Bagagens…

Na sexta passada postei um texto falando sobre Aprender a dizer Adeus,  mas quando comecei a escrevê-lo, na verdade, tinha outro tema em mente, e devido meu momento atual, acabei me desviando completamente do assunto, logo no inicio, então abracei as palavras que foram saindo e acabei ficando feliz com o resultado, mas um comentário do Reinaldo, do site RCristo, Tecnologia e Informação, me fez não desistir do tema que queria abordar de início.
Tenho percebido já há algum tempo que, às vezes, parecemos ser incompreendidos, chegando ao ponto de aparentar que quase ninguém sabe lidar com a gente, pensamos mil coisas quando isso nos vem à mente, sendo que o motivo é ate bem simples demais, nós deixamos nosso passado nos assombrar, e acabamos por ficar inseguros demais, dificultando muito qualquer tipo de proximidade.
E foi nessa parte do raciocínio que me desviei para o assunto do Adeus no outro texto, porque ele se alinha bem a esse tema, não nos despedimos por completo do nosso passado, e acabamos puxando, por onde vamos, bagagens que, quando abertas, são capazes de moldar nossas atitudes.
Essas bagagens, às vezes, atrapalham e muito a nossa vida.
Conheço pessoas que, por terem no passado vivido experiências ruins, de algo que esperavam justamente o contrário, como relacionamentos por exemplo, hoje possuem uma dificuldade gigantesca de arriscar novamente, devido essa bagagem que carregam, e que vira e mexe, assombram suas vidas.
E não nego, tenho minhas bagagens também, e dentro delas uma porção de inseguranças, que sempre vêm à tona quando preciso exatamente do contrário, só para me atrapalhar.
Têm quem chame de fantasmas, eu prefiro chamar de bagagens, devido o fato de ser um acumulado de emoções pelas quais passamos, e acabamos carregando conosco com o passar do tempo, escondidas ali, no fundo da mala, e que sempre, quando menos precisamos lembrar de suas existências, acabamos abrindo essa bendita bagagem, e lembrando que elas existem, e trazendo elas às margens das nossas reações, atrapalhando assim nossa nada mole vida.
A gente olha em volta e vê todo tipo de pessoa, cada qual com sua expressão, mas por trás delas não sabemos o tamanho e o peso da bagagem que carregam, a dor por trás dos sorrisos, o peso contido nas reflexões, o céu por onde voa seus pensamentos, o medo por trás da pose de confiança, e por tudo que passaram para chegarem aonde estão agora.
Seria bem mais fácil se essas bagagens fossem visíveis, e não metafóricas, a incompreensão seria quase rara, na minha humilde opinião.
Claro que existem as bagagens boas também, que trazem dentro uma boa quantidade de experiência, aprendizado, lições, boas lembranças, e até mesmo esperanças, mas infelizmente são as ruins que se destacam, quase sempre.
Eu estava analisando minha bagagem e fazendo um inventário do que tenho carregado comigo nos últimos anos, e devo dizer que estou preparado para a qualquer momento tirar férias dessa tal de vida, seja na estação que for, pois carrego alguns pares de receios, um bom bocado de inseguranças, vários medos, uma porção  enorme e variada de indecisões, além de dúzias de experiências ruins.
Essas malas estão começando a pesar.
A pergunta que fica é: Como e aonde esvaziá-las?
Se eu for virar tudo de uma vez, em algum lugar onde não atrapalhe mais ninguém, vou precisar de ajuda, por outro lado se eu for esvaziando item por item, algo me diz que corro o risco de antes mesmo de jogar metade da bagagem fora, ela já estará cheia de novo, dessa vez com itens novos para eu sair arrastando por aí.
Acho que o certo não é jogar a bagagem fora, mas sim nos cercarmos de pessoas dispostas a nos ajudar a carregar essas bagagens quando for preciso, e que as ignore quando for necessário.
Quem sabe um dia a gente acabe esquecendo essas bagagens em algum lugar por onde passarmos, afinal, pode acontecer, as companhias certas sempre nos distraem ao ponto de ficarmos completamente desligados, e essa distração seria muito bem vinda.

 

 

 

Gill Nascimento

Máscaras na face do bem…

O mundo anda bem estranho sabe, e tenho percebido que os diagnósticos dessa estranheza não estão completamente corretos.
Se pararmos para analisar, baseando-se em tudo que tem acontecido ultimamente e ganhado a mídia, chegaremos a óbvia conclusão de que o que falta nesse mundo é um pouco mais de bons sentimentos, muito mais amor, muito mais compaixão, muito mais bem querer.
Mas isso até aonde os nossos ouvidos alcançam e nossos olhos enxergam, ao se inteirarem sobre o que vem acontecendo mundo afora, e geralmente somente notoriedades são expostas na mídia, e ainda sou da crença de que tudo se inicia de baixo, e que pra grandes conquistas, primeiro precisamos de pequenos gestos.
Isso tem me levado a perceber que não é apenas a falta de bons sentimentos que tem causado tantos problemas, mas também o excesso de máscaras.
Quando pensamos em máscaras no sentido metafórico, já logo imaginamos mais coisas ruins, como a falsidade, por exemplo, mas esquecemos que ela não esconde só a verdadeira, e ruim, face de alguém, pode acontecer o inverso, uma máscara pode vir a esconder por trás uma faceta boa de alguém.
A pergunta que fica é porque motivos alguém esconderia detrás de uma máscara o seu melhor lado, o seu melhor eu?
A resposta é até bem simples, e está lá em cima, no primeiro parágrafo desse texto: O mundo anda bem estranho.
Estranho ao ponto de algumas pessoas sentirem vergonha de mostrar que são diferentes da maioria, e que possuem um bom coração, cheio de bons sentimentos e com anseios de melhoras gerais num modo totalmente altruísta.
Ninguém é capaz de criticar essas pessoas, porque olhando bem, quem vai sentir ânimo de fazer a diferença, de um modo positivo, num mundo onde só quem causa mudanças de modo negativo, se torna manchete?
Claro, não que a pessoa vá fazer algo esperando fama ou ao menos se tornar notícia, mas no mínimo esperamos que o ato em si seja destacado para servir de exemplo.
Agora parem e vejam, em qualquer veículo de informação, seja ele impresso, rádio, TV ou internet, qual a proporção de destaque dado à atos de pessoas boas que podem inspirar, comparado a quantidade de relatos de desgraças, crimes, tragédias e crueldades. É uma luta muito injusta essa.
Imagino eu que isso desanime muita gente, a falta de reconhecimento, não para si mesmas, mas para aquilo que elas fazem ou gostariam de fazer.
E vocês devem estar se perguntando o que tem a ver as máscaras que mencionei.
Simples na verdade, tem muita gente boa por aí usando a máscara da indiferença, por causa de tudo isso que citei até agora, e não tiro a razão delas.
Imagine a seguinte situação, você por acaso ficou sabendo que uma pessoa que gosta muito, depois de muito tempo ausente, retornou, e se sente muito feliz por isso, emocionado(a) até, como se a qualquer momento fosse explodir de felicidade, sem ser capaz de prever e nem de conter as suas reações, e então vai ao encontro dela, mas antes veste uma máscara de verdade em seu rosto, pra que ela não veja o seu choro de felicidade devido a esse retorno.
É isso que tem acontecido, as pessoas tem escondido sentimentos bons por detrás de máscaras, como se fosse vergonhoso demonstrá-los, nesse mundo onde a mídia cultua e divulga tantos sentimentos ruins.
Por sorte ainda estamos vivendo uma época em que a influência do bem ainda é mais poderosa, mas por quanto tempo?
Pois aquilo que não é conhecido e disseminado, não pode ser influenciável. A bondade toca, ela emociona, ela alegra, ela aquece o coração, e vê-la acontecendo nos incentiva a querer fazer também, da aquela vontade de querer ver mais, sempre.
Ficou um impasse nesse ponto, enquanto o lado triste e ruim da vida ganha o mundo por meio do espaço a ele dedicado pela mídia, pessoas se acanham em mostrar o seu próprio lado bom.
O que podemos fazer é esperar que um dos lados venha a ceder o mais breve possível, que a mídia mude o foco, ou a bondade perca a vergonha, pois o mundo está mesmo precisando muito disso.

 

 

 

Gill Nascimento

Aqui deu merda…

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Imagine que você é uma pessoa com uma situação completamente estável e que se pode dar o luxo de tirar uns bons anos só para conhecer o mundo. Imagine que você é uma pessoa desbravadora, com uma mochila nas costas e um guia na mão.
Imagine que você, para se orientar melhor futuramente, criou um simples sistema, um mapa e marcadores de cores variadas, cada cor com um significado, e por cada lugar que você passou durante suas viagens, você assinalou com o marcador da cor correspondente ao que lá você viveu.
Tem aquela cor que significa “devo voltar aqui um dia”, aquela outra cor que quer dizer que naquele lugar você deixou algo importante, quem sabe uma paixão, tem a cor que determina que tal lugar você não aproveitou o suficiente, e claro, tem a cor que marca os lugares onde você vai passar o mais longe possível. A cor “aqui deu merda, nunca voltarei”.
Agora pare pra pensar.
A vida é mais ou menos isso.
A vida é um acumulado de variadas lembranças, onde nelas se encontram os desejos de reviver, as vontades de esquecer, os arrependimentos por ter feito algo ou estado em tal lugar, e assim por diante.
A vida é uma aventura, e nós somos os mochileiros.
Um lema bom para se viver, é não se preocupar com o caminho a seguir, onde ele vai dar e como ou quando você vai chegar, a gente não tem que se preocupar com aonde vamos, mas sim nos sentirmos felizes por sabermos para onde não vamos voltar. Aqueles lugares assinalados com o marcador “aqui deu merda”.
Indo mais à fundo nessa analogia muito louca (e olha que eu nem bebi), podemos usar a mesma base de pensamento, para várias situações corriqueiras que estamos sujeitos durante a dura e penosa existência corpórea.
Ao invés de lugares, podemos substituir por decisões, por atitudes, e porque não por pessoas? Pois em todos esses outros casos eu garanto que teria um bocado pra assinar com o marcador “aqui deu merda”.
Então não se preocupe com o que você vai fazer, para onde vai, com o que vai escolher, ou quem irá encontrar. Fique feliz, por saber o que não deve fazer, para onde não deve ir, quais escolhas geralmente não são as melhores, e quem você não deve levar contigo.
Sendo mais claro e objetivo, as pessoas seriam mais felizes se parassem de se preocupar com o incerto e, ao invés disso, comemorassem mais suas certezas.
A vida já não é nada fácil, e desperdiçar tempo e energia se preocupando com aquilo que ainda não é, e que talvez nunca será, é simplesmente a maneira mais fácil de piorar tudo ainda mais.
Eu acho que eu passei tanto perrengue ultimamente que, mais do que o normal, tenho pensado muito na vida, e seus múltiplos significados, e talvez eu esteja só divagando no teclado, ou talvez tudo isso tenha mesmo um bom significado e fundamento. Mas eu daria mais credibilidade as minhas próprias palavras se esse texto fosse um Papo de Bar.
Mas é isso aí pessoal, mochila nas costas e o desconhecido horizonte a frente…
E sempre ao alcance das mãos o marcador pra assinalar e te lembrar daquilo que deu merda!

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Gill Nascimento

Assuntos inacabados…

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Nossa vida, por mais que tentemos ser diferentes, não passa de um caminho cheio de obras inacabadas, cheguei a essa conclusão analisando a minha própria. E se me perguntarem como me sinto referente a isso, a resposta é que nem mesmo sei.
Deveria ser triste olhar para trás e ver um punhado (que só caberia numa mão muito grande, muito grande mesmo) de assuntos inacabados, mas devo confessar que, em sua grande maioria, nem me fede e nem me cheira, pois não consigo sentir falta daquilo que nem sequer conheci.
Com o tempo aprendi a desapegar da expectativa. Sim, claro que penso no futuro, mas penso num futuro baseado naquilo que já conquistei, ou que já construí, não penso mais no futuro possível se aquilo que planejo ou almejo vier a acontecer.
Muitas vezes a gente chama algo de “nosso”, antes mesmo de possuir, e depois, quando perdemos algo que nem chegamos a ter, choramos uma dor que nem era pra sequer existir.
Lembro que falei isso pra um amigo certa vez, e ele disse que não fazia sentido, pois não dá pra perder o que não se tem (isso depois de perguntar que bebida me havia feito criar tal frase).
Mas a verdade é que faz todo sentido, costumamos fazer planos com aquilo que nem sequer passa de um plano também, imaginamos um futuro com o resultado de algo que nem chegou a sair do papel, criamos expectativas com sentimentos de mão única.
E o que acontece?
Como geralmente estamos sujeitos (até mais do que a opção contrária), tudo dá errado, e ao invés de apenas lamentamos porque algo não deu certo, ficamos de luto por tudo aquilo que imaginamos que aconteceria, se o resultado tivesse sido o melhor possível.
E então só sobram os rastros, as sobras daquilo que não foi, os vestígios de planos frustrados, e os resquícios de obras inacabadas e abandonadas.
Mas venho me perguntando ultimamente se, será que precisamos exterminar nossos planos só porque a ideia inicial não saiu conforme imaginamos?
Será que queremos tudo, desde a semente dos acontecimentos, até os frutos de seus resultados, ou queremos somente o resultado em si?
E se assim for, será que não existem outros caminhos que nos levam ao mesmo destino? Ou simplesmente devemos desistir quando o plano A não funciona?
Não existem planos B pra nossa vida?
São realmente muitas questões, e simplesmente não sei a resposta pra nenhuma, mas gosto de acreditar que existem atalhos, desvios, e até caminhos mais longos, que nos levam ao mesmo resultado no final. Isso me conforta.
É como meu avô dizia:
“A vida é uma longa estrada, e a melhor parte da viagem são as curvas sinuosas, pois quando olhamos para trás, enquanto estamos nelas, não conseguimos enxergar as merdas que fizemos, e conseguimos deixar pra trás de verdade!”

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Gill Nascimento

Seja você o seu Super Herói!

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Por mais que tudo não esteja nada bem, é escolha nossa o impacto que cada situação nos causará.
Podemos acordar desanimados, porque praticamente sabemos o que nos espera durante o dia, ou podemos levantar da cama com a convicção de que, por mais que o dia prometa ser complicado, podemos reverter e consertar qualquer situação, e ainda podemos nos animar e ficarmos até ansiosos por sentir a sensação dessa vitória que nos espera.
Podemos nos entristecer pelos fracassos, e nos preocuparmos por suas evidências, ou podemos torná-los nossos piores inimigos, e decidir que derrotá-los será daí em diante nossa principal missão.
Podemos nos aborrecer com coisas ruins que algumas pessoas falam da gente, ou podemos notar que pessoas boas não fariam isso, e que então estamos fazendo algumas coisas muito certas que conseguem incomodar pessoas más, e nos preocuparmos de verdade quando elas não falarem nada, pois poderá significar ausência de acertos.
Todo o dia acordamos lutando com as escolhas que nos são dadas, todos os dias acordamos precisando acreditar muito em nós mesmos, todo dia precisamos acordar desacreditando algumas realidades. Todos os dias precisamos crer que existe em nós a capacidade de transformar tudo ao nosso redor, e dentro de nós.
Eu passo por isso todos os dias, sempre que acordo, e demorei muito pra entender o quão forte pode ser o que falo para mim mesmo nessa hora.
Lembro de várias vezes em que fui repreendido por pessoas mais velhas, ao dizer algo pessimista, e ouvir delas que as palavras têm poder, então um dia pensei: “Se as palavras possuem poder, devo usá-los da maneira correta, ou será que só o pessimismo atrai esse poder?”
Desde então venho testando o poder das palavras, falando apenas coisas otimistas para mim mesmo, e cada dia que passa acredito um pouco mais nelas.
Engraçado como somos tão sujeitos à acreditar no que outras pessoas nos falam, mas como somos tão pouco auto persuasivos. Não é fácil conversamos com nós mesmos, ainda mais quando tentamos nos convencer de que tudo vai dar certo e ficar bem.
Lembro que uma vez comentei isso com o pai de um amigo meu, e ele me disse algo no qual refleti por muito tempo:

“Acreditamos mais nas palavras otimistas dos outros do que na nossa própria, porque nos conhecemos, e nessas horas lembramos das nossas fraquezas, das nossas mancadas, dos nossos podres, e esquecemos de olhar para o nosso coração e notar o que se passa ali dentro, da nossa boa vontade, dos nossos bons sentimentos, da nossa fé, da nossa força.
Na hora em que estamos nos auto aconselhando, olhamos para nós mesmos e apontamos todos os nossos próprios erros, mas esquecemos de lembrar dos nossos acertos, então simplesmente nos desacreditamos.
Somos, na maioria das vezes, nosso pior inimigo.”

Notei o quanto isso era verdade, pois eu mesmo já fui muitas vezes meu próprio  vilão.
Não lembro se foi aí que se iniciou, mas só sei que decidi ser o meu próprio herói, porque o herói que não é capaz de se salvar, não é capaz de salvar mais ninguém.

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Gill Nascimento