Um dia nada novo

Desafiei a Juliana do Blog Fabulonica à escrever um texto para eu postar aqui no Blog, e ela se auto desafiou a escrever no estilo Casuísmo, e eu simplesmente amei o resultado. Eu já disse a ela que ela deveria postar seus textos em seu Blog, pessoal, leiam, aposto que se juntarão à mim nesse coro.

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Acordo atrasada.
A vida é tão corrida que, ás vezes, o cansaço dribla a memória. Esqueci de ativar o símbolo da rotina. E o despertador, por sua vez, optou por mais alguns minutos de soneca.
Olho o relógio e corro contra o tempo mundano. Tomo um café, banho quente e coragem. Visto o uniforme do cotidiano. Respiro fundo e começo a contagem:
Pastas, planilhas e atas.
Notebook, comida do gato, conferir Facebook.
Conta a pagar atrasada, mais um pedaço de pão, fui bloqueada.
Ai meu coração!
Breve histeria e assim começa um novo dia. O trânsito caótico e agitado. Os vendedores ambulantes de plantão. Palavrões… Buzinas…  Tudo parado!
A vida é um ciclo vicioso de hábitos e confusão.
O dia passa devagar, as horas foram almoçar e não voltaram. O chefe enfurecido começa a resmungar e as fofocas começaram.
A Luiza comprou apartamento, a Rita está devendo no banco, o Júlio pegou a mina do outro departamento e eu? Só lamento, as horas demorarem tanto.
Os ponteiros finalmente se encontram. Em ponto, parto para segunda jornada. Roupa para lavar… louça para secar. Fazer um telefonema…  Desmarcar um cinema. Agendar uma consulta… apagar ligação oculta. Conferir e-mail acumulado… xingar porteiro abusado. Deixar a unha secar… esperar o micro-ondas esquentar o jantar.  Tomar o remédio da pressão…  Aguenta coração!
Chega! Já estou cansada. O mal desse século é a vida agendada.
Pego minha passagem e opto pela viagem a outros universos e mundos. Confiro a mala e faço check-in na sala. Minha poltrona é um grande aeroporto, aonde parto rumo a imaginação. Lá eu sou a guerreira armada, a fada ou a princesa amada. Nas páginas dos livros o final feliz acontece, o amor floresce e o despertador me aborrece…
Quê?!  Agora ele resolveu funcionar?
— É a vida meu povo.
Resmungo e durmo. Afinal, amanhã é mais um dia nada novo.

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Juliana Lima

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Por um dia ruim…

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A vida tem seu ritmo, sua cor, seu aroma, seu formato, e a gente se acostuma com essas particularidades com o tempo.
Mas tem dias que a gente só quer o toque sutil da anormalidade em nosso dia, para nos tirar da rotina, para nos bagunçar, para dar aquela sacudida na poeira do nosso tédio.
Tem dias que a gente quer que algumas coisas não dêem certo.
Tem dias que a gente, mais do que tudo, quer que os ônibus entrem em greve e não passem, para que não precisemos levantar de nossas camas quentinhas e aconchegantes para ir trabalhar.
Tem dias que a gente quer que uma chuva forte o bastante caia pra nos ilhar em casa,  nos impedindo de sair, e nos dando motivos convincentes o suficiente, para ficarmos deitados no sofá vestindo um pijama de flanela, comendo besteiras e lendo um livro.
Tem dias que por mais que sejamos pessoas boas, que não desejam o mal para ninguém, a gente torce para que o chefe fique doente e não vá trabalhar, para diminuir os danos, porque por mais que tentemos ser invisíveis e passar despercebidos, ele sempre sente nossa falta, como se fossemos a única pessoa no mundinho dele.
Tem dias que tudo que a gente quer é que aquela tecnologia maligna, o despertador, esqueça de despertar, e que Morfeu não se levante da nossa cama antes do relógio marcar meio dia.
Tem dias que tudo que a gente quer é que a energia falte, pra gente não poder tomar um banho, pra gente não poder passar a camisa, nem o terno, pra gente poder botar a culpa em algo que não seja a nossa preguiça, na hora de justificar na falta que cometeu.
Simples assim.
Tem dia que a gente precisa que algo dê errado para que enfim alguma coisa dê certo, se é que isso é plausível ou compreensível.
Vivemos numa época em que a gente tem a sensação sufocante de que não possuímos o controle sobre nossa vida, uma época em que a gente sente que se tentarmos tomar esse controle, não teremos controle sobre os prejuízos.
Uma vez disse aqui, que o destino é sarcástico, e volto com essa afirmação.
Quando você está cansado física e psicologicamente e tem uma reserva econômica de segurança, quando todas as suas dívidas estão em dia, quando está tudo se encaminhando da melhor maneira possível, nada dá errado, não acontecem greves, seu chefe não adoece, e nem você, não acontecem tempestades, o despertador não falha, tudo dá certo na sua vida.
Agora quando você está bem disposto, quando suas dívidas estão atrasadas e você está precisando de um dinheiro a mais, precisando fazer umas horas extras, tudo dá errado.
Quem puxa as cordas do palco de fantoches chamado Planeta Terra, desconhece o termo ‘momento propício’, ou a expressão ‘veio à calhar’.
Hoje eu precisava que as coisas não dessem muito certo.
Mas está tudo correndo bem, o que é um paradoxo, pois as coisas dando certo, estão dando errado.
Ao menos pra mim.

Gill Nascimento

Um dia muito estranho…

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Tem algo que tenho certeza que você vai concordar comigo, não tem nada pior do que um dia em que tudo dá errado pra gente. Aqueles dias em que conforme as coisas vão acontecendo, mais você vai tendo certeza de que em algum lugar existe um ser divinamente superior te olhando num monitor e tendo acessos violentos de risos, da sua cara!
Pior é que esses dias cada vez são mais comuns na vida da gente, tão comuns que a gente acaba se acostumando a obter tudo do jeito mais difícil, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional.
Certa vez uma colega de trabalho fez o seguinte comentário, durante um debate sobre esse assunto, que alguns funcionários da produtora estava fazendo: “Quanto maior a dificuldade para obter algo, maior o valor que se é dado a tal conquista, e mais preparada a pessoa se torna, pra futuramente ter algo seu e deixar de depender dos outros, um patrão nesse caso!”.
Ciente de que moro num país em que dificilmente se consegue subir dois andares na pirâmide da classe social sem sujar as mãos, que ser honesto no máximo te dá conforto na consciência, só posso concluir que esse comentário dela estaria muito certo num país de primeiro mundo, mas não aqui.
Claro que não é impossível de se obter sucesso trabalhando honestamente, mas o caminho é mais longo, longo o bastante pra, quando enfim você puder usufruir das suas conquistas, não ter mais disposição e nem condições físicas pra tal coisa. Então suas conquistas serão aproveitadas apenas por sua descendência, não por você.
Mas voltando ao assunto, estamos tão acostumados com o fato de viver da maneira mais difícil, que estava imaginando como seria um dia, um dia apenas, em que tudo desse certo. Será que eu seria capaz de lidar?
Um dia que começaria comigo acordando bem disposto e na hora certa, ao ponto de eu conseguir tomar um café da manhã saudável antes de sair. Um dia estranho ao ponto de eu conseguir terminar de me vestir antes de entrar no carro.
Um dia em que eu chegaria na produtora e meu patrão estaria de bom humor, e daria um bom dia com um  sorriso e uma voz com tom musical de quem transou na noite passada. Estranho o bastante pra eu achar que entrei na empresa errada.
Um dia em que para variar eu conseguiria almoçar na hora certa, e sem ser interrompido. Um dia estranho ao ponto de eu chegar no restaurante e a moça do caixa não dizer que a máquina de cartão do meu VR está sem sistema.
Um dia em que a tarde ninguém precisaria trabalhar num ritmo frenético pra não deixar o trabalho para o dia seguinte. Um dia estranho ao ponto de o trabalho ser bem feito de primeira, para que quando o relógio marcasse 17 horas eu pudesse entrar dentro do meu carro e ir embora.
Um dia em que ao voltar pra casa o trânsito não estivesse travado como normalmente fica. Um dia estranho ao ponto de eu levar 20 minutos pra chegar em casa, o que é o correto, e não uma hora e meia como geralmente gasto.
Um dia que ao chegar em casa e tomar um banho, eu após isso possa deitar no meu sofá e assistir um jornal que não diga que minhas contas estarão mais caras no fim do mês. Um dia estranho ao ponto de não haver manifestos após uma declaração da nossa governante.
Um dia que após ter dado tudo certo durante todo tempo, eu possa me deitar acreditando que não foi um sonho. Um dia estranho ao ponto de eu querer um dia normal no dia seguinte, cheio de azar e más notícias, porque não estou preparado psicologicamente para lidar algo diferente disso.

Abraços!

Gill Nascimento

E aí, sobreviveram?

Fiz uma pergunta no fim da noite de ontem no Twitter que merece ser feita no início desse post:

E AÍ, SOBREVIVERAM?

Não lembro se fiquei off line no dia dos namorados em 2014, mas aposto que teve menos choradeira que ontem. Estava simplesmente insuportável ficar em redes sociais nessa sexta feira. Assim como as cagadas da presidenta alavancaram as ações da Tramontina devido os panelaços durante seus pronunciamentos, garanto pra vocês que o Presidente da SLC Alimentos, o Sr. Eduardo Logemann deve estar muito triste por se comemorar o dia dos namorados apenas uma vez por ano, pois a marca de arroz Namorado nunca tinha tido tanta publicidade gratuita antes, você atualizava sua time line e lá estava uma solteirona com um pacote de arroz nos braços dizendo que seu namorado tinha custado apenas R$8,99.
Ao contrário das mulheres notei que parecia que todos os homens estavam comprometidos ontem, pois os que choravam, faziam, mas não por estarem solteiros, mas sim pelo preço que pagaram pelos presentes. Mas claro que havia os solteiros que não podiam deixar de fazer suas piadinhas, é óbvio, não demorava muito pra se ver algum solteiro postando foto presenteando um dono de bar, comprando coolers personalizados para suas garrafas de cervejas e vinhos, abridores de garrafas novos e outros itens do tipo.
Eu não nego, fiz minhas piadas também, mas nada do tipo. Tenho uma piada pra essa época que repito todo ano e que sempre me rende um bom número de mulheres dizendo que sou um “fofo”; dizer que vai dar presente do dia dos namorados para a mãe, por que ela é a mulher mais linda do mundo e que seu pai é um cara de muita sorte, nunca falha.
Sobrevivemos não é mesmo? Não ao fato de passar o dia sozinho, mas sim ao fato de ter que ver as outras pessoas achando que isso era o fim do mundo.
Agora a piadinha mais revoltante era a de fazer placa dizendo que se aluga como namorada(o). A pessoa passou todo esse tempo sozinha, e agora quer arrumar alguém e ainda por cima lucrar com isso. Calma aí, se está sozinha é por que com certeza algum defeito o produto têm, não acham? Ninguém quis de graça, vão querer agora e ainda por cima pagar por isso? É um grande desperdício de esperança na minha singela opinião.
Mas acabou, hoje é sábado, quem chorou ontem chorou, quem não chorou, ótimo, pega o dinheiro que não gastou com presente e se presenteie, vá para um bar, tome umas ou dez, se possível me convide, e se bobear ainda arruma alguém no final da noite, por que a vida tem dessas coisas, dessas ironias.

Gill Nascimento

Não. Não. E não!

Olá pra você que só sabe dizer não para as Testemunhas de Jeová que tocam sua campainha, isso mesmo, por que em outros casos você só consegue estar indisponível quando não tem outra saída, ou seja, quando você está realmente ocupado(a)… Aonde quero chegar com esse papo maluco?
Simples…
Tenho percebido uma coisa, muitas pessoas ultimamente tem estado muito disponíveis, disponíveis demais mesmo, fazendo com que outras pessoas aproveitem desse fato. Na verdade eu era assim até pouco tempo atrás, não sabia dizer não para os amigos, não conseguia negar um favor a ninguém, e vivia emprestando minha atenção pra pessoas que surgiam com conversas que me faziam, depois, passar horas xingando palavrões por ter sido usado de muro das lamentações!
Estar indisponível é indispensável, como saberemos se somos necessários se nossa falta nunca for sentida?
O pior é deixar pessoas mal-acostumadas, pessoas que desaprendem a conviver sem a sua mão de obra, pessoas que são suas grandes amigas quando você está todo o tempo disponível, mas que ficarão com raiva de você no primeiro “não” que sair da sua boca, para elas. E no final você também fica mal-acostumado(a), pois muitas pessoas que são solícitas demais acabam desaprendendo cuidar da própria vida, pois passaram muito tempo ajudando os outros a cuidar de suas vidas.
Agora a moda é saber como dizer “não”, pois existem vários tipos de “não”, existe aquele que significa “não vou ajudar agora, não vou ajudar hoje, nem amanhã e nem nunca, por que isso não faz o meu estilo!”, e existe aquele “não” que significa “agora não posso, mas da próxima quem sabe, será um prazer!”, existe também aquele “não” que quer dizer “você ainda não acredita que possa ser uma pessoa chata não é mesmo?”, existe um tipo de não para cada ocasião, só é preciso conhecer o jeito certo de dizê-los, por que ao invés de passar a mensagem subliminar que queria, você pode acabar passando outra totalmente diferente.
É, até pra dizer um simples “não” tem tido regra ultimamente, por que pode acontecer de você dizer um não pra uma pessoa chata, e ao invés de entender “sai do meu pé, chulé”, a pessoa entender “hum, agora não, mas depois eu quero ver seu corpo nu!”, já pensou? Ao invés de consertar acaba piorando tudo de uma vez.
Eu tenho aprendido a usar o “não”, mas de maneira menos singela, o fato é que sou realista demais, não adoço a pílula pra ninguém, meu “não” já vem com a dose certa de verdade e sinceridade, e com legenda pra quem não entender.
Enquanto nós vamos aprendendo a ser menos disponíveis, bem que algumas pessoas poderiam ir aprendendo a serem menos dependentes dos outros! E fique esperto, se você percebeu que nem precisa aprender a dizer não com mais freqüência, pode ser que você seja uma das pessoas que precisam aprender a precisar menos de nós pessoas que não sabemos dizer não, melhor já ir treinando!

Gill Nascimento