Papo de Bar… O Tempo!!!

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E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Comigo não está aquela coisa que se diga “nossa, como está bem esse moço”, mas estou indo conforme a banda toca.
Mal tive tempo de entrar aqui nessa semana que se passou, se eu não tivesse agendado quatro postagens de uma vez, nem sei se teria artigos.
Aliás, o Papo de Bar dessa semana é justamente sobre esse assunto: O Tempo.
Engraçado, apesar de tudo que disse acima sobre como mal pude passar aqui no Blog nessa última semana, eu pouco trabalhei, o que me fez chegar em uma conclusão completamente paradoxa: Quanto mais tempo nos sobra, de mais tempo precisamos.
O Papo de Bar dessa semana foi com alguns amigos dos bons e velhos tempos, no Café do Ponto no Centro do Embu das Artes, pra quem não conhece, eu mega híper índico.
Falamos muito nesse papo, sobre as curiosidades envolvendo o tempo, as quais não são poucas, e parecem na verdade, pura tiração de onda de quem comanda os ponteiros.
Um amigo lembrou um bom exemplo.
Você acorda cedo e no horário, com seu despertador, faz tudo aquilo que costuma fazer, no ritmo de sempre, sai de casa no horário certo, não pega muito trânsito, mas quando chega no trabalho e olha o relógio, está 10 minutos atrasado.
Por outro lado…
Você não ouve o despertador tocar, levanta xingando e desesperado, faz tudo correndo, toma aquele banho de gato, deixa de fazer a maioria das coisas que normalmente faz antes de sair, sai e pega o ônibus que parte 20 minutos após o seu, pega um trânsito enorme, chega ofegante na empresa, então olha a hora no celular e, por incrível que pareça, conseguiu chegar 15 minutos antes do seu horário de entrada.
Isso já aconteceu comigo muitas vezes, e sempre acabo me perguntando que tipo de magia negra é essa.
Discutimos bastante também aquilo que citei logo no início, de que quanto mais tempo nos sobra, de mais tempo precisamos.
Engraçado como compromissos urgentes só surgem quando a gente consegue um tempinho de folga, o que podemos concluir como sendo muito conveniente, afinal, ter que trabalhar com aquilo que precisa urgentemente fazer, em mente, não deve ser nada fácil.
Eu mesmo, não tive folgas, mas encerrei meus expedientes mais cedo nos últimos dias, mas antes não tivesse feito, porque nunca vi surgir tantos pensamentos do tipo “preciso fazer/terminar/resolver isso ou aquilo”, como surgiram nessas horas que me sobraram.
Além desses detalhes que nos saltam aos olhos cotidianamente, tem aqueles que, às vezes, nem notamos.
Um dos mais curiosos é o fato de que o tempo parece ter vontade própria, a de uma criança de 4 anos cheia de birras.
Quando você precisa que ele passe devagar, ele corre, quando você precisa que ele acelere, ele simplesmente pisa fundo no freio.
Tem aquele exemplo clássico dos cochilos.
Quando você cochila durante o seu trabalho e ninguém sequer vê, você acorda totalmente desorientado, tonto, sente como se tivesse dormido um dia inteiro, olha no relógio e percebe que só se passaram 5 minutos, e a hora de ir pra casa continua bem distante.
Agora se você tem algo pra fazer dentro de um determinado tempo, e resolve só encostar os olhos antes, você acorda, bocejando, com ainda mais sono, o cochilo de nada adiantou, olha no relógio e percebe que o nesse meio tempo, 4 horas se passaram e já era seu compromisso.
Quem nunca passou por isso, não é mesmo?
Vejam só a ironia, fizemos um Papo de Bar, onde nosso principal passatempo foi recordar daqueles tempos em que havia tempo pra se passar.

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Gill Nascimento

Brigando contra o tempo

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Olá pessoal, tudo bem com vocês?
O tempo tem sido, desde que comecei a escrever, meu maior descarrego em letras, seja qual for o tema o tempo pode ser encaixado, afinal, tudo envolve o tempo, e dependendo de como ele seja tratado, os resultados podem mudar, mas pra quem me conhece a bastante tempo, sabe que nunca fui de elogiar o tempo, porque seria diferente agora?
Acho engraçado a maneira como o tempo trabalha…
Todos nós temos momentos na vida que gostaríamos de ter gravado em vídeo pra poder assistir sempre que quisermos, mas que infelizmente não aconteceu, e o chato é que com o tempo aquela lembrança que no começo era tão nítida vai se apagando. Pessoas importantes que se foram, com o passar do tempo seus rostos vão se dissolvendo em nossa memória. Todo mundo gostaria que a mente trabalhasse como se fosse uma memória em HD, tudo ficasse em seu canto, separado por pastas, disponível para nosso acesso sempre que quiséssemos relembrar, mas infelizmente as lembranças possuem data de validade. Ao menos é o que parece.
Agora quando a memória é ruim a coisa muda de figura, parece que quanto mais queremos esquecer, mais nítidas as lembranças ficam, rostos, nomes, palavras, cenas, parecem que nunca se apagam, quando nos fazem sofrer.
Todos nós temos pessoas que queremos manter sempre por perto, que a presença nos faz bem, que já fazem parte da nossa vida e da nossa história, mas infelizmente são essas pessoas que o tempo parece gostar de levar embora, são essas pessoas importantes que, com o passar do tempo se vêem obrigadas a se afastar, são essas pessoas que geralmente são obrigadas a ir embora pra longe.
No entanto, quando a pessoa é aquela mala, que nada nos acrescenta, que sua presença tanto faz ou incomoda, essas não se afastam nunca, e quando nós resolvemos nos afastar, mudar para longe, manter distância, lá vem o tempo e trás ela pra perto de novo, coloca ela no mesmo bairro, na mesma empresa, no mesmo prédio, e a gente diz ser ironia do destino, mas é mais cretinice do tempo, com todo seu sarcasmo trollador!
Você passa anos aprendendo algo, se especializando, dedica tempo, empenho, atenção e força de vontade, até se tornar um(a) expert, já planejando fazer disso seu ganha pão, pensando em juntar o útil ao agradável, afinal, você não aprendeu apenas por necessidade, mas também por gostar, mas aí as coisas não acontecem do jeito que você imaginava, e simplesmente você não usa essa nova instrução da maneira que queria, e com o passar do tempo, você acaba esquecendo aos poucos o que aprendeu, e ainda não encontra tempo pra se atualizar no assunto, renovar o que havia aprendido, quando dá por si, se pega se sentindo um completo amador novamente!
Mas quando o assunto é manias, palhaçadas, besteiras, nunca esquecemos, e com o passar do tempo as manias se adaptam, as besteiras se atualizam, as palhaçadas se renovam sozinhas, e você mesmo se condena por prestar tanto pra lembrar-se do que não presta!
Assim é o tempo, levando o que não era pra levar e trazendo o que não deveria trazer, mudando o que deveria permanecer igual, e deixando da mesma maneira aquilo que deveria melhorar. Ele não se importa com o esforço que fazemos para que as coisas aconteçam de maneira diferente, o tempo é uma criança mimada que não aceita nada mais do que sua própria vontade, aquela criança que não pára de gritar no corredor do mercado, enquanto você não colocar no carrinho de compras o que ela pediu. O tempo pode ser um grande amigo sim, mas na maioria das vezes ele prefere ser um carrasco.
Contra o tempo só nos resta esperar que ele passe, e que esqueça de vez em quando da nossa existência!

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Gill Nascimento

Os conflitos do tempo…

Todos nós temos uma época em nossas vidas que marcou, que a gente simplesmente amava, que lembramos como se tivesse acontecido ontem, mas sentimos saudade como se tivesse ocorrido em outra encarnação.
Eu lembro como se fosse ontem das minhas viagens de 22 horas de ônibus, quando ainda criança, nas férias da escola, para a casa dos meus avós, numa cidadezinha de 17 mil habitantes no interior de Minas Gerais. Eu amava muito aquilo, pra uma criança nascida e crescida na cidade de São Paulo, o cheiro do verde no ar e a cor do verde à toda volta, era um verdadeiro deslumbre.
Lembro, como se fosse ontem, como sentia o dia tão pequeno quando estava nessa cidadezinha, como deitava para dormir louco para que a manhã seguinte chegasse logo. Como me lambuzava comendo mangas e goiabas direto na árvore. Como perdia a noção do tempo embrenhado na mata caçando passarinho com um estilingue. Como adorava ficar na beira do rio com meu tio e meu avô, pescando o jantar. Como adotava o sotaque com menos de 5 dias que estava lá.
Lembro como amava montar no lombo de um jumento que meu avô tinha, e ficava dando voltas no quarteirão, sendo convidado por cada senhorinha simpática, de cada casa, para almoçar e depois tomar aquele cafézinho fresquinho. Lembro como gostava de ver minha vózinha cozinhar no fogão à lenha, como a comida era mais cheirosa, como os sabores eram muito mais saborosos, e só de lembrar já fico com água no boca. Lembro de como odiava qualquer tipo de legume, mas amava os que a minha avó fazia, tinha um toque especial que deixava os legumes com sabor de comida legal, era assim que eu imaginava na época.
Lembro como eu ficava bobo com os animais silvestres, calangos, siriemas, codornas, preás, macaquinhos prego, entre outros.
Resumindo, era mágico.
Mas de tudo que lembro, o que sinto mais falta é daqueles olhos que eu tinha, que enxergava tudo com espanto e novidade, que adorava ver aquelas coisas e não enjoava, que tinha a inocência de não entender como as coisas realmente eram, por que é muito ruim crescer e ter a visão de adulto sobre tudo aquilo que te encantou na sua infância.
Cresci, e aquele amor por viajar de ônibus sentindo o vento no rosto e admirando cada paisagem pela qual eu passava, deu lugar à uma impaciência que não atura nem 2 horas dentro de um avião. Todo aquele verde no ar e na paisagem é lindo, apenas nos dois, no máximo três primeiros dias, após ganha o carinhoso apelido de fim do mundo.
Cresci, e hoje quando como mais de uma manga tirada direto do pé, meu estômago sente a falta dos agrotóxicos e eu acabo passando mal de dor de barriga. Não caço mais porque sei que poderia arrumar problemas com o IBAMA, e até gosto de pescar, mas só se for coberto por 3 quilos de repelente. E quando começo a entender o que os habitantes falam com todo seu carregado sotaque é  porque já está na hora de voltar pra casa.
Cresci, e agora não aguento ficar 2 minutos próximo de um jumento, pois lembro que é um animal que tende a ter problemas de flatulência. Aquelas senhorinhas que me convidavam pra almoçar, que eu achava tão simpáticas, hoje sei que não passam de fofoqueiras que buscam informações com as crianças e suas línguas soltas. Ainda amo comida feita no fogão a lenha, ainda dá água na boca quando lembro, mas hoje em dia minha vózinha não está mais aqui pra fazer pra mim, nem pra eu ficar admirando enquanto ela cozinha, então dispenso.
Cresci, e hoje em dia aqueles animais silvestres que eu via com admiração, tenho consciência de que aqui são raros, mas que lá são até pragas, por causa da quantidade.
Eu cresci, e esse é o único grande problema…
Cresci, e ainda amo muito fazer essa viagem, curtir minha família por lá, mas de maneiras totalmente diferentes, muito menos mágicas. De todas as saudades, a da infância é a que mais dói!

Abraços…

Gill Nascimento