do topo da cadeia alimentar, olhando pra porta sem ter ideia do que fazer, misturando medo e arrependimento, temendo pelo seu futuro e sua integridade física.
Então ele levanta num acesso de coragem.
Respira fundo, estufa o peito e vai em direção à porta.
Pára por alguns instantes controlando o medo que no fundo ainda o domina, e põe a mão na maçaneta.
Gira a maçaneta para abrir a porta enquanto se condena mentalmente:
– “Maldita hora em que ela veio me perguntar se eu achava que ela estava mais gorda do que quando a conheci, naquele verão de 1982, quando ela tinha 13 anos, e eu resolvi ser sincero e dizer que sim!”

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Gill Nascimento