E que tudo mais vá pro inferno…

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Sabe quando você acorda e sente que sua alma não está em seu corpo, como se ela tivesse te abandonado, e levantar da cama, de repente, se torna um dos afazeres mais difíceis de sua vida?
Sabe quando tudo que você consegue pensar é, ou no seu sofá ou na sua cama, como se mais nada existisse ou importasse num mundo que não te agrada nem sequer um pouco?
Aqueles dias em que você tenta relaxar, mas o simples toque do telefone já te faz amaldiçoar a pessoa que ligou, antes mesmo de ao menos saber quem ela é.
Aqueles dias que parece que Deus tá jogando basquete, e usando o planeta terra como bola, você não consegue se situar, se focar, e fica como se estivesse sem plumo.
Sabe aqueles dias em que você parece ter perdido o controle sobre suas pernas, suas mãos denunciam um falso nervosismo, sua testa demonstram um falso calor com gotas de suor que se negam em se ausentar?
Sabe aqueles dias em que tudo que você queria era voltar a ser criança e ter sua mãe por perto, pra cuidar de você, e aparecer com um daqueles xaropes ou remédios milagrosos que elas sempre têm escondido em algum armário de casa?
Aqueles dias em que pode ter todas as suas comidas e goluseimas prediletas em casa, esperando para serem devoradas, mas ainda assim, só em pensar nelas seu estômago já reclama em negativa.
Aqueles dias em que a mais simples tarefa cansa, o ato de pensar te deixa exausto, abrir os olhos causa dor, erguer a cabeça causa tontura e olhar pra baixo te faz querer deitar.
Sabe quando surge de repente um sentimento de patriotismo, e você fica imaginando como deve ser vantajoso e prazeroso deitar eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo?
Sabe quando nada te agrada, quando as cores são coloridas demais, a luz é clara demais, a casa é quente demais, a rua é barulhenta demais, as pessoas são insuportáveis demais, e pra você só sobrou o azar demais?
Aqueles dias em que tudo que você queria era estar num templo de meditação, em alguma montanha alta do Tibete, rodeado de monges mudos, e o som mais alto ao seu redor seria do vento batendo nas paredes.
Aqueles dias em que o único som audível que sai da sua boca é o trecho da música do Roberto Carlos que diz: “E que tudo mais vá pro inferno!”.
Sabe quando você amaria ter o poder da telecinese, para que tudo que você quisesse viesse até você apenas com a força do pensamento? Claro, se isso não viesse a te cansar ou dar muito trabalho.
Sabe quando tudo que você mais queria é ser a última pessoa na face da terra, para extinguir as responsabilidades, ou ser um idoso e viver numa casa de repouso, ou ainda mais extremo, gostaria de estar morto, só pra não ter que levantar?
É hoje estou assim.
E tem gente que pensa que é fácil escrever os artigos para os Papos de Bar.
É bem divertido, mas as ressacas judiam sem dó nem piedade!

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Gill Nascimento

Questões ao acordar…

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O que estamos fazendo aqui?
Tantas pessoas que foram imortalizadas por serem sábias já fizeram essa mesma pergunta, e se ainda hoje estivessem vivas, ainda fariam.
Porque eu, pobre ser humano de média nada excepcional na escola e faculdade não posso fazer essa mesma pergunta?
O que estou fazendo aqui?
Será que houve ou há um grande propósito para eu ter chegado onde cheguei?
Será que eu estava ou estou destinado a fazer algo que faça um mínimo de diferença?
Acho que é no mínimo questionável o fato de eu ter chegado onde cheguei, gostaria de saber a quem devo esse fato, pois é mais do que óbvio que não cheguei aqui sozinho.
Ninguém é completamente capaz, não sozinho.
E as perguntas nunca acabam.
Será que fui realmente feliz até aqui?
Será que fiz alguém feliz?
Não sei dizer ao certo. Mas e quem sabe?
Tantas coisas que a gente faz pra poder esquecer tudo aquilo pelo que passamos durante o dia, tanta coisa que a gente se submete para massagear a nossa auto estima e o nosso ego. Tudo aquilo que somos capazes de fazer, só para parecermos menos anormais no meio de um monte de gente anormal que acha que nós somos os normais.
É, somos todos iguais nesse ponto. Somos todos pessoas normais querendo parecer mais normais do que já somos.
Será que fui eu mesmo até chegar aqui?
Ou será que a primeira coisa que vesti foi minha máscara?
Fica sempre a dúvida, se o personagem convenceu, e se o original foi satisfatório e agradou. Mas não dá pra saber mesmo. Se houve olhares reprovatórios e julgadores, não lembramos ou não notamos. Se falaram, não falaram alto o suficiente pra gente escutar.
Então a gente finge não se preocupar se fomos ou não aquilo que as pessoas esperavam de nós. É melhor assim.
A gente se questiona tanto, que uma hora as coisas começam a ficar mais claras, mas nossa percepção é auto questionável e adora se cobrar, primeiro lembramos sempre do pior e de tudo aquilo que foi errado. E ao invés da gente se perdoar, a gente acaba procurando alguém em quem colocar a culpa.
E de quem é a culpa se não de nós mesmos?
Até aqui será que fui em algum momento obrigado a fazer algo? Será que sou tão influenciável ao ponto de me tornar um fantoche? Ou as escolhas foram minhas e devo assumir as consequências como homem?
Tudo vai acabar, menos as perguntas. Sempre haverão perguntas enquanto houver mistérios.
Quem sou?
De onde vim?
Para onde vou?
Qual o meu propósito?
E a pergunta com a qual iniciei esse artigo: O que estou fazendo aqui?
O mínimo que posso fazer após tantas perguntas, é me prometer que nunca deixarei chegar à esse ponto de novo. Nunca mais bebo tanto, ao ponto de não saber onde estou e de não lembrar como cheguei.

Gill Nascimento

Conversas

E aí, tudo beleza com vocês?
Sim, estou de ressaca!
Sim, não fui trabalhar!
Sim, estou bem também!
Vamos jogar papo fora…
Ontem eu estava me preparando para ir dormir quando um amigo me ligou para ir tomar umas com ele e comemorar sua promoção, tinha chegado ontem, estava cansado, ainda assim fui. E foi no barzinho onde fomos que percebi uma coisa muito engraçada que, geralmente não percebemos por estarmos em turma, envoltos em nossas próprias conversas e assuntos, se não fosse isso perceberíamos o quão engraçados são os assuntos e as conversas no bar, nas mesas. É sério, tem de tudo, e você nem precisa se esforçar pra ouvir, geralmente as pessoas falam alto o bastante pra você escutar numa boa.
Na mesa ao lado da nossa tinha uma casal, quem olhava apenas, imaginava que fossem namorados, ou até casados, mas eram apenas amigos. Na mesa deles o cara se abria com a amiga, desabafando estar desapontado consigo mesmo por estar solteiro e sem pegar ninguém há 3 anos, de como ele mesmo tem dúvida sobre sua sexualidade, por que não se sente carente ou atraído com facilidade, como se o sexo não fosse algo tão essencial assim. Até aí tudo bem, se não fosse a amiga do rapaz agir como se fosse especialista no assunto e tentasse o aconselhar, chegando a dizer que o que ele tinha era uma doença grave e que ele devia se preocupar e muito com isso, quando na verdade a assexualidade atinge cerca de 1% da população mundial, o que a torna algo nem tão normal, mas ainda assim que não afeta em nada a vida de quem pessoal da pessoa.
Pensei comigo: “Se depender dessa amiga, esse cara vai sair daqui muito bêbado, chorando e achando que é gay.”
Já em outra tinha uma turma de amigos que olhavam pra outra mesa onde tinha uma turma de amigas, enquanto na mesa dos rapazes havia uma vontade mútua de encostar na mesa das meninas e quem sabe fazer uma orgia, na mesa das meninas elas debatiam o dia de folga que tiveram de seus respectivos namorados e de como pensavam sinceramente em se relacionar apenas com mulheres, rindo de como traíram seus namorados se envolvendo com outras mulheres.
Trágico, mas fui obrigado a rir, enquanto torcia pra que os caras tomassem coragem e chegassem nelas só pra ver no que daria.
Em uma mesa mais atrás tinha um casal já mais maduro, casados, que falavam de suas vidas profissionais, o cara falava da insatisfação de ser um diretor financeiro de uma grande empresa quando sempre quis ser músico. A mulher falava de como havia conseguido a promoção 1 anos atrás deixando parecer que transaria com seu chefe, e de como ele ainda tinha esperança de que isso acontecesse.
E eu no meu canto pensando em quando essa parte divertida da minha vida iria chegar.
Mas teve uma hora que eu fui obrigado a perceber que essas coisas de papos interessantes e divertidos nas mesas era geral, pois começou na minha própria mesa.
Esse meu amigo começou a me contar que estava tendo problemas em seu relacionamento, ele há 3 anos atrás namorava uma mulher de sua idade, linda, de carreira, com planos e objetivos, à trocou por uma mais nova, na época 17 anos, virgem, estudante, inocente e de família. Ele começou me contando como foi levar 1 ano até transar com ela, de como era trocar passeios em museus, teatros e barzinhos tranquilos por shoppings, cinemas e baladas barulhentas, e de como agora era ela a louca por sexo, chegando até mesmo a sufocá-lo quando ele não arruma tempo pra transar com ela. E eu me segurando por dentro pra não rir de como toda aquela situação era engraçada.
Uma coisa é você ouvir uma história, outra coisa é você ter uma visão geral de uma situação em comum, me sentia o Super Man dentro daquele bar, usando meu poder de super audição.
A verdade é que agora as idas aos barzinhos terão outro significado para mim, será difícil prestar atenção apenas na minha própria mesa.

Mesa meio que recheada no Bar e Restaurante O Gato Gordo em Taboão da Serra.

Mesa meio que recheada no Bar e Restaurante O Gato Gordo em Taboão da Serra.

Como não seria diferente, não posso deixar de mencionar que bar foi esse em que estive e que tanto me divertir. Não só mencionar, mas também indicar. Eu estava no Bar e Restaurante  Gato Gordo, ele fica no número 24 da rua Leví de Souza e Silva, no Jardim Bom Tempo emTaboão da Serra. Super indico galera, além das cervejas artesanais tem os melhores caldos da região, eu particularmente indico o caldo de camarão na moranga.

Gill Nascimento