O Desabafo de um Funcionário da Vida!

O ser humano é um bicho fácil de entender, cada um nesse mundo está em busca de algo.
Uns tentam ser felizes, outros querem ser ricos e bem sucedidos, tem quem tente encontrar a paz interior, uns buscam a longevidade, e assim se segue uma infinda lista de realizações que são buscadas por pessoas normais.Acho que ando meio atrasado nessa busca, porque primeiro estou em busca da normalidade, porque de normal eu não tenho nada.
Eu poderia culpar meus pais por isso, e dizer que eles não capricharam na hora de me gerar, mas não sou do tipo que fica jogando a culpa nos outros, por mais que às vezes sinta uma enorme vontade de fazê-lo.
Acho que no mínimo devo concluir que a culpa é minha mesmo, até porque, sou eu o anormal.
Ultimamente eu me acho, mas não me encaixo, sou tipo aquela pecinha de um quebra cabeças gigante, que ninguém sabe onde é o lugar dela, mesmo depois de quase todo montado.
Um dia desses uma amiga psicóloga me mostrou um novo teste de admissão que ela vinha aplicando na empresa onde trabalha, na área de Recrutamento e Seleção, onde o objetivo é fazer com que os candidatos falem de si mesmos com a maior sinceridade possível, respondendo um monte de perguntas, cujas respostas, inconscientemente diriam muito sobre eles, sem nem perceberem.
Então eu pensei:
“Vou fazer o mesmo comigo, pulando a parte das perguntas e indo direto ao ponto, listando meus defeitos, qualidades e manias, e depois ver a que conclusão chego sobre mim mesmo!”
E consegui. Deu uma vontade imensa de ligar para mim mesmo e deixar um recado na Caixa Postal, dizendo que no momento não há vagas onde eu possa estar atuando de maneira produtiva, e que meu perfil não é exatamente o procurado por essa empresa chamada vida.
Não estou sabendo viver, me demite, Deus!
O que é necessário pra atuar de maneira ao menos aceitável nessa grande corporação chamada de vida?
Acho que está me faltando malandragem, sabe?
Talvez umas folgas ou alguns atestados falsos, pra não sair no prejuízo. Quem sabe umas férias, talvez uma redução na carga horária.
Qual o ramal do Departamento Pessoal hein?
Talvez eu precise entrar em contato com o sindicato da minha categoria, o ST, Sindicato dos Trouxas, e me inteirar melhor sobre os meus direitos, mas não tenho muita fé que isso ajude. Desde quando alguém trouxa corre atrás daquilo que merece?
Aliás, acho que meus benefícios estão atrasados, tipo uns 31 anos, eu ia reclamar, eu ia, mas melhor deixar pra lá, até tentei, mas a ligação nunca sai da musiquinha de espera, então acabei por desistir mesmo.
Poderia tentar me aposentar, mas não sei se meu fundo de garantia tem sido depositado. Tudo bem, confesso que nem sei se ele existe.
Se eu pedir demissão será que tenho direito ao menos ao purgatório, quero dizer, ao seguro desemprego?
Talvez, quem sabe, uma carta de referência, até porque meu currículo deve ser uma bosta.
Eu poderia tentar falar com o patrão, mas ele deve ser muito ocupado, e tenho medo de na primeira reclamação ele pedir para a segurança me escoltar para fora, e não me deixar nem esvaziar meu armário.
Calma aí, eu tenho um armário?
Nem lembro, faz tempo que não vejo o fim do expediente.
Quem é o supervisor do meu setor hein? O Setor dos Trouxas, melhor falar com ele primeiro, não é legal desrespeitar a hierarquia.
Quer saber, deixa pra lá, ao menos estou empregado, o trabalho não é lá grande coisa, meu serviço não é reconhecido (e também não é grande coisa), o salário é suficiente (apesar de também não ser grande coisa), e os benefícios um dia podem chegar a vir, e isso sim seria uma grande coisa.
Acho que vou dormir ao som da musiquinha de espera do ramal do Departamento Pessoal.

 

 

 

Gill Nascimento

 

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Aqui deu merda…

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Imagine que você é uma pessoa com uma situação completamente estável e que se pode dar o luxo de tirar uns bons anos só para conhecer o mundo. Imagine que você é uma pessoa desbravadora, com uma mochila nas costas e um guia na mão.
Imagine que você, para se orientar melhor futuramente, criou um simples sistema, um mapa e marcadores de cores variadas, cada cor com um significado, e por cada lugar que você passou durante suas viagens, você assinalou com o marcador da cor correspondente ao que lá você viveu.
Tem aquela cor que significa “devo voltar aqui um dia”, aquela outra cor que quer dizer que naquele lugar você deixou algo importante, quem sabe uma paixão, tem a cor que determina que tal lugar você não aproveitou o suficiente, e claro, tem a cor que marca os lugares onde você vai passar o mais longe possível. A cor “aqui deu merda, nunca voltarei”.
Agora pare pra pensar.
A vida é mais ou menos isso.
A vida é um acumulado de variadas lembranças, onde nelas se encontram os desejos de reviver, as vontades de esquecer, os arrependimentos por ter feito algo ou estado em tal lugar, e assim por diante.
A vida é uma aventura, e nós somos os mochileiros.
Um lema bom para se viver, é não se preocupar com o caminho a seguir, onde ele vai dar e como ou quando você vai chegar, a gente não tem que se preocupar com aonde vamos, mas sim nos sentirmos felizes por sabermos para onde não vamos voltar. Aqueles lugares assinalados com o marcador “aqui deu merda”.
Indo mais à fundo nessa analogia muito louca (e olha que eu nem bebi), podemos usar a mesma base de pensamento, para várias situações corriqueiras que estamos sujeitos durante a dura e penosa existência corpórea.
Ao invés de lugares, podemos substituir por decisões, por atitudes, e porque não por pessoas? Pois em todos esses outros casos eu garanto que teria um bocado pra assinar com o marcador “aqui deu merda”.
Então não se preocupe com o que você vai fazer, para onde vai, com o que vai escolher, ou quem irá encontrar. Fique feliz, por saber o que não deve fazer, para onde não deve ir, quais escolhas geralmente não são as melhores, e quem você não deve levar contigo.
Sendo mais claro e objetivo, as pessoas seriam mais felizes se parassem de se preocupar com o incerto e, ao invés disso, comemorassem mais suas certezas.
A vida já não é nada fácil, e desperdiçar tempo e energia se preocupando com aquilo que ainda não é, e que talvez nunca será, é simplesmente a maneira mais fácil de piorar tudo ainda mais.
Eu acho que eu passei tanto perrengue ultimamente que, mais do que o normal, tenho pensado muito na vida, e seus múltiplos significados, e talvez eu esteja só divagando no teclado, ou talvez tudo isso tenha mesmo um bom significado e fundamento. Mas eu daria mais credibilidade as minhas próprias palavras se esse texto fosse um Papo de Bar.
Mas é isso aí pessoal, mochila nas costas e o desconhecido horizonte a frente…
E sempre ao alcance das mãos o marcador pra assinalar e te lembrar daquilo que deu merda!

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Gill Nascimento

Assuntos inacabados…

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Nossa vida, por mais que tentemos ser diferentes, não passa de um caminho cheio de obras inacabadas, cheguei a essa conclusão analisando a minha própria. E se me perguntarem como me sinto referente a isso, a resposta é que nem mesmo sei.
Deveria ser triste olhar para trás e ver um punhado (que só caberia numa mão muito grande, muito grande mesmo) de assuntos inacabados, mas devo confessar que, em sua grande maioria, nem me fede e nem me cheira, pois não consigo sentir falta daquilo que nem sequer conheci.
Com o tempo aprendi a desapegar da expectativa. Sim, claro que penso no futuro, mas penso num futuro baseado naquilo que já conquistei, ou que já construí, não penso mais no futuro possível se aquilo que planejo ou almejo vier a acontecer.
Muitas vezes a gente chama algo de “nosso”, antes mesmo de possuir, e depois, quando perdemos algo que nem chegamos a ter, choramos uma dor que nem era pra sequer existir.
Lembro que falei isso pra um amigo certa vez, e ele disse que não fazia sentido, pois não dá pra perder o que não se tem (isso depois de perguntar que bebida me havia feito criar tal frase).
Mas a verdade é que faz todo sentido, costumamos fazer planos com aquilo que nem sequer passa de um plano também, imaginamos um futuro com o resultado de algo que nem chegou a sair do papel, criamos expectativas com sentimentos de mão única.
E o que acontece?
Como geralmente estamos sujeitos (até mais do que a opção contrária), tudo dá errado, e ao invés de apenas lamentamos porque algo não deu certo, ficamos de luto por tudo aquilo que imaginamos que aconteceria, se o resultado tivesse sido o melhor possível.
E então só sobram os rastros, as sobras daquilo que não foi, os vestígios de planos frustrados, e os resquícios de obras inacabadas e abandonadas.
Mas venho me perguntando ultimamente se, será que precisamos exterminar nossos planos só porque a ideia inicial não saiu conforme imaginamos?
Será que queremos tudo, desde a semente dos acontecimentos, até os frutos de seus resultados, ou queremos somente o resultado em si?
E se assim for, será que não existem outros caminhos que nos levam ao mesmo destino? Ou simplesmente devemos desistir quando o plano A não funciona?
Não existem planos B pra nossa vida?
São realmente muitas questões, e simplesmente não sei a resposta pra nenhuma, mas gosto de acreditar que existem atalhos, desvios, e até caminhos mais longos, que nos levam ao mesmo resultado no final. Isso me conforta.
É como meu avô dizia:
“A vida é uma longa estrada, e a melhor parte da viagem são as curvas sinuosas, pois quando olhamos para trás, enquanto estamos nelas, não conseguimos enxergar as merdas que fizemos, e conseguimos deixar pra trás de verdade!”

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Gill Nascimento

Somos todos atendentes!

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Olá pessoal. Tudo bem com vocês?
Tenho andado meio ausente, devido problemas pessoais que me roubaram a inspiração, e algumas decisões que preciso tomar que, não deixam espaço para mais nada em minha mente.
Tem uma fase em nossa vida em que a gente não quer precisar ter que tomar nenhuma decisão, muito menos decisões difíceis. Aquela fase em que a gente quer que a vida siga seu curso naturalmente. Uma época em que apenas queremos ser espectadores, sentados na primeira fila.
Mas desde quando as coisas são do jeito que a gente espera, não é mesmo?
Parece que quanto mais queremos algo, mais as coisas acontecem da maneira contrária ao esperado.
Eu estou vivendo essa fase nesse momento, as coisas tem dado certo para mim na medida do possível, e me agrada o estado atual em que quase tudo se encontra e, seja a comodidade ou o que for, gostaria de poder estar curtindo isso, ao invés de ter que me preocupar com o restante.
Parece que algumas coisas em nossa vida ficam latentes, só esperando tudo melhorar, e então se manifestam, exigindo atenção imediata, soluções urgentes, extinguindo nossa inspiração, deteriorando nosso ânimo, sugando nossas forças e testando a nossa fé.
É como se houvesse uma fila de espera na nossa vida, em que os problemas pegam suas senhas e ficam aguardando, e toda vez que um se resolve, chega a vez do outro de ser atendido.
Somos meros atendentes.
O ruim é quando um problema após resolvido acaba se tornando algo bom, agradável, quando isso acontece a gente quer curtir o momento, quer viver aquela surpresa, mas a fila não pode parar. E não tem nada pior do que problemas exigindo atenção, e fazendo barulho em nossa vida.
Somos atendentes, usando camisas escritas nas costas “POSSO ME AJUDAR?”, não temos folgas, e nem sabemos resolver essa pergunta. Na verdade nem conseguimos lê-la.
Deveria ser uma afirmação e não uma pergunta, e escrita na frente e não nas costas.
Posso me ajudar!
O que nos sobra em toda essa bagunça chamada vida, é tentar conciliar as coisas, conseguir atender aos nossos problemas e aproveitar um pouco a vida, e viver.
Mas é de se notar que, às vezes, a gente na correria, fazendo hora extra no expediente como atendente dos nossos problemas, acabamos nos atrasando pra esse espetáculo chamado vida.
Mas se notaram, comecei esse texto mencionando a palavra DECISÕES, e não PROBLEMAS, mas acabei tomando um rumo diferente, dá nisso quando a caneta e o papel são nossos amigos, o que escrevemos nada mais é do que uma conversa que pode tomar diversos rumos.
Mas até que não me desviei tanto assim, porque decisões à serem tomadas são sempre um problema na minha vida. Quando não sou impulsivo e faço a primeira coisa que me vem a mente, passo décadas pensando a respeito pra no final fazer tudo errado. Então acho que no final dá tudo no mesmo.
E se não for um problema, ter que tomar decisões quando tudo que você mais quer é desligar a sua mente, então eu não sei mais o que é.
São as ironias da vida.
Quando você está querendo desafios, quando você resolve tirar um tempo para resolver tudo que está pendente, parece que tudo se resolve sozinho.
Por outro lado quando tudo que você quer é paz, problemas surgirão e decisões precisarão ser tomadas.
E as decisões são assim: quando você não quer ter que tomá-las, elas surgirão sempre com opções muito difíceis, nunca será algo simples, em que você de cara saberá o que terá que fazer.
A verdade é que nesse momento eu só queria voltar a ser criança, pra poder sair correndo em direção a minha mãe, e pedir a ajuda dela, porque não está fácil.

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Gill Nascimento

Desempacotando lembranças…

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Eu sou o tipo de pessoa que escreve sobre tudo, principalmente  sentimentos, mas como já citei aqui algumas vezes, nem sempre compartilho essas escritas. E além disso, gosto do estilo antigo de escrever, uma folha de papel e uma caneta ou lápis, as palavras parecem que fluem mais facilmente assim.
E essa semana me mudei, enfim, aliás, motivo da minha ausência aqui no Blog ultimamente, e no processo de desencaixotar as coisas, acabei encontrando algumas coisas que escrevi, e nem faz tanto tempo, e isso me fez refletir.
Como muitos já perceberam, meu carro chefe nesse Blog são as crônicas, na verdade, dificilmente escrevo sobre algo que não vivo, então é de se imaginar que se eu escrever qualquer tipo de texto e postar aqui, no mínimo estou passando por algo parecido, daí vem os receios da exposição. Mas tenho me aberto ao desabafo por aqui, e confesso que isso tem me feito muito bem.
Hoje ao reler alguns textos que escrevi, me perguntei em qual momento da minha vida me tornei uma pessoa que muda tão facilmente seu caminho.
E com isso outras perguntas vieram, na tentativa de obter uma resposta para a primeira:
O que acontece quando aquilo que a gente quer tanto não parece mais possível?
Quando não podemos gritar para os quatro cantos do mundo o que a gente tem dentro do peito?
Quando desistimos de um sonho e embarcamos em outro, e então quando fechamos os olhos percebemos que o antigo sonho continua ali, na nossa imaginação, nos nossos desejos e no nosso coração, só que agora ele já não é tão possível. Na verdade longe disso. O que fazer?
Somos seres ansiosos, buscamos o nosso sonho, mas às vezes acabamos por parar em algo similar, um genérico que não cura.
É como navegar, sabendo que está na direção certa, mas o medo bate quando a terra que procuramos demora para surgir no horizonte, então voltamos, ou aportamos na primeira ilha que surge, e o pior vem depois, quando nos acomodamos.
Então nos tornamos náufragos no mar das nossas próprias incertezas e medos, precisando de coragem, talvez um empurrão, para colocar a jangada em mar aberto e continuar de onde parou.
Não vivemos sem sonhos, e quando não os alcançamos, acabamos por substituí-los, o problema é que nem sempre essa substituição nos satisfaz. E quando essa realidade nos bofeteia a face, a pergunta mais torturante surge:
Foi o sonho que ficou fora de alcance, ou fui eu quem deixou de correr atrás?
Não é fácil descobrir que somos os culpados das nossas próprias desilusões e frustrações, nem é fácil encarar nosso próprio olhar reprovador no espelho, mas somos assim, só percebemos o que fizemos de errado quando é tarde demais.
E o que fazemos quando esse esclarecimento nos encontra?
Isso mesmo, ou nada, ou tudo exatamente igual a primeira vez, porque somos teimosos.
Mas isso é quando a gente consegue tomar coragem e jogamos a jangada no mar, o que é difícil. Geralmente aquelas primeiras perguntas feitas aqui, demoram muito tempo para serem respondidas, outras vezes nunca são. Porque mais difícil que voltar ao caminho do sonho verdadeiro, e deixar o aconchego do sonho similar, principalmente se houver o risco de alguém se machucar no processo. Ainda mais se dessa vez essa pessoa não for a gente.
E se estão se perguntando, a resposta é sim, eu meio que passei (ou estou passando) por isso, mas já tinha até esquecido.
Então vai uma dica aí, quando você precisar por algum motivo remexer naquelas lembranças materiais, se houverem riscos de que velhos sentimentos sejam desenterrados, peça ou pague para alguém fazer isso por você. Eu tive a sorte de ter a minha irmã e minha namorada para embalarem minhas coisas enquanto viajava, mas tive o azar de não pensar nisso tudo antes, e resolver eu mesmo desembalar tudo.
E agora estou aqui, torrando a paciência de vocês.

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Gill Nascimento