Descobrindo a fonte de antigos traumas…

Quem precisa de terapia de regressão hipnótica para descobrir fontes de traumas, quando a gente tem uma família que adora reviver o passado, não é mesmo?
Principalmente porque quando familiares se juntam pra relembrar histórias antigas, sempre acabam lembrando apenas as piores, aqueles micos que a gente gostaria de enterrar no passado, nunca há uma seleção, vira aquela disputa infantil, um lembrando das piores situações do outro, por fora risadas e por dentro palavrões.
Mas voltando ao fator de descobrir no passado a origem de receios atuais, consegui descobrir recentemente a fonte de algo que odeio.
Nunca comentei aqui, mas odeio sair em fotografias, e nem é porque me acho feio ou algo do tipo, só não gosto.
Sempre relacionei isso ao fato de que passo o dia todo trabalhando com fotos e vídeos de outras pessoas, e também ao fato de que em 2011 devido ao tumor que tive no esôfago, que após o tratamento afetou minha tireóide, engordei ao ponto de chegar a 115 quilos.
Engordei tanto que, eu saía de casa, mas era um processo um pouco lento, minha cabeça saía 5 minutos após minha barriga, e minha bunda 15 minutos após todo o restante. Nessa época não há registros da minha existência, ao menos não que eu saiba.
Agora acabei de descobrir que o fato de odiar sair em fotografias nada tem a ver com isso, graças a um momento em que a família se reuniu e começou a contar histórias do passado.
Eu, particularmente, não tenho a mínima vergonha das minhas histórias, nem preciso que algum parente me ajude a destruir a minha imagem, geralmente faço isso com muito prazer, mas nesse dia em questão, chegou o momento em que as histórias começaram a acabar, e o que ocorre quando isso acontece?
Exatamente, alguém sempre pega os álbuns de fotografias, que sempre são muito úteis para trazer mais histórias ridículas à margem da memória.
Então foi aí que me veio a revelação: Eu fico muito estranho em fotos.
Todo mundo fala sobre isso, de que anos à frente todas as fotos ficam horríveis, devido a moda que se vai, o estilo do cabelo que se torna ridículo, e até o velho disfarce de que prefere a idade atual do que a juventude, só para dizer que está 100% bem com o amadurecimento a algumas casuais rugas.
Tudo balela.
Ninguém gosta de rever aquilo que deixou de existir, como o cabelo que antes acariciava a testa, a barriga reta sem academia, os seios firmes mesmo sem sutiã, a pele lisa e sem marcas, entre outras coisas, porque sempre faz falta.
Exceto eu.
Entendi na hora meu trauma, eu não sou fotogênico mesmo.
Olhando minha fotos lembrei do quanto eu era estranho, com 15 anos eu já tinha meus atuais 1 metro e 84 centímetros de altura, parecia um bicho-pau de tão magro, se vocês me olhassem dos pés à cabeça, levariam cinco minutos correndo os olhos pelas canelas finas que pareciam não acabar nunca.
Então minha tia achou uma foto que conseguiu me deixar sem graça e xingando palavrões por dentro.
Quem aí lembra da época em que o Cauã Reymond surgiu na Globo na série Malhação, fazendo uma dupla de capoeiristas com o Henry Castelli? Lembram que ele usava um arquinho no cabelo para segurar seus revoltos cachos?
Pois bem, eu aderi a esse estilo na época, e jurava que havia destruído todos os registros, mas eis que havia uma fotografia sobrevivente, em que eu, com 19 anos, 2 metros de canela, que nem mesmo uma calça boca de sino, que havia voltado à moda naquele fatídico ano, conseguia disfarçar, surgi ali no meio da reunião de família e fiz a alegria de todo mundo, menos a minha própria.
Então pensei: Foi aqui, com certeza foi aqui onde esse ódio por fotos se originou.
Mas eu estava errado.
Quando todos já haviam se divertido o bastante com aquela humilhante imagem, eis que surgiu das cinzas minha mãe com algo ainda mais ridículo e antigo: Uma foto minha e do meu irmão, com 7 e 5 anos, em que usávamos obrigatoriamente o corte dos ídolos dela, na época, Chitãozinho & Xororó.
Lembram aquele corte de cabelo que era moda entre os sertanejos, no final da década de 80 e começo da de 90, em que em cima até era normal, mas atrás, no pézinho do cabelo, era deixado meio que um pouco cumprido?
Deus, como o senhor não castigou minha mãe por fazer isso comigo e com o meu irmão?
A foto ainda tinha sido tirada na escola e eu estava vestido no melhor estilo sertanejo da época. Não acredito que cheguei a frequentar uma escola daquele jeito.
Imagino que não só o meu ódio por fotografias tenha se originado ali, mas também toda a minha anormalidade, todas as minhas inseguranças, e até mesmo um pouco de perturbação mental.
Minha mãe deveria dar valor ao meu amor por ela, porque sinceramente, ela não fez por merecer.

 

 

 

Gill Nascimento

 

Papo de Bar… O Tempo!!!

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Comigo não está aquela coisa que se diga “nossa, como está bem esse moço”, mas estou indo conforme a banda toca.
Mal tive tempo de entrar aqui nessa semana que se passou, se eu não tivesse agendado quatro postagens de uma vez, nem sei se teria artigos.
Aliás, o Papo de Bar dessa semana é justamente sobre esse assunto: O Tempo.
Engraçado, apesar de tudo que disse acima sobre como mal pude passar aqui no Blog nessa última semana, eu pouco trabalhei, o que me fez chegar em uma conclusão completamente paradoxa: Quanto mais tempo nos sobra, de mais tempo precisamos.
O Papo de Bar dessa semana foi com alguns amigos dos bons e velhos tempos, no Café do Ponto no Centro do Embu das Artes, pra quem não conhece, eu mega híper índico.
Falamos muito nesse papo, sobre as curiosidades envolvendo o tempo, as quais não são poucas, e parecem na verdade, pura tiração de onda de quem comanda os ponteiros.
Um amigo lembrou um bom exemplo.
Você acorda cedo e no horário, com seu despertador, faz tudo aquilo que costuma fazer, no ritmo de sempre, sai de casa no horário certo, não pega muito trânsito, mas quando chega no trabalho e olha o relógio, está 10 minutos atrasado.
Por outro lado…
Você não ouve o despertador tocar, levanta xingando e desesperado, faz tudo correndo, toma aquele banho de gato, deixa de fazer a maioria das coisas que normalmente faz antes de sair, sai e pega o ônibus que parte 20 minutos após o seu, pega um trânsito enorme, chega ofegante na empresa, então olha a hora no celular e, por incrível que pareça, conseguiu chegar 15 minutos antes do seu horário de entrada.
Isso já aconteceu comigo muitas vezes, e sempre acabo me perguntando que tipo de magia negra é essa.
Discutimos bastante também aquilo que citei logo no início, de que quanto mais tempo nos sobra, de mais tempo precisamos.
Engraçado como compromissos urgentes só surgem quando a gente consegue um tempinho de folga, o que podemos concluir como sendo muito conveniente, afinal, ter que trabalhar com aquilo que precisa urgentemente fazer, em mente, não deve ser nada fácil.
Eu mesmo, não tive folgas, mas encerrei meus expedientes mais cedo nos últimos dias, mas antes não tivesse feito, porque nunca vi surgir tantos pensamentos do tipo “preciso fazer/terminar/resolver isso ou aquilo”, como surgiram nessas horas que me sobraram.
Além desses detalhes que nos saltam aos olhos cotidianamente, tem aqueles que, às vezes, nem notamos.
Um dos mais curiosos é o fato de que o tempo parece ter vontade própria, a de uma criança de 4 anos cheia de birras.
Quando você precisa que ele passe devagar, ele corre, quando você precisa que ele acelere, ele simplesmente pisa fundo no freio.
Tem aquele exemplo clássico dos cochilos.
Quando você cochila durante o seu trabalho e ninguém sequer vê, você acorda totalmente desorientado, tonto, sente como se tivesse dormido um dia inteiro, olha no relógio e percebe que só se passaram 5 minutos, e a hora de ir pra casa continua bem distante.
Agora se você tem algo pra fazer dentro de um determinado tempo, e resolve só encostar os olhos antes, você acorda, bocejando, com ainda mais sono, o cochilo de nada adiantou, olha no relógio e percebe que o nesse meio tempo, 4 horas se passaram e já era seu compromisso.
Quem nunca passou por isso, não é mesmo?
Vejam só a ironia, fizemos um Papo de Bar, onde nosso principal passatempo foi recordar daqueles tempos em que havia tempo pra se passar.

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Gill Nascimento

Superstições…

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Bem, ontem um amigo e eu fomos visitar uma tia dele numa cidadezinha do interior de Goiás. Ela mora numa daquelas casinhas super simpáticas de interior, grande, confortável, e ainda assim simples, com um quintal enorme nos fundos e uma porta na frente que dá direto para a rua.
Estávamos conversando na varanda nos fundos da casa quando decidimos ir embora, eu ia saindo pelo corredor lateral que também dava acesso a rua na frente da casa, mas meu amigo me fez voltar e sair pela mesma porta que entrei, porque segundo ele, dá azar sair por uma porta diferente da que se entrou.
Na hora pensei no quão besta era a superstição, mas fiquei quieto e voltei para sair pela mesma porta em que entrei. Então resolvi falar disso aqui, afinal, tive uma avó muito supersticiosa. A maioria das superstições dela vocês devem conhecer, mas algumas eu posso apostar que não, porque nunca ouvi ninguém, além dela, mencionar tais superstições.
Lembro uma vez, quando minha família ia se mudar, e ela estava ajudando a ajeitar as coisas, quando minha mãe deixou as vassouras em um canto pra depois levar embora pra casa nova, ao que ela disse:
“- Minha filha, deixa essas vassouras aí, dá azar levar vassoura velha pra uma casa nova!”
Queria saber quem foi que criou essa superstição, e qual o motivo de tal crença.
Outra vez eu sai da escola e fui direto pra casa dela, e quando cheguei e tirei os sapatos para entrar e um ficou virado pra baixo, ela disse:
“- Desvira esse sapato, quer matar sua mãe?”
Essa superstição sei que vocês conhecem, mas agora sabem me responder porque ao invés de matar a mãe, deixar o sapato ou chinelo virado, não mata a sogra? Quando era criança, ficava imaginando que quando não estavam nos nossos pés, os calçados eram seriais killers, tipo agentes secretos assassinos, da CIA.
Minha fruta predileta, depois da mexerica, é a manga, e lembro que ela sempre dizia que a pessoa morre se  chupar manga e depois tomar leite, e que eu sempre perguntava:
“- Então quer dizer que não existe vitamina de manga?”
Lembro que quando ela estava limpando a casa, eu tinha que manter distância, ela dizia que não queria, por acidente, varrer meus pés, pois se isso acontecesse, eu nunca me casaria. Tem horas que eu daria tudo pra voltar no passado e testar se essa superstição é verdadeira.
Outra vez ela nos acompanhou numa viagem à casa da minha avó materna, no interior de Minas Gerais. Teve um dia em que uma ave voou para dentro da casa da minha avó materna, ao passo que ela disse, na hora, que era um sinal de morte, eu estava voltando do mato onde estive caçando passarinho com um estilingue. Atirei na ave e disse:
“- É, não é que dessa vez à senhora acertou!”
Tem uma superstição que ela tinha mania de dizer, que eu já testei algumas vezes, e nunca funcionou. Ela dizia que, colocar a vassoura de cabeça pra baixo atrás da porta, espanta as visitas chatas.
Em outra ela tinha mania de colocar nozes na janela para afastar os trovões, quando o céu escurecia, mas a única coisa que ela conseguia era me atrair, até hoje amo nozes.
Uma outra vez, voltando de um velório, ela criticava a viúva, ela dizia que as janelas deviam ser abertas quando alguém morre para não aprisionar a alma, mas a viúva não tinha feito isso. E eu pensando que abrir as janelas não aprisionava a alma, e nem o assassino, se ele ainda estivesse escondido na casa.
Minha vó tinha cada uma, e sempre que ela soltava uma nova eu acabava levando um tapa, porque sempre fazia uma piadinha.
De todas, a que eu mais gostava, era sem dúvida a que ela dizia que sempre se deve dar uma moeda à um amigo se ele te der uma faca, se não a amizade acaba. Eu adorava tirar moeda dos meus amigos.
Sinto saudade demais da minha vózinha e das superstições loucas dela, eu ria muito com isso. E você, conhece alguma superstição maluca? Então conta aí pra gente vai!
Por hoje é só, galera. Fiquem na paz, e lhes desejo uma semana maravilhosa!

Abraço!

Gill Nascimento