Papo de Bar … Vivendo o Agora!

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Sei que tenho andado muito ausente por aqui, mas estou tentando voltar a normalidade. Espero conseguir.
Hoje não teria Papo de Bar devido o fato de eu não poder beber, então evito qualquer tipo de tentação. Mas ontem fui visitar meu irmão e acabou rolando uma conversa bem legal entre amigos.
Como sempre, os assuntos foram muitos, mas entre eles se destacou um: o fato de como conforme o tempo vai passando mais passamos a nos importar com o futuro, e menos com o presente, mais pensamos num todo e menos em apenas nós mesmos. Planejamos curtir a vida, mais nunca curtimos, porque fazemos planos para o futuro e esquecemos o presente, e esse futuro inevitavelmente se torna presente um dia, mas nossos planos não. É como se toda vez que chegássemos para curtir o momento, nos deparássemos com uma placa escrita “Para se divertir, volte amanhã!”; o problema é que essa placa nunca sai do lugar.
Quando somos crianças parece que tudo nos encanta, parece que cada instante é mágico e único, então conseguimos nos contentar com o agora.
Então crescemos um pouco, e metas começam a surgir, e então o futuro passa a ganhar mais atenção, e o agora fica meio que em segundo plano, às vezes em terceiro, e em outras, o agora é uma mera consequência.
E então nos tornamos adultos, e passamos a ter em nossa vida mais responsabilidades, e pessoas além de nós mesmos para nos preocuparmos. Por consequência o futuro se torna ainda mais presente em nossos pensamentos, só que dessa vez pensamos também em como nossas decisões podem afetar quem faz parte da nossa vida.
E o agora?
Bem, o agora nada mais é que um bloco de notas para o futuro.
E então quando pensamos que estamos praticamente entregues a rotina de pensar sempre adiante, fazendo planos, e esquecendo de viver um pouco para nós mesmos, surgem os sonhos.
Lembro uma vez quando um amigo enfatizava suas metas de vida como se fossem sonhos, e ele realmente não via a diferença entre um e outro. Fiquei imaginando como deveria ser entediante a mente e coração dele.
Não que sonhos não sejam metas também, mais os sonhos trazem o romantismo e a adrenalina para qualquer planejamento. As metas se enquadram em tudo que escrevi até o parágrafo anterior, enquanto os sonhos são capazes de nos fazer pensar adiante vivendo o agora freneticamente.
O sonho é a gota de egocentrismo que todos nós precisamos ter de vez em quando, para nos priorizarmos de verdade.
Acho que todos nós precisamos de alguns sonhos de vez em quando, para nos colocarmos no topo da nossa própria lista de prioridades.
É como um amigo mencionou:
“Não há nada de errado em crescermos e nos preocuparmos com o que nossas decisões podem acarretar não só na nossa vida, mas nas das pessoas que nos importam também. Mas também não há nada de errado em de vez em quando pensarmos um pouco só em nós mesmos. Não é egoísmo ser feliz!”
Meu irmão também foi feliz em um comentário:
“Sempre haverão pessoas que olharão com julgamentos para os nossos atos de coragem, ao chutarmos o balde de vez em quando, e arrisco em dizer que isso nada mais será que inveja e vontade de fazer o  mesmo, sem ter a devida valentia para tal. E o pior é que se puxarmos na memória, com certeza lembraremos de momentos em que nós mesmos fizemos isso, porque no fundo todos temos nossos receios e somos um pouco covardes. Sempre precisaremos de gatilhos para nos alçar à determinadas aventuras fora de nossas rotinas.”
E eu concordo com ambos.
Difícil é conseguir fazer isso sem se preocupar com o que pode acontecer graças ao nosso visitante turista chamado Amor Próprio.

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Gill Nascimento

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Desempacotando lembranças…

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Eu sou o tipo de pessoa que escreve sobre tudo, principalmente  sentimentos, mas como já citei aqui algumas vezes, nem sempre compartilho essas escritas. E além disso, gosto do estilo antigo de escrever, uma folha de papel e uma caneta ou lápis, as palavras parecem que fluem mais facilmente assim.
E essa semana me mudei, enfim, aliás, motivo da minha ausência aqui no Blog ultimamente, e no processo de desencaixotar as coisas, acabei encontrando algumas coisas que escrevi, e nem faz tanto tempo, e isso me fez refletir.
Como muitos já perceberam, meu carro chefe nesse Blog são as crônicas, na verdade, dificilmente escrevo sobre algo que não vivo, então é de se imaginar que se eu escrever qualquer tipo de texto e postar aqui, no mínimo estou passando por algo parecido, daí vem os receios da exposição. Mas tenho me aberto ao desabafo por aqui, e confesso que isso tem me feito muito bem.
Hoje ao reler alguns textos que escrevi, me perguntei em qual momento da minha vida me tornei uma pessoa que muda tão facilmente seu caminho.
E com isso outras perguntas vieram, na tentativa de obter uma resposta para a primeira:
O que acontece quando aquilo que a gente quer tanto não parece mais possível?
Quando não podemos gritar para os quatro cantos do mundo o que a gente tem dentro do peito?
Quando desistimos de um sonho e embarcamos em outro, e então quando fechamos os olhos percebemos que o antigo sonho continua ali, na nossa imaginação, nos nossos desejos e no nosso coração, só que agora ele já não é tão possível. Na verdade longe disso. O que fazer?
Somos seres ansiosos, buscamos o nosso sonho, mas às vezes acabamos por parar em algo similar, um genérico que não cura.
É como navegar, sabendo que está na direção certa, mas o medo bate quando a terra que procuramos demora para surgir no horizonte, então voltamos, ou aportamos na primeira ilha que surge, e o pior vem depois, quando nos acomodamos.
Então nos tornamos náufragos no mar das nossas próprias incertezas e medos, precisando de coragem, talvez um empurrão, para colocar a jangada em mar aberto e continuar de onde parou.
Não vivemos sem sonhos, e quando não os alcançamos, acabamos por substituí-los, o problema é que nem sempre essa substituição nos satisfaz. E quando essa realidade nos bofeteia a face, a pergunta mais torturante surge:
Foi o sonho que ficou fora de alcance, ou fui eu quem deixou de correr atrás?
Não é fácil descobrir que somos os culpados das nossas próprias desilusões e frustrações, nem é fácil encarar nosso próprio olhar reprovador no espelho, mas somos assim, só percebemos o que fizemos de errado quando é tarde demais.
E o que fazemos quando esse esclarecimento nos encontra?
Isso mesmo, ou nada, ou tudo exatamente igual a primeira vez, porque somos teimosos.
Mas isso é quando a gente consegue tomar coragem e jogamos a jangada no mar, o que é difícil. Geralmente aquelas primeiras perguntas feitas aqui, demoram muito tempo para serem respondidas, outras vezes nunca são. Porque mais difícil que voltar ao caminho do sonho verdadeiro, e deixar o aconchego do sonho similar, principalmente se houver o risco de alguém se machucar no processo. Ainda mais se dessa vez essa pessoa não for a gente.
E se estão se perguntando, a resposta é sim, eu meio que passei (ou estou passando) por isso, mas já tinha até esquecido.
Então vai uma dica aí, quando você precisar por algum motivo remexer naquelas lembranças materiais, se houverem riscos de que velhos sentimentos sejam desenterrados, peça ou pague para alguém fazer isso por você. Eu tive a sorte de ter a minha irmã e minha namorada para embalarem minhas coisas enquanto viajava, mas tive o azar de não pensar nisso tudo antes, e resolver eu mesmo desembalar tudo.
E agora estou aqui, torrando a paciência de vocês.

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Gill Nascimento

Só por um instante…

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Queria por um instante ver o pôr-do-sol em um céu azul, não cinza.
Ver as estrelas brilharem em todo seu esplendor sem timidez.
Ver a Lua surgir majestosa, com toda realeza que merece como dama da noite.
Ver as pessoas não mais se importarem com as diferenças sociais, raciais ou sexuais (Diferenças essas que na verdade pra mim nem existem).
Ver o verde ser respeitado como merece, posto como produtor do ar que respiramos.
Ver as pessoas se comoverem e ajudarem quem precisa por amor, não por pena e dó.
Ouvir as pessoas dizerem não apenas da boca para fora que sentem fé em seus corações.
Ouvir as pessoas perdoarem umas as outras sem cobrança, de coração aberto.
Ver as pessoas passarem a se preocupar realmente com o rumo que o nosso destino anda tomando.
Ver o trabalho das pessoas ser respeitado e devidamente valorizado, para que possam ser presenteadas com o prazer de sentir satisfação.
Ver cada um desenvolver seu papel, onde todos somos protagonistas nessa história escrita por “Deus”, que infelizmente vem sendo mudada pelos homens que querem ser criadores e não criaturas, mas fazem isso sem muita responsabilidade, sensibilidade e consciência humanitária.
Só por um instante…
Mas o que mais me dói, é perceber que, de todos os sonhos que tenho, esses, com certeza são os mais distantes de se realizarem.
Nem sei se posso dizer que estou fazendo minha parte…
Sonhar não é pecado.
Mas será perda de tempo?

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Gill Nascimento

Arrependimento

Bem, antes de começar o artigo, quero deixar bem claro, eu estou bem, sério mesmo, eu estou legal…

É o seguinte, tem coisas que acontecem simplesmente porque elas precisam acontecer, e a gente por mais que tente, não consegue explicar, certo?
Pois aconteceu uma coisa estranha comigo um dia desses, e até agora não entendi.
Sabe quando a gente se sente sozinho no mundo, mesmo rodeado de tantas pessoas que nos apoiam, e que gostam de nós?
Eu estava em casa assistindo uns filmes, tudo muito normal, folga, sozinho curtindo o silêncio da minha casa, mas de repente bateu um desânimo em mim, pensei,”normal, trabalhei ontem a noite, estou sem dormir!”, só que não era isso, desliguei a TV, apaguei todas as luzes e tentei dormir, mas eu não consegui, eu realmente não estava com sono, pensei em ligar o computador, mas simplesmente não estava com vontade, e nesse dia tinha deixado abandonado alguns dos meus vícios, como o Twitter por exemplo, eu estava muito entediado e não sabia do que, deitei novamente na cama, tentei dormir, mas o travesseiro é um inimigo muito forte das pessoas que estão de cabeça cheia e precisando descarregar, ao invés de dormir comecei pensar, pensar em muitas coisas, muitas coisas mesmo, pergunto uma coisa para você que está lendo esse artigo…
“Você já parou pra pensar, e analisar suas prioridades?”
Não estou falando de compromissos, dívidas nem nada do gênero, porque brasileiro é assim falou em prioridades, já pensa em dívida e trabalho, mas não é disso que eu estou falando, estou falando do que realmente importa, do que realmente você gosta, mas não faz, e acaba fazendo uma falta enorme. Estou falando de realizações, estou falando de sonhos. Todo mundo tem algo que sempre quis fazer e nunca fez, porque colocou outras coisas em primeiro plano, e o pior é que isso fica remoendo por dentro, deixando as vezes um vazio muito grande, e era isso que estava acontecendo comigo.
Comecei pensar nas coisas que sempre tive vontade de fazer, que tenho capacidade de fazer, e por priorizar coisas como trabalho, ainda não fiz, tem uma música que diz: “A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade!”, nesse dia eu entendi o real sentido dessa música.
Só que nesse dia a coisa ainda estava um pouco mais feia para o meu lado, não era só isso que estava me incomodando.
Arrependimento, palavra que pode ser imposta de uma maneira muito bonita, se arrepender de um erro e corrigi-lo é realmente uma coisa muito bonita. Mas quando já é um pouco tarde, quando as chances de consertar um erro são mínimas, o que fazer?
Nesse dia mais do que de repente, minha mente se tornou uma oficina de lembranças. Quantas coisas que eu já falei, fiz, ou deixei de fazer na vida, que deixei de me preocupar no exato momento, e acabou passando, e ficando longe, mas bem longe, com muitas poucas chances de poder voltar atrás, ontem tudo isso veio como por encanto me assombrar, para me lembrar e tirar meu sono.
Por exemplo, você já teve vontade de falar para alguém “você é muito importante para mim!”, e não falou, e agora essa pessoa não está, mas aqui ou com você, para poder ouvir você falar isso. As vezes a gente pode omitir alguma coisa pensando “não vai fazer mal a ninguém”, mas acaba machucando à nós mesmos.
Uma vez (não me lembro aonde) li a seguinte frase: “O problema de resistir a uma tentação, é que a gente nunca sabe se terá uma segunda chance!”, quantas vezes você teve a oportunidade de fazer alguma coisa que te interessou bastante, ou que você sempre sonhou em fazer, e não aproveitou? Isso já aconteceu muitas e muitas vezes comigo, olhando apenas para frente percebo que são mínimas as chances que terei de realizar certos sonhos, consertar certos erros, e isso sinceramente me incomoda muito.
Nesse dia por alguns instantes, tive vontade de jogar tudo para o alto, esquecer de tudo, trabalho, relações, estudos, e sair por aí consertando a minha vida, realizando meus desejos, fazendo tudo que deixei de fazer, falando tudo que deixei de falar, abraçando quem eu já devia ter abraçado, beijando quem eu já devia ter beijado, olhar para dentro do meu próprio coração e dizer a ele que resolvi viver de verdade, que enfim ele ia curtir o seu trabalho!
Apenas por alguns instantes!
Não fiz nada!
Tenho certeza que um dia, vou sentir novamente tudo que nesse dia senti, e que aí sim pode ser que seja tarde demais para querer consertar.
Nesse dia por alguns instantes tive esses lapsos de coragem e vontade e não segui meu coração, a única coisa que eu posso esperar, é que não demore a vir outra noite como a desse dia, e que da próxima vez eu realmente jogue tudo para o alto, e aí sim quando eu olhar para trás, vou ver meus rastros e não vou me arrepender!

Gill Nascimento